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Desemprego na Europa: números mostram uma situação tenebrosa, principalmente na Espanha

Um infográfico do Financial Times com estatísticas sobre a situação do mercado de trabalho na Europa mostra uma situação tenebrosa, principalmente na Espanha.

O jornal utilizou recursos gráficos simples, como colunas, barras, linhas, volume e bolhas para esclarecer e comparar os números de forma muito competente. Foi eficiente ao relacinar um ao aoutro, pelo título de cada bloco.

Fazendo as contas, os dados deixam claro que o desemprego é elevado entre a população economicamente ativa. Mais que isso: é muito preocupante entre os jovens, classificados na faixa etária entre 15 a 24 anos: Depois de algumas contas complementares:

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Considerando a população economicamente ativa, todas as faixas etárias:

  • Espanhóis (todas as faixas etárias): 26,7% estão desempregados e 17,6% são temporários (basta multiplicar a quantidade de empregados temporários, algo como 24%, pela população empregada, que é 73,3%). Total: 44,3% estão em situação ruim, considerando desemprego ou emprego temporário.
  • Italianos (todas as faixas etárias): 12,7% estão desempregados e 12,2% são temporários. Total: 24,9%.
  • Portugueses (todas as faixas etárias): 15,5% estão desempregados e 17,7% são temporários. Total: 33,2%.

Considerando somente jovens entre 15 e 24 anos:

  • Espanhóis (jovens até 24 anos): 57,7% estão desempregados e 26,2% são temporários (novamente, multiplica-se a quantidade de empregados jovens temporários, algo como 62%, pela população jovem empregada, que é 42,3%). Total: 83,9%.
  • Italianos (jovens até 24 anos): 41,6% estão desempregados e 31,0% são temporários. Total: 72,6%.
  • Portugueses (jovens até 24 anos): 36,8% estão desempregados e 41,7% são temporários. Total: 78,5%.

Vale lembrar: um infográfico como este, com uma comparação tão eficiente, só é possível quando há séries estatísticas bastante detalhadas, que recortam os dados por faixas diversas.

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Muitas matérias já mostraram mulheres ocupando profissões majoritariamente masculinas. Que tal buscar o oposto?

O The New York Times publicou uma interessante reportagens dias atrás mostrando que os homens passaram a procurar empregos – e a ocupar postos de trabalho – que são preenchidos majoritariamente por mulheres.

Pink-collar jobs Nitidamente, trata-se de uma matéria que tem, como objeto central, revelar uma tendência na sociedade norte-americana.

Porventura,  o mesmo pode estar ocorrendo no mercado de trabalho de muitos outros países, inclusive o Brasil.

Claro que o jornal se aproveita da riqueza e abrangência das estatísticas das instituições públicas dos Estados Unidos, anos-luz à frente das brasileiras.

Uma saída para isso pode ser procurar órgãos e entidades mais ligadas à análise do mercado de trabalho no Brasil e solicitar um levantamento sobre tal questão.

O Dieese e até o próprio Ministério do Trabalho e Emprego podem ser importantes fontes para isso.