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O mapa dos maiores derramamentos de óleo do mundo conta história “sem efeito manada”

Por meio do projeto Visualing, achei uma infografia muito interessante sobre os maiores derramamentos de petróleo no mundo ao longo da história. Por ele, percebe-se o feito devastador da divulgação de informações pelas mídias – principalmente televisão e internet – para dimensionar um fato específico dentro da linha do tempo de desastres provocados pela indústria petrolífera.

Pelo tamanho da gritaria, o desastre envolvendo a empresa britânica BP no Glofo do México em 2010 parecia ser o pior derramento de petróleo já ocorrido no mundo. Ledo engano. A infografia deixa claro que dois dos mais televisionados e divulgados desastres – incluindo o famoso envolvendo o petroleiro Exxon Valdez, no Alasca – são pequenas gotas perto dos campeões de estragos.

Worst oil spills O trabalho foi feito por Gavin Potenza, ilustrador free-lance. Ele utilizou dados organizados pela The International Tanker Owners Pollution Federal Limited (ITOPF), instituição situada em Londres, Reino Unido.

Fica a dica: o avanço da tecnologia permite que as informações cheguem cada vez mais longe e cada vez mais rápido. Isso é bom, sem dúvida. Quando a notícia é ruim, gera comoção, revolta, possivelmente superdimensionamento do fato e até um efeito manada, quando todos que tomam conhecimento de uma informação seguem o mesmo comportamento dos primeiros. O que ocorreu no Golfo do México, envolvendo a empresa BP, foi realmente um desastre, só que bem menor do que derramamentos semelhantes e menos escandaloso – até por causa do raquitismo dos meios de comunicação em décadas passadas.

É claro que a infografia parte do pressuposto que os dados apurados pelo instituto que serve como fonte são críveis, considerando toda a dificuldade que sempre houve para dimensionar o tamanho do estrago ocorrido no Golfo do México.

Para saber mais: Vale a pena visitar a página do Visualizing, projeto extremamente interessante. Permite que especialistas divulguem trabalhos na área de infografia e oferece desafios que ajudem a criar formas visuais interessantes a partir de bancos de dados brutos. Pelo que o portal demonstra, a empresa GE patrocina os desafios, com prêmios de até US$ 3 mil.

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Quanto óleo vazou no Golfo do México?

Dias atrás, o Café Expresso publicou informações que tentavam comparar o tamanho dos vazamentos de óleo ocorridos no Golfo do México (BP, 2010) e no Alasca (Exxon Valdez, 1989).

A conta continua incerta, mas uma reportagem no The New York Times mostra que cientistas do governo federal norte-americano calculam que o volume derramado no mar pode chegar a 5.000.000 de barris (cinco milhões de barris), o equivalente a 210.000.000 de galões de óleo (duzentos e dez milhões de galões).

O Exxon Valdez, como já mencionado em artigo anterior, o petroleiro Exxon Valdez carregava cerca de 53.094.510 milhões de galões (equivalente a 1.264.155 barris de óleo), dos quais foram derramados cerca de 10.800.00 de galões, o equivalente a 257.000 barris.

A conta certamente ainda levará alguns meses ou anos para ser ratificada com precisão maior.

Veja mais: Um infográfico interativo elaborado pelo Financial Times mostra,  desde abril, estimativas da quantidade de óleo recolhida do mar e os custos para a limpeza do desastre ambiental ocorrido no Golfo do Méxido.

Em 1989, Exxon Valdez derramou 10,8 milhões de galões de óleo no Alasca. E a BP, agora, no Golfo do México?

O Exxon Valdez, até então considerado o maior desastre ambiental na indústria mundial do petróleo, carregava 53,1 milhões de galões de óleo quando foi avariado após colidir com gelo perto do Alasca, em 1989. Cerca de 20% da carga derramou no mar (algo em torno de 10,8 milhões de galões de óleo), de acordo com um relatório da Alaska Resources Library & Information Services (Arlis) a partir da coleta de dados em diferentes fontes.NYTimes óleo

A instituição apontou que ninguém sabe quantos animais foram mortos de fato,  mas que foram encontradas restos de 35.000 aves e cerca de 1.ooo animais marinhos que teriam sido mortos por causa do desastre. De tudo o que foi derramado, 14% foi recolhido.

WashPost óleo

No Golfo do México, BP, empresa responsável pela prospecção no poço, informou ter conseguido fechá-lo após 87 dias de vazamento contínuo, desde o dia 20 de abril, quando houve uma explosão no fundo do mar, na cabeça do poço.

O tamanho do desastre no Golfo do México ainda é incalculável. O governo norte-americano e a própria empresa divulgaram diversas estimativas até o momento, com larga margem de tolerância. No dia 11 de junho, o jornal britânico The Guardian publicou reportagem com a opinião de cientistas, que estimam que o vazamento fez jorrar no mar um volume entre 42 milhões e 100 milhões de galões de óleo.

Uma simples, porém completa e eficiente infografia do jornal norte-americano The Washington Post mostra que, no Golfo do México, estimativas governamentais divulgadas em junho apontam que podem ter vazado entre 1,47 milhão e 2,52 milhões de galões de óleo por dia. Isso produziria um volume extremamente gigantesco de óleo no mar.Info BP oil

A infografia é eficiente porque resumiu dezenas de dados de forma cronológica para contar a evolução da notícia: as tentativas da empresa para conter o vazamento, a quantidade de visitas do presidente norte-americano Barak Obama ao local, o volume de óleo que vazou e as ações do governo.

A sociedade internacional ainda terá de esperar um bom tempo para conhecer estimativas realistas e críveis da quantidade de óleo que vazou no Golfo do México. De certo, apenas que esse acontecimento é de longe o maior desastre ambiental da história da indústria petrolífera.

Observação: fiz uma pequena mudança no título, para melhorá-lo, conforme crítica do leitor nos comentários.