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Melhores reportagens da semana: se não há dados disponíveis, construa-os

Dias atrás, o Café Expresso listou três reportagens que revelaram situações ou informações encobertas a partir de levantamentos realizados pelos próprios jornalistas. Em vez de procurar estudos sobre temas interessantes, eles passaram a imaginar temas interessantes e realizar os estudos para responderem as perguntas e cumprir as pautas.

Naquela ocasião, três reportagens mereceram destaque. Uma delas identificou, em todos os estados brasileiros, quais tinham itens e estrutura mínima para realizar perícias necessárias para o esclarecimento de crimes. Outra comparou recursos públicos investidos em obras para a mobilidade de pessoas e de carros a partir da seleção das obras empreendidas pelo poder público em determinado período. Na terceira, os jornalistas mostraram qual era a “hora da morte”, o horário com maior incidência de homicídios na capital paulista, refinando informações de um banco de dados sobre criminalidade.

vôos atrasadosUma delas, publicada pelo O Estado de S. Paulo, mostrou que mais da metade dos vôos que mais atrasam partem dos aeroportos no entorno da capital paulista. Os jornalistas estabeleceram um método e foram em frente depois que as autoridades públicas responsáveis pela informação alegarem que ela não existia, como relataram na reportagem:

“O levantamento foi feito com base nos relatórios de atrasos das companhias aéreas e nos índices dos principais aeroportos brasileiros. Além disso, o Estado compilou mais de 90 mil dados oficiais de exatos 4.022 vôos que atrasaram no País nos meses de abril e maio. (…) a reportagem pediu essas mesmas informações à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que afirmaram não ter os números. Com esses dados, foi possível descobrir quais são os aeroportos que mais atrasam, as companhias que menos respeitam os horários e os piores trechos.”

carros per capitaUm segundo caso – novamente publicado pelo Estadão – é exemplar para mostrar como jornalistas estão construindo – no bom sentido – números que permitam circunscrever e dimensionar os fatos que suportam as reportagens.

Os jornalistas descobriram que seis das dez cidades com mais carros por habitante ficam no eixo entre a capital paulista e Campinas, que distam cerca de cem quilômetros uma da outra. Ouviram especialistas para entender que a opção pelo automóvel é resultado de três fatores: status, má qualidade do transporte público e flexibilidade de tempo. E explicaram aos leitores o passo a passo que os permitiu chegar às conclusões da matéria:

“O ranking foi feito do cruzamento dos dados da frota do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) com a população medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).”

Avaliação professor Outro exemplo, desta vez do jornal Folha de S. Paulo, informou que o sistema de avaliação de professores, com remuneração adicional para os mais bem qualificados, começa a ganhar adeptos nos estados, mesmo que a polêmica e a contrariedade dos sindicatos ainda persistam.

A matéria não tinha bancos de dados por trás, pelo qual seria possível revelar algo encoberto após cruzar ou refinar informações. A metodologia foi a boa e velha apuração jornalística. Após imaginar a pauta, a jornalista telefonou para as secretarias estaduais de educação para mapear o assunto – os resistentes e os adeptos do sistema de avaliação de professores.

Tabelas simples e infográficos modernos e ousados completaram com chave de ouro as matérias. Escritas pelos jornalistas, são “apenas” reportagens. Se produzidos por alguns institutos ou universidades, seriam chamados de estudos.

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