Arquivo da tag: Copa do Mundo

Infográficos ajudam a inovar a pauta do jornalismo esportivo e facilitam a compreensão

Dias atrás, o jornal The New York Times ganhou um medalhas em uma competição chamada Malofiej, uma espécie de Oscar da infografia. O trabalho mostrou a quantidade de vezes que os atletas da NFL, a liga nacional de futebol americano, foram mencionados no SportCenter e no Sunday NFL Countdown, programas do canal esportivo ESPN.

NFL players most mentioned

Durante a última Copa do Mundo, entre junho e julho de 2010, outra pauta parecida foi feita pelo jornal norte-americano. Os jornalistas organizaram um banco de dados para verificar quais jogadores foram mais citados no Facebook durante cada dia, da inauguração ao jogo final do torneio. Quanto mais mencionados, os jogadores aparecem maiores que outros.

O interessante é verificar a flutuação da audiência que cada atleta recebe de acordo com o papel que eles e as equipes deles obtém em campo. No dia 2 de julho, quando o Brasil perdeu para a Holanda nas quartas de final do torneio e foi desclassificado, Kaka e Felipe Melo foram os campões de audiência entre internautas de todo o mundo no Facebook.

Top World Cup players

A imprensa brasileira também tem se destacado nessa área. jornais e portais nacionais estão aprimorando e investindo mais na elaboração de infografias, estáticas ou interativas.

Foi o que fez o jornal O Estado de S. Paulo durante a cobertura da Copa do Mundo de 2010. A infografia, interativa, mostrou em quais países jogavam os atletas de cada seleção durante as copas de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010.

Estadão Copa 2010 Benefícios – O grande benefício dos três gráficos é permitir que o internauta ou leitor perceba facilmente e rapidamente a informação principal. Além disso, arejam a pauta dos cadernos esportivos, muitas vezes repletas somente de fofocas ou reproduções do que aconteceu nos jogos do dia anterior.

Nos dois trabalhos do jornal norte-americano, nota-se imediatamente quais atletas foram campeões de audiência e, durante a Copa, quais fatos estavam associados ao pico de visibilidade.

No infográfico do Estadão, a principal conclusão é que, a cada torneio, os treinadores buscam para compor as seleções jogadores que atuam numa quantidade maior de campeonatos estrangeiros. Em 1994, dez atletas atuavam no brasil e 12 no exterior. Em 2010, só três viram do campeonato brasileiro e 20 de ligas de outros países – e a maioria jogava na Itália naquela época.

Pessoas com quem eu faria boas entrevistas durante a Copa do Mundo

A comissão técnica brasileira blindou os jogadores e tem evitado o espetáculo da cobertura jornalista, quando os atletas se preocupam tanto ou mais com as entrevistas e com a notoriedade do que com a preparação física e a competição. Por isso, tem sido muito difícil para as centenas de profissionais de imprensa que estão na África do Sul se desdobrando para inventar pautas e matérias. Está faltando notícia.

Por isso, tentei imaginar alguns personagens do mundo do futebol que poderiam render algumas boas entrevistas. Mais alguma sugestão?

Toninho Cerezo. Atualmente com 55 anos, foi um volante inteligente e vigoroso no meio campo durante os primeiros anos de carreira, para depois se tornar em um dos mais cerebrais jogadores do futebol internacional na posição. Brilhou no Brasil (Atlético Mineiro e São Paulo), na Itália (Roma e Sampdoria) e na seleção brasileira. Atualmente, foi recentemente contratado para treinar o Sport, de Recife. Nos dias que antecedem a Copa do Mundo na África do Sul, certamente renderia uma boa entrevista, na qual poderiam ser analisadas questões como modelo de preparação antes (1978 e 1982) e depois (hoje em dia) para uma Copa, o comportamento dos craques e estrelas do futebol atualmente, aspectos positivos e negativos dos negócios milionários em torno da indústria do futebol atualmente (agentes, empresas investidoras em jogadores, crescimento das receitas etc) e, inclusive, os planos e perspectivas do ex-jogador. Vale perguntar sobre política e economia no mundo da bola também. Recentemente, sabatina com o ex-jogador Zico rendeu boa entrevista no jornal Folha de S.Paulo (somente para assinantes).

Silvio Luiz. O tradicional locutor esportivo famoso pelos bordões que sempre utilizou durante a narração das partidas de futebol por emissoras de rádio e TV está trabalhando atualmente na cobertura de futebol da Rede TV. Diz a lenda que esse paulistano jamais gritou a palavra gol durante qualquer partida. Em vez disso, grita: “Éeéééééééeééééééé doooooooooo (a) "nome do time (ou a seleção mundial)", confira comigo no replay! (gaguejando, nome do jogador), é dele a camisa n° "x". Quem não se lembra das expressões “Pelo amor dos meus filhinhos!” e “Pelas barbas do profeta!”? Acredito que Silvio Luiz seria um ótimo personagem para uma entrevista ao estilo pergunta-resposta para abordar assuntos como: as intrigas, dificuldades e pressões dentro das equipes de profissionais enviados para a cobertura da Copa do Mundo por emissoras de rádio e TV e jornais impressos, o dia-a-dia das seleções com a imprensa e a opinião dele a respeito de toda a estratégia do técnico Dunga, comparando com outros técnicos do passado, ao restringir o acesso da imprensa e da torcida aos jogadores da seleção e cortar os chamados medalhões e celebridades do escrete. Silvio Luiz, como muitos conhecem, não costuma ter papas na língua.

Carrascos do Brasil em Copa. A imprensa brasileira poderia fazer uma boa reportagem sobre os carrascos do futebol brasileiro em Copas do Mundo. certamente seria possível fazer uma bela infografia. Para complementar, dois personagens principais poderiam ganhar entrevistas ao especiais. Claudio Caniggia e Paulo Rossi. Caniggia venceu Taffarel após um passe de Maradona (que driblou vários jogadores brasileiros) no fim do segundo tempo de uma partida das oitavas de final e mandou o Brasil mais cedo para casa em 1990. Rossi simplesmente marcou três gols na seleção brasileira de 1982, até hoje na lembrança da população como uma das melhores já enviadas para uma Copa do Mundo. Há, certamente, fatos interessantes que podem vir à tona em entrevistas com os dois. E há histórias engraçadas para contar ao público brasileiro sobre os carrascos. Caniggia gerou enorme polêmica quando regressou no futebol italiano para jogar no Boca Juniors, grande rival do River Plate, clube que se destacou e ganhou Libertadores e Mundial Interclubes. Numa partida contra o time que o revelou, marcou três gols (o jogo terminou quatro a um) e lascou um enorme beijo na boca de Diego Maradona durante a comemoração de um dos tentos. Já Paulo Rossi foi expulso de um táxi,  em 1987, quando veio ao País para jogar um torneio de futebol. O motorista o reconheceu e o fez descer.

Quando a notícia rompe mitos

O jornal O Estado de S. Paulo publicou no dia 5 de março uma reportagem de autoria do correspondente Jamil Chade, amparada em notícia divulgada pela agência francesa de notícias EFE, sobre um trabalho da ONU elaborado pela arquiteta brasileira Raquel Rolnik.

Esse relatório da ONU constata, para grande surpresa de muita gente, que grandes eventos esportivos, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, deixam também um legado de prejuízos para os países que os sediam. A Fifa, procurada por Rolnik na fase de elaboração do estudo, não quis se manifestar.Rolnik

O bom jornalismo demonstrado na reportagem está no simples fato de entregar ao leitor brasileiro um trabalho exclusivo, super atual e de extrema relevância e impacto social.

Se não houve muito trabalho para conseguir a notícia, o importante é que ela rompe mitos pré-estabelecidos e propagados por muitos. A notícia apresenta um outro lado sobre os impactos de um grande evento esportivo como os acima citados, dando oportunidade das pessoas tirarem as próprias conclusões e seguirem em uma linha de opinião.

Um dos ingredientes do bom jornalismo é exatamente apresentar argumentos distintos e às vezes contrários, é fazer pensar aqueles que o consome. A reportagem, mais do que apresentar uma história exclusiva, oferece novos argumentos e faz pensar.