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A comparação pode ser o fiel da balança para fazer boas reportagens ficarem ótimas

Uma das principais regras para fazer um bom jornalismo e facilitar a compreensão do leitor ou da audiência é a comparação. Veja um caso simples, hipotético, e pense qual foi a melhor solução. 1) Governador inaugura novo piscinão capaz de reter 18 milhões de litros de água. 2) Governador inaugura novo piscinão capaz de reter “dois maracanãs” de água. Para dar noção de quantidade ao leitor, remetê-lo à lembrança do tamanho do famoso estádio municipal do Rio de Janeiro é a melhor alternativa.

A partir da comparação, é possível comprovar se algo melhorou ou piorou, aumentou ou diminuiu, é mais ou é menos. Dados padronizados ou fotografias passam a ser essenciais. No jornalismo, há algumas maneiras rotineiras de comparar. Uma é verificar a situação de algum aspecto da economia ou da sociedade brasileira com outros países. Outra é avaliar a evolução de determinado indicador ao longo do tempo. Ou os dois juntos, quando possível.

No Valor Econômico, dia 7 de outubro, uma reportagem mostrou dúvidas a respeito da construção do trem de alta velocidade no Brasil. Entre elas, o custo da obra e as expectativas de demanda por parte dos passageiros. A fonte foi o Senado Federal, que pesquisou projetos similares construídos em outros países. A partir daí, ao jornal bastou elaborar uma infografia organizando espacialmente as informações sobre custo por km construído em cada nação.

Valor trem-bala 2

Muitas vezes, as fotografias são melhores do que mil palavras ou indicadores, principalmente quando mostram o antes e o depois. Imagine uma praça degradada. É mais fácil perceber a transformação no local a partir de duas imagens lado a lado evidenciando a degradação e a recuperação da área.

Em outros casos, a comparação pode ser muito bem feita a partir de um banco de dados com estatísticas que demonstram facilmente a evolução de qualquer aspecto da economia ou da sociedade. É o caso abaixo.

Segundo turno 2

O Valor Econômico é novamente exemplo. A partir de estatísticas abundantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), constatou que somente 14% dos eleitores brasileiros terão de votar para governador em segundo turno em 2010, o menor índice desde 1990, quando 62% dos eleitores tiveram de votar novamente para fazer prevalecer a regra eleitoral que determina que o candidato deve ter 50% dos votos mais um. Em 1994, o índice foi 78%. Em 1990, 16 estados realizaram segundo turno, contra 18 em 1994 e 9 em 2010. A partir da eficiente infografia, a reportagem explica o fenômeno com pouco texto: as coligações reduziram a quantidade de candidatos fortes em disputa, entre outras razões.

A similaridade entre as duas reportagens está no fato da preocupação dos jornalistas em apresentar a informação visualmente, com dados distribuídos espacialmente em mapas. A diferença está na obtenção da principal informação que sustenta cada matéria. No caso do trem de alta velocidade, as estatísticas já tinha sido coletadas e organizadas pela fonte – bastou mostrá-las em um belo infográfico. No caso das disputas eleitorais nos estados em segundo turno, os jornalistas tiveram de garimpar os dados, organizá-los e entregar a informação ao leitor de forma agradável. Em ambas as situações, foram bem-sucedidos.

Para saber mais:

Assinantes do jornal Valor Econômico podem acessar aqui a íntegra das reportagens sobre o trem de alta-velocidade e a quantidade de eleitores envolvidos no segundo turno das eleições 2010.