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Projetos para visualizar mais facilmente estatísticas de orçamento público se espalham pelo mundo

O pesquisador Jonathan Gray lançou um pedido para pesquisadores do mundo todo por mais exemplos de projetos de visualização de informações fiscais – arrecadação e gasto de dinheiro público.

Ele publicou uma lista prévia com inúmeros projetos já existentes ao redor do mundo. Até o momento, há quase 200 projetos digitais que tentam oferecer formas mais fáceis e inteligíveis para as pessoas navegarem pelas informações dos orçamentos públicos, principalmente os mais leigos e sem muito conhecimento sobre os trâmites e terminologias sobre arrecadação e gasto de recursos públicos.

Vale lembrar uma antiga demanda: projetos de visualização de dados apenas são possíveis de serem feitos quando os dados estão disponíveis para a sociedade, em formato amigável para os programadores de dados trabalharem. As informações públicas pertencem à sociedade. Escondidas nas gavetas, não valem nada.

Exemplo brasileiro – No Brasil, um projeto interessante que busca atender a essas expectativas é o Meu Município. Ele oferece algumas informações principais e permite comparação entre cidades. O leitor que tiver um algum conhecimento sobre as rubricas de orçamento e finanças públicas poderá interpretar mais facilmente a importância as estatísticas e explorar as inúmeras possibilidades que o portal oferece.

De positivo, além do mérito de oferecer informações interpretadas e organizadas, está a possibilidade de exportar as estatísticas e a possibilidade de comparar as diversas rubricas entre várias cidades. Apresenta ainda as fórmulas para o cálculo de cada estatística orçamentária, o que serve como aula para alguns perfis de internautas. Quem acessar

Meu Município

O projeto, com algum apoio financeiro e de recursos humanos, poderia ir além rapidamente, buscando oferecer visualizações diferentes. Um exemplo mais comum são os infográficos do tipo “treemap”, uma forma eficiente de organizar e mostrar informações quantitativas de forma hierárquica por meio de retângulos. Isso permite ao leitor conhecer as dimensões de cada tipo de gasto dentro do orçamento.

Exemplos de visualização – Um bom exemplo é o que faz o governo federal dos Estados Unidos, que publica na internet a perspectiva de gastos por área proposto no orçamento federal para o ano seguinte, no caso, 2016.

US federal budget 2016 treemap

Ou como faz um projeto independente para a cidade de Arlington, no estado norte-americano de Massachusetts, que mostra informações sobre arrecadação e gastos públicos em gráficos de área e no estilo “treemap”.

Arlington fiscal data

Para saber mais:

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro publicou a última versão do Índice Firjan de Gestão Fiscal, uma excelente ferramenta que analisa dados fiscais dos municípios brasileiros. Em 2013, entre todas as cidades brasileiras, 84,2% tinham gestão fiscal em situação difícil ou crítica, 15,4% tinham boa gestão e só 0,3% tinham gestão de excelência. Mais de 80% das cidades brasileiras não conseguiram gerar 20% das receitas necessárias para cumprir o orçamento municipal, dependendo de transferências dos governos federal e estaduais. Vale comparar o índice da Firjan e o portal Meu Município.

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Quatro exemplos de mapas digitais para inspirar gestores a abrirem mais dados públicos

Long Island Rail Road map

Novas tecnologias têm facilitado bastante a elaboração de mapas animados que criam a opção de dar movimento aos dados apresentados. A ideia é espalhar os dados sobre mapas e dar vida a eles, colocá-los em ação. Mais do que entretenimento, isso facilita a detecção de padrões, mudanças e transformações contidas nos bancos de dados, o que poderia ficar escondido sem a animação.

Em geral, os mapas mostram as informações pulsando, acendendo e apagando, permitindo que o leitor perceba facilmente as regiões ou os períodos nos quais as ocorrências se concentram. As visualizações oferecem ainda setas para o controle da reprodução na animação, de forma que seja possível paralisar ou analisar as estatísticas cronologicamente ou em qualquer mês.

Estatísticas de fluxo e estoque – Para cumprir o efeito pulsante, as séries estatísticas precisam ter uma característica: fluxo.  O que isso significa? Simples. Os dados do período presente precisam substituir aqueles de um período anterior. Exemplo: os pontos em um mapa que representa a quantidades de crimes em fevereiro de um ano se apagam quando surgem os dados de ocorrências em março.

Isso não quer dizer que séries estatísticas com característica de “estoque” – quando os dados de determinado período apenas são acrescentados aos de períodos anteriores – não possam ser transformadas em mapas animados. Exemplo: extensão de rodovias asfaltadas. Ao passo que os governos e as empresas entregam as obras de determinados trechos  de estradas asfaltadas, elas simplesmente surgem no mapa de vias já com asfalto, sendo somadas aos trechos já feitos em períodos passados.

Fishing map

Tornados e bombeiros – Um mapa exemplifica bem as explicações anteriores. Ele mostra dados referentes a ocorrências de tornados nos Estados Unidos durante 2004 e 2013, ‘dando vida’ às estatísticas do departamento norte-americano de meteorologia. O internauta pode perceber os meses com mais ocorrências, detectar se há algum padrão – um período do ano no qual sempre há maior prevalência – e analisar se os registros crescem ao longo dos anos. Uma tabela resolveria boa parte dessas perguntas, mas o mapa consegue mostrar as regiões mais impactadas.

Outro mapa mostra a rotina de movimentação diária dos trens urbanos nas linhas do sistema que atende Long Island, na Região Metropolitana de Nova Iorque, considerado o mais movimentado da América do Norte. Tem 124 estações distribuídas em mais de 1.100 quilômetros de extensão. Note que esse mapa mostra apenas as linhas que compõem o sistema de trens urbanos da cidade, excluindo as de metrô. Analisando o fluxo dos pontos ao longo das linhas férreas, percebe-se com mais facilidade em quais trechos e horários há maior intensidade e disponibilidade de trens.

Fire engine callouts Amsterdam

Outro mapa mostra a atividade pesqueira no norte da Europa. O autor indica que há 3,2 milhões dados ao longo dos 365 dias de 2004. Cada ponto indica um barco pesqueiro trabalhando. O internauta consegue visualizar a intensidade da atividade econômica, o que cumpre a intenção do mapa: fazer as pessoas pensarem sobre questões como uso sustentável dos mares.

O último mostra o ‘pulso’ das chamadas feitas ao serviço de bombeiros de Amsterdã, capital holandesa. O autor reuniu no mapa 62.415 pedidos de combate a incêndios feitas entre janeiro de 2006 e setembro de 2010. Novamente, é possível notar com mais facilidade – em comparação a uma simples tabela – quais são as regiões mais afetadas e se há algum padrão, como, por exemplo, se há meses em que há um número maior de ocorrências em todos os anos.

E você com isso? – Mapas animados podem ser produzidos para mostrar visualmente padrões e transformações sobre quaisquer assuntos em uma cidade ao longo de um ano ou mais. Imagine a quantidade de ocorrências de acidentes de trânsito (com ou sem quantidade de vítimas), alagamentos (inclusive a extensão das enchentes), homicídios, roubos e furtos, congestionamento (necessariamente com dados sobre a extensão de vias paradas ou com trânsito lento).

Todas essas informações podem ser mostrado em um mapa animado. Mas, para isso, os gestores públicos, sobretudo os municipais, precisam tomar decisões que resultem em mais dados públicos abertos à disposição dos desenvolvedores.

Para saber mais:

Os mapas animados usam a tecnologia CartoDB de cartografia digital, com contribuição de API (Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicativos, em português). É possível, com esforço razoável, abrir uma conta gratuita e aprender algumas técnicas por meio de tutoriais (aulas em vídeo).

Aqui, aula online para iniciantes sobre elaboração de mapas digitais, ministrada por profissional da CartoDB.