Arquivo da tag: eleições estaduais

Obama declara apoio ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso não é pouca coisa

O presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, declarou, dias atrás, em entrevista para um programa chamado ABC News, um dos mais populares daquele país, que apóia o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Essa declaração não é banal – e muito importante para o líder de um país como os Estados Unidos, às vezes muito mais conservador do que o Brasil em diversos aspectos, sobretudo comportamentais e religiosos.

"At a certain point, I’ve just concluded that for me personally it is important for me to go ahead and affirm that I think same-sex couples should be able to get married." (Barak Obama, in an interview with ABC News)

Em tradução livre, algo como: Em certo ponto, eu concluí que, para mim, pessoalmente, é importante para mim ir em frente e afirmar que eu acho que casais do mesmo sexo deveriam poder se casar.

No Brasil, basta lembrar que as últimas eleições para a Presidência da República foram marcadas por um debate infrutífero e retrógrado a respeito do que pensavam os candidatos sobre temas como aborto e privatizações – ambos negando que eram favoráveis aos dois assuntos.

 Opinião dos leitores – O jornal The New York Times, imediatamente, criou um dispositivo interativo pelo qual mede a opinião dos leitores sobre dois aspectos: se eles consideram a declaração positiva ou negativa e se eles consideram que haverá ou não impacto nas próximas eleições.

Cada pequeno quadrado significa a opinião de uma pessoa e quanto mais escura e preenchida uma parte do quadro estiver, mais as pessoas optaram por aquela opinião. Ao passar a seta do cursor em cima de cada quadradinho, é possível, ainda, ler o que escreveu o leitor – o que ajuda a construir a própria opinião.

Same-sex marriagePor sorte, parece que parte da audiência por lá – ao menos aqueles que se dispuseram a opinar – acredita que Obama acertou em fazer tal declaração. Mas boa parte ainda crê que essa opinião deve causar desdobramentos às eleições.

Menos mal. Todo cidadão, sobretudo aquele que se dispõe a votar (vale lembrar que o norte-americano não é obrigado a votar nas eleições), tem direito a saber a opinião dos candidatos sobre temas importantes e polêmicos para a sociedade.

A imprensa brasileira já poderia planejar, com equipes de programadores e artistas gráficos, instrumentos semelhantes para colher a opinião dos leitores e tentar evitar assim que as próximas eleições – municipais, estaduais e federais – sejam pautadas tanto pela desinformação.

A comparação pode ser o fiel da balança para fazer boas reportagens ficarem ótimas

Uma das principais regras para fazer um bom jornalismo e facilitar a compreensão do leitor ou da audiência é a comparação. Veja um caso simples, hipotético, e pense qual foi a melhor solução. 1) Governador inaugura novo piscinão capaz de reter 18 milhões de litros de água. 2) Governador inaugura novo piscinão capaz de reter “dois maracanãs” de água. Para dar noção de quantidade ao leitor, remetê-lo à lembrança do tamanho do famoso estádio municipal do Rio de Janeiro é a melhor alternativa.

A partir da comparação, é possível comprovar se algo melhorou ou piorou, aumentou ou diminuiu, é mais ou é menos. Dados padronizados ou fotografias passam a ser essenciais. No jornalismo, há algumas maneiras rotineiras de comparar. Uma é verificar a situação de algum aspecto da economia ou da sociedade brasileira com outros países. Outra é avaliar a evolução de determinado indicador ao longo do tempo. Ou os dois juntos, quando possível.

No Valor Econômico, dia 7 de outubro, uma reportagem mostrou dúvidas a respeito da construção do trem de alta velocidade no Brasil. Entre elas, o custo da obra e as expectativas de demanda por parte dos passageiros. A fonte foi o Senado Federal, que pesquisou projetos similares construídos em outros países. A partir daí, ao jornal bastou elaborar uma infografia organizando espacialmente as informações sobre custo por km construído em cada nação.

Valor trem-bala 2

Muitas vezes, as fotografias são melhores do que mil palavras ou indicadores, principalmente quando mostram o antes e o depois. Imagine uma praça degradada. É mais fácil perceber a transformação no local a partir de duas imagens lado a lado evidenciando a degradação e a recuperação da área.

Em outros casos, a comparação pode ser muito bem feita a partir de um banco de dados com estatísticas que demonstram facilmente a evolução de qualquer aspecto da economia ou da sociedade. É o caso abaixo.

Segundo turno 2

O Valor Econômico é novamente exemplo. A partir de estatísticas abundantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), constatou que somente 14% dos eleitores brasileiros terão de votar para governador em segundo turno em 2010, o menor índice desde 1990, quando 62% dos eleitores tiveram de votar novamente para fazer prevalecer a regra eleitoral que determina que o candidato deve ter 50% dos votos mais um. Em 1994, o índice foi 78%. Em 1990, 16 estados realizaram segundo turno, contra 18 em 1994 e 9 em 2010. A partir da eficiente infografia, a reportagem explica o fenômeno com pouco texto: as coligações reduziram a quantidade de candidatos fortes em disputa, entre outras razões.

A similaridade entre as duas reportagens está no fato da preocupação dos jornalistas em apresentar a informação visualmente, com dados distribuídos espacialmente em mapas. A diferença está na obtenção da principal informação que sustenta cada matéria. No caso do trem de alta velocidade, as estatísticas já tinha sido coletadas e organizadas pela fonte – bastou mostrá-las em um belo infográfico. No caso das disputas eleitorais nos estados em segundo turno, os jornalistas tiveram de garimpar os dados, organizá-los e entregar a informação ao leitor de forma agradável. Em ambas as situações, foram bem-sucedidos.

Para saber mais:

Assinantes do jornal Valor Econômico podem acessar aqui a íntegra das reportagens sobre o trem de alta-velocidade e a quantidade de eleitores envolvidos no segundo turno das eleições 2010.