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Será que algum candidato sabe realmente o que o brasileiro pensa do governo?

O jornal norte-americano The Washington Post trouxe, dias atrás, uma reportagem com um título bastante sugestivo: “Além do Tea Party: o que os americanos realmente pensam do governo”. Os resultados são interessantes e até contraditórios, na medida que as pessoas querem que o governo limite a participação no dia a dia mas querem que atue mais firmemente em áreas como educação e saúde. Os Estados Unidos estão prestes a realizar eleições para escolher integrantes do Congresso – por isso, tal debate.

O Tea Party é um movimento surgido por lá e visa induzir a discussão sobre temas importantes, entre eles a presença do Estado na economia e na vida dos cidadãos. Em texto recente, o Café Expresso analisou algumas ansiedades dessa parcela da sociedade norte-americana que suporta o movimento. Tem, como seguidores, sobretudo adeptos do Partido Republicano, que faz oposição ao governista Democratas, do presidente Barak Obama.

No Brasil, depois de semanas de campanha eleitoral que resultaram na votação em primeiro turno, no dia 3 de outubro, e já transcorridas praticamente duas semanas da campanha em segundo turno, cuja votação será realizada dia 31 de outubro, fica a pergunta: os candidatos a qualquer cargo público realmente sabem o que o brasileiro pensa e quer do governo?

É claro que o cidadão quer mais saúde e educação, melhor segurança pública e transporte, menor carga de impostos e menos corrupção, mas será que uma ou duas pesquisas, entre as centenas que são realizadas em cada eleição para tentar capturar com antecedência a tendência de voto do eleitor, não poderia perguntar o que ele pensa do governo?

Vale algumas informações. Em 2010, a quantidade de pesquisas realizadas ou em realização já ultrapassou largamente o montante feito nas eleições presidenciais de 2006. No dia 13 de outubro, mais três pesquisas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), totalizando 884 delas em 2010, até então. Quatro anos antes, foram produzidas 589 pesquisas.

Será que poucas delas não poderiam questionar o que o brasileiro pensa do governo, se quer mais ou menos governo, se quer privatização ou estatização, se abomina ou prefere empresas privadas ou públicas operando serviços básicos, se quer liberar ou proibir o aborto, se é realmente importante que o candidato seja religioso ou ateu?

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