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Bom jornalismo, bons infográficos e boa iniciativa

Tim Devin considera-se um artista na cidade de Boston, no estado norte-americano de Massachusetts. Pode ser considerado, além disso, um bom jornalista. Ele criou uma forma inteligente de informar. Inovou, também, na plataforma. Nada de jornal impresso, internet ou qualquer outra mídia. Ele publica as notícias dele nos postes de rua.

Broadside crimeBasta ver o Broadsides (pequenos cartazes ou folhetos, neste caso, distribuídos nas ruas). Por ele, o autor divulga poemas e notícias e também realiza pesquisas de opinião.

Para divulgar notícias, ele cria infográficos com estatísticas de enorme interesse para a sociedade, edita-os de forma visualmente didática, e os cola em postes de energia. Essa vertente do projeto chama-se Mappy Facts.

Negócio? – O projeto Broadsides vale como experimento. Dificilmente oferecerá perspectiva de faturamento que o sustente financeiramente. É arte, provocação ou manifestação – ou todas as alternativas juntas.

Duas das notícias divulgadas por infográficos nos pequenos cartazes do Mappy Facts para a vizinhança abordaram a geografia do crime (quais localidades registram mais ocorrências) e a distância dos pontos de captação de água. São, sobetudo, poderosos instrumentos de conscientização. broadsides-survey-small-pho

Pesquisa de opinião – Agregado à “infografia para postes”, o autor projetou dez pequenos pedacinhos de papel, enfileirados lado a lado – metade escrito “sim”, metade escrito “não”.

São respostas possíveis para a pergunta: “Você sabia disso?” Quem quer participar da pesquisa, basta retirar um pedacinho conveniente. Ele ainda aproveita a idéia e o formato para espalhar perguntas diversas pela cidade, com ou sem gráficos agregados.

Iniciativas como essas poderiam ser divulgadas em escolas, públicas ou privadas, incentivando os alunos a fazerem o mesmo – ou projetos com o mesmo objetivo transformador.’

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O criador da Internet começa a dar novos usos à própria criação

Tim Berners-Lee é considerado o criador da internet – a world wide web. Em junho do ano passado, foi contrato pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown para conduzir o Reino Unido por um caminho que alguns países já tinham começado a trilhar poucos anos antes – abrir os dados dos governos para a sociedade fazer uso privado ou comercial deles. Tim foi contratado por Brown por ser um crítico do costume dos governantes de trancarem informações públicas nos armários. Como ele mesmo explicou, bem-humorado, as desculpas de presidentes, secretários, governadores e prefeitos para não entregar informações são surpreendentes e incríveis.

Hoje, na Inglaterra, Tim Berners-Lee lançou o data.gov.uk, cujo objetivo é oferecer acesso a bancos de dados com informações públicas que possam ser transformadas em serviços por desenvolvedores da área de tecnologia da informação. Começa com 2.500 conjuntos de dados. Não interessa se as informações serão usadas de forma privada ou comercial – o princípio é que a sociedade (pessoas, famílias e empresas) já pagou por elas e tem direito a elas.Sir Tim Berners-Lee idea

No lançamento, o data.gov.uk terá bancos de dados com informações sobre visitas a museus, preços de habitação, pontualidade de ônibus e qualidade do ar em todo o país.

Veja a frase de Tim Berners-Lee, numa tradução livre, dita para um repórter o portal da BBC, de Londres: “Dados governamentais são algo que nós já gastamos dinheiro … quando eles (dados) estão guardados no disco de computador no escritório de alguém, eles estão sendo jogados no lixo.” Incrível, certo? Imagine o prefeito de São Paulo, então, dizendo o mesmo a respeito de disponibilizar à sociedade e aos jornalistas o banco de dados com endereços de alagamentos dos últimos dez anos na capital paulistana. Imagine o presidente da República fazendo o mesmo com o banco de dados do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, que o governo federal diz estar melhorando a infraestrutura do Brasil e que os partidos políticos de oposição dizem ser uma bela peça de propaganda.

O Reino Unido entrou de cabeça em um movimento que cresce no mundo inteiro: o Open Data Moviment, que significa algo como dar ao público as informações públicas. Entre os ingleses, há campanhas que datam de anos atrás, como a Free Our Data, do jornal The Guardian, para que uma política governamental fosse implementada neste sentido, como já vinham fazendo outros países, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia. Ganharam.

As consequências positivas de uma política pública como essa são inimagináveis. Como explicou o coordenador do data.gov.uk, ao abrir os bancos de dados governamentais, seja para uso particular ou comercial, os desenvolvedores podem enxergar utilidade em lugares e coisas que o governo não vê e tudo isso pode se transformar em novos negócios e mais produtividade, o que resultará em ganhos de arrecadação tributária para os governos. Simples assim. Imagine, agora, um governo qualquer no Brasil dizendo isso.

Para conhecer mais, leia:

The Guardian: UK’s free data website ‘is a world showcase’

DataBlog The Guardian: Official government data sites around the world

BBC: Tim Berners-Lee unveils government data project

Qualidade da água: nos EUA eles já sabem como é. E no Brasil?

Deu no The New York Times: desde 2004, mais de 49 milhões de americanos receberamm água com qualidade inferior do que determina lei federal. A descoberta foi feita por um jornalista do próprio jornal que analisou informações de um banco de dados federal. Boa parte da população vem consumindo água com concentrações de arsênico, substâncias radioativas ou bacterías encontradas em esgoto. O órgão regulador dos serviços, mesmo informado de todos os casos irregulares quando eles ocorreram, aplicou multas ou punições para somente 6% deles. Sim, estamos falando dos EUA.

NYT qualidade da água

Lá, eles têm um órgãos regulador federal, que disciplina algumas responsabilidades para 54.700 sistemas de águas. Aqui, no Brasil, não há um órgãos regulador federal, mas sim poucas agências reguladoras estaduais ou municipais, que começaram a surgir, principalmente, depois da sanção de uma lei federal que estabeleceu diretrizes federais. A ANA – Agência Nacional de Águas – brasileira não tem as mesmas incumbências da EPA – Environmental Protection Agency – dos Estados Unidos, mas exerce algum papel similar.

Que tal a imprensa analisar a qualidade da água nos estados brasileiros? Difícil será achar dados. Há alguns dados disponíveis. A ANA lançou ontem, dia 8, o Atlas de Abastecimento Urbano de Água. O documento revela as condições dos mananciais e sistemas de produção em 2.965 cidades do país, das quais 1.896 requerem investimentos em água (que somam R$ 18,2 bilhões) e 1.517 precisam de investimentos em tratamento e coleta de esgoto (R$ 23 bilhões). São dados quantitativos, mas já são um início.

Outra fonte pode ser o SNIS (Sistema Nacional de Informações de Saneamento). Infelizmente, só apresenta informações quantitativas e, mais infelizmente ainda, é preenchido pelos próprios operadores de água e esgoto, o que pode colocar em risco a confiabilidade dos dados. Mas também é parte do início de uma apuração. A apuração, além disso, pode dar relevância ao fato de que a população não tem à disposição indicadores públicos que assegurem a qualidade da água que sai pela torneira de cada residência brasileira.

Milhões de brasileiros tomam água da torneira porque confiam na qualidade da água entregue pela rede de distribuição. Essa confiança merece uma boa reportagem para prevalecer ou ser abalada definitivamente.

São Paulo novamente em caos – e portal da prefeitura informa com dificuldade

Pequena sigla no canto do portal dá acesso a dados sobre pontos de alagamento

A cidade de São Paulo vive novamente um dia de caos. Em 12 horas, até 9 horas da amanhã do dia 8 de dezembro, choveu o equivalente a um terço do volume esperado para todo o mês de dezembro, o que causou 30 pontos de alagamento e 125 quilômetros de congestionamento. Sob todas as pontes, a Marginal Tietê, espécie de rodovia-avenida que atravessa a capital paulistana, estava instransitável por causa das enchentes. Vale lembrar que dias antes, em 3 de dezembro, um temporal deixou um rastro de 218 km de congestionamento na cidade. O recorde histórico foi de 293 km de lentidão registrado dia 10 de junho.

Enquanto moradores da capial e das cidades adjacentes buscavam formas para contornar as dificuldades e cumprir compromissos, o portal da Prefeitura da Cidade de São Paulo, um dos mais completos de todo o País, não trazia nenhuma informação ou serviço, com destaque, para auxiliar os cidadãos.

Aos interessados em informações como pontos de alagamento ou congestionamento, seria necessário perceber que tais dados estão disponibilizados na página do CGE – Centro de Gerenciamento de Emergências, cujo acesso está diponível no canto superior esquerdo do portal da prefeitura.

A prefeitura da capital paulistana deveria ter criado uma notícia rápida para publicar em destaque na parte central do portal. Do cidadão internatura, não é esperado que saiba que os pontos de enchentes estão acessíveis por meio de uma pequena sigla no canto do portal.

Por isso, quando as pessoas precisam de ajuda, buscam-na em rádios e portais de veículos de comunicação que mais confiam. A informação é sempre mais acessível.

Em tempo real, Twitter entra na reta final do Brasileirão de futebol

Neste exato momento, o Twitter ajuda novamente jornalistas e a sociedade em geral a acompanhar o desdobramentos de alguns acontecimentos, em tempo real.

Desta vez, é no mundo do futebol. No dia e no horário que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julga dois dos mais importantes processos nesta reta final do Campeonato Brasileiro 2009, o site do STJD, que transmite o julgamento fato por fato, em texto corrido, quase que em tempo real, acabou saindo do ar por problemas técnicos.

A equipe de jornalistas e comunicação que divulga as decisões do tribunal não pensou duas vezes: avisou aos twitters que passaria, então, devido aos problemas técnicos, a transmitir a evolução dos julgamentos pelo Twitter.

O exemplo mostra como o Twitter pode ter uma importante função, mesmo que boa parte das mensagens divulgadas pela ferramenta possam ser futilidades ou fatos particulares da vida dos usuários, com relevância restrita somente a eles e a poucos amigos deles.

Logicamente, há muitos outros exemplos a respeito da versatilidade e utilidade pública do Twitter. Durante o gigantesco blecaute no fornecimento de energia elétrico em 18 estados brasileiros, brasileiros comuns usaram o twitter, principalmente por celulares com baterias ainda carregadas, para informar em quais localidades o fornecimento havia sido interrompido.

Outro exemplo de bom uso vem de especialistas diversos, como Sérgio Amadeu, sociólogo, professor e pesquisador na área de software livre, que usualmente publica mensagens em tempo real diretamente dos seminários que participa, compartilhando o conhecimento para aqueles que não puderam ir aos eventos.

Com o passar do tempo, o Twitter deve prevalecer como uma importante ferramenta para o auxilio de diversos perfis de profissionais e usuários – inclusive para aqueles que querem acompanhar se um tribunal de justiça vai aceitar ou não os pedidos de um time de futebol.