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Os números que formatam o debate sobre controle de armas nos Estados Unidos

NRA WashPostSemanas atrás, o Café Expresso já abordou os trabalhos feitos pela NRA (National Rifle Association), uma instituição que defende o direito do cidadão portar armas naquele país.

A atuação da NRA, além de suporte financeiro para os candidatos em eleições que tenham os mesmos argumentos da instituição (tudo dentro da lei, sem nenhum problema, regulamentado), também está focada no mapeamento do pensamento dos congressistas sobre o tema.

Cavar e escarafunchar os dados é o mais difícil, mas a equipe da NRA mantém a disciplina de coletar diariamente, em diversas fontes disponíveis, dados valiosos que acabam ajudando a organizar o que pensa cada deputado e senador sobre o porte e uso de armas nos Estados Unidos.

A partir de tais dados, os mais importantes órgãos de imprensa podem usar as ferramentas digitais disponíveis e dar forma aos números. Desta vez, o The Washington Post mostra facilmente a relação entre as doações financeiras em campanhas e o que pensam os congressistas dos EUA.

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Em Nova Iorque, até estatísticas sobre revistas policiais são divulgadas. Por que não deveriam?

Uma reportagem do The New York Times chamou a atenção para o nível de dados que são divulgados pelo Departamento de Polícia de Nova Iorque. Mais do que divulgar periodicamente os indicadores de diversos crimes, o que é comum em centenas de cidades ao redor do mundo, a polícia local disponibiliza para a imprensa e para a sociedade as estatísticas sobre abordagens e revistas feitas pelos policiais.

Revistas policiais NY

No Brasil, ainda é comum as autoridades públicas esconderem, deturparem ou divulgarem parcialmente os dados referentes à segurança pública e ao desempenho das forças policias. O país ainda não tem um sistema de informações nacional, atualizado, com a quantidade de ocorrências policiais.

Dados de segurança pública são produzidos com recursos públicos – e por isso deveriam ser disponibilizados, no detalhe, para a sociedade e para a imprensa. Se há o argumento das autoridades policiais de que eles são estratégicos para realizar o planejamento contra os criminosos, vale também a justificativa que estes dados também são valiosos para os próprios cidadãos planejarem a própria segurança, moldar a rotina e se precaver contra o crime.

Se uma rua é a campeã de roubos de carros, os motoristas deveriam saber disso para decidirem se querem correr o risco de estacionar o carro nela. Se um bairro tem tido muitos roubos e furtos, as pessoas podem desejar não morar nele ou frequentá-lo – ou inquilinos podem querer exigir aluguéis mais módicos. É cruel pensar dessa forma, mas é um direito do indivíduo.

O Brasil precisa evoluir nessa área – na coleta, organização e divulgação de estatísticas públicas de interesse social. Na área de segurança, há um tabu ainda consistente, que pouco arrefeceu ao longo dos anos. Um exemplo positivo foi a decisão do governo estadual de São Paulo. Ele decidiu divulgar dados de crimes por bairro. Pena que tal postura só vingou depois de denúncias na imprensa apontando o mau uso, privado e privilegiado, dos indicadores até então mantidos em sigilo.

Saiba mais:

Qual é o perigo de divulgar informações públicas?

Nos EUA, carros roubados recuam 40%. Em SP, 21%. No Brasil, pouco se sabe.

Dados sobre criminalidade: plenamente divulgados lá fora, são segredos de Estado no Brasil.

É a informação ou a lei que permite melhores escolhas e muda hábitos?

Em regra geral, é a informação, e não a lei, que muda drasticamente e de forma perene os hábitos das pessoas. Quer um exemplo simples? A Universidade de São Paulo (USP) divulgou pesquisa mostrando que os os semáforos que informam ao motorista o tempo restante para a troca de cor – vermelha ou verde – ajuda a prevenir acidentes de trânsito. Fácil: ao saber que poderá cruzar a rua em cinco segundos, o motorista não arrisca atravessar no sinal proibido.

No mundo todo, em muitos casos, governos têm ampliado a transparência, divulgando pela internet, gratuitamente, bancos de dados com informações cruas de diversos serviços públicos. A intenção é que programadores e desenvolvedores possam transformar dados em serviços úteis às pessoas.

Exemplos – Imagine saber em quais hospitais há maior incidência de mortes ou infecções hospitalares, em quais ruas e bairros há mais casos de roubos e assaltos, em quais localidades há grande ou pouca ocorrência de enchentes, quais os planos de saúde com mais reclamações dos segurados.

No Brasil – e na América Latina, em geral – não há nenhum indício de que os administradores públicos estejam interessados em seguir o mesmo caminho. Estatísticas públicas podem comprometer. Por isso, são guardadas na gaveta.

Princípio – Essa visão mesozóica é ruim. Como disse tempos atrás Tim Berners-Lee, considerado um dos criadores da internet, “dados governamentais são algo que nós já gastamos dinheiro … quando eles (dados) estão guardados no disco de computador no escritório de alguém, eles estão sendo jogados no lixo.”

De outro, a informação pode se transformar em serviços úteis para os cidadãos prevenirem acidentes, assaltos e fazerem melhores escolhas. Novas empresas que desenvolvem novos serviços em cima de tais informações públicas criam mais empregos, geram mais valor e conhecimento.

Safety products E novos exemplos continuam a aparecer no hemisfério norte. O jornal norte-americano The Washington Post informou que o governo federal disponibilizará milhares de dados de um sistema de reclamações de consumidores sobre problemas de qualidade e segurança de produtos vendidos no varejo.

Os defensores dos consumidores de lá aplaudem o poder repentino que as pessoas passam a ter na hora de fazer compras. As empresas que estão no banco de dados dizem não se opor à iniciativa, mas acusam que várias reclamações não deveriam constar no banco de dados porque os problemas não existiram.

Melhores escolhas – Mas é inegável: se um produto está causando dor de cabeça a centenas de consumidores, é importante que as pessoas tenham informação para fazerem as próprias escolhas diante das gôndolas, independentemente de quem for a culpa.

O Brasil, mesmo tardiamente, como de costume, terá de aderir ao movimento de transparência – conhecido lá fora como “open data movement”. Algo já ocorre com dados de orçamentos públicos, na medida em que cresce a pressão para que sejam disponibilizados na internet para fácil consulta. Mais informação significa mais oportunidades das pessoas fazerem melhores escolhas. Se os bancos de dados com informações públicas existem, precisam  ser divulgados. Se não existem, precisam ser criados.

Para saber mais:

Veja outras matérias e mais exemplos sobre o mesmo assunto. 1) Prefeituras abrem bancos de dados para programadores. Os cidadãos ganham. 2) O criador da internet começa a dar novos usos à própria criação.

Mapa mundial da pena de morte mostra declínio de execuções em muitos países, mas vigor em outros

O diário sueco Dagens Nyheter produziu uma infografia interativa bastante interessante e abrangente a respeito da pena de morte no mundo desde 1900. Para tanto, teve de identificar a quantidade de condenados realmente executados nos corredores da morte em diversos países e verificar a legislação em cada nação, de forma a mostrar ao leitor onde este tipo de pena está vigente, onde foi abolido pela lei e onde foi abolido na prática.

Pena de morte A equipe de reportagem sueca constatou que a pena de morte está em declínio no mundo, mas resiste nos Estados Unidos e mantém vigor na Ásia, continente que executou dezenas de milhares de pessoas na última década. E prossegue:

“Punir as pessoas com a morte tem sido uma forma bastante comum desde que a ação humana tem sido documentada. O direito penal, por séculos, foram marcados pela idéia de vingança pelos pecados praticados no passado. Hoje em dia, no entanto, a tendência é de um mundo sem a pena de morte – mas o caminho não é linear.”

Os jornalistas, após organizarem os dados, mostram que quase todos os países que ainda aplicam a pena capital estão nos continentes asiático e africano. “Ao sul do Saara foram executadas dez pessoas em 2009, no Norte de África e do Oriente Médio mais de 600 – e na Ásia mais de mil pessoas, das quais a esmagadora maioria na China”.

No mapa interativo, você pode perceber:

1) Entre as nações desenvolvidas, os Estados Unidos e o Japão são os únicos que mantém a prática constante. Os norte-americanos executaram 52 condenados em 2009, contra sete dos japoneses. Mas 15 dos 50 estados dos EUA já baniram a prática – o último foi o Novo México, em 2009.

2) Nos últimos dez anos, a China executou mais de 15.000 pessoas.

3) O Brasil é considerado um país no qual a pena de morte foi abolida na prática, pois a última execução que se tem notícia teria ocorrido em 1.855. Mas traz uma informação interessante: 1979 é o ano em que a pena de morte foi abolida, exceto para crimes extraordinários.

No caso brasileiro, as informações contidas no trabalho de reportagem sueco seria um ótimo ponto de partida para uma investigação, buscando identificar que lei é essa, o que é considerado um crime extraordinário (já que parece que eles têm sido constantes por aqui desde 1979) e qual foi o último condenado (que o mapa indica ter sido morto em 1855, depois da Independência, antes da República e durante a escravidão). Que tal?

Brasil patina há mais de uma década no desafio de reduzir corrupção

No mais recente atlas da Transparency International, organização que monitora o nível de corrupção no mundo todo, o Brasil, invariavelmente, não ocupa uma boa posição.

A organização consegue, a partir de um conjunto de pesquisas (entre 3 e 13 em cada país, dependendo da quantidade de fontes disponíveis em cada ano), avaliar qual é o nível de corrupção percebida.

O indicador oferece muito espaço para o debate. A partir de pesquisas de opinião e outras qualitativas, tenta medir o nível de percepção que a sociedade local tem sobre a corrupção no país onde vive ou negocia.

Não creio ser possível avançar muito mais que isso. É praticamente impossível determinar quais são os países nos quais há mais corrupção a partir da medição da quantidade de dinheiro desviado ou de propinas pagas.

A posição do Brasil – Entre 178 países, o Brasil se situa no pelotão do meio, no 69° lugar, com outras três nações. Toda a imprensa deu destaque para a lista dos mais e menos corruptos. Há menos corrupção por aqui do que em Vanuatu, que vem logo atrás. da mesma forma, há mais corrupção aqui que em Ruanda, na África.

Tão importante quanto a posição que o Brasil ocupa é saber quais posições ele ocupou no passado. Só assim é possível saber se houve retrocesso ou avanço.

Segundo os parâmetros da pesquisa, quanto mais próximo de 10, menor é a corrupção percebida no dia a dia nos países. Mais próximo de zero, o ‘toma-lá-dá-cá’ corre solto.

Desde 1995, quando as pesquisas começaram a ser feitas pela Transparency International, depois de melhorar significativamente entre 1995 e 1999, o país passou a patinar no combate à corrupção, mostram as estatísticas.

Corrupção no Brasil

Coloquei os dados no Tableau Public, ferramenta gratuita que permite inserir planilhas de dados e visualizá-los em gráficos. Achei que o velho e simples gráfico em formato de colunas mostraria bem a estagnação do Brasil no combate à corrupção.

Brinque com o gráfico – Quem quiser, pode verificar lá como os 178 países evoluíram ou regrediram. A ferramenta permite interação. Os interessados podem copiar a tabela de dados, clicando em ‘download’.

Montar a tabela deu um trabalho enorme. Coletei a tabela principal de todas as edições disponíveis da pesquisa anual da Transparency International, de 1995 até 2010 .

Depois, organizei os dados em uma planilha de forma que pudessem ser comparáveis, linha por linha. Muitos países entraram na pesquisa somente nas edições mais recentes. Para outros, faltam dados em pesquisas intermediárias.

Se alguém que for craque na arte de criar infográficos e visualizações, fique à vontade para refazer e melhorar.

Pé fora de forma: jogadores erram demais nos fundamentos no Brasileirão 2010

O portal UOL tornou acessível estatísticas diversas sobre o Campeonato Brasileiro 2010 de futebol. Como em qualquer tema ou área em que há competição, é divertido fazer rankings e comparar melhores e piores.

Os dados retratam o desempenho dos times após terem jogado 27 partidas, com exceção para Corinthians, Vasco, Santos e Internacional, que disputaram um jogo a menos. O campeonato inteiro terá 38 rodadas.

Durante todos 268 jogos até então, é possível notar que o pé dos jogadores está meio fora da forma. Se algum torcedor fanático tivesse assistido a todos os jogos, teria visto exatamente 8.461 cruzamentos errados e 4.181 chutes para fora do gol. Tem coisa que irrita mais do que aquele jogador que cruza uma bola rasteira, sem força suficiente, quando há todos os zagueiros altos esperando para cabecear? Ou aquela cobrança de falta que, depois de três ou quatro minutos de empurra-empurra e formação de barreira, o atacante chuta com toda a força do mundo lá para as arquibancadas?

Baixo acerto – Na média do campeonato, a cada dez tentativas de cruzamentos, somente 2,2 são realizados corretamente. A cada dez tentativas de chutes a gol, 3,7 vão na direção do gol – entram e fazem a alegria da torcida ou são defendidos pelo goleiro.

No caso de dois outros fundamentos importantes – passes e dribles – os times acertam a maior parte, por mais que haja equipes melhores que outras nos dois casos.

Em um primeiro olhar, pode parecer que há uma relação direta entre nível de acerto e posição tabela. Os resultados confirmam, mas nem tanto essa teoria. O Fluminense, atual líder do campeonato, é a melhor equipe nos dois fundamentos, por mais que desperdice, também, muitos cruzamentos e chutes a gol. No geral, erra menos que os concorrentes.

imageJá os segundo e terceiro colocados não seguem a mesma lógica. A equipe paulista, vice-líder, está entre os cinco piores quando o assunto é acertar cruzamentos. O time mineiro, terceiro na tabela, aparece em sétimo lugar nesse quesito. Na lista dos times que mais acertam chutes a gol, o Cruzeiro é o quarto melhor, com 41% de acerto, e o Corinthians é somente o 14°.

imageEm números de chutes por partida, é o Corinthians, vice-líder, que mais arremata a gol, por mais que erre demais. Considerando que tem um jogo a menos, chuta contra a meta do adversário 14,6 vezes por jogo, seguido pelo Santos (14,2 vezes) e Vasco (13,3 vezes), também um jogo a menos cada.

Poucos chutes e cruzamentos – Entre os que menos alçam bolas na área do adversário, estão Vasco, Prudente, Atlético Goianiense e Avaí. Entre os que menos chutam por partida, estão Prudente, Avaí, Vitória e Atlético Mineiro. Entre aqueles que hoje estão na zona de rebaixamento (Grêmio Prudente, Goiás, Atlético MG e Atlético GO), somente o Prudente usa pouco os dois artifícios para chegar ao gol.

Os números, no futebol, servem para duas coisas somente. As comissões técnicas podem analisar rodada a rodada como estão os fundamentos dos times e, dessa forma, insistir em alguns tipos de treinamento. Não significa que dará certo. Já os torcedores podem se divertir e encontrar argumentos para ratificar o sucesso do próprio time ou as agruras pelas quais passam os adversários. Na rodada seguinte, o feitiço pode virar contra o feiticeiro e quem estava com o estilingue pode passar a ocupar a vidraça.

Outras profissões – Mas são estatísticas interessantes. Compare com outras profissões. Imagine o melhor caminhoneiro de uma transportadora errando 55% das manobras que tem de fazer. Imagine um cozinheiro de um restaurante de primeira linha acertando somente 45% dos bifes que frita. Imagine o entregador deixando o seu jornal na casa do vizinho 15 a 20 dias por mês.

Vale lembrar também que estatísticas mostram o desempenho nos fundamentos. Só isso. Vale muito em um torneio de pontos corridos, no qual o que vale é a regularidade. Mas, como muitos torcedores já aprenderam ao longo da vida, nem sempre é o melhor time que ganha o jogo – ou o campeonato.

Para saber mais:

1) Coloquei os números absolutos e relativos em tabelas e gráficos interativos no ManyEyes, para quem quiser realizar as próprias verificações sobre cruzamentos e chutes a gol, de acordo com a paixão clubista de cada um.

2) Aqueles que quiserem ir adiante, podem fazer esse ou outros exercícios com estatísticas coletando, rodada após rodada, os números de desempenho de times e jogadores na página do UOL Esportes.

Famílias mais pobres gastam R$ 6 por mês com educação. As mais ricas, R$ 410

Para quem gosta de escarafunchar estatísticas, há milhares de dados recém-saídos dos fornos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a respeito do orçamento familiar. São informações que revelam como o brasileiro gasta a própria renda.

A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) é abrangente e traz dados sobre o gasto das famílias por diversas clivagens, como faixa de renda, anos de estudo e por regiões. Um prato cheio para jornalistas e estudiosos, que gostam de lidar com amplos bancos de dados, com o objetivo de extrair boas pautas com belas infografias, mas é preciso entender ou se esforçar para compreender os dados. Saber “ler as tabelas” corretamente é fundamental.

Seguem algumas constatações, a partir de uma rápida leitura feita em algumas tabelas:

– A habitação é ainda o principal peso na renda das famílias mais pobres do Brasil, cuja renda total (incluindo todos os integrantes da família que tenham algum tipo de rendimento) é de até R$ 830. Esse perfil de família gasta, em média, 37% da renda com despesas ligadas à moradia. Já os mais ricos, cuja renda familiar soma mais de R$ 10.375 por mês, gastam 22,8% da renda com itens referentes à moradia, o que também não é pouco.

– As famílias mais pobres gastam 8,8% da renda com serviços como energia elétrica, telecomunicações, gás, água e esgoto. Os mais ricos desembolsam 3,9% da renda da família com tais itens, todos os meses. A diferença é que os 8,8% da renda dos mais pobres significa uma fatura mensal de R$ 65,26 por mês, em média. A fatura dos mais ricos custa R$ 549,86 por mês, em média.

– Apesar de o Brasil já ter mais de 190 milhões de linhas de telefone celular em circulação e este serviço ter grande penetração entre as famílias mais pobres, a fatura paga todo mês é quase insignificante para as operadoras. Os integrantes de famílias cuja renda conjunta não ultrapassa R$ 830 por mês podem até ter aparelhos celulares no bolso, mas, juntos, pagam R$ 5,84 por mês pelo consumo de chamadas telefônicas celulares. Já as famílias mais ricas pagam uma fatura mensal de R$ 133,47, em média.

– Educação é um item que ganha bastante atenção na cesta de consumo das famílias. Quanto maior a renda, mais destaque para o gasto com cursos diversos, incluindo de nível superior. As famílias mais pobres desembolsam, em média, 0,9% da renda mensal com educação, enquanto as mais ricas gastam 2,9% por mês. Em reais, essa fatura mensal representa R$ 6,83 (mais pobres) e R$ 409,31 (mais ricas).

Este último dado não significa que os mais pobres não estudam. Eles estudam, mas em escolas públicas, com as já conhecidas diferenças na qualidade do ensino. Como é sabido, é a educação – e não o consumo de energia ou de alimentos – que move a roda da fortuna da ascensão social. Como diz um ditado italiano, dinheiro faz dinheiro, piolho faz piolho.