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Quatro exemplos de mapas digitais para inspirar gestores a abrirem mais dados públicos

Long Island Rail Road map

Novas tecnologias têm facilitado bastante a elaboração de mapas animados que criam a opção de dar movimento aos dados apresentados. A ideia é espalhar os dados sobre mapas e dar vida a eles, colocá-los em ação. Mais do que entretenimento, isso facilita a detecção de padrões, mudanças e transformações contidas nos bancos de dados, o que poderia ficar escondido sem a animação.

Em geral, os mapas mostram as informações pulsando, acendendo e apagando, permitindo que o leitor perceba facilmente as regiões ou os períodos nos quais as ocorrências se concentram. As visualizações oferecem ainda setas para o controle da reprodução na animação, de forma que seja possível paralisar ou analisar as estatísticas cronologicamente ou em qualquer mês.

Estatísticas de fluxo e estoque – Para cumprir o efeito pulsante, as séries estatísticas precisam ter uma característica: fluxo.  O que isso significa? Simples. Os dados do período presente precisam substituir aqueles de um período anterior. Exemplo: os pontos em um mapa que representa a quantidades de crimes em fevereiro de um ano se apagam quando surgem os dados de ocorrências em março.

Isso não quer dizer que séries estatísticas com característica de “estoque” – quando os dados de determinado período apenas são acrescentados aos de períodos anteriores – não possam ser transformadas em mapas animados. Exemplo: extensão de rodovias asfaltadas. Ao passo que os governos e as empresas entregam as obras de determinados trechos  de estradas asfaltadas, elas simplesmente surgem no mapa de vias já com asfalto, sendo somadas aos trechos já feitos em períodos passados.

Fishing map

Tornados e bombeiros – Um mapa exemplifica bem as explicações anteriores. Ele mostra dados referentes a ocorrências de tornados nos Estados Unidos durante 2004 e 2013, ‘dando vida’ às estatísticas do departamento norte-americano de meteorologia. O internauta pode perceber os meses com mais ocorrências, detectar se há algum padrão – um período do ano no qual sempre há maior prevalência – e analisar se os registros crescem ao longo dos anos. Uma tabela resolveria boa parte dessas perguntas, mas o mapa consegue mostrar as regiões mais impactadas.

Outro mapa mostra a rotina de movimentação diária dos trens urbanos nas linhas do sistema que atende Long Island, na Região Metropolitana de Nova Iorque, considerado o mais movimentado da América do Norte. Tem 124 estações distribuídas em mais de 1.100 quilômetros de extensão. Note que esse mapa mostra apenas as linhas que compõem o sistema de trens urbanos da cidade, excluindo as de metrô. Analisando o fluxo dos pontos ao longo das linhas férreas, percebe-se com mais facilidade em quais trechos e horários há maior intensidade e disponibilidade de trens.

Fire engine callouts Amsterdam

Outro mapa mostra a atividade pesqueira no norte da Europa. O autor indica que há 3,2 milhões dados ao longo dos 365 dias de 2004. Cada ponto indica um barco pesqueiro trabalhando. O internauta consegue visualizar a intensidade da atividade econômica, o que cumpre a intenção do mapa: fazer as pessoas pensarem sobre questões como uso sustentável dos mares.

O último mostra o ‘pulso’ das chamadas feitas ao serviço de bombeiros de Amsterdã, capital holandesa. O autor reuniu no mapa 62.415 pedidos de combate a incêndios feitas entre janeiro de 2006 e setembro de 2010. Novamente, é possível notar com mais facilidade – em comparação a uma simples tabela – quais são as regiões mais afetadas e se há algum padrão, como, por exemplo, se há meses em que há um número maior de ocorrências em todos os anos.

E você com isso? – Mapas animados podem ser produzidos para mostrar visualmente padrões e transformações sobre quaisquer assuntos em uma cidade ao longo de um ano ou mais. Imagine a quantidade de ocorrências de acidentes de trânsito (com ou sem quantidade de vítimas), alagamentos (inclusive a extensão das enchentes), homicídios, roubos e furtos, congestionamento (necessariamente com dados sobre a extensão de vias paradas ou com trânsito lento).

Todas essas informações podem ser mostrado em um mapa animado. Mas, para isso, os gestores públicos, sobretudo os municipais, precisam tomar decisões que resultem em mais dados públicos abertos à disposição dos desenvolvedores.

Para saber mais:

Os mapas animados usam a tecnologia CartoDB de cartografia digital, com contribuição de API (Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicativos, em português). É possível, com esforço razoável, abrir uma conta gratuita e aprender algumas técnicas por meio de tutoriais (aulas em vídeo).

Aqui, aula online para iniciantes sobre elaboração de mapas digitais, ministrada por profissional da CartoDB.

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Excelente matéria do Washington Post sobre tecnologia policial é também uma aula de jornalismo

ShotSpotter heat map

Dias atrás, o The Washington Post publicou uma daquelas reportagens que são verdadeiras aulas de jornalismo. A matéria mostrava uma iniciativa da polícia no Distrito de Washington, capital dos Estados Unidos, para monitorar incidentes com armas de fogo por meio da instalação de dispositivos que percebem e analisam o som de disparos em uma área de mais de 50 quilômetros quadrados.

Nos últimos oito anos, desde que o programa foi criado, 39 mil incidentes com armas de fogo foram detectados pelo sistema graças ao som capturado pelos sensores espalhados pela cidade. Com o conhecimento da ocorrência e com o registro em mãos, os policiais podem agir com mais celeridade e circunscrever o local do disparo com um pouco mais de precisão, por mais que o sistema não seja perfeito e haja vários tipos de interferências e possíveis falhas.

Se o tema é interessante, a matéria foi bastante eficiente e mostra um roteiro positivo de ferramentas e possibilidades ao alcance dos jornalistas. Para elaborar a reportagem, o jornalista requisitou as estatísticas do programa policial por meio da lei de acesso à informação local.

ShotSpotter audio

Mecanismos multimídia – Com os dados em mãos, os repórteres planejaram uma matéria multimídia, incluindo a possibilidade do leitor distinguir o som de tiros e de fogos de artifício – um dos trabalhos que o sistema policial faz automaticamente.

Diagramas ainda explicam didaticamente o funcionamento da tecnologia à disposição dos policiais e um “mapa de calor” mostra os quarteirões onde houve mais e menos disparos, o que é facilmente perceptível pela gradação das cores. O leitor pode saber quantos disparos ocorreram em cada quarteirão ao longo dos últimos anos. Infelizmente, a matéria não mostra um gráfico com a evolução das ocorrências para todo o Distrito de Washington nos últimos anos. Dá apenas um dado, no meio do texto: os disparos diminuíra, somando 5,385 tiros em 2012.

O jornal também não se resignou a apenas relatar as estatísticas conseguidas. Buscou um personagem que refletia o foco, o assunto central da matéria: o som dos disparos de armas de fogo – e o colocou no início da reportagem. Especialistas completam a reportagem, explicando o sistema e as possibilidades da tecnologia para ajudar nas ações de planejamento, combate e prevenção contra o crime.

A reportagem, em inglês, vale a leitura completa. Alguns aspectos interessantes:

– A tecnologia foi criada a partir da sensibilidade de um engenheiro especializado em acústica, que passou a ficar preocupado com a atuação de gangues. Ele conversou com a polícia local para saber como um sistema de detecção de tiros poderia ajudar a combater a violência.

– O engenheiro foi encaminhado a especialistas do serviço de geologia dos Estados Unidos, que já pesquisam formas de utilizar o conhecimento disponível para detecção de terremotos – uma das áreas de muita pesquisa tecnológica lá – para perceber quando há disparos por armas de fogo. A adaptação a um ambiente urbano – por causa das interferências que prédios e corredores, entre outros obstáculos, causam na acústica – em tempo real vinha sendo difícil.

– Com um parceiro, o engenheiro criou um software para aprimorar a detecção de sons em tempo real. Bem-sucedido, patenteou o sistema, que já é utilizado por 65 departamentos de polícia nos Estados Unidos, e também na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.

– A partir de um disparo de arma de fogo, detectado em tempo real pelos sensores instalados na capital norte-americana, o departamento de polícia aciona imediatamente os policiais que, com a possibilidade de intervir no local exato, têm mais chances de capturar o autor do tiro e apreender o revólver. O sistema demora apenas 40 segundos para capturar o som, comparar o dado e informar o local da ocorrência. Os policias podem ser despachados quase em tempo real ao incidente.

– O sistema está monitora pouco mais de 50 quilômetros quadrados do Distrito de Washington, o que representa quase um terço dos 177 quilômetros quadrados da capital dos Estados Unidos.

– O programa, que funciona há oito anos, custou aos cofres públicos cerca de US$ 3,5 milhões nos últimos seis anos (algo como R$ 1,3 milhão por ano).

– O software que sustenta o sistema de detecção do som dos disparos está conectado a um sistema de câmeras de circuito fechado . Assim, a polícia quer começar a conhecer as sequência de cenas em tempo real imediatamente após os tiroteios. Contra vandalismo, a aparência e a localização dos sensores não são revelados.

– As pessoas, ao ouvirem um som, muitas vezes confundem com fogos de artifício ou escapamento de carros e motos. Além disso, não informam a ocorrência à polícia. Já o sistema consegue detectar até 95% dos disparos. Com dados em tempo real e com tamanha abrangência, há possibilidade de agir com mais eficiência e foco no combate e prevenção ao crime.

Projeto avalia esforço dos países na política de abrir dados públicos e cria boas perspectivas

Daily chart

A The Economist costuma analisar estatísticas e publicá-las no formato de gráficos na coluna chama “Daily Chart”. Na imensa maioria das vezes, faz excelente trabalho.

Recentemente, publicou um conjunto de gráficos para dar visibilidade a um índice de transparência, recentemente divulgado pelo Open Knowledge Foundation, que mostra quais países mais avançaram até então na política de divulgação de dados públicos – movimento global denominado “open data”.

A publicação cruzou os números do índice em questão com outros rankings: PIB per capita (Fundo Monetário Internacional), desenvolvimento humano (Índice de Desenvolvimento Humano da ONU) e percepção de corrupção (Transparência Internacional).

Conclusão: países que mais divulgam informações e dados públicos são aqueles que, em geral, detêm melhores índices de desenvolvimento humano e de renda per capita – e também menos corrupção. Ou vice-versa.

Como funciona – O índice de transparência recentemente lançado escolheu dez assuntos – orçamento público, emissão de gases poluentes e transporte, entre outros – e criou nove critérios para analisar a qualidade desta divulgação (se os dados estão publicados em formato de fácil manuseio por quaisquer interessados, se há dados públicos disponíveis para determinada área, se são atualizados periodicamente etc).

Analisa-se, majoritariamente, o nível mais elevado de governo. No Brasil, por exemplo, os dados sobre serviço de transportes são referentes aos do sistema de ônibus interestaduais, divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na área de orçamento público, avalia-se se as estatísticas de gastos do governo federal.

Open data index

Aspectos positivos – Há inúmeros aspectos positivos no projeto desenvolvido pelo Open Knowledge Foundation. Pela primeira vez, há uma metodologia sólida para construir um ranking dos países que mais avançam no esforço de divulgar informações públicas, principalmente porque o índice mistura informações quantitativas com avalições qualitativas.

Além disso, a metodologia também prevê que as informações podem ser conferidas e corrigidas constantemente. Como os participantes dessa iniciativa estão reunidos na Open Knowledge Foundation, uma instituição sólida, há perspectiva de o projeto avançar mais e se consolidar ao longo do tempo. Colaborativo, sempre cabe mais gente disponível a trabalhar, o que pode impulsionar o índice para patamares mais elevados.

Limitação do índice – O índice não pretende ser uma lista de todos os bancos de dados públicos disponíveis em cada país. O primeiro objetivo é verificar o quanto as nações estão cumprindo um acordo firmado em 2011 para abrir estatísticas públicas. O segundo é oferecer uma ferramenta para que os cidadãos “deem o pontapé inicial” nas discussões com os governos para abrir mais dados.

Se o índice não pretende capturar e avaliar todos os tipos de dados abertos até hoje, fica uma pergunta: como medir precisamente o esforço e os resultados em cada país sobre o assunto? Resposta: um grupo gigantesco de colaboradores teria de se juntar à iniciativa para, em cada país, capturar e avaliar todos os tipos de dados públicos divulgados pelos governos federal, estaduais e municipais.

Para jornalistas – A iniciativa tem potencial para ser um enorme banco de dados para o trabalho de repórteres que desejam avaliar o quanto um país avançou no cumprimento de leis que determinam a divulgação de dados públicos. Mais: é possível comparar com países vizinhos ou mais avançados. Comparação cria inveja – e isso é um combustível e tanto para a ação de políticos e governantes.

Para saber mais:

O McKinsey Global Institute lançou um relatório bastante consistente sobre os impactos econômicos e sociais das políticas de abertura de dados públicos pelos governos do mundo todo. O trabalho indica que US$ 3 trilhões poderiam ser gerados de valor em sete áreas com a publicidade de dados públicos (e outros privados, que eles preferem incluir no conceito de ‘open data’).

Paulistanos terão em breve aplicativos para saber localidade dos ônibus. No mundo, isso é comum

Painel

A notícia foi publicada no jornal Folha de S. Paulo dia 26 de agosto. A Prefeitura de São Paulo deve lançar uma iniciativa que deve transformar bastante – para melhor – a convivência entre o passageiro e o sistema de ônibus na capital paulista.

Hoje, apesar de os ônibus serem novos e confortáveis, o tempo de espera nos pontos de parada é grande e o cumprimento dos horários é imprevisível. O passageiro, ao chegar no ponto, pode esperar cinco ou cinquenta minutos, no trajeto de ida ou de volta – ou nos dois.

Movimento mundial – A iniciativa da prefeitura paulistana segue movimento adotado em várias cidades e estados no mundo todo: abrir os dados e as estatísticas coletados e gerenciados pelo poder público para que os especialistas – desenvolvedores de internet e cientistas da computação – possam criar aplicativos para fornecer serviços aos cidadãos.

Vale lembrar, sempre: se as informações são coletadas pelo poder público, elas são de poder da sociedade, que é responsável pelo pagamento, via tributos, do funcionamento da máquina pública.

Ao abrir os dados públicos, a prefeitura permite criar um mercado privado de desenvolvimento destes aplicativos, gerar novos postos de trabalho e melhorar a prestação de serviços aos cidadãos.

London tube

Exemplos de fora – Dois exemplos são muitos interessantes, do mesmo desenvolvedor, utilizando dados em tempo “quase real”. O pecado, em ambos, é o alerta que o desenvolvedor faz: os dados são “aproximadamente” em tempo real, o que impede o usuário de se programar com base nos dois serviços, sob risco de perder o trem.

Em um projeto, o especialista criou um serviço que mostra estações, itinerários, localidade dos trens na rede de toda a Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia). O cidadão pode escolher a estação e obter as informações. Em outro projeto, as pessoas conseguem as mesmas informações – quantidade, localidade e itinerário dos trens – do sistema metroviário de Londres, capital da Inglaterra.

Vale lembrar que Londres, como muitas cidades europeias, informa ao usuário, nos pontos de ônibus, em quantos minutos o próximo ônibus vai chegar. E o horário é realmente cumprido, tudo graças aos dispositivos GPS em cada ônibus – os mesmos dados públicos que a Prefeitura de São Paulo vai disponibilizar aos desenvolvedores de internet.

Em vez de ficar olhando fixamente para a rua sem saber quando o ônibus desejado via passar, o usuário poderá ir até o comércio mais próximo ou cumprir pequenas tarefas.

Exemplos – Muitas cidades têm os chamados “bus services trackers”, que são aplicativos que indicam ao usuário as rotas, os pontos de paradas, os horários e o local onde o ônibus está em tempo real.

O serviço da cidade de Chicago, nos Estados Unidos, é bem interessante e funcional. Cumpre todas as funções com facilidade e indica em quanto tempo o próximo ônibus chegará ao ponto de parada onde o passageiro se encontra.

Chicago bus tracker

Serviço da cidade de Chicago com informações sobre sistema de ônibus

Edimburgo, na Escócia, com cerca de 500 mil habitantes, e Londres, na Inglaterra, com cerca de 8,2 milhões de cidadãos, têm serviços similares, bastante eficientes e com informações completas.

Observação – Os ônibus na cidade de São Paulo foram caracterizados como confortáveis porque são novos e, na imensa maioria dos casos, limpos. Há problemas notórios no sistema de ônibus. Os principais são a falta de pontualidade (ninguém sabe quando o ônibus vai passar no ponto de espera), a demora para percorrer a rota (por causa do trânsito e das interferências nas vias) e a lotação nos horários de pico (como há nos melhores sistemas do mundo).

Todos querem um sistema de ônibus sem esses defeitos, mas vale recordar que, faz quase duas décadas, a renovação anual escalonada da frota é regra na capital paulistana. Os defeitos do sistema, mencionados antes, só serão resolvidos com mais linhas de trens e metrôs, e tecnologia, como informar o horário dos próximos ônibus nos pontos das principais rotas (assim acontece em várias capitais mundiais) e os aplicativos que usam os dados públicos do controle do sistema de ônibus para que o cidadão tenha uma ferramenta a mais para organizar a própria vida.

Por que muitas capitais mundiais têm – e o Brasil não tem – um mapa dos banheiros públicos?

Tine Müller, uma senhora dinamarquesa, buscou na prefeitura de Copenhague (1,2 milhão de habitantes) informações sobre a rede de banheiros públicos da capital dinamarquesa. Ela perguntou sobre a localização e as condições das instalações, se serviam para homens, mulheres e deficientes físicos. O objetivo dela criar uma solução que permitisse a cidadãos e turistas o acesso fácil ás informações e à infraestrutura.

FindToilletDK

Copenhague tem uma rede de quase 50 banheiros públicos espalhados pela cidade. A cidadã dinamarquesa obteve a lista de todas as instalações, com todas características e horários de funcionamento de cada uma delas, e trabalhou para criar um aplicativo acessível para qualquer pessoa. O objetivo agora é convencer todos os prefeitos dinamarqueses a “abrirem” esses dados públicos, para beneficiar residentes e turistas em qualquer parte do país.

Muito diferente do que ocorre no Brasil, capitais mundiais costumam ter um sistema de banheiros públicos. Além disso, costumam ter políticas públicas já bem organizadas para a divulgação de informações públicas – por exemplo, a lista com os endereços dos banheiros públicos. Junte as duas coisas. As pessoas passam a ter, facilmente, toda a rede de serviços públicos ou parte dela em um telefone celular.

Programadores e profissionais que lidam com os mais diversos ramos das ciências da computação e da informação podem utilizar esses dados públicos para criar softwares que, baseados em tais dados, entregam algum resultado para o usuário – no caso, a lista com todos os endereços dos banheiros públicos da cidade.

Troque banheiro público por qualquer outro serviço prestado pelas cidades: escolas, centros de saúde, bibliotecas, parques, telefones públicos, agências de correio, pontos de ônibus e muitos outros. Imagine a quantidade de serviços públicos que podem ser acessados facilmente pelos cidadãos, seja pela internet ou pelo celular de cada um.

Cidadão-fiscal – Em uma entrevista para uma revista local, a cidadã dinamarquesa explicou que, ao acessar o aplicativo com a rede de banheiros públicos da capital, as pessoas podem não somente descobrir o endereço ou as características da instalação mais próxima como também podem inserir comentários e fiscalizar as condições de uso, higiene e conservação. Ninguém é melhor para oferecer essas informações do que os usuários, resumiu ela.

O Brasil? Claro, primeiro, as cidades brasileiras precisam construir uma rede de banheiros públicos que cubra razoavelmente as cidades, ao menos as principais. Depois, as autoridades precisam oferecer aos cidadãos as informações públicas – isso é, “abrir” os dados públicos. Com esses dados acessíveis, os programadores fazem o restante do trabalho.

Por trás do exemplo da senhora dinamarquesa está um movimento civil organizado em várias cidades, estados e países ao redor do mundo que cobra das autoridades públicas o acesso facilitado a diversos tipos de informações públicas, principalmente aquelas que possam ter algum valor ou serventia à população. O Brasil, mesmo nessa área, também ainda avança muito lentamente.

Para saber mais:

Caso queira entender com um pouco mais de profundidade e abrangência, acesse a introdução (em inglês) de um guia criado exatamente para conscientizar cidadãos, jornalistas e fundamentalmente instituições públicas sobre os impactos positivos do movimento global por mais acesso aos dados públicos.