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A decisão que revolucionou o futebol completou 20 anos. E quase ninguém lembrou

No dia 15 de dezembro, um artigo nas redes sociais chamou a atenção: “20 anos da Lei Bosman – o fim da escravidão no futebol“. A notícia foi publicada no Blog do Paulinho.

Os mais jovens talvez não saibam, mas qualquer um que fosse apaixonado por futebol em 1995 sabe quem é Bosman – ou o cara que fez acabar a chamada “lei do passe”.

Em resumo: jogadores podem assinar contratos com outros clubes tão logo o contrato com a equipe atual termine (ou um pré-contrato, seis meses antes do fim do contrato) sem a necessidade de pagar uma indenização à equipe atual, que detinha o “passe” do jogador. No Brasil, foi seguida pela Lei Pelé, em 1998.

Os principais jornais impressos não lembraram da efeméride. O portal IG fez uma reportagem. Lá fora, destaque para matéria do diário inglês The Guardian.

Contra delinquentes infiltrados nas multidões, só tecnologia e lei para evitá-los e prendê-los

Scanner facial

O jornal The New York Times publicou reportagem relatando avanços no desenvolvimento de tecnologia para vigilância de multidões. O desafio é conseguir rastrear em tempo real o rosto de milhares de pessoas por minuto e comparar com bancos de dados de imagens para detectar quem não deveria estar onde está ou quem é procurado pela Justiça.

A tecnologia, no atual estádio, já permite rastrear o rosto das pessoas a partir de fotografias, que são imagens estáticas, e comparar com banco de dados de imagens. No entanto, quando as imagens estão em movimento, as câmeras ainda não conseguem ser completamente eficazes, mesmo com o avanço da tecnologia de rastreamento em movimento e da velocidade de processamento de dados.

Em vários filmes de ficção científica, as pessoas andam pelas ruas e os rostos delas aparecem em monitores ou em televisores expostos nas vitrines de lojas de eletrônicos. A ideia dos especialistas é conseguir desenvolver dispositivos e sistemas que façam os mesmos.

O uso é bastante variado na fiscalização de multidões, desde entrada em estádios de futebol ou grandes eventos esportivos até o vaivém em aeroportos e grandes centros urbanos ou comerciais.

No caso do futebol, alguns países já conseguiram evitar que delinquentes se misturem entre as multidões e pratiquem crimes ou vandalismo. Pessoas envolvidas em badernas são listadas em um banco de dados e precisam se apresentar em delegacias horas antes dos jogos. Só são liberadas para irem para casa horas após o término das partidas.

No futebol, não basta cancelar o registro de torcidas organizadas. Elas voltam a funcionar, com nomes legais um pouco diferentes. Não adianta impedir os integrantes delas de comparecerem aos estádios. Eles entram, sem a camisa da torcida uniformizada. Lei e tecnologia, combinadas, são armas eficazes para combater vandalismo e delinquência.

Boa pauta explora uma das inúmeras possibilidades de reportagem sobre futebol

Almir PernambuquinhoBela reportagem na Folha de S. Paulo, vinda de Anélio Barreto, jornalista que a escreveu como colaborador do jornal – isto é, ele não faz parte da redação. Na pauta, o ingrediente principal é a História. Na reportagem, é o texto longo, narrativo, que era praticado no Jornalismo décadas atrás e que a proliferação da internet e plataformas digitais sepultou.

A reportagem narra trechos da carreira e da vida do jogador Almir Pernambuquinho, que jogou Sport, Vasco da Gama, Corinthians, Santos, América (RJ), Boca Junior (Argentina) e Genoa (Itália) nas décadas de 50 e 60. Briguento, morreu assassinado em um boteco no Rio de Janeiro ao tentar defender um grupo de artistas gays que eram alvo de piadas de um grupo de homens sentados em uma mesa próxima.

O futebol, como todos os outros temas cotidianos, pode e deve ser abordado nas diversas facetas que interferem no esporte, como a política, a econômica, a histórica, a jurídica, a bélica, a criminal, a médica, a estatística, entre muitas outras. Com qualidade, é claro, e bom-senso na hora de organizar a pauta. É o caso dessa bela e surpreendente reportagem. O texto, apesar e longo para o jornalismo atual (uma página inteira do jornal, quase 10.000 caracteres), flui fácil. O conjunto da obra – pauta, texto e detalhes – tem qualidade.

Todos os gols de Messi em uma única e magistral infografia. Quer saber como foi feita?

Messi O infográfico acima é de Fábio Abreu. Mostra o desempenho do craque argentino Lionel Messi. Ele conseguiu, de forma magistral, mostrar diversas características dos gols do jogador:

– Quantidade de gols por ano (inclusive, oferecendo uma noção da quantidade de gols feitos em um ano em relação ao total de gols já marcados por Messi na carreira até agora);

– Em que lugar do gol a bola entrou e de que lugar do campo o jogador chutou ou cabeceou para o gol;

– O desempenho do jogador antes e depois de o treinador Pep Guardiola assumiu o comando da equipe do Barcelona;

– A quantidade de partidas e de gols em um único gráfico que deixa claro que a eficácia do argentino aumentou ao longo dos anos, superando a marca média de um gol por jogo nas duas últimas temporadas.

– A quantidade de partidas e o total de gols e assistências em um único gráfico, evidenciando novamente a importância do argentino para o time espanhol nas últimas quatro temporadas.

– Com que parte do corpo o gol foi marcado, ano a ano. Há, inclusive, um gol de mão.

A organização dos dados – As informações que constam no infográfico não estão catalogadas e disponíveis facilmente em algum portal – oficial do clube ou especializado em futebol. Fábio Abreu precisou coletar os dados na fonte original – assistiu todos os gols, várias vezes, e catalogou todos os dados.

Ele aproveitou vídeos disponíveis no Youtube. Um deles foi elaborado por um fã; outro é do programa de televisão do próprio Barcelona. Abreu assistiu oito vezes o primeiro e uma vez o segundo, para confirmar informações.

O autor desenhou em uma folha de papel oito áreas e e oito traves e, enquanto assistia os gols, marcava onde a bola entrou e de onde ela partiu. Para finalizar, pesquisou no Wikipedia e nas estatísticas da Uefa, a União das Federações Européias de Futebol, para verificar a quantidade de gol marcados e assistências (o último passe, que possibilita o gol) do argentino em cada temporada.

Os alertas – É claro que pode haver imprecisões de centímetros ao tentar apontar o local que a bola entrou ou de onde ela foi chutada, até porque os vídeos não oferecem vários ângulos e pontos de vista para todos os gols. “Mas na proporção da página isso é imperceptível”, avalia o próprio Fábio Abreu.

Ele alerta sobre dois cuidados que tomou para catalogar as informações e produzir a infografia. Primeiro: a bola está na proporção real em relação a trave. Segundo: desde que você confirme a informação que está descrita nas páginas do Wikipedia com outras fontes, não há problema em usar a enciclopédia virtual na pesquisa.

Sugestão de pauta – Será que os cadernos esportivos poderiam investir algum tempo, buscar ajuda nos departamentos de história e estatísticas dos clubes e tentar fazer o mesmo com as principais estrelas do Campeonato Brasileiro 2012?

Quem é melhor? Leitores comentam e melhoram ótimas infografias entre Messi e Cristiano Ronaldo

O jornal espanhol El País elaborou um infográfico muito interessante comparando não somente a eficiência entre o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo, os dois principais jogadores do campeonato local de futebol da primeira divisão – o que é bastante comum fazer em qualquer país –, mas também analisando quais times conseguiram fazer mais gols do que os atletas em questão.

O resultado é bastante curioso e pode suscitar diversas análises e conclusões. Os jogadores são realmente fora de série e espetaculares? Os outros clubes que disputam o torneio são muito fracos? Fica ao gosto0 do leitor – ou do torcedor.

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Os comentários dos leitores – Ler os comentários dos leitores é um método bastante interessante para deixar a análise mais consistente. Um leitor escreveu o seguinte comentário: “Muy interesante estadística, porque demuestra por qué Messi es mejor que Cristiano, primero hay que quitar los goles “de regalo” los de penalty, 11 Ronaldo y 5 de Messi, entonces Ronaldo quedaría con 29 contra 34 de Messi. Y luego hay que ver quien anota más con jugadas individuales, por calidad propia: 10 de Messi, contra 1 de Ronaldo. Y para terminar,¿quién recibe más ayuda de su equipo? Ronaldo tiene 21 con ayuda contra 16 de Messi con ayuda. Con esto queda claro porque Messi es mejor que Ronaldo.”

O argentino, disse o torcedor, apesar de ter um gol a menos que o português (39 x 40), fez bem menos gols de penalti (5 x 11) e muito mais a partir de jogadas individuais (10 x 1), o que, segundo o comentário, demonstra a “qualidade própria” do atleta. Os números estão nos gráficos e a leitura parece bastante pertinente.

Mas pondera outro leitor: “El futbol es un deporte de equipo, cuando se depende de las individualidades, se llega antes al fracaso.” Tem razão também. Por ser esporte coletivo, a tendência é que a qualidade geral da equipe seja tão ou mais importante que a individual. Dessa opinião, poderia derivar uma pergunta: e se o argentino se machucar gravemente algum dia e desfalcar o Barcelona por alguns meses?

Na linha do que o último leitor comentou, a comparação entre Messi e Cristiano Ronaldo avança. O espanhol La Informacion publicou um infográfico com estatísticas mais recentes que apresenta números com outra abordagem para tentar mostrar quem é mais importante para a equipe.

Outra abordagem – O jornal fez um exercício considerando uma hipótese: caso os gols anotados por Messi e Cristiano Ronaldo fossem excluídos, qual seria o impacto para a quantidade de pontos conquistados por Barcelona e Real Madrid. É claro que a brincadeira parte do princípio que nada mais interferiria no resultado das partidas ao longo do torneio.

Messi x Cristiano

O resultado hipotético é que o Barcelona, sem os gols de Messi, perderia 19 dos 81 pontos conquistados até então. O Real Madrid perderia 13 de 85 pontos. Ambos os atletas têm 41 gols. A diferença é que os gols do argentino representam 42,7% dos 96 gols marcados pela equipe catalã, enquanto os gols anotados pelo português significam 38,3% dos 107 gols marcados pelo madrilistas.

Em suma, divirtam-se e melhorem as análises com seus próprios comentários.

Sugestão de pauta – A imprensa esportiva brasileira, que tem se esforçado para produzir pautas inovadoras e ousadas a partir do uso de estatísticas disponíveis ou da construção de bancos de dados próprios, poderia repetir o exercício dos jornais espanhóis El País e La Informacion e comparar a performance e a importância para a equipe entre duplas de craques brasileiros. Liedson (Corinthians) ou Luís Fabiano (São Paulo)? Neymar (Santos) ou Lucas (São Paulo)? Fred (Fluminense) ou Vagner Love (Flamengo)?

Saiba mais:

1) Infográficos ajudam a inovar a pauta no jornalismo esportivo e facilitam a compreensão.

2) Grandes duelos do futebol são oportunidade ímpar para mostrar, por infografias, quem são os melhores atletas

3) Exemplos mostram que blogueiros têm feito reportagens melhores que a imprensa em geral

Futebol na mídia: números e boa apuração ganham espaço onde reinam o óbvio, a futrica e o achismo

Esporte em números 1Um monte de vírus que predomina na cobertura jornalística sobre futebol. Fontes ocultas e interesseiras, opinião do repórter, análise enviesada, descrição contaminada pela paixão clubista, obviedades, tudo isso forma um cadinho que tornou-se quase um padrão. O público não tem o que fazer, já que o problema está em todos os jornais, todos os programas. Desligar e mudar a estação de rádio somente faz sair de um buraco e cair em outro. Infelizmente.

Por isso, é satisfatório perceber que cresce, dentro da imprensa esportiva, sobretudo a que é responsável pela cobertura de futebol, uma linha de atuação que se preocupa em coletar, depurar, analisar e interpretar dados absolutos e reais em vez de simplesmente divulgar aquela opinião que soa como barata e deturpada ao leitor. Dá mais trabalho, é claro, mas convence mais facilmente.

As matérias avaliam diversos aspectos, tanto futebolísticos quanto econômicos, a partir da análise de consultores e contadores ou do esforço dos próprios repórteres. Com isso, adjetivos passaram a ter o apoio de números e estatísticas que ultrapassam os costumeiros rankings de artilharia e pontos conquistados. Reuni alguns casos para exemplificar:

SporTV arrecadaçãoFinanças dos clubes – Uma série do canal SporTV sobre os resultados dos balanços dos clubes, obrigados a publicar resultados financeiros desde 2003.  No entanto, a imprensa sempre deu pouca atenção ao assunto – e passou a fazê-lo com um pouco mais de constância a partir da colaboração de Amir Somoggi, diretor de consultoria em gestão esportiva da BDO. Em quatro matérias, o canal analisou os melhores e os piores em alguns importantes aspectos, como dívidas, patrimônio e receitas, indicando, inclusive, qual seria o clube mais preparado – a partir das finanças e da estrutura – para vencer o campeonato brasileiro que começa no dia 21 de maio.

Esporte em números 2 Pontaria ruim – O Lance! publicou reportagem mostrando o desempenho do jogador Jean, do São Paulo. Versátil, um misto de ala, lateral direito e volante, o atleta chega muitas vezes na frente do goleiro adversário, mas ostenta somente três gols no ano. O atleta passou a ser alvo da imprensa porque a equipe cria muitas jogadas mas não consegue as transformá-las em gols. Para ir além da simples opinião, o repórter buscou, jogo por jogo na temporada de 2011, dados estatísticos para comprovar que o atleta realmente não está com boa pontaria.

Os árbitros brasileiros – A equipe de Victor Birner, no Blog do Birner, analisou partidas em vários campeonatos para constatar, baseado em números, se a arbitragem brasileira aplicava cartões amarelos e vermelhos em excesso, o que, na opinião de muitos comentaristas esportivos, prejudicava a evolução das partidas. Provou, com bases nas estatísticas, aquilo que mídia e público polemizavam baseados na opinião de cada um. O Café Expresso já havia comentado esse e outro caso, ambos ótimos.

Rodrigo Bueno 03mar11Torcida alemã – O jornalista Rodrigo Bueno, da Folha de S.Paulo, apurou o histórico recente de público nos estádios alemães para mostrar a evolução da média de público naquele país, algo que já vinha ocorrendo antes da realização da Copa do Mundo de 2006. Depois de apurar e mostrar os dados, analisa as razões para o bom desempenho da liga alemã.

Os melhores da América do Sul – Rodrigo Bueno, novamente, aproveitou a divulgação de uma lista dos melhores clubes da América do Sul. A Conmebol, confederação local de futebol, promete atualizá-la regularmente, como se faz na Europa, onde a quantidade de vagas disponíveis para cada nação no campeonato continental depende do sucesso dos clubes nos últimos anos. Se os os brasileiros são desclassificados nas primeiras fases nos últimos anos, deveriam perder uma das vagas que têm direito, que seria transferida para países cujos clubes apresentam melhor desempenho. Na Europa, é assim. Com base nessa dinâmica, o jornalista fez uma análise polêmica, mas muito boa – e que os números não o deixam desamparado.

Br Econômico desempenho clubes 4 Quanto custa um gol? – O diário de negócios Brasil Econômico buscou uma consultoria para elaborar um caderno especial a respeito da gestão no futebol. Mais do que estampar os maiores e menores faturamentos ou endividamentos, cruzou o desempenho financeiro com o obtido dentro das quatro linhas. Conclusão: mostra tabelas com o preço de cada vitória, gol e ponto.

Treinos de cada time – O Uol fez um bom trabalho no início da temporada passada do campeonato brasileiro, uma pauta que já foi analisada, aqui, pelo Café Expresso. A idéia foi criar rivalidade entre os torcedores em um tema aparentemente sem interesse – a programação de treinamentos. Na época, escrevi: “Parece chato? Então veja a manchete que resumiu o trabalho:

Por Centenário, Corinthians ‘força’ pré-temporada e supera rivais no treino’. Os torcedores dos outros times certamente se perguntaram: “caramba, e o meu time, como está se preparando para fazer frente a essa estratégia dos corinthianos?

Para saber mais:

– As matérias do jornalista Rodrigo Bueno, do Jornal Folha de S. Paulo, estão disponíveis aqui e aqui, mas somente para assinantes.

– O Café Expresso procura fazer algumas análises e textos sobre futebol suportados por estatísticas. Na seção PRINCIPAIS ASSUNTOS, na coluna aqui à direita, clique na palavra FUTEBOL.

Pé fora de forma: jogadores erram demais nos fundamentos no Brasileirão 2010

O portal UOL tornou acessível estatísticas diversas sobre o Campeonato Brasileiro 2010 de futebol. Como em qualquer tema ou área em que há competição, é divertido fazer rankings e comparar melhores e piores.

Os dados retratam o desempenho dos times após terem jogado 27 partidas, com exceção para Corinthians, Vasco, Santos e Internacional, que disputaram um jogo a menos. O campeonato inteiro terá 38 rodadas.

Durante todos 268 jogos até então, é possível notar que o pé dos jogadores está meio fora da forma. Se algum torcedor fanático tivesse assistido a todos os jogos, teria visto exatamente 8.461 cruzamentos errados e 4.181 chutes para fora do gol. Tem coisa que irrita mais do que aquele jogador que cruza uma bola rasteira, sem força suficiente, quando há todos os zagueiros altos esperando para cabecear? Ou aquela cobrança de falta que, depois de três ou quatro minutos de empurra-empurra e formação de barreira, o atacante chuta com toda a força do mundo lá para as arquibancadas?

Baixo acerto – Na média do campeonato, a cada dez tentativas de cruzamentos, somente 2,2 são realizados corretamente. A cada dez tentativas de chutes a gol, 3,7 vão na direção do gol – entram e fazem a alegria da torcida ou são defendidos pelo goleiro.

No caso de dois outros fundamentos importantes – passes e dribles – os times acertam a maior parte, por mais que haja equipes melhores que outras nos dois casos.

Em um primeiro olhar, pode parecer que há uma relação direta entre nível de acerto e posição tabela. Os resultados confirmam, mas nem tanto essa teoria. O Fluminense, atual líder do campeonato, é a melhor equipe nos dois fundamentos, por mais que desperdice, também, muitos cruzamentos e chutes a gol. No geral, erra menos que os concorrentes.

imageJá os segundo e terceiro colocados não seguem a mesma lógica. A equipe paulista, vice-líder, está entre os cinco piores quando o assunto é acertar cruzamentos. O time mineiro, terceiro na tabela, aparece em sétimo lugar nesse quesito. Na lista dos times que mais acertam chutes a gol, o Cruzeiro é o quarto melhor, com 41% de acerto, e o Corinthians é somente o 14°.

imageEm números de chutes por partida, é o Corinthians, vice-líder, que mais arremata a gol, por mais que erre demais. Considerando que tem um jogo a menos, chuta contra a meta do adversário 14,6 vezes por jogo, seguido pelo Santos (14,2 vezes) e Vasco (13,3 vezes), também um jogo a menos cada.

Poucos chutes e cruzamentos – Entre os que menos alçam bolas na área do adversário, estão Vasco, Prudente, Atlético Goianiense e Avaí. Entre os que menos chutam por partida, estão Prudente, Avaí, Vitória e Atlético Mineiro. Entre aqueles que hoje estão na zona de rebaixamento (Grêmio Prudente, Goiás, Atlético MG e Atlético GO), somente o Prudente usa pouco os dois artifícios para chegar ao gol.

Os números, no futebol, servem para duas coisas somente. As comissões técnicas podem analisar rodada a rodada como estão os fundamentos dos times e, dessa forma, insistir em alguns tipos de treinamento. Não significa que dará certo. Já os torcedores podem se divertir e encontrar argumentos para ratificar o sucesso do próprio time ou as agruras pelas quais passam os adversários. Na rodada seguinte, o feitiço pode virar contra o feiticeiro e quem estava com o estilingue pode passar a ocupar a vidraça.

Outras profissões – Mas são estatísticas interessantes. Compare com outras profissões. Imagine o melhor caminhoneiro de uma transportadora errando 55% das manobras que tem de fazer. Imagine um cozinheiro de um restaurante de primeira linha acertando somente 45% dos bifes que frita. Imagine o entregador deixando o seu jornal na casa do vizinho 15 a 20 dias por mês.

Vale lembrar também que estatísticas mostram o desempenho nos fundamentos. Só isso. Vale muito em um torneio de pontos corridos, no qual o que vale é a regularidade. Mas, como muitos torcedores já aprenderam ao longo da vida, nem sempre é o melhor time que ganha o jogo – ou o campeonato.

Para saber mais:

1) Coloquei os números absolutos e relativos em tabelas e gráficos interativos no ManyEyes, para quem quiser realizar as próprias verificações sobre cruzamentos e chutes a gol, de acordo com a paixão clubista de cada um.

2) Aqueles que quiserem ir adiante, podem fazer esse ou outros exercícios com estatísticas coletando, rodada após rodada, os números de desempenho de times e jogadores na página do UOL Esportes.