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Um mapa de bairro pode ser o pontapé para um projeto que junta História, Jornalismo e muito mais

San Francisco place names

Um projeto muito interessante, produzido por Noah Veltman, desenvolvedor de projetos na internet, aproveitou a interatividade da internet para oferecer Jornalismo e História com um dos ingredientes mais eficientes para chamar a atenção do público: a proximidade.

Quanto mais próxima a notícia for da realidade do leitor, mais o leitor dará atenção a ela. Com um mapa da cidade norte-americana de São Francisco, Califórnia, o autor explica quem foi ou o que fez cada pessoa que dá nome às ruas e avenidas.

Ao clicar no nome da rua, abre-se uma janela com um breve resumo do currículo do personagem, que, por vez, dá acesso a uma página na Wikipédia, com mais explicações.

O projeto, denominado History of Sao Francisco  Place Names, poderia ser bastante explorado em escolas de ensino fundamental e médio, principalmente em aulas de laboratórios extra-curricular, com objetivo de ensinar noções de informática, programação, internet, Jornalismo, História e pesquisa.

Os personagens que dão nome às ruas de cada bairro, ao exemplo do projeto são franciscano, poderiam também ganhar páginas na Wikipédia.

Poderia, inclusive, ser construído em processo colaborativo, onde as pessoas de cara bairro ao redor da escola pudessem corrigir ou acrescentar informações, preferencialmente sob a supervisão de um especialista ou professor.

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Obama declara apoio ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso não é pouca coisa

O presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, declarou, dias atrás, em entrevista para um programa chamado ABC News, um dos mais populares daquele país, que apóia o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Essa declaração não é banal – e muito importante para o líder de um país como os Estados Unidos, às vezes muito mais conservador do que o Brasil em diversos aspectos, sobretudo comportamentais e religiosos.

"At a certain point, I’ve just concluded that for me personally it is important for me to go ahead and affirm that I think same-sex couples should be able to get married." (Barak Obama, in an interview with ABC News)

Em tradução livre, algo como: Em certo ponto, eu concluí que, para mim, pessoalmente, é importante para mim ir em frente e afirmar que eu acho que casais do mesmo sexo deveriam poder se casar.

No Brasil, basta lembrar que as últimas eleições para a Presidência da República foram marcadas por um debate infrutífero e retrógrado a respeito do que pensavam os candidatos sobre temas como aborto e privatizações – ambos negando que eram favoráveis aos dois assuntos.

 Opinião dos leitores – O jornal The New York Times, imediatamente, criou um dispositivo interativo pelo qual mede a opinião dos leitores sobre dois aspectos: se eles consideram a declaração positiva ou negativa e se eles consideram que haverá ou não impacto nas próximas eleições.

Cada pequeno quadrado significa a opinião de uma pessoa e quanto mais escura e preenchida uma parte do quadro estiver, mais as pessoas optaram por aquela opinião. Ao passar a seta do cursor em cima de cada quadradinho, é possível, ainda, ler o que escreveu o leitor – o que ajuda a construir a própria opinião.

Same-sex marriagePor sorte, parece que parte da audiência por lá – ao menos aqueles que se dispuseram a opinar – acredita que Obama acertou em fazer tal declaração. Mas boa parte ainda crê que essa opinião deve causar desdobramentos às eleições.

Menos mal. Todo cidadão, sobretudo aquele que se dispõe a votar (vale lembrar que o norte-americano não é obrigado a votar nas eleições), tem direito a saber a opinião dos candidatos sobre temas importantes e polêmicos para a sociedade.

A imprensa brasileira já poderia planejar, com equipes de programadores e artistas gráficos, instrumentos semelhantes para colher a opinião dos leitores e tentar evitar assim que as próximas eleições – municipais, estaduais e federais – sejam pautadas tanto pela desinformação.

O maravilhoso mundo dos infográficos interativos

Nos últimos dias, me deparei com quatro infográficos interativos que, além de atraentes e interessantes, instigam o público a pesquisar e a aprender. Eles abordam questões candentes e atuais e ajudam a criar consciência e compreensão. Vale lembrar que trabalhos como esses só são possíveis quando há bancos de dados consistentes e abrangentes disponíveis.

Suprimento de água fresca. Produzido para o Visualizing.org em um concurso aberto para celebrar o Dia Mundial da Água. O infográfico permite a comparação entre dois países em diversos aspectos relativos à água: consumo por pessoa, consumo do país por ano e suprimento de água, entre outros. É possível saber quais nações tem menor quantidade disponível de água, quais países usam mais o insumo para fins industrial e agrícola e muito mais.

Water Supply

O caminho do protesto. Produzido pelo jornal inglês The Guardian, mostra, de forma bastante interessante e eficiente, uma linha do tempo narrando a sequência dos protestos no Oriente Médio e no Norte da África. A linha do tempo, que começa com o a notícia do desempregado tunisiano que colocou fogo no próprio corpo após ser impedido de vender legumes na rua, chega a parecer com o Guitar Hero, videogame de sucesso no mundo todo.

Linha do tempo Mapa de ônibus de Londres. Disponível no Tableau Public, o mapa foi produzido com 1,5 milhão viagens de ônibus na capital inglesa. A amostra representa apenas 5% do total de viagens feitas no sistema de transporte, compreendendo ônibus, metrôs e trens. Permite ver rota por rota e a intensidade das viagens por dia e horário.

London buses 

A história da pobreza. Uma mapa-mundi que permite visualizar a mudança de patamar – de pobre para desenvolvido – nas nações em todos os continentes a partir de indicadores desde 1820. A interatividade permite segregar nações ou continentes ao gosto do internauta.

Poverty map

Você gostaria de opinar sobre quais programas deveriam ganhar ou perder recursos?

No portal da BBC na internet, está disponível uma interessante, interativa e divertida ferramenta para que as pessoas façam facilmente simulações de corte no orçamento e de aumentos de impostos, medidas consideradas fundamentais para angariar 74 bilhões de libras por ano para fechar as contas no Reino Unido.

Chama-se “Budget: what would you cut?” (Orçamento: o que você cortaria?). Não creio que seja possível capturar as decisões dos internautas e a tendência dos ingleses – se preferem maiores ou menores cortes em educação ou segurança, se tendem a aceitar aumento de impostos. Seria importante e interessante se esses dados pudessem ser capturados e tabulados, para indicar, mesmo que sem caráter científico, o que deseja a população.

BBC Imaginem, também, o sucesso que uma ferramenta similar faria no Brasil, caso lançada por algum veículo de comunicação.

Eu faria apenas uma sugestão: que fossem atrelados às áreas passíveis de cortes os nomes de alguns programas destas pastas, de forma que o internauta, ao decidir por um hipotético corte de 10% na verba para a Saúde, por exemplo, poderia saber qual ação governamental estaria sendo reduzida.

Para aqueles que quiserem se divertir no portal da BBC, a sigla VAT significa um imposto sobre valor agregado, conceito praticamente inexistente na cultura tributária brasileira.