Arquivo da tag: Estados Unidos

Desempenho dos jornais nos Estados Unidos mostra que há vida além da UTI para o setor

O mais recente relatório da instituição que verifica a circulação de jornais nos Estados Unidos – Audit Bureau of Circulations (ABC) – mostrou que o jornalismo sobrevive, independentemente da plataforma. Essa primeira constatação é importante porque, desde que a internet passou a ser um grande distribuidor de informações e notícias de forma gratuita, entra ano e sai ano aparecem muitos especialistas prevendo a morte de grandes empresas jornalísticas em curto espaço de tempo.

O ABC informou que, nos últimos seis meses, encerrados em março de 2012, os jornais norte-americano venderam 0,68% mais exemplares que no mesmo período do ano anterior, considerando a soma de exemplares em papel e digital. Já a tiragem das edições dominicais aumentam 5%.

Muito ou pouco? – Alguns podem pensar que crescer menos de 1% é pouco – e têm razão. Mas, primeiramente, aumentar a circulação é melhor que vê-la diminuir e, em segundo lugar, é preciso analisar a qualidade desse movimento. E é justamente nessa avaliação que surgem sinais de retomada.

As assinaturas das versões digitais dos jornais – para serem lidas por e-reader, tablete ou telefone celular – já representa 14,2% da tiragem total dos jornais. Nos seis meses completados em março de 2011, essa parcela era de 8,7%.

Os dados mais específicos mostram ainda que, entre os principais jornais norte-americanos em quantidade de circulação média diária, o The New York Times apresentou resultados positivos muito acima da média, com crescimento de 73,0%, graças às assinaturas digitais. Inclusive, no semestre encerrado em março, as assinaturas digitais (807.026 por dia) superara as vendas da versão impressa (779.731 por dia).

Os maiores – Os dois maiores jornais norte-americanos em circulação diária – o The Wall Street Journal, com 2,118 mil exemplares por dia, e o USA Today, com 1,817 mil exemplares diários – apresentaram estabilidade, com aumento de 0,02% para o primeiro e queda de 0,64 para o segundo.

Dos grandes jornais – o grupo dos 25 maiores – apenas cinco tiveram queda de circulação maior que 5% nos seis meses encerrados em março de 2012 em comparação ao mesmo período do ano anterior. De outro lado, nove tiveram aumento de circulação diária maior que 5% – metade dessa turma conseguiu crescer mais de 20%.

O que isso mostra? Que, ao menos na tiragem, os grandes jornais estão bem, mesmo que em patamar bem menor que na década de 80, considerada o pico de circulação nos EUA. Naquela década, o próprio The New York Times alcançou circulação média diária acima de 1 milhão de exemplares, produção que só baixou desse patamar em 2009, quando o jornal vendeu 928 mil exemplares diários.

A indústria de jornais – O desempenho da indústria de jornais nos EUA, de certa forma, segue o mesmo desempenho do Times. Em 1984, os norte-americanos consumiram, em média, 63,34 milhões de exemplares de jornais por dia, de 1.688 títulos diferentes, segundo a Newspaper Association of America. Em 2009, de acordo com as estatísticas mais recentes disponíveis pela instituição, 1.397 diferentes jornais publicaram, em média, 46,27 milhões de exemplares por dia. Essas três décadas de declínio não computam, no entanto, as vendas digitais.

Os jornais norte-americanos têm apostado fortemente em vender reportagens por plataformas digitais (tabletes e telefones celulares), por réplicas em formato PDF para leitura em computador ou notebook) ou inclusive os chamados ‘branded editions’, produtos próprios focados em alguma comunidade, linguagem ou qualquer outro tipo de segmentação. Sinal de que a indústria jornalística, se em algum momento passou a respirar por equipamentos, está cada vez mais perto de deixar o hospital.

Para saber mais:

No Brasil, a circulação média diária dos jornais é realizada pelo IVC – Instituto Verificador de Circulação. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) mantém um quadro com estáticas atualizadas do desempenho da indústria brasileira de jornais por ano. Para efeito de comparação, a circulação de jornais em 2011 cresceu 3,5% e atingiu 8,6 milhões de exemplares diários em média. O jornal brasileiro com maior circulação é o Super Notícia, de Minas Gerais, com 293.572 exemplares por dia, em média.

Anúncios

Isso porque Barak Obama estava determinado a retirar as tropas do Afeganistão e Iraque

 1000th US death O The Washington Post separou mais da metade da primeira página da edição do dia 24 de fevereiro para informar a sociedade norte-americana que os Estados Unidos estão próximos de notificar a milésima morte de um soldado no conflito do Afeganistão, que começou em outubro de 2001.

Estão na contabilidade de fatalidades muitos combatentes que tinham sobrevivido a campanhas no Iraque, guerra iniciada em março de 2003. No conflito localizado no Oriente Médio, 4.366 baixas já foram listadas. Olhando friamente, perto das estatísticas medidas em outras guerras do século passado, o número não assusta, mas não deixa de ser alarmante.

Mês a mês, o conflito se acirra. No ano passado, as tropas norte-americanas sofreram, de forma disparada, baixas muito mais elevadas, como mostra a infografia no formato de linha do tempo estampada na capa do Post. A ilustração é feliz por dois motivos: informa rapidamente que o número mensal de mortes de americanos é crescente e permite ao leitor rememorar alguns fatos marcantes ao longo dos mais de oito anos de conflito.

Em dezembro passado, por exemplo, Obama ordenou o envio de mais 30.o0o soldados para o Afeganistão. Vale lembrar que o atual presidente dos estados Unidos prometeu, durante a campanha eleitoral em 2008, retirar as tropas norte-americanas paulatinamente tanto do Afeganistão quanto do Iraque.