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Entrevista traz pistas importantes sobre futuro do jornalismo

O jornal O Globo tem o hábito de publicar diariamente uma rápida entrevista com alguém que tenha algo a dizer. Inclusive, a primeira pergunta é sempre “conte algo que eu não sei”.

No dia 9 de outubro, o entrevistado foi Greg Policinski, jornalista, editor fundador do Instituto Newseum, o Museu da Imprensa, sediado em Washington, Estados Unidos. Policinski é diretor de operações da instituição.

Vale a leitura. Há dicas interessantes sobre o presente e o futuro do jornalismo e da imprensa. Destaque:

  • Os micropagamentos podem se constituir em uma fonte de receita alternativa à publicidade e à circulação.
  • Em algum tempo, o imediatismo (“instant now”, na entrevista) que a internet trouxe pode deixar de ser tão relevante assim para o leitor.
  • Jornalismo, mais que notícias, vende credibilidade.
  • Para construir credibilidade, é necessário tempo e pessoas.

Newseum

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Sugestão de pauta para a imprensa: o que tem no fim das linhas de metrô nas cidades brasileiras?

A idéia abaixo não é original. Mas tudo que é bem-feito e eficiente pode ser copiado ou adaptado. A imprensa brasileira poderia produzir uma reportagem multimídia exatamente igual à realizada pelo jornal norte-americano The New York Times anos atrás, em agosto de 2008.

O diário considerado como o mais influente do mundo fotografou cenas cotidianas e cenários existentes no fim das linhas do metrô de Nova Iorque. Em muitas delas, os trens param em equipamentos que parecem batentes ou molas, nos quais encostam e param.

Going to the end of the line

A versão no portal do jornal é interativa, com mais recursos, graças às possibilidades da internet e das ferramentas para edição de filme e imagem. Mas uma versão similar poderia ser reproduzida na versão em papel de qualquer jornal brasileiro.

Para isso, bastaria editar uma página dupla de jornal ou revista, com um mapa da rede de metrô, com imagens “grampeadas” na ponta linhas férreas. Quanto mais foto, com as respectivas legendas, melhor. Nem precisa de texto. Fica a dica.

Um bom gráfico, que pode inclusive ser (quase) produzido você

O Estadão utilizou muito bem infográficos redondos no formato de barras. Deu um efeito de Gráfico de pizza, mesmo sem sê-lo. Ficou muito bom por diversos aspectos. Não seria possível utilizar um gráfico no estilo “pizza”, pelo qual é possível visualizar partes de um todo. Barras ou colunas são mais apropriados quando se quer comparar valores relativos a anos diferentes.

23ago Desafios OESP Ficou mais interessante ainda com a linha do tempo abaixo, permitindo relembrar momentos específicos da história econômica recente e comparar como os indicadores estavam ou evoluíram anos depois.

O espaço das legendas foi, além disso, muito bem utilizado para explicar ao leitor o significado de cada indicador, como ele é construído ou para que serve. Infografia nota 10.

Infográficos como esse do Estadão podem ser produzidos com ajuda de alguns programas, já disponíveis gratuitamente na internet, com bons recursos e efeitos visuais. Um exemplo é o Many Eyes, que possibilita dar forma para conjuntos organizados de dados – textos ou tabelas.

Muitos modelos estão disponíveis, inclusive cartográficos, mas este utilizado pelo Estadão não é oferecido. Alguns dos estilos mais utilizados recentemente pela imprensa – os infográficos com bolhas ou blocos – estão disponíveis. De qualquer forma, para os interessados, é possível formatar, mediante simples cadastro,  infográficos para planilhas e até discursos. Bom divertimento.

A limitação do WikiLeaks é a força do jornalismo

Dias atrás, o Café Expresso abordou a possibilidade do jornalismo deixar os leitores criarem a própria história, em vez de tirar conclusões por eles. A figura de linguagem quis expressar uma nova forma de fazer jornalismo, na qual um milhares de informações são organizadas em bancos de dados que formam a base para a criação de infografias e gráficos, apresentados principalmente de forma interativa.

O jornalismo interativo, como tem sido chamado, é jornalismo, como o próprio termo diz. E requer jornalistas por trás. Sem os profissionais da imprensa, talvez o grande público não tenha condições, tempo ou vontade de “colocar a mão na massa de dados” e organizá-la. A vontade do público é fazer uma leitura própria dos dados – não escrevê-los.

DerSpielgel O vazamento de mais de 91.000 documentos confidenciais do Pentágono sobre a Guerra do Afeganistão pelo WikiLeaks é um exemplo bastante claro sobre essa diferença. Na média, em geral, a curiosidade pode levar o público a acessar alguns documentos, mas dificilmente todos. É bastante improvável que alguns, mesmo que poucos, tenham coragem de analisá-los e organizá-los para fazer uma leitura posterior. É preciso profissionais para transformá-los em algo inteligível e de interpretação possível.

Por essa razão o WikiLeaks entregou os documentos para três dos principais jornais mundiais: The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido) e Der Spiegel (Alemanha). Os jornalistas e profissionais de arte dessas publicações colocaram a mão na massa e tornaram as informações dos documentos acessíveis à teia global.

Projetos como o WikiLeaks tem limitações, como qualquer elo da cadeia produtiva do jornalismo. Não deixa de ser importante, no entanto, que eles existam. A assimilação da informação pela sociedade global sempre exigirá a capacidade de contar histórias de um profissional experimentado para tal tarefa. Se a plataforma de distribuição da no´ticia será o rádio, a televisão, a internet ou o papel, pouco importa diante da relevância do assunto.