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Uma interessante história de RAC no futebol

As editorias de esporte dos principais jornais do Brasil utilizam RAC para apoiar as coberturas diárias sobre futebol. Atualmente, equipes inteiras de profissionais acompanham as partidas de futebol para anotar a quantidade de passes, cruzamentos, assistências e chutes errados e certos, entre outros fundamentos, para sustentar e apoiar as reportagens que serão lidas nos dias seguintes.

O blog do jornalista Victor Birner, no entanto, está fazendo um interessante e inovador jornalismo de precisão com números sobre futebol, aliando precisão, velocidade na mensuração de dados e pautas extremamente oportunas, atuais e pertinentes que fogem do lugar-comum. Graças à paciência de Leandro Iamin, jornalista que colabora com Birner no blog, as mais intrigantes polêmicas do futebol estão ganhando números a partir de bancos de dados que os próprios jornalistas estão criando em um inédito exercício de RAC no Brasil. Explico em dois lances.

Em um jogo em Recife, onde o Náutico recebeu o São Paulo, na 27ª rodada do Brasileirão 2009, a polêmica envolveu a atuação do árbitro que, apesar de atuar em um jogo sem violência, deu 15 cartões amarelos e 4 vermelhos. O time paulista conseguiu virar o jogo com dois jogadores a menos e a vitória incomum ganhou repercussão – bem como os critérios do árbitro. Victor Birner e Leandro Iamin inovaram e decidiram analisar todas as rodadas já jogadas de 11 diferentes campeonatos do mundo para mensurar o comportamento dos árbitros quanto aos cartões amarelos e vermelhos. Os números teriam de desvendar uma questão central: qual é a quantidade de cartões dados em outros campeonatos do mundo, mais ou menos violentos que o brasileiro? Se os brasileiros estão sendo excessivos no rigor, os números mostrariam – e mostraram. Os jornalistas destacaram, numa matéria inédita na imprensa brasileira, a média de cartões em campeonatos como português, espanhol, francês, argentino, entre outros, até a última rodada disputada em cada um deles. Os árbitros brasileiros sagraram-se campeões na quantidade de cartões, tanto amarelos quanto vermelhos. A abrangência da apuração evita possíveis críticas de os jornalistas compararem estilos diferentes de futebol, pois é impossível que o campeonato brasileiro seja mais violento que todos os outros dez que foram também alvo da análise.

Na mais recente matéria envolvendo RAC, Birner e Iamin conseguiram dar números às polêmicas envolvendo os passes à frente que muitos goleiros dão quando das cobranças de pênaltis. Novamente, um jogo envolvendo o São Paulo, na 29ª rodada, quando o time paulista perdeu no Maracanã para o Flamengo, de virada, por 2 a 1. A polêmica surgiu quando a equipe do Morumbi ainda vencia por 1 a 0 e houve marcação de pênalti para o Flamengo, que o desperdiçou na cobrança. O juiz, no entanto, mandou voltá-la, alegando que Rogério Ceni deu um passo à frente, o que não é permitido pelas regras. Os números de Birner e Iamin os ajudaram a fugir do lugar-comum na análise da rodada. Eles identificaram todos os jogos do campeonato nos quais houve penalidades marcadas, convertidas e perdidas. Mensuraram em quais houve nova cobrança pós o batedor desperdiçá-la. Mais do que debater emocionalmente, os jornalistas mostraram, pelos números, que diferentes juízes têm comportamentos diferentes. A falta de padrão – ou excesso de rigor – dos árbitros estava sendo determinante para alguns times serem beneficiados (quando perdem a cobrança e o juiz determina uma nova, depois convertida na repetição) ou prejudicados (no caso, quando o goleiro defende e o juiz anula a defesa). Vale a pena conferir.

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