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Famílias mais pobres gastam R$ 6 por mês com educação. As mais ricas, R$ 410

Para quem gosta de escarafunchar estatísticas, há milhares de dados recém-saídos dos fornos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a respeito do orçamento familiar. São informações que revelam como o brasileiro gasta a própria renda.

A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) é abrangente e traz dados sobre o gasto das famílias por diversas clivagens, como faixa de renda, anos de estudo e por regiões. Um prato cheio para jornalistas e estudiosos, que gostam de lidar com amplos bancos de dados, com o objetivo de extrair boas pautas com belas infografias, mas é preciso entender ou se esforçar para compreender os dados. Saber “ler as tabelas” corretamente é fundamental.

Seguem algumas constatações, a partir de uma rápida leitura feita em algumas tabelas:

– A habitação é ainda o principal peso na renda das famílias mais pobres do Brasil, cuja renda total (incluindo todos os integrantes da família que tenham algum tipo de rendimento) é de até R$ 830. Esse perfil de família gasta, em média, 37% da renda com despesas ligadas à moradia. Já os mais ricos, cuja renda familiar soma mais de R$ 10.375 por mês, gastam 22,8% da renda com itens referentes à moradia, o que também não é pouco.

– As famílias mais pobres gastam 8,8% da renda com serviços como energia elétrica, telecomunicações, gás, água e esgoto. Os mais ricos desembolsam 3,9% da renda da família com tais itens, todos os meses. A diferença é que os 8,8% da renda dos mais pobres significa uma fatura mensal de R$ 65,26 por mês, em média. A fatura dos mais ricos custa R$ 549,86 por mês, em média.

– Apesar de o Brasil já ter mais de 190 milhões de linhas de telefone celular em circulação e este serviço ter grande penetração entre as famílias mais pobres, a fatura paga todo mês é quase insignificante para as operadoras. Os integrantes de famílias cuja renda conjunta não ultrapassa R$ 830 por mês podem até ter aparelhos celulares no bolso, mas, juntos, pagam R$ 5,84 por mês pelo consumo de chamadas telefônicas celulares. Já as famílias mais ricas pagam uma fatura mensal de R$ 133,47, em média.

– Educação é um item que ganha bastante atenção na cesta de consumo das famílias. Quanto maior a renda, mais destaque para o gasto com cursos diversos, incluindo de nível superior. As famílias mais pobres desembolsam, em média, 0,9% da renda mensal com educação, enquanto as mais ricas gastam 2,9% por mês. Em reais, essa fatura mensal representa R$ 6,83 (mais pobres) e R$ 409,31 (mais ricas).

Este último dado não significa que os mais pobres não estudam. Eles estudam, mas em escolas públicas, com as já conhecidas diferenças na qualidade do ensino. Como é sabido, é a educação – e não o consumo de energia ou de alimentos – que move a roda da fortuna da ascensão social. Como diz um ditado italiano, dinheiro faz dinheiro, piolho faz piolho.