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Um novo jornalismo, que deixa o leitor montar a história que quiser

É desnecessário gastar palavras para convencer o quanto as ferramentas na internet estão melhorando a forma de apresentar as informações. Quantidades gigantescas de dados ganham vida e a interatividade – e permitem que o internauta navegue por informações cruas e tire as próprias conclusões.

ConflictHistory Três exemplos me parecem bastante conclusivos sobre o assunto. O primeiro é o Conflict History, sensacional para visualizar a quantidade de conflitos, guerras ou incidentes que ocorreram no mundo todo em determinado período. Não traz ainda um último conflito que estourou em junho, na Ásia, entre Uzbequistão e Quirguistão. Ficaria completo se trouxesse uma pequena ficha com dados sobre cada ocorrência, como faz o projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil.

Excelências O Excelências não dá título nem texto ao internauta. Mostra fichas de legisladores do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, das assembléias legislativas nos estados e das câmaras de vereadores das capitais. Além disso, apresenta os cargos relevantes que o político já ocupou, reportagens sobre matérias legislativas relatadas por ele inclusive pelo grau de relevância, quantidade de verbas gastas pelo gabinete e bens declarados na Justiça Eleitoral entre outras. Deixa o leitor livre para ler, analisar, comparar e tirar as próprias conclusões.

O terceiro é um mapa mundial do custo de vida em várias cidades  do mundo todo, um aplicativo que distribui dados de diferentes listas de preços em um mapa mundial. É possível escolher que lista distribuir pelo globo: locais com preços mais caros ou baratos de aluguel, supermercado ou restaurante, entre outros.

Projetos como esses, bastante interessantes e importantes, serão cada vez mais parte do jornalismo. Eles não se propõe a induzir o leitor a percorrer uma história formatada. Em vez disso, os deixa livre para irem para onde quiserem. Não tomarão o lugar de jornais e revistas, muito menos dos jronalistas – ao contrário, precisão muito deles, principalmente da capacidade de organização e de edição deles. Serão, isso sim, cada vez mais utilizados como fontes, como ferramentas capazes de organizar milhares de dados para facilitar a vida dos jornalistas – e do leitor.

Mais alfinetes no mapa dos conflitos mundiais

Semanas atrás, o Café Expresso publicou um rápido mapa dos conflitos e guerras ao redor do mundo a partir da leitura de jornais brasileiros e estrangeiros. Apontou combates no México, Iraque, Afeganistão, Somália e Sudão.

Mais do que mortos e feridos, os conflitos ao redor do mundo deixam também um rastro de refugiados. O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) publicou o Relatório Tendências Globais 2009 informando que, no ano passado, os conflitos expulsaram 43,3 milhões de pessoas, que foram forçadas a deixar as localidades onde viviam, mesmo que não tenham sido obrigadas a sair do país de origem delas

Kyrgyzstan

Nos últimos dias, mais uma dessas guerras eclodiu. Nas redondezas da Rússia, um conflito étnico estourou no dia 10 de junho envolvendo Uzbequistão e Quirguistão. O alvo é a minoria de origem uzbeque residente em Osh, a segunda maior cidade do  Quirguistão. Um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha sugeriu cerca de 700 mortos e não menos de 3.000 pessoas que precisam de ajuda médica. Mais de 80.000 pessoas já atravessaram a fronteira para o Uzbequistão.

Escalada México No México, a guerra contra os cartéis de drogas continua intensa. Um dos principais jornais norte-americanos relata que uma explosão de violência recente foi responsável pela morte de “centenas de pessoas nos últimos cinco dias”. A escalada de mortes de traficantes, policiais e oficiais públicos empurrou o presidente mexicano, Felipe Calderon, para um pronunciamento na televisão, exortando a população a não retroceder no apoio ao governo, pois, caso contrário, teriam todos de viver sempre com medo.

Este ano, o enfrentamento entre forças policiais e traficantes no México pode resultar em cerca de 13.ooo óbitos, segundo estimativas. Em 2001, esses embates deixaram 1.080 mortos, número que não pára de crescer desde então.

Um rápido mapa das guerras e conflitos no mundo a partir da leitura dos jornais

Invariavelmente, ao folhear vários jornais diariamente, brasileiros e estrangeiros, muitas vezes é difícil de ter uma visão abrangente e organizada a espeito da quantidade de conflitos armados e guerras civis que estão acontecendo simultaneamente. No meio, centenas de milhares de mortos. Essa lista, é claro, mostra apenas alguns conflitos, mostrados pelos jornais. Você indica mais algum?

No México, uma reportagem do The Washington Post mostra que os cartéis de drogas estão partindo para um contra-ataque audacioso contra as forças de segurança do Estado, com emboscadas dignas de filmes de ação, numa tentativa de eliminar ou coagir políticos, policiais ou juízes. Desde dezembro de 2006, quando presidente Felipe Calderón iniciou uma ofensiva contra os traficantes, mais de 22.700 pessoas foram mortas, dos quais mais de 1.100 eram policiais, soldados ou oficiais da administração pública.

Somália Na Somália, desde 2007, cerca de 2 milhões de habitantes (20% da população) estão refugiados em outras partes do país ou de nações vizinhas desde que os conflitos internos se intensificaram. Os problemas no país africano vêm desde 1991, quando o presidente vigente naquele ano foi deposto e iniciou-se uma guerra entre clãs. Muitos ainda lembram de milicianos arrastando restos mortais de soldados norte-americanos mortos em missão de paz da ONU.

No Iraque, as explosões de carros-bomba transformou-se em uma triste cena do cotidiano. Morrem mais civis do que militares norte-americanos ou oficiais iraquianos. Nessa guerra no Oriente Médio, os EUA já perderam 4.366 soldados, contabilidade macabra até 24 de fevereiro deste ano.

Não se pode esquecer da guerra no Afeganistão, onde, até 24 de fevereiro também, os Estados Unidos estavam próximos de somar mil soldados mortos.

Do Sudão, o jornalista Fábio Zanini, que passou meses viajando pelo continenteDarfur africano em um projeto próprio e hoje faz reportagens sobre os países de lá, relata, em matéria do dia 2 de maio, que uma nova fase mais complexa do conflito na região de Darfur, que já dura sete anos, soma 300.000 mortos e 2,7 milhões de refugiados. Matéria recente indica que as mortes, entre 1983, começo do conflito, e 2005, quando a missão de paz da União Africana chegou à região, atingiram 2 milhões de vítimas. Hoje, segundo o repórter, que mantém um belo blog com matérias sobre a África, 5% da população de Darfur foi massacrada e 40% teve de deixar as casas por perseguições e medo de massacres.