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Os pauteiros podem ajudar a salvar os jornais impressos?

Dias atrás, o Café Expresso elogiou a pauta e a reportagem sobre o aniversário de dez anos do caso, ainda inconcluso, do assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Depois daquela reportagem, a imprensa começou a dar mais atenção para a cobertura do tema, ainda mais porque o julgamento de cinco acusados está marcado para 10 de maio, com júri popular. O programa Roda Viva, da TV Cultura, entrevistou o irmão do ex-prefeito.

Lei Rouanet Reportagens como essas são importante para manter a sociedade informada sobre os desdobramentos de importantes casos, sejam eles econômicos, políticos ou policiais. Servem, também, para fazer um exame detalhado e apresentar as principais conclusões para os leitores ou telespectadores.

Outra matéria segue esse mesmo princípio. A Folha de S. Paulo aproveitou o aniversário de 20 anos da Lei Rouanet para oferecer aos leitores os impactos e as transformações causadas no cenário cultural pela legislação.

Boas razões – Aproveitar o momento em que algum caso completa cinco, dez, vinte ou mais anos para fazer uma reportagem é sempre bastante interessante para os leitores, que passam a ter condição de avaliar, de forma equilibrada, se as instituições públicas brasileiras estão funcionando a contento.

Em um momento em que os jornais impressos buscam um caminho diferente para manter a fidelidade dos leitores cada vez mais bombardeados pela velocidade e pela instantaneidade da divulgação de notícias, reportagens mais analíticas podem colaborar para manter os jornais como instrumentos essenciais, tanto para lazer como para os negócios.

Pautas como essas precisam ser planejadas com uma ou duas semanas de antecedência, de forma que muitos especialistas possam ser ouvidos e outras informações, às vezes estatísticas, precisam ser organizadas.

Os responsáveis pela pauta nos jornais precisam recorrer aos arquivos das redações, boa parte hoje já informatizados. Para aniversários de nascimento ou morte de pessoas importantes ou grandes acontecimentos mundiais, algumas ferramentas na internet ajudam no serviço, como as efemérides do Google.

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Twitter oferece boas pautas para os jornalistas. Mas é preciso seguir algumas pistas

A rede social Twitter é uma usina de idéias para aqueles que conseguem encontrar maneiras próprias de separar o joio do trigo. No mundo todo, os mais de 75 milhões de usuários, ativos ou não, publicam cerca de 50 milhões de mensagens por dia. As pessoas que participam da rede compartilham informação, opinião, análise, dicas, documentos e muito mais.

Tem muita conversa fiada, mas também muitas boas pautas. Quanto mais eclética for a lista de pessoas seguidas pelo usuário, maior a possibilidade de surgirem novas idéias. Além disso, é interessante acompanhar usuários de diferentes profissões, partidos políticos, regiões ou estados, entre outros aspectos, para aumentar a chance de ser surpreendido.

Geralmente, pessoas ou políticos famosos só publicam informações pasteurizadas ou que facilmente serão encontradas nas principais agências de notícias em poucos minutos. Vale mais seguir pessoas com pouca ou nenhuma notoriedade e deixar de lado os peixes graúdos.

Debate ignorado – Veja um exemplo. Dias atrás, o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), pelo Twitter, divulgou informações de um debate realizado para discutir desequilíbrios existentes na destinação dos recursos da Lei Rouanet, que, entre os principais aspectos, permite que pessoas físicas e jurídicas transfiram parte do Imposto de Renda anual devido para a produção cultural.

Twitter Arnaldo JordyEle informou que, em 2009, foram captados por produtores em geral R$ 1,1 bilhão, dos quais 76% acabaram destinados para o eixo Rio-São Paulo e apenas 0,4% para a Região Norte. Os jornais de grande circulação não deram atenção, nem ao tema nem ao debate.

Em 2010, escreveu o deputado em blog próprio, “os estados da Região Sudeste receberam 81% das verbas de renúncia fiscal. Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte ficaram com, respectivamente, 8%, 6%, 4% e 1%”. O parlamentar trabalha para aprovar um projeto de lei que distribua de forma diferente os recursos destinados a produções culturais via Lei Rouanet.

Vale lembrar que, dentro da política de incentivos fiscais, o Ministério da Cultura apenas autoriza que os produtores culturais percorram o mercado para convencer empresas e pessoas a transferirem parte dos valores devidos como Imposto de Renda para os produtos culturais que estão produzindo.

Perguntas sem respostas – Mas vale a investigação. O ministério apóia e aprova mais projetos de produtoras do eixo Rio-São Paulo por qual motivo? Estas são muito mais preparadas que as demais ou há alguma distorção dos mecanismos e sistemas de julgamento das propostas? As produtoras das regiões menos favorecidas têm apresentado bons projetos? Como é feito o julgamento? Quais os critérios?

Quanto, em recursos, tem sido transferido para o setor de cultura via Lei Rouanet desde 1991, quando a lei foi aprovada? Quais as mudanças que podem ocorrer de acordo com projetos de lei existentes no Congresso Nacional?

Essas respostas certamente são já conhecidas pelos personagens que convivem e atuam no mercado cultural, mas provavelmente serão novidades para leitores, internautas, ouvintes ou telespectadores.