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Exemplo de jornalismo na fiscalização das ações do poder público

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O portal G1 tem feito um ótimo trabalho ao acompanhar, periodicamente, o cumprimento das promessas de campanha do presidente da República, dos governadores e de alguns prefeitos.

É possível acompanhar o cumprimento de promessas nas diversas áreas da administração pública.

Esse tipo de prática jornalística ao longo do tempo, companhando diligentemente a evolução de algum tipo de assunto, não costuma ser tão comum nas redações.

Essa reportagem “de longo prazo” do G1 ainda tem o mérito de preservar o histórico da apuração, oferecendo ao leitor as informações das parciais apuradas em momentos no passado.

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Algumas vezes, jornalistas acompanham a evolução do bem-estar de famílias ao longo de um prazo mais longo, de forma que o leitor possa identificar, sob o prisma do personagem e do jornalista, os principais indutores da mudança de bem-estar da família acompanhada. O resultado costuma ser muito bom para o leitor.

Veja mais:

Reportagem da Folha de S. Paulo acompanha famílias desde 2005, início de programa social do governo federal, e mostra que beneficiários do Bolsa Família trilham caminhos opostos ao longo de dez anos.

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Lembra daquelas promessas que poucos sabem o que aconteceu de fato?

Em poucos dias, o desempenho de importantes políticas públicas foi analisado por repórteres de jornais de grande circulação. Elas tratam de temas de enorme interesse público e social, como qualidade da rede de transporte público ferroviário, da regularização de terras em aglomerações urbanas,  da proibição de fumar em locais fechados e da meta de enterrar a rede de cabos de telefonia e eletricidade na cidade de São Paulo.

A importância desse tipo de reportagem é gigantesca – e as pessoas deveriam realmente se interessar mais por elas. Há décadas, há uma sensação generalizada que os políticos prometem mas não cumprem, que o cidadão paga muito imposto mas recebe pouco serviço público de volta, que os governos se preocupam mais com a propaganda em torno dos programas lançados do que com o cumprimento das metas divulgadas. Se esse cenário persiste, é porque há pouca gente se debruçando sobre todas essas questões.

Os jornalistas, por natureza de perfil e de profissão, cumprem uma função quase insubstituível nessa área. A partir de um plano traçado (a pauta), conseguem, em tempo relativamente curto, apurar o desempenho das políticas públicas, driblando dificuldades (principalmente quando autoridades públicas não estão dispostas a analisar o próprio desempenho insuficiente), ouvindo um leque variado de personagens e agentes públicos e privados envolvidos, organizando grandes quantidades de dados e informações de uma forma que o cidadão possa entender, rapidamente, o que realmente é fundamental.

02mai O Globo Papel Passado Esse tipo de reportagem – que avalia o desempenho de políticas públicas e promessas dos governos e políticos – é louvável, pois colabora para despertar cidadania entre as pessoas e comprometer quem promete com as promessas feitas. Quanto mais matérias dessas, melhor para todos.

1) Regularização fundiária. Em uma reportagem, os jornalistas lembraram de uma política pública lançada pelo governo federal na primeira semana de 2003, logo após a posse do novo presidente da República. O objetivo era dar aos moradores de áreas invadidas ou precárias o título de posse do terreno e a escritura do imóvel, um pedaço de papel que faz toda a diferença no momento de conseguir financiamentos, por exemplo. A meta era transferir a posse da terra para 1 milhão de famílias até 2006. Passados sete anos e com três anos de atraso, somente 13% dos lares receberam a escritura.

2) Qualidade dos trens. Em outra apuração, feita pela Folha de S.Paulo, aTrens SP pauta foi planejada para que um repórter viajasse por seis linhas do sistema de transporte público ferroviário que interliga diversas cidades da Região Metropolitana à capital paulista. Desde 2007, o governo estadual, mediante investimento de R$ 23 bilhões, promete dar qualidade de metrô para 62% da rede de trens, que tem um total de 260,7 quilômetros de extensão. A partir das visitas e investigação do jornalista, pode-se perceber que houve avanços, mas diversos problemas persistem. O prazo para o poder público cumprir a palavra, lembra a reportagem, ainda não acabou.

3) Restrições para fumo em locais fechados. O Estado de S. Paulo não ficou atrás e também trouxe reportagens que avaliam o desempenho de políticas públicas. Uma delas é a lei antifumo implantada no Estado de São Paulo. A apuração detectou que, após um ano de vigência, há adesão significativa e a lei parece que será respeitada.

Fios enterrados 4) Enterrar 15.000 km de fiação aérea em SP. O Estadão ainda decidiu apurar quais resultados trouxe uma lei municipal aprovada pelos vereadores da cidade de São Paulo em 2005, que obriga concessionárias de TV a cabo, eletricidade e telefonia a enterrar por ano 250 quilômetros de fiação, hoje em rede área. Até hoje, descobriu o jornal, pouco mais de 15 quilômetros foram enterrados no período de quatro anos, em vez de 1.000 quilômetros, como mandou a lei. Na época, a discussão central da viabilidade ou não da lei era o custo de tal obrigação (cerca de R$ 250 bilhões) e quem pagaria a conta (o poder público ou os consumidores). Além disso, seria necessário gerenciar centenas de canteiros de obras na cidade todos os anos – um caos anunciado. Por isso, quando da aprovação, a lei foi considerada natimorta – que já nasceu sem condições de ser realmente cumprida – e sequer foi regulamentada até hoje.