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Porque filmar uma imagem?

Essa é a pergunta que guia o trabalho do francês Vincent LuaVincent Lua, que viaja pelo mundo com uma mochila, um laptop e uma câmera, filmando música e rituais do mundo que as pessoas raramente vêem.

Aqui, apenas uma fração da longa palestra dele no TED Talks, realizado no Rio de Janeiro, em outubro de 2014:

“Por que nós filmanos (algo)? Eu ainda estava lá (ainda penso nessa questão). Eu realmente acredito que o cinema nos ensina a ver. A forma como nós mostramos o mundo vai mudar a forma como vemos este mundo, e nós vivemos em um momento em que os meios de comunicação estão fazendo um terrível, terrível trabalho ao representar o mundo: violência, extremistas, apenas eventos espetaculares, apenas simplificações da vida cotidiana. Eu acho que nós estamos filmando para recuperar certa complexidade. Para reinventar a vida hoje em dia, nós temos de fazer novas formas de imagens. E isso é muito simples.”

Como formar novos leitores – e mais jovens?

Na indústria da mídia impressa, sempre esteve em pauta o desafio de formar novos leitores – principalmente porque os indicadores mostram que o brasileiro não é um leitor voraz. Além da crise diante da evolução tecnológica, a mídia impressa sofre com o envelhecimento do público fiel aos jornais e revistas.

A preocupação da mídia impressa encontra eco em diversas famílias: como fazer os jovens trocarem as plataformas eletrônicas pelos jornais e revistas? Como transformar a leitura em algo rotineiro e agradável?

Na revista Época, o colunista Danilo Venticinque escreve periodicamente sobre assuntos como esses. Basta conferir. Em um dos artigos mais recentes, ele listou algumas atitudes que ajudam a formar leitores.

Veja mais:

Jornais precisam ousar nas estratégias para atrair leitores mais jovens.

Jornal impresso pode interagir mais com leitores – e outros textos corrrelatos.

Desafios diante da imprensa em 2013 – e nos anos seguintes

Alguns desafios diante da imprensa em 2013 – e nos anos seguintes – para os quais é difícil encontrar solução, mesmo diante do esforço e dos debates dentro das redações e nas salas de aulas. Claro, a lista é maior. Aqui, listo somente alguns:

1) Governos cada vez maiores, redações cada vez menores. A administração pública parece ocupar cada vez mais espaço, utilizar instrumentos financeiros e legislativos mais complexos, adotar mais artimanhas de contabilidade. Do outro lado, a imprensa sofre de um mal antigo: equipes cada vez menores, mais jovens e muitas vezes desmotivadas, que precisam entender de tudo. Sofre o cidadão, que depende da imprensa como fiscalizador independente de última instância. Atos oficiais e políticas públicas acabam sendo analisados superficial e esporadicamente. Em muitas empresas jornalísticas, há repórteres que ainda têm a possibilidade de se especializar em uma única área – somente execução orçamentária, por exemplo, em vez de toda a área econômica do governo – e isso traz credibilidade para o jornal na medida em que notícias exclusivas, relevantes, bem explicadas e abrangentes são divulgadas.

2) Fontes ocultas, interesses explícitos. Na política, na economia e nos esportes, há um uso exagerado das “fontes próximas ao presidente”, dos “interlocutores que preferem o anonimato” e de “auxiliares que participaram” das decisões. O repórter precisa, em muitas vezes, oferecer a possibilidade de manter o entrevistado escondido para obter informações relevantes. Mas muitas matérias são baseadas em uma única fonte oculta, sem que a apuração busque cruzar a informação recém-recebida com outras fontes, ocultas ou não. Isso gera descrença, já que a imprensa corre o risco de se prestar aos interesses particulares de quem lhe entrega a suposta notícia. A mídia precisa questionar com mais seriedade os interesses do personagem oculto, da mesma forma que os editores precisam avaliar a quantidade de vezes que o recurso foi utilizado, quantas vezes o jornal acertou e errou ao acreditar em tais fontes e a relevância da informação.

3) Muitas notícias, pouca informação. A imprensa, principalmente os jornais impressos, tem, além de informar, a função de registro histórico. Por isso, atos oficiais, que costumam ser divulgados dezenas de vezes diariamente, precisam receber automaticamente a atenção das redações. Imagine a quantidade de potenciais anúncios ou divulgações de todas as instâncias do poder público(Executivo, Legislativo e Judiciário) nos três níveis federativos (governo federal, estados e municípios). Impossível dar atenção qualificada a tudo isso. Assim, a mídia divulga inúmeras notícias sobre índices e relatórios mensais sobre a evolução da economia, por exemplo, e o leitor ou ouvinte parece cada vez mais  desinteressado. Continua a ser um desafio para a mídia capturar a atenção da audiência e, ao mesmo tempo, cumprir as funções institucionais que se espera dela – informar e servir como registro histórico.

4) Informação valiosa tem custo – e tem de ter preço. Há muita discussão e poucas soluções ainda sobre o financiamento da produção jornalística de qualidade. A internet, superficial na maior parte das vezes, atraiu enorme fatia dos anunciantes na medida em que conseguiu capturar a atenção das pessoas. A propaganda vai atrás da vitrine que o público está olhando, claro. A indústria do entretenimento também está mais sofisticada, criando alternativas bastante competitivas para os anunciantes. A imprensa, então, passou a enfrentar enorme concorrência pelas verbas publicitárias. Alguns órgãos de mídia tentaram diversificar fontes de negócios. Tentativas fracassaram, outras trouxeram dinheiro, mas nada substantivo. Recentemente, as grandes empresas decidiram cobrar pela leitura de notícias nos portais na internet a partir de determinada quantidade de textos lidos – o chamado “paywall”. Quem quer ler mais do que o mínimo oferecido gratuitamente precisa pagar. Diversos casos têm sido bem-sucedidos, mas ainda é cedo para dizer se os recursos das assinaturas digitais conseguiram reverter o enxugamento das redações. No geral, as pessoas estão acostumadas e esperam ler de graça na internet.

Brasil é o 14º maior emissor de CO2, de acordo com dados de 2009. Mas os números podem enganar

O The Guardian tem feito, nos últimos anos, excelentes trabalhos utilizando estatísticas e modelos de visualização de dados. A equipe do DataBlog, liderada por Simon Rogers, tem uma lista valiosa de ótimas reportagens utilizando tais princípios, muitas delas interativas.

Em janeiro de 2011, aproveitando dados da U.S. Energy Information Administration, analisou o histórico de emissões de CO2 dos países e extraiu mudanças ao longo do tempo. Mais: criou um mapa-mundi para mostrar quem são os maiores emissores. O Brasil é o 14º da lista.

Entre as principais constatações da equipe do DataBlog do The Guardian, é que a China transformou-se no principal emissor de CO2 do mundo, ultrapassando os Estados Unidos entre 2006 e 2007. Os norte-americanos, inclusive, reduziram as emissões entre 2007 e 2009.

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Lição principal – Os jornalistas fazem questão de afirmar que as estatísticas precisam ser analisadas por várias frentes para obter um cenário mais próximo da realidade. Uma das formas é verificar as emissões dos países de acordo com a quantidade de habitantes. Com a maior população do globo terrestre, a China está bem abaixo dos Estados Unidos – que mantém-se na liderança sob este ponto de vista.

Pelas estatísticas, cada cidadão norte-americano emite 18 toneladas de CO2 por ano, contra menos de 6 toneladas/ano de um chinês e 1,4 toneladas/ano de um indiano. A média mundial, em 2009, era de 4,5 toneladas por pessoa.

Tão importante quanto as descobertas que as estatísticas mostram – ainda mais em um momento que os líderes mundiais se reúnem na Rio+20, no Rio de Janeiro, é não esquecer a lição do DataBlog. Os mesmos dados podem trazer informações muito diferentes – depende sempre do ponto de vista.

E o Brasil? – Ao analisar os dados, algumas conclusões rápidas surgem sobre o desempenho brasileiro. Entre 2000 e 2009, as emissões do país cresceram 22%. Mas, com pequeno esforço (em consideração a outras nações), o Brasil pode cair mais nessa lista – e quanto mais para baixo, melhor.  Cada brasileiro emite 2,1 toneladas/ano de CO2, abaixo da média latino-americana (2,6 toneladas/ano)

Para reduzir as emissões de CO2, as formas mais rápidas e consistentes são bastante complexas: investir pesadamente em transporte ferroviário de passageiros e de cargas e reduzir a devastação florestal.

Saiba mais:

A U.S. Energy Information Administration coleta e organiza diversas estatísticas sobre energia. É possível acessar dados para períodos longos e para vários países.

O mapa-mundi das emissões de CO2 pode ser acessado, em tamanho maior, por aqui ou aqui.

Se você fosse presidente, qual caminho escolheria?

O jornal valor Econômico publicou um artigo muito interessante no dia 11 de novembro. O autor é Raghuram Rajan, ex-economista chefe do FMI e professor de Finanças na Universidade de Chicago. Ele aborda as causas e as conseqüências do recrudescimento da desigualdade social nos Estados Unidos.

O Censo dos EUA mostrou que, na última década, o 1% mais rico da população norte-americana enriqueceu muito velozmente, enquanto os 99% menos ricos ou mais pobres enriqueceram de forma bastante singela ou perderam renda.

Princípios – Um aspecto que chama a atenção no artigo são os princípios, amplamente liberais, que formam a espinha dorsal da argumentação de Rajan.

Para ele, educação de qualidade vem em primeiro lugar e tem impacto na redução da pobreza. Para ele, o indivíduo, acima de tudo, é responsável por buscar a solução para os próprios problemas. Para ele, apostar em soluções mágicas é enganar a parcela da população que acredita nelas e acaba arcando com o prejuízo ou com a frustração que elas deixam como rastro.

Separei alguns trechos do pensamento do autor, cujo artigo completo, infelizmente, está disponível somente para assinantes do jornal:

“Entretanto, reconhecer o fato de que o sistema educacional e o sistema de formação de capacitação são responsáveis por grande parte da crescente desigualdade sofrida pelas pessoas comuns prejudica a maior agenda populista, que é aglutinar as massas contra os muito ricos. A realidade tem a inconveniente implicação de que cabe aos pobres fugir da pobreza.”

“Não há soluções educacionais fáceis e rápidas – cada presidente americano, desde Gerald Ford em meados da década de 1970, apelou para reformas educacionais, com escasso resultado prático. Em contraste, culpar as pessoas no imerecido 1% representa uma agenda política redistributiva com efeitos imediatos.”

“Os EUA já tentaram soluções rápidas antes. A desigualdade de renda cresceu rapidamente na última década, mas a desigualdade de consumo não. O motivo: crédito fácil, especialmente os financiamentos habitacionais subprime, que ajudaram as pessoas desprovidas de meios a não ficar atrás de seus vizinhos. O fim dessa história, como todos sabem, não foi feliz. Os mais desfavorecidos acabaram por ficar em situação ainda pior, ao perderem seus empregos e casas.”

“Os ricos, certamente, têm condições de pagar mais impostos, mas se o governo aumentar os impostos sobre os ricos, deve fazê-lo com o objetivo de melhorar as oportunidades para todos, e não como uma medida punitiva para corrigir um erro imaginário.”

Comparação – É inevitável comparar com o pensamento reinante no Brasil. Dica a pergunta: se você fosse presidente da República ou governador, qual caminho escolheria? Soluções mais difíceis, com benefícios duradouros, mas conquistados somente no longo prazo? Ações mais rápidas, com resultados benefícios em pouco tempo, mas cuja duração é curta e as conquistas são temporárias?

No Brasil, vale lembrar que poucas vezes se questiona sobre o custo-benefício, a qualidade e a efetividade de tudo quanto é tipo de assistência que os governos oferecem para tentar resolver – com soluções rápidas, como escreve Raghuram Rajan – problemas nacionais seculares.

Em ambientes nos quais o debate sobre os erros e acertos da gestão pública é raso e extremamente politizado, quem fizer perguntas como essas será rapidamente enquadrado como simpatizante de políticas públicas mais à esquerda ou mais à direita, seja lá o que isso significar, e, a partir daí, qualquer argumento será desqualificado antes de ser compreendido.

Curto prazo? – Mas as perguntas são importantes na medida em que detectam, das autoridades e dos cidadãos, se ambos estão mais preocupados com soluções duradouras de longo prazo ou em remendos temporários de curto prazo.

Desconfie, então, quando o governante aprovar leis como meia entrada para o consumo de cultura e entretenimento, subsidio ou gratuidade para cursos de educação superior em instituições de qualidade mediana ou baixa, mais vagas nas universidades públicas em cursos que estão na rabeira da lista de profissões ou competências mais requisitadas pelo mercado.

A falta de assistência social de um Estado para os cidadãos é um erro, claro. O excesso, também. Medicamento bom é aquele que é ministrado com equilíbrio e por tempo determinado. Erros na posologia geralmente matam o paciente.

Relatos de um viajante em Cuba – e você compara com o Brasil

Havana, capital cubana, é uma cidade com cerca de 2,3 milhões de pessoas. Isso significa que é um espaço interessante para perceber o que as cidades oferecem de bom e de ruim para as pessoas, principalmente considerando que Cuba é um país socialista. Depois de alguns dias passeando por lá e refletir um pouco sobre tudo o que vi e ouvi, abordo alguns aspectos. De antemão, aviso: esse texto não é um ensaio sobre a situação de Cuba, mas apenas um conjunto de itens sobre os quais conversei com as pessoas comuns de lá.

Saúde pública: não usei, não vi, não pude conferir pessoalmente como CIMG5900 funciona o serviço público de saúde cubano. Mas ouvi bastante, principalmente de quem interessa ouvir uma opinião como essa, que é a população, os pacientes. Não tem reclamação. Os cubanos elogiam o serviço e afirmam que ele funciona bem. Em um caso relatado, uma criança tinha asma e como os remédios e procedimentos médicos não surtiam efeito prolongado, o serviço de saúde enviou para a casa dela uma equipe que constatou a causa: o mofo em partes da casa. O governo deu uma nova casa para a família. E a criança não teve mais crises de asma.

Vale lembrar que foi em Cuba que os programas de saúde da família ganharam força e destaque, na década de 80. Nesse modelo, uma equipe médica visita periodicamente as residências para orientar, detectar doenças, medicar e encaminhar as pessoas para a rede de saúde.

No Museu da Revolução, há uma ala pregando as melhorias na saúde da população tão logo os socialistas tomaram o poder. Tem muita propaganda ideológica. Um cartaz, no entanto, chamou a atenção. Não me recordo os números nem a moeda, mas a ordem de grandeza é mais ou menos essa: em 1959, o valor gasto pelo governo federal com saúde por pessoa anualmente era por volta de 25. Aumentou para 175 em 1999.

CIMG5640 Educação pública: novamente, as pessoas com quem conversei – taxistas, garçons, cozinheiros, estudantes – elogiam bastante, mas há algumas ressalvas. Um ponto forte é que lugar de criança é na escola. Até a nona série, é obrigatório estudar. Se o aluno não vai à escola, o governo envia assistentes sociais até a casa da criança para verificar o que está acontecendo. Os pais sabem que sofrerão sanções se não enviarem os filhos para as salas de aula. O analfabetismo em Cuba é zero, segundo pesquisas internacionais. O problema é que criança na escola não significa, necessariamente, criança culta. O Brasil tem um bom índice de crianças em sala de aula, mas a qualidade do sistema público de educação é sofrível. Em 2000, um estudo identificou que os alunos cubanos tinham médias muito mais altas em comparação aos latino-americanos. É um sinal interessante. Ao concluir o ensino médio, o aluno pode requerer vaga na universidade – pública. São diversas carreiras à disposição. No entanto, houve reclamação, indicando que as vagas em melhores profissões ficariam extra-oficialmente reservadas para a elite da burocracia cubana.

Segurança pública: o turista pode caminhar em qualquer horário do dia e da noite, em qualquer parte da cidade de Havana, nas mais ricas e nas mais pobres, mais claras e mais escuras, sem medo. Com ou sem policiais na rua, a sensação é de segurança.

CIMG5653Economia: esse é o principal problema do país, já que o modelo socialista baseado na atuação do Estado em todas as cadeias produtivas engessa a livre iniciativa, a produtividade, a criação de oportunidades. O embargo econômico que os EUA impõem ao país termina de eliminar a geração de oportunidades às pessoas. Há muita reclamação sobre esse aspecto: as pessoas querem trabalhar em outras áreas, fazerem o que gostam, ganhar mais dinheiro. Paralelamente à economia formal, há uma abrangente e gigantesca atividade informal, que não recolhe nem taxas e nem impostos. Produtos e serviços circulam no mercado negro e parecem ser oferecidos com o beneplácito das autoridades, já que são ofertados abertamente, à luz do dia, nas ruas. As gorjetas oriundas do turismo são uma fonte muito importante de renda para as famílias, até mais do que o próprio salário pago pelo Estado. Apesar da força o mercado informal, não há camelôs. Vendedores ficam, no máximo, nas garagens de algumas casas. Também não há mendigos, mesmo que haja pessoas – poucas, muito poucas – pedindo dinheiro.

CIMG5526 Moradia: as pessoas, em regra geral, são donas das próprias casas. O Estado fornece a casa para a família, que pode pagar ao governo pequenas quantias por mês, no longo prazo, para adquirir a casa e não ter de pagar mais aluguel. Em Havana, há muitas moradias em péssimas condições, em pequenos prédios de arquitetura espanhola. Assemelham-se aos cortiços brasileiros, mas considero que não é apro priado comparar dessa forma, porque as casas cubanas, mesmo que feias por fora, parecem ter melhores condições internamente. A arquitetura, apesar de mal cuidada, é maravilhosa, lembrando uma cidade colonial. Uma pessoa me disse que as famílias só podem vender a casa com autorização do Estado, que só aprovaria se não houver lucro na transação. Com exceção a um pequeno aglomerado de casas de madeira perto de uma fábrica fora da capital, não vi favelas. No entanto, não visitei todas as regiões do país.

Para saber mais:

Há sempre risco de distorção nos artigos do Wikipedia, mas o item sobre Cuba me pareceu bastante semelhante ao que vi e ouvi por lá. Por isso, sugiro leitura.

Deve ser difícil viver em um país assim

Assinar as newsletters – aqueles e-mails que oferecem o título e poucas informações das principais reportagens do dia ou da semana – dos grandes jornais norte-americanos oferece uma rápida visão global do que ocorre na principal potência econômica mundial.

Chama a atenção a quantidade de matérias negativas abordando a gestão e a situação no sistema de ensino dos Estados Unidos, sejam os gestores o governo central, os estados ou cidades e condados.

Os problemas: há necessidade de cortar o orçamento para a educação em diversas localidades, o governo federal quer instituir um programa de avaliação dos professores que esbarra na resistência dos sindicatos de funcionários públicos, muitas das escolas que sofrem ameaça de ter recursos cortados enfrentam paralelamente perspectiva de aumento de matrículas e diretores e gestores discutem a ampliação da quantidade de alunos por classe.

Mais problemas – Além disso, os professores não aceitam discutir qualquer tipo de aumento salarial ou de remuneração adicional atrelada ao mérito, nem redução de benefícios para adequar os gastos aos orçamentos curtos do pós-crise financeira e também não querem ouvir falar de metas e cobrança de resultados nas escolas públicas.

Sem esquecer da polêmica em torno das chamadas escolas “charter”, colégios públicos de ensino primário ou médio que não são obrigad0s a seguir todas as regras de governança das outras escolas ditas comuns – uma das razões da polêmica. O modelo, no entanto, parece funcionar, já que há bons resultados, fila de espera em todas elas e uma disputa acirrada por vagas repentinas, preenchidas mediante sorteio. Algumas das “charter” podem se especializar em alguma área do conhecimento – matemática, por exemplo.

É, pegando emprestado o bordão do colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo: deve ser difícil viver em um país assim.