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A limitação do WikiLeaks é a força do jornalismo

Dias atrás, o Café Expresso abordou a possibilidade do jornalismo deixar os leitores criarem a própria história, em vez de tirar conclusões por eles. A figura de linguagem quis expressar uma nova forma de fazer jornalismo, na qual um milhares de informações são organizadas em bancos de dados que formam a base para a criação de infografias e gráficos, apresentados principalmente de forma interativa.

O jornalismo interativo, como tem sido chamado, é jornalismo, como o próprio termo diz. E requer jornalistas por trás. Sem os profissionais da imprensa, talvez o grande público não tenha condições, tempo ou vontade de “colocar a mão na massa de dados” e organizá-la. A vontade do público é fazer uma leitura própria dos dados – não escrevê-los.

DerSpielgel O vazamento de mais de 91.000 documentos confidenciais do Pentágono sobre a Guerra do Afeganistão pelo WikiLeaks é um exemplo bastante claro sobre essa diferença. Na média, em geral, a curiosidade pode levar o público a acessar alguns documentos, mas dificilmente todos. É bastante improvável que alguns, mesmo que poucos, tenham coragem de analisá-los e organizá-los para fazer uma leitura posterior. É preciso profissionais para transformá-los em algo inteligível e de interpretação possível.

Por essa razão o WikiLeaks entregou os documentos para três dos principais jornais mundiais: The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido) e Der Spiegel (Alemanha). Os jornalistas e profissionais de arte dessas publicações colocaram a mão na massa e tornaram as informações dos documentos acessíveis à teia global.

Projetos como o WikiLeaks tem limitações, como qualquer elo da cadeia produtiva do jornalismo. Não deixa de ser importante, no entanto, que eles existam. A assimilação da informação pela sociedade global sempre exigirá a capacidade de contar histórias de um profissional experimentado para tal tarefa. Se a plataforma de distribuição da no´ticia será o rádio, a televisão, a internet ou o papel, pouco importa diante da relevância do assunto.

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