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Sete anos depois, New Orleans conclui obras contra enchentes: 214 km de barreiras, R$ 30 bilhões

JP-HURRICANE-1-articleLarge Uma interessante reportagem do jornal norte-americano The New York Times narra a conclusão das obras de proteção contra inundações na cidade de New Orleans, devastada pelo furacão Katrina sete anos atrás.

O assunto ganha interesse por alguns motivos. A obra é gigantesca: consumiu US$ 14,5 bilhões (R$ 29,4 bilhões) para edificar 133 milhas (214 quilômetros) de barreiras, portões contra enchentes, bombas e  proteções diversas.

A infografia, simples, é eficiente, apesar de não ser bonito. Infográficos, antes de belos, precisam ser certeiros ao narrar a informação. Poderia ser melhor, com imagens em profundidade.

0615-nat-webHURRICANE2 O jornal perdeu a oportunidade para editar uma sequência de de fotos-legendas na versão online – ou até na impressa, o que seria ousado, eficiente e causaria um efeito arrasador, positivamente falando. Obras de infraestrutura chamam atenção e geram curiosidade pela grandiosidade. Para narrar, seria mais eficiente mostrar em imagens do que em texto.

No Brasil, obras gigantescas de infraestrutura como o sistema de proteção contra enchentes de New Orleans já estão em andamento há vários anos – e devem consumir mais um bom período. Exemplos: transposição das águas do rio São Francisco e a construção das ferrovias Norte-Sul e Transnordestina.

O jeitinho chinês e o jeitinho brasileiro de investir

O Valor Econômico publicou reportagem no dia 15 de dezembro com dados interessantes. Mostra mais um projeto de infraestrutura colossal construído pelo governo chinês, desta vez um gasoduto, com todo o gigantismo peculiar: capacidade absurda, prazo curtíssimo, tudo muito grande e rápido.  

– Capacidade do gasoduto: ultrapassa 16 milhões m3/dia já em 2010 e atingirá 110 milhões m3/dia em 2015. Gasoduto China 2

– Construído por mais de 8.000 trabalhadores ao longo dos últimos 27 meses. Foi inaugurado dia 14 de dezembro.

– O novo gasoduto tem mais de 6.300 km de extensão, percorrendo território chinês (4.500 km), mas também outras nações asiáticas que não são ditaduras, como Turcomenistão/Uzbequistão (1.800 km).

No Brasil, em dezembro deste ano, dois leilões de concessão – rodadas de licitação nas quais o poder público oferece para empresas a oportunidade de construir empreendimentos de infraestrutura – foram cancelados nas áreas de petróleo, gás natural e energia elétrica. O motivo: demora em obter as licenças ambientais, segundo os ministérios. Os estudos de cinco projetos de hidrelétricas de porte pequeno e médio foram entregues ao órgão ambiental, para análises e aprovação, em maio de 2004. Após mais de cinco anos de idas e vindas entre instituições públicas e empresas responsáveis pelos estudos, as licenças ambientais iniciais, que atestam que o empreendimento é viável do ponto de vista ambiental, ainda não tinham sido liberadas.

Esses dois cenários – lá na Ásia e aqui no Brasil – me fez lembrar de uma reportagem bastante abrangente que li na revista inglesa The Economist tempo atrás a respeito da impetuosidade dos programas chineses de investimento em infraestrutura. O título, inclusive, falou de ostentação: os chineses estavam construindo projetos gigantescos, fazendo o triplo que outros países e a própria China já tinham feito em metade do tempo.  Alguns números e fatos:

– Entre 2001 e 2005, a China investiu em rodovias e ferrovias mais do que nos 50 anos anteriores.

– Entre 2006 e 2010, os planos chineses incluíam investimento de US$ 200 bilhões, quatro vezes mais do que nos cinco anos anteriores.

– A China espera ter 70.000 km de rodovias de lata velocidade até 2020, fazendo  em 17 anos o que o Ocidente demorou 40 anos. No fim de 2007, já tinham 53.600 km.

– Entre 2006 e 2010, o plano de infraestrutura colocou como objetivo construir 300.000 km de estradas rurais, um aumento de 50% ante  a extensão do sistema então vigente.

– A China tinha 78.000 km de linhas ferroviárias no fim de 2007. Um plano de 2004 tinha como objetivo aumentar essa extensão para 100.000 até 2020. Em 2008, a meta foi ampliada para 120.000 km e prazo foi encurtado para 2015.

– A movimentação de passageiros nos aeroportos chineses aumentou de 7 milhões de pessoas em 1985 para mais de 185 milhões de pessoas em 2007. No fim de 2006, a China tinha 142 aeroportos. Em 2004, divulgou a meta de adicionar ao sistema mais 97 aeroportos até 2020.

O que me chamou a atenção foi a explicação por um oficial de um instituto do ministério chinês de comunicações, que cuida também dos sistemas de transporte. Ele lembrou que os projetos e planos de investimento não sofrem restrições de qualquer tipo na China, como ocorre na América – diga-se Ocidente. Uma vez que o plano é feito, ele é executado. Não precisa de audiência pública ou qualquer tipo de aval ou debate prévio. E concluiu: “Democracia sacrifica a eficiência.” É o jeitinho chinês de fazer as coisas.