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Quer participar de um projeto de jornalismo colaborativo sobre estádio de futebol?

Os estádios de futebol no Brasil tem qualidade ruim, no geral. Há falta de conforto e de proteção contra chuva ou sol, banheiros de terceiro mundo, falta opções de alimentação a preços acessíveis. O entrono dos estádios é uma “terra de ninguém”. Cambistas, com ou sem lei que criminaliza a atividade, atuam livremente, talvez, agora, com um pouco mais de discrição. Guardadores de carros – os “flanelinhas” – cobram caro para que os motoristas possam estacionar o automóvel em locais públicos. Os preços das entradas, em geral, não são caras, mas aumentam assustadoramente em jogos mais importantes. Os torcedores não recebem serviços à altura como contrapartida.

Enfim, problemas não faltam. O Café Expresso gostaria de iniciar um projeto de jornalismo colaborativo e contar com a ajuda dos torcedores de todo o País para entender como funciona o dia a dia no entorno e dentro dos estádios durante os dias de futebol. A proposta é que cada um que frequente estádios ou tenha conhecimento sobre o assunto envie para cá informações atualizadas, no espaço para comentários. Depois, os dados serão consolidados e publicados numa matéria aqui mesmo – e também distribuídas para os principais jornalistas esportivos do País via redes sociais. Seria interessante ter informações sobre alguns assuntos:

– Qual estádio foi frequentado, em qual jogo, em qual data?

– Você se importa de deixar o seu nome e a sua idade?

– Há quanto tempo você frequenta estádios de futebol?

– Há estação de trem urbano ou metrô por perto, para facilitar o acesso dos torcedores?

– Os cambistas atuam livremente ou disfarçadamente?

– Quanto custou o ingresso que você comprou? Em qual setor do campo?

– Você sabe quanto custa o ingresso mais caro e o mais barato?

– Quanto a mais os cambistas cobram pelo ingresso à venda?

– Há flanelinhas (guardadores de carro) agindo nas redondezas dos estádios? Quanto eles cobram?

– Há estacionamentos nas redondezas dos estádios? Quanto custa, em média?

– Há barracas de alimentação no entorno dos estádios? Que opções de comida são vendidas? Quanto custa, em média?

– Há lanchonetes no entorno do estádio? Quanto custa um refrigerante ou uma cerveja, em lata ou em garrafa?

– Há vendedores ambulantes, os camelôs, comercializando cerveja em lata? Quanto custa? Eles podem atuar livremente ou precisam ser discretos?

– Há policiamento? Os policiais tentam inibir a atuação de vendedores ambulantes, barracas de lanches, guardadores de carros ou cambistas?

Que tal dar espalhar para amigos e dar seu depoimento? Eu começo com o meu.

Meu nome é José Casadei, 36 anos, frequento o estádio do Morumbi, sou torcedor do São Paulo. O estádio passa periodicamente por pequenas reformas. Os banheiros são bons e limpos, congestionados e precários apenas em dias de grande público. A entrada mais barata custa R$ 20, para assistir na arquibancada, descoberta, atrás dos gols. Nas partidas da Libertadores 2010, chegou a custar R$ 60 – R$ 70. Para assistir com visão para o centro do gramado, custa por volta de R$ 40. Chegou a custar, na Libertadores, R$ 140. Em outros setores, cobertos, com visão melhor e com alguns serviços, custaram entre R$ 300 e R$ 400. Há possibilidade de comprar ingressos pela internet.

Cambistas atuavam livremente. Agora, com mais discrição, para ver se a nova lei que criminaliza essa atividade “vai pegar ou não”. A prática mais comum é vender ingresso de meia-entrada pelo preço cheio, sem o desconto de 50% característico deste tipo de entrada. Barracas de lanches (pernil, lingüiça e cachorro-quente) atuam livremente ao término das partidas, mas são reprimidas antes dos jogos, principalmente com maior público. Custam, na média, R$ 7. A lata de cerveja no vendedor ambulante custa entre R$ 2 e R$ 3. Há poucas lanchonetes, somente no raio de 1,5 km de distância do estádio, que está situado em um bairro residencial, sem comércio no entorno.

A polícia está sempre presente, com bastante oficiais. Não há repressão contra cambistas, guardadores de carro ou outras atividades ilegais. Um “flanelinha” cobra entre R$ 15 e R$ 10 em jogos de pouca atratividade. Nos jogos da Libertadores 2010, pediram algo como R$ 40. Os riscos de encontrar avarias nos carros é pequeno, mas não raro. Estacionamentos cobram R$ 30 em média – a até R$ 100 nas partidas da Libertadores.

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Torcedor sofre: filas e preços aumentam para assistir futebol nos estádios

Os preços das arquibancadas no Maracanã para assistir, na quarta-feira (12) o jogo entre Flamengo e Universidad de Chile, variam de R$ 50 a R$ 80. Do assento mais barato ao mais caro no estádio, o torcedor desembolsa de R$ 30 a R$ 250. Mas, no mercado do futebol, o cliente nem sempre tem razão – e muito menos conforto. A fila, como mostra a foto, do GloboEsporte.com, é uma falta de respeito e consideração com aquele que é o maior patrimônio de qualquer clube: o torcedor.Fila Flamengo

A situação não foi diferente no Sul do País, para comprar ingressos para a partida na qual o Grêmio recebe o Santos, pelas semifinais da Copa do Brasil. As filas também são longas e a carga de ingressos disponibilizada foi pequena: 18.000. O restante é de preferência de quem é sócio do clube. Os preços variaram para arquibancada (R$ 50), cadeira lateral (R$ 80) e cadeira central (R$ 100).

Fila Cruzeiro A fila se cresce também para comprar ingressos para assistir Cruzeiro e São Paulo, em Belo Horizonte, pelas oitavas-de-final da Libertadores da América 2010. Se a fila cresceu, o preço também.

De fato, a diretoria celeste majorou os preços dos bilhetes em relação aos cobrados nas partidas anteriores. Nas partidas da primeira fase do torneio, a administração do clube cobrou R$ 15 para geral, R$ 30 para cadeira inferior, R$ 50 para cadeira superior lateral, R$ 70 para cadeira superior central e R$ 100 para cadeira especial. Agora, aumentou de 30% para mais os ingressos, exceto os de geral: cadeira inferior (R$ 40), cadeira superior lateral (R$ 70); cadeira superior central (R$ 90) e cadeira especial (R$ 130).

Não tem sido diferente nas semifinais e nas finais dos campeonatos estaduais ou em qualquer outro torneio. Mais do que desrespeito, é Fila Grêmioum sinal de que os clubes brasileiros estão anos luz de entenderem o que são conceitos de administração, gestão e marketing, em uma era que todos os setores de varejo e serviços usam a internet como plataforma de vendas e de entrega de produtos e serviços. Será que não vale a pena a imprensa esportiva, que tanto peca na elaboração de boas pautas e reportagens, pensar em começar a cobrir, de forma objetiva, temas relativos à gestão e ao atendimento aos torcedores?