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A pobreza diminuiu – e não há mágica e nem mágicos por trás desse avanço

As estatísticas, quase todas elas, mostram a redução da pobreza no Brasil, independentemente na faixa de corte – o valor médio da renda de uma pessoa ou de uma família para deixar de ser pobre.

A quase totalidade das pessoas creditam a redução da pobreza à gestão dos governantes nos últimos anos, que criaram ou intensificaram programas de distribuição de renda e políticas públicas que favoreceram a aceleração atividade econômica e a geração de emprego.

Beating povertyUma explicação começa a surgir como informação adicional. Como mostra o gráfico da revista inglesa The Economist, todas as economias latino-americanas tiveram desempenho similar ou melhor que o Brasil no esforço de reduzir a pobreza.

Essas estatísticas compreendem o período até 2009 – e acredita-se que nos anos seguintes, entre 2010 e 2012, o avanço deve ter permanecido na mesma direção. O que importa, sobretudo, é que parece haver uma explicação estrutural, e não somente conjuntural, para entender a redução da pobreza no Brasil.

Explicando melhor: ou todos os governantes no período e em toda o continente foram bem-sucedidos na administração das políticas públicas visando reduzir a pobreza ou algum fator econômico regional ofereceu uma plataforma uniforme e abrangente para a queda destes indicadores. Ou, inclusive, as duas ações, juntas.

Uma forma de reduzir a pobreza é transferir mais dinheiro dos impostos arrecadados para as populações menos abastadas. Outra maneira é fazer a economia toda crescer – e com isso gera-se mais empregos e aumenta a renda das famílias.

Em todos os países latino-americanos, tudo indica que a pobreza foi reduzida por causa da existência de mais empregos disponíveis e por mais distribuição de benefícios aos mais pobres.

O maravilhoso mundo dos infográficos interativos

Nos últimos dias, me deparei com quatro infográficos interativos que, além de atraentes e interessantes, instigam o público a pesquisar e a aprender. Eles abordam questões candentes e atuais e ajudam a criar consciência e compreensão. Vale lembrar que trabalhos como esses só são possíveis quando há bancos de dados consistentes e abrangentes disponíveis.

Suprimento de água fresca. Produzido para o Visualizing.org em um concurso aberto para celebrar o Dia Mundial da Água. O infográfico permite a comparação entre dois países em diversos aspectos relativos à água: consumo por pessoa, consumo do país por ano e suprimento de água, entre outros. É possível saber quais nações tem menor quantidade disponível de água, quais países usam mais o insumo para fins industrial e agrícola e muito mais.

Water Supply

O caminho do protesto. Produzido pelo jornal inglês The Guardian, mostra, de forma bastante interessante e eficiente, uma linha do tempo narrando a sequência dos protestos no Oriente Médio e no Norte da África. A linha do tempo, que começa com o a notícia do desempregado tunisiano que colocou fogo no próprio corpo após ser impedido de vender legumes na rua, chega a parecer com o Guitar Hero, videogame de sucesso no mundo todo.

Linha do tempo Mapa de ônibus de Londres. Disponível no Tableau Public, o mapa foi produzido com 1,5 milhão viagens de ônibus na capital inglesa. A amostra representa apenas 5% do total de viagens feitas no sistema de transporte, compreendendo ônibus, metrôs e trens. Permite ver rota por rota e a intensidade das viagens por dia e horário.

London buses 

A história da pobreza. Uma mapa-mundi que permite visualizar a mudança de patamar – de pobre para desenvolvido – nas nações em todos os continentes a partir de indicadores desde 1820. A interatividade permite segregar nações ou continentes ao gosto do internauta.

Poverty map

A quantidade de pessoas pobres cresceu nos Estados Unidos, mas eles são bem mais ricos que os pobres brasileiros

As condições econômicas e de bem-estar das famílias nos Estados Unidos pioraram desde que estourou a crise no sistema financeiro lá, em 2008. A pobreza aumentou, o nível de emprego não se recupera após o baque e os benefícios sociais crescentes pesam cada vez para o orçamento do poder público norte-americano, que não sabe onde cortar após tantos cortes já feitos desde a eclosão da crise.

Dias atrás, o U.S. Census Bureau, o IBGE norte-americano, divulgou que a taxa de pessoas vivendo em condições de pobreza aumentou novamente. Em 2009, 14,3% da população – o equivalente a 43,6 milhões de pessoas, uma em cada sete – viveram no ano passado em condições de pobreza. Em 2008, 39,8 milhões de pessoas estavam nessa faixa de renda.

Dentro dessa estatística estão famílias de quatro pessoas cuja renda familiar seja igual ou inferior a US$ 22.000 por ano. Essa renda inclui salário e qualquer benefício recebido do governo.

O valor equivale a uma renda média domiciliar mensal de R$ 3.100 para o grupo – ou R$ 780 por pessoa por mês. Nada mal comparado ao Brasil, mas pouco para indivíduos acostumados, em geral, a consumir em níveis elevados serviços e produtos de educação a saúde, de lazer a bens duráveis.

Apenas para comparação, no Brasil, 49% das pessoas vivem em famílias cuja renda média mensal é igual ou inferior a três salários mínimos. Isso equivale a uma renda anual de R$ 18.360 por família – ou R$ 493 por pessoa por mês nesta faixa (cuja renda total das pessoas que moram no domicílio é de até 3 salários mínimos). Na média, nessa categoria, há 3 pessoas por casa.

Com menos dinheiro, as famílias deixam de contratar seguros de saúde, cursos educacionais e todo tipo bens e serviços, dependendo cada vez mais dos governos e retirando oxigênio da economia.

Cálculos na lousa:

* 58,6 milhões de residências no Brasil. Desse total, 30,4 milhões são moradias nas quais a renda de todos os integrantes não supera 3 salários mínimos por mês. Essa quantidade equivale a 51,8% do total de residências no país.

* 191,0 milhões de brasileiros. Desse total, 93,6 milhões moram em residências cuja renda de todos os integrantes não supera 3 salários mínimos por mês. Essa quantidade equivale a 49,0% do total de pessoas no país.

* Salário mínimo no Brasil = R$ 510. Renda familiar mensal de até três  salários = R$ 1.530. Renda anual por família = 18.360.

* Quantidade média de pessoas por família nesta faixa de renda = 3,1. Renda anual por pessoa por mês = R$ 493.

Para saber mais: Passeie pela página do IBGE que traz indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2009) e pela página na Wikipédia sobre a história e evolução do salário mínimo no Brasil.