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Um árbitro aposentado vem fazendo jornalismo esportivo bem melhor que boa parte da imprensa

Leonardo Gaciba, ex-árbitro de futebol, se aposentou em outubro de 2010. Sorte dos torcedores. Não, ele não era um péssimo juiz. É que, ao abandonar o apito, ele passou a trabalhar como comentarista esportivo para o canal de televisão fechada SporTV e a escrever textos para um blog no portal da mesma emissora.

Os textos abordam, é claro, õ trabalho da arbitragem, mas com uma abordagem bastante diferente. O último relato, por exemplo, é uma verdadeira aula de jornalismo. Gaciba coletou dados, analisou-os e entregou ao leitor conclusões sobre o comportamento dos árbitros com o uso dos cartões amarelo e vermelho. Descobriu que a média de cartões despencou no Brasileirão 2012 enquanto o número de faltas manteve estável.

Ele somou a quantidade de punições dadas aos jogadores nos campeonatos de 2008 até 2012 (considerando sempre as 12 primeiras rodadas, que representam cerca de um terço da competição) e detectou que os juízes estão aplicando menos cartões. mais que isso: a redução é significativa. E ele pergunta: o que mudou? Porque mudou? O que aconteceu? Com especialista e fonte, ele mesmo identifica hipóteses e as comenta.

Dados como esses – quantidade de cartões amarelos e vermelhos mostrados aos atletas nos últimos cinco anos – não estão facilmente disponíveis na internet. Por isso, a maior parte dos jornalistas esportivos prefere opinar com base no que eles sentem e acham no momento – e essa opinião pode acabar enviesada e contaminada por diversos componentes, como a paixão clubística do repórter, a raiva por causa de algum acontecimento em um jogo recém-concluído ou a bronca com algum árbitro ou jogador, entre outros.

O ex-árbitro Gaciba merece os parabéns. Para apresentar as estatísticas que apresentou – e têm mostrado em diversos textos – certamente ele tem pesquisado e organizado os próprios bancos de dados para poder analisar os números e oferecer aos leitores informações mais precisas e objetivas. Os dados ajudam a esclarecer e circunscrever os fatos e reduzem o espaço para opiniões infundadas. Se o ex-juiz de futebol pode fazer, porque a maior parte dos profissionais da imprensa continuam a trabalhar na escuridão dos fatos?

Todos os gols de Messi em uma única e magistral infografia. Quer saber como foi feita?

Messi O infográfico acima é de Fábio Abreu. Mostra o desempenho do craque argentino Lionel Messi. Ele conseguiu, de forma magistral, mostrar diversas características dos gols do jogador:

– Quantidade de gols por ano (inclusive, oferecendo uma noção da quantidade de gols feitos em um ano em relação ao total de gols já marcados por Messi na carreira até agora);

– Em que lugar do gol a bola entrou e de que lugar do campo o jogador chutou ou cabeceou para o gol;

– O desempenho do jogador antes e depois de o treinador Pep Guardiola assumiu o comando da equipe do Barcelona;

– A quantidade de partidas e de gols em um único gráfico que deixa claro que a eficácia do argentino aumentou ao longo dos anos, superando a marca média de um gol por jogo nas duas últimas temporadas.

– A quantidade de partidas e o total de gols e assistências em um único gráfico, evidenciando novamente a importância do argentino para o time espanhol nas últimas quatro temporadas.

– Com que parte do corpo o gol foi marcado, ano a ano. Há, inclusive, um gol de mão.

A organização dos dados – As informações que constam no infográfico não estão catalogadas e disponíveis facilmente em algum portal – oficial do clube ou especializado em futebol. Fábio Abreu precisou coletar os dados na fonte original – assistiu todos os gols, várias vezes, e catalogou todos os dados.

Ele aproveitou vídeos disponíveis no Youtube. Um deles foi elaborado por um fã; outro é do programa de televisão do próprio Barcelona. Abreu assistiu oito vezes o primeiro e uma vez o segundo, para confirmar informações.

O autor desenhou em uma folha de papel oito áreas e e oito traves e, enquanto assistia os gols, marcava onde a bola entrou e de onde ela partiu. Para finalizar, pesquisou no Wikipedia e nas estatísticas da Uefa, a União das Federações Européias de Futebol, para verificar a quantidade de gol marcados e assistências (o último passe, que possibilita o gol) do argentino em cada temporada.

Os alertas – É claro que pode haver imprecisões de centímetros ao tentar apontar o local que a bola entrou ou de onde ela foi chutada, até porque os vídeos não oferecem vários ângulos e pontos de vista para todos os gols. “Mas na proporção da página isso é imperceptível”, avalia o próprio Fábio Abreu.

Ele alerta sobre dois cuidados que tomou para catalogar as informações e produzir a infografia. Primeiro: a bola está na proporção real em relação a trave. Segundo: desde que você confirme a informação que está descrita nas páginas do Wikipedia com outras fontes, não há problema em usar a enciclopédia virtual na pesquisa.

Sugestão de pauta – Será que os cadernos esportivos poderiam investir algum tempo, buscar ajuda nos departamentos de história e estatísticas dos clubes e tentar fazer o mesmo com as principais estrelas do Campeonato Brasileiro 2012?

Quando vaia das arquibancadas, a torcida às vezes tem razão. Mas nem sempre

Alguns jogadores são considerados os “pernas de pau” pelos torcedores. No Corinthians, boa parte das arquibancadas credita a queda de rendimento do time no fim do primeiro turno ao desempenho do zagueiro Chicão, até então capitão do time e um dos símbolos de entrega e empenho da equipe.

No São Paulo, um dos mais criticados é o lateral esquerdo Juan, formado nas categorias de base, campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009 com desempenho elogiado e recém-contratado pela equipe tricolor para a temporada 2011. No Palmeiras, a história não é diferente. O atacante Luan, em boa parte dos jogos, recebe críticas e á tratado com ironia pela torcida e pela mídia.

Como avaliar se a torcida tem razão? Um dos caminhos é medir o desempenho dos atletas, jogo por jogo: quantos passes certos e errados, quantos gols e finalizações, quantos desarmes e assistências, entre outros fundamentos do futebol. O que poderia ser informação pode se transformar em confusão.

O Globoesporte.com ofereceu aos internautas estatísticas individuais de cada jogador presente no campeonato brasileiro da primeira divisão. Está tudo lá. Então, que tal comparar o desempenho do perna de pau (aos olhos dos torcedores do próprio time) com rivais que estão se destacando na mesma posição?

Juan x Cortes1) Juan (São Paulo) x Bruno Cortês>

Um é criticado na equipe paulista. O outro, no Botafogo, foi convocado para a seleção brasileira. Em 13 aspectos avaliados, dados mostram que o são-paulino é melhor em 5, pior em 4 e empata em 4. Um detalhe: Nos passes errados, a desvantagem de Juan é de 0,01 ponto percentual, o que poderia ser considerado um empate. Então, o resultado mais realista seria Juan 6 x Cortês 3. Mas o destaque do campeonato é, sem dúvida, o botafoguense.

Dedé x Chicão 2) Dedé (Vasco) x Chicão (Corinthians).

O primeiro foi convocado pela seleção brasileira e está na mira de diversos clubes enquanto o segundo perdeu a vaga de titular, a faixa de capitão, não foi sequer escalado para o banco nos últimos jogos e está em desgraça com a torcida. As estatísticas mostram que o vascaíno é destaque em 6 categorias, contra 4 do corintiano. Dedé se destaca em dois fundamentos essenciais para um zagueiro: rouba mais bolas e acerta mais passes. Chicão, ao contrário de anos anteriores, deixou de fazer gols de falta e pênalti, fundamentos nos quais se destacava. Isso tem feito a diferença.

Luan x Dagoberto 3) Luan (Palmeiras) x Dagoberto (São Paulo):

O palmeirense não atuou no último clássico do clube, contra o Santos. Nas redes sociais, a torcida chgou a ironizar, escrevendo que o alviverde paulista estava tão mal na partida que já sentiam saudades do atacante. De outro lado, Dagoberto tem recebido elogios. Contando todos os campeonatos no ano, já marcou 22 vezes e deu muitas assistências. Pelas estatísticas, no entanto, o palmeirense se destaca em 6 fundamentos, contra 3 do são-paulino. A vantagem de Luan poderia ser ainda maior, já que Dagoberto, ao contrário de anos anteriores, não recebeu nenhum cartão vermelho ainda.

Esclarecimento ou mais dúvidas? – O problema das estatísticas em uma área tão dinâmica e tão sujeita a análises subjetivas como é o futebol é que elas esclarecem, mas não convencem. Certamente, torcedores que criticam fulano, mesmo que ela tenha melhor desempenho nos fundamentos, vão propor, de imediato: “quer trocar fulano por beltrano?” Os dados, isoladamente, não são definitivos – apenas auxiliam a entender melhor o assunto, a ter um diagnóstico melhor, a analisar a questão por outro ponto de vista e a pensar melhor.

Mas é possível tirar conclusões e lições. 1) O jogador muitas vezes permanece do time porque é aplicado em fundamentos que o técnico considera importantes. 2) Nem sempre o desempenho do atleta justifica as vaias do torcedor. 3) Em um único jogo, o “perna de pau” aplica um chapéu do adversário, marca um gol, acerta três chutes no alvo, e reverte toda a desvantagem estatística. Futebol é ou não é coisa do diabo?

Para saber mais:

Para avaliar o desempenho de cada jogador e compará-lo com outros atletas que disputam o campeonato brasileiro 2011 da primeira divisão, basta acessar a página do Globoesporte.com, clicar no escudo do clube. No fim da página de cada clube, estão as ferramentas que permitem analisar as estatísticas.

Blogueiros podem fazer reportagens mais inteligentes que a imprensa? Em muitos casos, sim

Uma das mais recentes – e importantes – tendências do jornalismo atualmente é o uso de estatísticas e bancos de dados para suportar reportagens e histórias. Nos últimos anos, essa vertente tem ganhado espaço na produção de conteúdo.

Isso acontece não somente por causa das inúmeras possibilidades que as ferramentas digitais oferecem para entregar o conteúdo ao público – principalmente por meio de infografias interativas bastante atrativas – mas sobretudo porque os jornalistas enxergam no nicho algo com enorme potencial inexplorado. Após organizar e analisar estatísticas e dados, muitas boas pautas podem surgir. Os números, enfim, não precisam ser um fim em si mesmos – mas podem contar boa parte da história, inclusive a principal.

Três exemplos recentes mostram o potencial do uso de estatísticas para a produção de boas pautas e de histórias interessantes e inusitadas. Elas abordam temas como política e esporte, nem sempre áreas nas quais há dados organizados que permitam analisar algum tema específico de forma abrangente. Duas foram produzidas por blogueiros e uma pela grande imprensa.

Diante da dificuldade de esmiuçar as estatísticas e as fontes destes dados em áreas específicas, diversos blogueiros, que não são jornalistas,  têm conseguido produzir boas reportagens, seguindo princípios simples do jornalismo. O fato de conhecerem as regras do mercado no qual atuam, pensarem 24 horas no assunto e saber onde buscar informação ajuda bastante. Geralmente, o autor tem de coletar as estatísticas, uma por uma, e fazer o próprio estudo que, depois, dará suporte à reportagem exclusiva. Sorte da audiência.

1) Blog do Navarro: especializado em futebol e no clube paulista São Paulo, é feito por um torcedor. Em recente reportagem, ele cruzou alguns dados: “as médias de públicos do campeonato brasileiro de 2003 a 2010 (com um longo período, evita-se a influência indevida de fatores excepcionais como boas ou má campanhas, centenários, etc), bem como a dimensão das torcidas na capital paulista (partindo-se do pressuposto de que, via de regra, os moradores da capital são os que frequentam os estádios).”

frequencia torcidas estádio

Com o exercício estatístico simples, a matéria quis mostrar e debater com o público qual é a equipe do futebol paulista que tem a torcida mais fiel. A conclusão é que os palmeirenses, seguidos por são-paulinos e por corinthianos, nesta ordem, são os mais fiéis. O texto gerou boa polêmica com os torcedores do Corinthians, até porque a torcida do clube, tradicionalmente, é chamada de “Fiel”.

2) Blog do Gaciba: produzido pelo ex-árbitro Leonardo Gaciba, trouxe outra notícia interessante que deixa qualquer jornal de primeira linha no chinelo. Um em cada quatro cartões amarelos mostrados para atletas nos jogos de futebol do Campeonato Brasileiro da Série A foram dados em momentos de bola parada. Isso significa que podem ser considerados motivos fúteis, cartões facilmente evitáveis, mais relacionados à indisciplina.

O ex-árbitro, agora comentarista esportivo, analisou todas as súmulas escritas pelos juízes após as partidas, computou os dados e descobriu um fato interessante, que serve não somente para o público leitor entender melhor os fatos que envolvem o futebol como também para os próprios atletas e comissões técnicas aperfeiçoarem o comportamento em campo. Matéria nota dez.

3) Estadão: representando a grande imprensa com um ótimo trabalho, o jornal O Estado de S. Paulo descobriu que procuradores da Prefeitura do Município de São Paulo ganham supersalários de até R$ 76,3 mil e que o valor pago a 140 dos 282 advogados da capital paulista é maior que remuneração de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), teto constitucional do funcionalismo.

OESP Servidores de eliteOs repórteres organizaram dados do site oficial “De Olho Nas Contas”, que detalha informações da folha de pagamento dos funcionários públicos da cidade.

As duas matérias têm um importante aspecto comum: em ambos os casos, os autores partiram de uma pergunta inicial e buscaram estatísticas para encontrar ou comprovar as respostas. Um segundo ponto é importante: jornalistas e blogueiro organizaram ou cruzaram estatísticas que não estão disponíveis em algum estudo ou levantamento original. No site “De Olho nas Contas”, há milhares de dados que precisam ser agrupados e organizados.

Dados nem sempre acessíveis – Nos três casos, é preciso contar com estatísticas oficiais ou de instituições consideradas “acima de qualquer suspeita” para que as conclusões não sejam destruídas, rebatidas ou colocadas em descrédito. Esses dados podem estar dispersos em diversos registros ou documentos. Nessas situações, o trabalho braçal e criterioso do repórter ou do blogueiro é fundamental, pois personagens ou leitores incomodados com as notícias sempre procuram desqualificar os métodos ou os autores. É isso.

Saiba mais:

Em dois textos recentes, o Café Expresso abordou reportagens interessantes e inovadoras com o uso de estatísticas, ajudando as equipes de reportagem a se destacarem e a fugirem da mesmice.

1) Uma interessante história de RAC no futebol. Victor Birner e equipe coletaram estatísticas para desvendar se os árbitros brasileiros mostram cartões excessivamente e se juízes diferentes adotam comportamentos diferentes na cobrança de penalidades.

2) Futebol na mídia: números e boa apuração ganham espaço onde reinam o óbvio, a futrica e o achismo. Balanços corporativos, médias de público, custo de cada gol, quantidade de treinamento e muitos outros dados foram utilizados para elaborar reportagens muito boas que fogem da mesmice.

Futebol na mídia: números e boa apuração ganham espaço onde reinam o óbvio, a futrica e o achismo

Esporte em números 1Um monte de vírus que predomina na cobertura jornalística sobre futebol. Fontes ocultas e interesseiras, opinião do repórter, análise enviesada, descrição contaminada pela paixão clubista, obviedades, tudo isso forma um cadinho que tornou-se quase um padrão. O público não tem o que fazer, já que o problema está em todos os jornais, todos os programas. Desligar e mudar a estação de rádio somente faz sair de um buraco e cair em outro. Infelizmente.

Por isso, é satisfatório perceber que cresce, dentro da imprensa esportiva, sobretudo a que é responsável pela cobertura de futebol, uma linha de atuação que se preocupa em coletar, depurar, analisar e interpretar dados absolutos e reais em vez de simplesmente divulgar aquela opinião que soa como barata e deturpada ao leitor. Dá mais trabalho, é claro, mas convence mais facilmente.

As matérias avaliam diversos aspectos, tanto futebolísticos quanto econômicos, a partir da análise de consultores e contadores ou do esforço dos próprios repórteres. Com isso, adjetivos passaram a ter o apoio de números e estatísticas que ultrapassam os costumeiros rankings de artilharia e pontos conquistados. Reuni alguns casos para exemplificar:

SporTV arrecadaçãoFinanças dos clubes – Uma série do canal SporTV sobre os resultados dos balanços dos clubes, obrigados a publicar resultados financeiros desde 2003.  No entanto, a imprensa sempre deu pouca atenção ao assunto – e passou a fazê-lo com um pouco mais de constância a partir da colaboração de Amir Somoggi, diretor de consultoria em gestão esportiva da BDO. Em quatro matérias, o canal analisou os melhores e os piores em alguns importantes aspectos, como dívidas, patrimônio e receitas, indicando, inclusive, qual seria o clube mais preparado – a partir das finanças e da estrutura – para vencer o campeonato brasileiro que começa no dia 21 de maio.

Esporte em números 2 Pontaria ruim – O Lance! publicou reportagem mostrando o desempenho do jogador Jean, do São Paulo. Versátil, um misto de ala, lateral direito e volante, o atleta chega muitas vezes na frente do goleiro adversário, mas ostenta somente três gols no ano. O atleta passou a ser alvo da imprensa porque a equipe cria muitas jogadas mas não consegue as transformá-las em gols. Para ir além da simples opinião, o repórter buscou, jogo por jogo na temporada de 2011, dados estatísticos para comprovar que o atleta realmente não está com boa pontaria.

Os árbitros brasileiros – A equipe de Victor Birner, no Blog do Birner, analisou partidas em vários campeonatos para constatar, baseado em números, se a arbitragem brasileira aplicava cartões amarelos e vermelhos em excesso, o que, na opinião de muitos comentaristas esportivos, prejudicava a evolução das partidas. Provou, com bases nas estatísticas, aquilo que mídia e público polemizavam baseados na opinião de cada um. O Café Expresso já havia comentado esse e outro caso, ambos ótimos.

Rodrigo Bueno 03mar11Torcida alemã – O jornalista Rodrigo Bueno, da Folha de S.Paulo, apurou o histórico recente de público nos estádios alemães para mostrar a evolução da média de público naquele país, algo que já vinha ocorrendo antes da realização da Copa do Mundo de 2006. Depois de apurar e mostrar os dados, analisa as razões para o bom desempenho da liga alemã.

Os melhores da América do Sul – Rodrigo Bueno, novamente, aproveitou a divulgação de uma lista dos melhores clubes da América do Sul. A Conmebol, confederação local de futebol, promete atualizá-la regularmente, como se faz na Europa, onde a quantidade de vagas disponíveis para cada nação no campeonato continental depende do sucesso dos clubes nos últimos anos. Se os os brasileiros são desclassificados nas primeiras fases nos últimos anos, deveriam perder uma das vagas que têm direito, que seria transferida para países cujos clubes apresentam melhor desempenho. Na Europa, é assim. Com base nessa dinâmica, o jornalista fez uma análise polêmica, mas muito boa – e que os números não o deixam desamparado.

Br Econômico desempenho clubes 4 Quanto custa um gol? – O diário de negócios Brasil Econômico buscou uma consultoria para elaborar um caderno especial a respeito da gestão no futebol. Mais do que estampar os maiores e menores faturamentos ou endividamentos, cruzou o desempenho financeiro com o obtido dentro das quatro linhas. Conclusão: mostra tabelas com o preço de cada vitória, gol e ponto.

Treinos de cada time – O Uol fez um bom trabalho no início da temporada passada do campeonato brasileiro, uma pauta que já foi analisada, aqui, pelo Café Expresso. A idéia foi criar rivalidade entre os torcedores em um tema aparentemente sem interesse – a programação de treinamentos. Na época, escrevi: “Parece chato? Então veja a manchete que resumiu o trabalho:

Por Centenário, Corinthians ‘força’ pré-temporada e supera rivais no treino’. Os torcedores dos outros times certamente se perguntaram: “caramba, e o meu time, como está se preparando para fazer frente a essa estratégia dos corinthianos?

Para saber mais:

– As matérias do jornalista Rodrigo Bueno, do Jornal Folha de S. Paulo, estão disponíveis aqui e aqui, mas somente para assinantes.

– O Café Expresso procura fazer algumas análises e textos sobre futebol suportados por estatísticas. Na seção PRINCIPAIS ASSUNTOS, na coluna aqui à direita, clique na palavra FUTEBOL.

Pé fora de forma: jogadores erram demais nos fundamentos no Brasileirão 2010

O portal UOL tornou acessível estatísticas diversas sobre o Campeonato Brasileiro 2010 de futebol. Como em qualquer tema ou área em que há competição, é divertido fazer rankings e comparar melhores e piores.

Os dados retratam o desempenho dos times após terem jogado 27 partidas, com exceção para Corinthians, Vasco, Santos e Internacional, que disputaram um jogo a menos. O campeonato inteiro terá 38 rodadas.

Durante todos 268 jogos até então, é possível notar que o pé dos jogadores está meio fora da forma. Se algum torcedor fanático tivesse assistido a todos os jogos, teria visto exatamente 8.461 cruzamentos errados e 4.181 chutes para fora do gol. Tem coisa que irrita mais do que aquele jogador que cruza uma bola rasteira, sem força suficiente, quando há todos os zagueiros altos esperando para cabecear? Ou aquela cobrança de falta que, depois de três ou quatro minutos de empurra-empurra e formação de barreira, o atacante chuta com toda a força do mundo lá para as arquibancadas?

Baixo acerto – Na média do campeonato, a cada dez tentativas de cruzamentos, somente 2,2 são realizados corretamente. A cada dez tentativas de chutes a gol, 3,7 vão na direção do gol – entram e fazem a alegria da torcida ou são defendidos pelo goleiro.

No caso de dois outros fundamentos importantes – passes e dribles – os times acertam a maior parte, por mais que haja equipes melhores que outras nos dois casos.

Em um primeiro olhar, pode parecer que há uma relação direta entre nível de acerto e posição tabela. Os resultados confirmam, mas nem tanto essa teoria. O Fluminense, atual líder do campeonato, é a melhor equipe nos dois fundamentos, por mais que desperdice, também, muitos cruzamentos e chutes a gol. No geral, erra menos que os concorrentes.

imageJá os segundo e terceiro colocados não seguem a mesma lógica. A equipe paulista, vice-líder, está entre os cinco piores quando o assunto é acertar cruzamentos. O time mineiro, terceiro na tabela, aparece em sétimo lugar nesse quesito. Na lista dos times que mais acertam chutes a gol, o Cruzeiro é o quarto melhor, com 41% de acerto, e o Corinthians é somente o 14°.

imageEm números de chutes por partida, é o Corinthians, vice-líder, que mais arremata a gol, por mais que erre demais. Considerando que tem um jogo a menos, chuta contra a meta do adversário 14,6 vezes por jogo, seguido pelo Santos (14,2 vezes) e Vasco (13,3 vezes), também um jogo a menos cada.

Poucos chutes e cruzamentos – Entre os que menos alçam bolas na área do adversário, estão Vasco, Prudente, Atlético Goianiense e Avaí. Entre os que menos chutam por partida, estão Prudente, Avaí, Vitória e Atlético Mineiro. Entre aqueles que hoje estão na zona de rebaixamento (Grêmio Prudente, Goiás, Atlético MG e Atlético GO), somente o Prudente usa pouco os dois artifícios para chegar ao gol.

Os números, no futebol, servem para duas coisas somente. As comissões técnicas podem analisar rodada a rodada como estão os fundamentos dos times e, dessa forma, insistir em alguns tipos de treinamento. Não significa que dará certo. Já os torcedores podem se divertir e encontrar argumentos para ratificar o sucesso do próprio time ou as agruras pelas quais passam os adversários. Na rodada seguinte, o feitiço pode virar contra o feiticeiro e quem estava com o estilingue pode passar a ocupar a vidraça.

Outras profissões – Mas são estatísticas interessantes. Compare com outras profissões. Imagine o melhor caminhoneiro de uma transportadora errando 55% das manobras que tem de fazer. Imagine um cozinheiro de um restaurante de primeira linha acertando somente 45% dos bifes que frita. Imagine o entregador deixando o seu jornal na casa do vizinho 15 a 20 dias por mês.

Vale lembrar também que estatísticas mostram o desempenho nos fundamentos. Só isso. Vale muito em um torneio de pontos corridos, no qual o que vale é a regularidade. Mas, como muitos torcedores já aprenderam ao longo da vida, nem sempre é o melhor time que ganha o jogo – ou o campeonato.

Para saber mais:

1) Coloquei os números absolutos e relativos em tabelas e gráficos interativos no ManyEyes, para quem quiser realizar as próprias verificações sobre cruzamentos e chutes a gol, de acordo com a paixão clubista de cada um.

2) Aqueles que quiserem ir adiante, podem fazer esse ou outros exercícios com estatísticas coletando, rodada após rodada, os números de desempenho de times e jogadores na página do UOL Esportes.