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Infográfico mostra recrudescimento da pobreza nos Estados Unidos entre 2007 e 2010

A crise financeira internacional iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers em setembro de 2008 continua a causar estragos em todo o planeta. Depois do problema centrado na dívida das empresas, das famílias e das pessoas nos países desenvolvidos, agora a turbulência está focada na dívida dos governos.

Vale lembrar que muitos dos governos com problemas de solvência hoje decidiram socorrer os entes privados endividados no início da crise a partir da emissão de títulos e moeda para captar dinheiro e emprestar aos enforcados. Agora, com dívidas explosivas e quase impagáveis, precisam economizar recursos e aumentar receitas, mas é difícil elevar receitas se a economia não cresce, pois o próprio poder público tem de cortar gastos e isso gera desaceleração na atividade econômica e menos arrecadação tributária.

Uma consequência dessa ciranda é o aumento do desemprego e da queda da renda das famílias. O The New York Times elaborou uma reportagem suportada pelos dados do órgão responsável pelo censo norte-americano evidenciando o recrudescimento da pobreza por todo o país.

Como há estatísticas à vontade, o jornal elaborou uma infografia bastante convencional, mas muito efetiva, usando tonalidades mais fortes ou mais fracas de algumas cores em um mapa dos EUA para mostrar em quais regiões a evolução da renda e da pobreza foi mais ou menos impetuosa.

A reportagem e a infografia poderiam sugerir para algumas redações uma matéria similar, comparando os mapas norte-americano e brasileiro. Os gráficos certamente mostrariam curvas inversas e os mapas tonalidades contrárias.

US poverty 2007 - 2011

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A quantidade de pessoas pobres cresceu nos Estados Unidos, mas eles são bem mais ricos que os pobres brasileiros

As condições econômicas e de bem-estar das famílias nos Estados Unidos pioraram desde que estourou a crise no sistema financeiro lá, em 2008. A pobreza aumentou, o nível de emprego não se recupera após o baque e os benefícios sociais crescentes pesam cada vez para o orçamento do poder público norte-americano, que não sabe onde cortar após tantos cortes já feitos desde a eclosão da crise.

Dias atrás, o U.S. Census Bureau, o IBGE norte-americano, divulgou que a taxa de pessoas vivendo em condições de pobreza aumentou novamente. Em 2009, 14,3% da população – o equivalente a 43,6 milhões de pessoas, uma em cada sete – viveram no ano passado em condições de pobreza. Em 2008, 39,8 milhões de pessoas estavam nessa faixa de renda.

Dentro dessa estatística estão famílias de quatro pessoas cuja renda familiar seja igual ou inferior a US$ 22.000 por ano. Essa renda inclui salário e qualquer benefício recebido do governo.

O valor equivale a uma renda média domiciliar mensal de R$ 3.100 para o grupo – ou R$ 780 por pessoa por mês. Nada mal comparado ao Brasil, mas pouco para indivíduos acostumados, em geral, a consumir em níveis elevados serviços e produtos de educação a saúde, de lazer a bens duráveis.

Apenas para comparação, no Brasil, 49% das pessoas vivem em famílias cuja renda média mensal é igual ou inferior a três salários mínimos. Isso equivale a uma renda anual de R$ 18.360 por família – ou R$ 493 por pessoa por mês nesta faixa (cuja renda total das pessoas que moram no domicílio é de até 3 salários mínimos). Na média, nessa categoria, há 3 pessoas por casa.

Com menos dinheiro, as famílias deixam de contratar seguros de saúde, cursos educacionais e todo tipo bens e serviços, dependendo cada vez mais dos governos e retirando oxigênio da economia.

Cálculos na lousa:

* 58,6 milhões de residências no Brasil. Desse total, 30,4 milhões são moradias nas quais a renda de todos os integrantes não supera 3 salários mínimos por mês. Essa quantidade equivale a 51,8% do total de residências no país.

* 191,0 milhões de brasileiros. Desse total, 93,6 milhões moram em residências cuja renda de todos os integrantes não supera 3 salários mínimos por mês. Essa quantidade equivale a 49,0% do total de pessoas no país.

* Salário mínimo no Brasil = R$ 510. Renda familiar mensal de até três  salários = R$ 1.530. Renda anual por família = 18.360.

* Quantidade média de pessoas por família nesta faixa de renda = 3,1. Renda anual por pessoa por mês = R$ 493.

Para saber mais: Passeie pela página do IBGE que traz indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2009) e pela página na Wikipédia sobre a história e evolução do salário mínimo no Brasil.