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Para atrair jovens, mídia tem de pautar o dia a dia deles com seriedade – como fez o New York Times

A notícia é do The New York Times, que fez questão de dar grande visibilidade para o assunto na capa do jornal, dia 31 de agosto.

Na cidade de Seattle, mais de 11 mil jovens se reuniram em um ginásio de basquete para participar de um evento onde as equipes disputam competição de videogame.

Eventos como esse, não necessariamente com este porte e nível de organização, acontecem nas principais capitais globais, mas a imprensa não acompanha. Um dos motivos é porque a mídia está automaticamente orientada para cobrir política e economia, sobretudo o que os governos divulgam.

Essa reportagem do diário norte-americano é um bom exemplo para mostrar que é possível fazer, no dia a dia, matérias para públicos mais jovens, sem segregá-las em cadernos que são publicados uma vez por semana.

Os jovens têm, tal qual os adultos, inúmeras atividades diárias relacionadas com a escola, com entretenimento e com esportes. Se a imprensa quer atrair e fidelizar esse público, precisa condicionar os repórteres a procurar estes assuntos e cobri-los sem os infantilizar.

The New York Times - 31ago2014 - Cópia

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Como formar novos leitores – e mais jovens?

Na indústria da mídia impressa, sempre esteve em pauta o desafio de formar novos leitores – principalmente porque os indicadores mostram que o brasileiro não é um leitor voraz. Além da crise diante da evolução tecnológica, a mídia impressa sofre com o envelhecimento do público fiel aos jornais e revistas.

A preocupação da mídia impressa encontra eco em diversas famílias: como fazer os jovens trocarem as plataformas eletrônicas pelos jornais e revistas? Como transformar a leitura em algo rotineiro e agradável?

Na revista Época, o colunista Danilo Venticinque escreve periodicamente sobre assuntos como esses. Basta conferir. Em um dos artigos mais recentes, ele listou algumas atitudes que ajudam a formar leitores.

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Jornal impresso pode interagir mais com leitores

Com a explosão de aplicativos e infografias no ambiente online, parece que interagir com leitores só é possível para o jornalismo na internet. Ledo engano. O jornal O Estado de  S. Paulo publicou nos últimos dias duas páginas com reportagens que interagem com os leitores – se não no momento na leitura, ao menos no momento da concepção.

Um pouco esquecidas nos últimos anos, esse tipo de ação é louvável no jornalismo, sobretudo em uma plataforma percebida como fadada à extinção por muitos especialistas exatamente por não terem os mesmos ingredientes dinâmicos que o jornalismo online.

OESP Interação com leitores 2OESP Interação com leitores 1

Tempos atrás, o jornal O Globo publicada regularmente no meio das reportagens janelas com opinião dos leitores comuns. A iniciativa não tem mais espaço no diário atualmente.

Essas iniciativas são interessantes porque  colaboram para fidelizar o leitor ao produto. No caso específico do Estadão, são maneiras interessantes de atrair o público mais jovem para o manuseio e para a leitura de jornais.

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As pessoas comuns têm poder de guiar a cobertura da imprensa? Parece que sim

Quer saber onde arrumar namorado ou namorada? O jornalismo com base em estatísticas te ajuda

Essa reportagem não vai mudar o curso do mundo, mas pode mudar a vida de alguém. Primeiro, porque qualquer ação tem 50% de chances de dar certo e 50% de chances de dar errado. Segundo, porque se a pessoa estiver no lugar certo e na hora certa, pode ter chances maiores de ser bem-sucedida.

O jornal O Estado de S. Paulo produziu uma boa reportagem com base em estatísticas de concentração de homens e mulheres nas regiões da cidade de São Paulo. A equipe de infografia e arte do diário despejou os dados em um mapa e conseguiu um efeito muito interessante, ao mostrar facilmente ao leitor quais são os lugares que ele deveria estar no Dia dos Namorados.

É claro que não hác erteza que alguém conseguirá encontrar um namorado ou namorada somente por estar em um bairro onde há maior porcentagem de homens ou mulheres. A reportagem apenas encontrou uma forma diferente de dizer a mesma coisa. Não há nada para analisar ou divagar. Somente parabenizar a iniciativa.

Dia dos namorados

Para saber mais:

Leia a matéria principal e as reportagens sobre os bairros (Marsilac, República, Barra Funda e Moema, diretamente no portal Estadão. com.

Verdades dolorosas para o jornalismo

Àqueles que se interessam em pensar como será o jornal no futuro, seja porque é leitor voraz ou jornalista, vale considerar um ótimo artigo escrito no O Estado de S.Paulo dia 7 de fevereiro. O texto questiona a perda de leitores e provoca a indústria da notícia ao afirmar, com base em argumentos do extraordinário Gay Talese, que os leitores estão desencantados com a forma como os jornais entregam informação atualmente. Separei trechos interessantes:

– É evidente que a juventude de hoje lê muito menos. No entanto, como explicar o estrondoso sucesso editorial do épico O Senhor dos Anéis e das aventuras de Harry Potter? Os jovens não consomem jornais, mas não se privam da leitura de obras alentadas. O recado é muito claro: a juventude não se entusiasma com o produto que estamos oferecendo. O problema, portanto, está em nós, na nossa incapacidade de dialogar com o jovem real.

– Gay Talese: "A minha concepção de jornalismo sempre foi a mesma. É descobrir as histórias que valem a pena ser contadas. O que é fora dos padrões e, portanto, desconhecido. E apresentar essa história de uma forma que nenhum blogueiro faz. (…)"

– O nosso problema, ao menos no Brasil, não é de falta de mercado, mas a incapacidade de conquistar uma multidão de novos leitores. Ninguém resiste à matéria inteligente e criativa.

– A revalorização da reportagem e o revigoramento do jornalismo analítico devem estar entre as prioridades estratégicas. É preciso encantar o leitor com matérias que rompam com a monotonia do jornalismo declaratório. Menos Brasil oficial e mais vida. Menos aspas e mais apuração. Menos frivolidade e mais consistência.

– Os leitores estão cansados do baixo-astral da imprensa brasileira. A ótica jornalística é, e deve ser, fiscalizadora. Mas é preciso reservar espaço para a boa notícia. Ela também existe. E vende jornal. O leitor que aplaude a denúncia verdadeira é o mesmo que se irrita com o catastrofismo que domina muitas de nossas pautas.

– Há espaço, e muito, para o jornalismo de qualidade. Basta cuidar do conteúdo. E redescobrir uma verdade constantemente negligenciada: o bom jornalismo é sempre um trabalho de garimpagem.

Minha opinião: o jornalismo precisa realmente de histórias bem apuradas, bem escritas (não necessariamente parecidas com romances, como defende Talese), sobretudo bem apuradas. Se os jornais não conseguirem encantar e entusiasmar, continuarão a perder (ou a não ganhar) espaço. Sempre me intriguei com a baixa tiragem dos principais jornais considerados de circulação nacional, que não conseguem vender mais de 300 mil exemplares em um país com 190 milhões de pessoas cada vez mais exigentes, com instrução e renda crescentes. A pista realmente é a falta de conexão com o mundo real – e não o mundo oficial divulgado pelos governos e autoridades públicas e polícias a todo momento. E também incapacidade de se relacionar com o público jovem, que lê, sim senhor, mas não jornal. O Brasil real é mais embaixo.

Outras matérias sobre o mesmo tema: Separei seis textos que abordam diretamente ou perifericamente o tema central do artigo em questão – a dificuldade para atrair novos leitores para os jornais e como chamar a atenção de jovens e adolescentes.

1) Estadão dá alguns passos na trilha de sucesso da Superinteressante

2) Jornais precisam ousar nas estratégias para atrair leitores mais jovens

3) Notícias frias na capa dos jornais podem capturar novos leitores

4) Os jornais deveriam aproveitar melhor a vitrine gratuita que são as bancas

5) Jornalismo e histórias em quadrinhos combinam?

Use as redes sociais para melhorar sua cidade

O leitor não precisa estar familiarizado com os termos técnicos, como API, app ou widget. Basta saber que a tecnologia hoje permite que qualquer cidadão que veja um problema na cidade enquanto se locomove por ela pode registrar o caso, divulgá-lo e acompanhar a resolução dele.

Li recentemente um artigo escrito por Chris Vein. Ele ocupa o cargo de diretor de informação na cidade de São Francisco, na Califórnia – a 12ª mais populosa dos Estados Unidos, com mais de 800 mil habitantes.  Na prática, ele comanda todas as tarefas relativas à divulgação de informações para a sociedade e a comunicação da prefeitura com a opinião pública.

Ele mostrou no artigo que diversos aplicativos (os chamados “apps”, abreviação da palavra em inglês “application”) que foram criados para funcionar pela internet e por telefones celulares permitem que os cidadãos, aos enxergarem um problema, encaminhem ele para o administrador público responsável pela apresentação da solução.

Esse tipo de serviço é extremamente valioso. Quantas vezes, ao passar por um monte de entulho despejado ilegalmente em uma viela, o cidadão não tem vontade de pegar um telefone e falar imediatamente com o funcionário público na prefeitura, responsável pela remoção? A dificuldade é achar o responsável, o número de telefone dele, ligar em um horário que ele esteja lá e contar com a atenção dele.

Muitos dos serviços em funcionamento em São Francisco se encarregam desse dessas tarefas. O cidadão, ao passar por uma pilha de entulho, por um buraco na rua, por uma calçada mal conservada, pode fazer uma fotografia como próprio celular, acessar a página do serviço disponibilizado em internet logo em seguida, cadastrar-se ao serviço gratuitamente, inserir a imagem, escrever um breve relato se desejar, indicar a categoria do problema (se é um buraco na rua, lixo jogado indevidamente etc) e apertar o botão “ok”.

Pronto, o aplicativo (o “app”, lembra-se?”) registra a reclamação e já encaminha automaticamente ao departamento da prefeitura responsável pela solução. Depois, mostra ao internauta a evolução do caso, até a conclusão – e pode ainda cobrar ou não o poder público pela resposta ao cidadão. Tudo automaticamente, graças à programação por trás do serviço, que “emite ordens” para o cumprimento de todas essas etapas.

Urbanias1 Se nas principais cidades européias e norte-americanas esse tipo de serviço cresce de forma acelerada, no Brasil ainda engatinha. Mas, ao menos, na maior cidade brasileira, São Paulo, já há um aplicativo com essa finalidade. Chama-se Urbanias, um serviço que permite ao cidadão apontar reclamações, inserir imagens dos problemas, escrever um breve relato e o aplicativo manda tudo isso para a prefeitura. Pelas redes sociais, ele mostra diversos exemplos de cidadania promovida pela rede.

Trata-se de um serviço bastante interessante. Eu mesmo já me cadastrei e já testei. Deu certo. Demorou quase um mês para a prefeitura remover excesso de lixo e entulho dispostos em frente a uma escola pública. Mas removeram.

O tema poderia ser uma interessante reportagem para a imprensa brasileira, seja rádio, TV, internet ou jornais e revietas. Inclusive, é uma pauta que vai ao encontro do comportamento da juventude atualmente, que, em média, busca resolver tarefas e problemas pela internet. Seria, no mínimo, uma experiência interessante para atrair jovens e adolescentes para a leitura de jornais.

Estadão também dá alguns passos na trilha de sucesso da Superinteressante

Dias atrás o Café Expresso mostrou algumas infografias da revista Época, brincando que a publicação estaria seguindo os passos da revista Superinteressante. Foi apenas uma metáfora, uma figura de linguagem para remeter a lembrança dos leitores ao produto editorial da mídia brasileira que inaugurou e melhor aproveita os recursos infográficos para contar histórias no Brasil. Ponto positivo para a Época por tentar narrar as reportagens de uma forma mais dinâmica e atrativa.

reciclagem O Estadão surpreendeu hoje, dia 2 de agosto, ao inaugurar uma bela página, sob a etiqueta Discussões Urbanas. Uma página inteira discutindo o problema do precário e incompetente sistema de coleta seletiva na cidade de São Paulo. O jornalista coletou números, ouviu especialistas e trouxe o relato de pessoas comuns.

No entanto, em vez de escrever um longo texto, fatiou a matéria em diversas pequenas partes e organizou tudo em um infográfico. A leitura virou uma diversão e pode ser uma ferramenta interessante para atrair para o jornal o público jovem que vem consagrando e seguindo pelo resto da vida a Superinteressante.

Não consegui verificar se essa página será parte de uma série do jornal, que inaugurou recentemente um projeto gráfico pelo qual pretende fazer um uso mais intenso de infografias. Quem quiser, posso mandar um arquivo PDF para melhor visualização.

Para saber mais: A Superinteressante mantém no Flickr diversos infográficos para você rever. Aproveite.

Jornalismo e histórias em quadrinhos combinam?

Quadrinhos 3Sim, a resposta é afirmativa. As histórias em quadrinhos são uma das formas mais eficientes de narrar novelas e acontecimentos quaisquer, com ou sem diversos personagens, com ou sem múltiplos cenários.

Gerações inteiras têm conquistado o hábito da leitura pelas portas das histórias em quadrinhos, se envolvendo em enredos de ficção terrenos ou espaciais, possíveis ou não. Até empresas passaram a utilizar o recurso para ensinar e treinar funcionários. Além do mais, são uma ótima estratégia para atrair os jovens e adolescentes para a leitura de jornais.

No jornalismo impresso, o texto ainda impera, mesmo que haja pressão para que as redações cedam mais espaço para fotografias, gráficos e infografias. Fotos-legendas, também bastante eficientes, são raras nos jornais.

No entanto, há sinais de mudança no ar. Em agosto e setembro de 2008, o jornal O Globo publicou uma série de reportagens denominada Favela S.A., na qual relatou a dinâmica, a estrutura e a expansão da movimentação econômica nas favelas fluminenses. O Café Expresso já tratou dessa série aqui.

Quadrinhos 4

Além da pauta inovadora e do trabalho em equipe, foi interessante ver a utilização do recurso das histórias em quadrinhos para ajudar a narrar os fatos. Foi uma forma inteligente que mostrar como interagem moradores, policiais e traficantes em um ambiente muitas vezes sem lei. O cotidiano das favelas se passa em cenários inacessíveis para milhões de brasileiros, mostrando-se um terreno fértil para a utilização da narração em quadrinhos.Quadrinhos 2

Quadrinhos 1 Este ano, nos últimos meses, o portal UOL tem intensificado a utilização das histórias em quadrinhos para narrar fatos, recursos que blogueiros já vinham utilizando para fazer piada entre times e torcidas, para a diversão dos internautas.

Hoje, dia 28 de julho, publicou uma história em quadrinhos sobre a partida de futebol entre Internacional (RS) e São Paulo (SP) pela fase semi-final da Libertadores da América 2010. Para tanto, precisou apenas recuperar fotografias feitas e frases ditas pelos personagens principais do enredo ao longo dos últimos 40 dias que antecedem o jogo, mostrando os pontos psicológicos fortes e fracos acumulados por cada um no período. Vale a pena conferir e a esperança é que a iniciativa se alastre.

Para saber mais: Acesse as reportagens da série Favela S.A (acesso mediante cadastro simples ou para assinantes do jornal).

Os jornais deveriam aproveitar melhor a vitrine gratuita que são as bancas de jornal

O Café Expresso costuma pegar no pé dos jornais quando eles perdem oportunidade de trazer para a capa matérias frias, mas com grande apelo para determinados grupos, nichos ou tribos. Este aspecto é importantíssimo por uma razão: pode atrair para a leitura de jornais aquelas pessoas que não costumam fazê-lo. E a primeira página, como se sabe, é a vitrine do jornal, cuja função prioritária é seduzir.

Por essa razão, volta a pegar no pé do Estadão, que deixou de estampar na capa, mesmo que sem a manchete principal, uma reportagem sobre a volta de grandes shows de rock e festivais de música, incluindo vários dos artistas e bandas mais cultuados pelos adolescentes e jovens adultos na atualidade. Perdeu uma oportunidade ímpar de, por meio das bascas de jornal, atrair tais públicos para comprar e consumir o produto. Afinal, quem não pára para conferir as chamadas de primeira página nas bancas antes de entrar no escritório, durante o almoço ou enquanto espera o ônibus?

FestivaisMatérias frias – a grosso modo, aquelas que não têm necessidade de serem publicadas imediatamente, independentemente de serem importantes, interessantes ou úteis – geralmente narram assuntos relativos a comportamento, cultura, entretenimento e variedades.

Com uma foto bonita ou inusitada, uma matéria fria pode fisgar para a leitura grupos de pessoas pelo gosto específico que têm, pela necessidade temporal que alguma data marcante impõe à agenda da sociedade ou pelo simples fato do tema da reportagem ser algo tão inusitado que há um interesse repentino em “consumir” a matéria, independentemente do leitor ser um gerente de negócios ou um mensageiro.

Dois exemplos recentes – Para ficar mais claro, duas matérias frias que exemplificam o ponto central – uma sobre uma rota européia de cervejarias artesanais e outra sobre receitas chiques para festas juninas. A primeira tinha um apelo incontestável: graças ao crescimento da economia, há cada vez mais consumidores apreciando cervejas (e outras bebidas) importadas ou artesanais, mesmo que mais caras. A segunda também: publicada em junho, mês que inaugura as festas juninas para milhões de brasileiros Brasil adentro. Ambas tinham belíssimas fotos, bastante atraentes.

Em geral, pode-se pensar que os jornais não o fazem porque o jornalismo está preso e acostumado a velhas fórmulas. Há uma espécie de obsessão por dar destaques para assuntos relacionados a política e economia, sobretudo de fontes governamentais. Quando muito, um fato metropolitano rompe esse hábito.

Outro fato que pode ajudar a explicar é que há uma ideologia reinante nas redações que as impedem de colaborar de forma mais enfática com as vendas. As equipes do conteúdo editorial por bem não se misturam com a comercial, mas não podem jamais se esquecer que estão no mesmo barco que, se afundar, leva a todos para o fundo do mar, jornalistas e vendedores.

O problema é o jornalista? – Muitos ainda dizem que jornalista tem uma mania inconsciente de fazer jornalismo para ele mesmo ou para os pares, esquecendo-se que o público pode se interessar por temas além daqueles com os quais os trabalhadores da imprensa preferem ou estão envolvidos.

Não há evidências para tal conclusão, mas se em algum momento tal mito for confirmado, explica-se boa parte do distanciamento do brasileiro com os jornais impressos. Basta lembrar que no Brasil, país de 190 milhões de pessoas, são comprados diariamente cerca de 8 milhões de exemplares. O maior jornal do País não vende 300.000 exemplares por dia.

É possível expandir essa audiência, mas acho que, para isso, os jornais deveriam aproveitar melhor a primeira página e as vitrines gratuitas que são as bancas de jornal.

Jornais precisam ousar nas estratégias para atrair leitores mais jovens

Os jornais impressos ainda buscam estratégias e formatos para atrair novos grupos de leitores, incrementando assim assinaturas, vendas avulsas e receitas. A tarefa é inglória no Brasil, país de renda média muito baixa, nível educacional ruim e de pouco hábito em leitura.

Pesquisas sobre o assunto mostram que os jornais atingem, historicamente, cerca de 30% dos adolescentes de 10 a 14 anos e aproximadamente metade dos jovens entre 15 e 24 anos. Sem desmerecer tais investigações, é difícil crer que todo esse contingente de gente mais nova está lendo jornais. Os números de assinaturas e tiragens dos diários impressos não refletem tamanha voracidade pela leitura.

Algumas experiências surgiram no Brasil para atrair para o universo de leitura de jornais impressos diários grupos inteiros até então marginalizados. O diário esportivo Lance!, surgido em 1997, representa um esforço nesse sentido, tentando transformar em leitores e clientes de mídia imprensa os vorazes debatedores de futebol.

Jornais populares das regiões metropolitanas de Belo Horizonte (Super Notícia)e Rio e Janeiro (Meia Hora) também fazem parte desse esforço, com preços módicos (entre R$ 0,25 e R$ 0,70, mais ou menos) e dirigidos para classes D e E, grupos sociais antes excluídos da leitura de jornais.

Esses jornais escolheram nichos e grupos de leitores para produzir conteúdo segmentado. Assim fica mais fácil. Já os jornais que miram o País inteiro, todas as faixas etárias e todas as classes sociais e econômicas não têm esse facilidade estratégica. Precisam encontrar um equilíbrio na linguagem e na pauta para produzir conteúdo que agrade diariamente jovens e idosos, pobres e ricos, empresários e estudantes. Meninas capa

O que ocorre hoje é que o conteúdo dos jornais é bastante desequilibrado. Pende automaticamente, como um vício, para temas políticos e econômicos, cujas fontes são majoritariamente oficiais (governos e autoridades públicas). São assuntos que não podem deixar de ser divulgados, até porque os diários cumprem uma função de registro histórico.

Há anos, as publicações criaram jornais dentro dos jornais: cadernos semanais que visam construir um relacionamento especial com grupos etários ou com gostos específicos. O único problema é que o esse leitor terá de esperar uma semana inteira para receber uma nova reportagem. Será que vale a assinatura?

Os jornais teriam, então, de fazer um amplo esforço de planejamento e pauta, de forma a criar conteúdo para tais grupos marginalizados todos os dias, seja sobe esporte, economia ou política. Porque não mostrar como crianças e jovens estão esbanjando ou economizando as mesadas? Ou como estão conseguindo gerar alguma renda própria? Esses são só exemplos – e muitas publicações já devem ter produzido matérias sobre tais assuntos sem conseguir atrair a atenção das crianças e jovens.

Meninas capa2 O problema, então, está na visibilidade que se dá ao conteúdo produzido. Se as crianças e jovens já sabem que os jornais dos pais raramente trazem algo que lhes sirva, certamente não têm o hábito de vasculhar as páginas deles para lê-los – a não ser que sejam surpreendidas.

Foi o que fez a Folha de S.Paulo. Conseguiu convencer meninas a contarem sobre a ansiedade diante da primeira menstruação, assunto que certamente interessa a um público maior do que ao das adolescentes. A iniciativa merece ser parabenizada, até porque o blog insiste que a capa dos jornais precisam começar a privilegiar outros assuntos que não sejam economia e política para tentar atrair novos públicos e elevar as vendas nas bancas. Se houve um pecado, foi não ter estampado a fotografia das garotas e o título para a matéria na parte superior da capa, no espaço dedicado à fotografia mostrando rezas e oferendas para o sucesso da seleção. Qual tema você acha que era mais importante?