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Projetos para visualizar mais facilmente estatísticas de orçamento público se espalham pelo mundo

O pesquisador Jonathan Gray lançou um pedido para pesquisadores do mundo todo por mais exemplos de projetos de visualização de informações fiscais – arrecadação e gasto de dinheiro público.

Ele publicou uma lista prévia com inúmeros projetos já existentes ao redor do mundo. Até o momento, há quase 200 projetos digitais que tentam oferecer formas mais fáceis e inteligíveis para as pessoas navegarem pelas informações dos orçamentos públicos, principalmente os mais leigos e sem muito conhecimento sobre os trâmites e terminologias sobre arrecadação e gasto de recursos públicos.

Vale lembrar uma antiga demanda: projetos de visualização de dados apenas são possíveis de serem feitos quando os dados estão disponíveis para a sociedade, em formato amigável para os programadores de dados trabalharem. As informações públicas pertencem à sociedade. Escondidas nas gavetas, não valem nada.

Exemplo brasileiro – No Brasil, um projeto interessante que busca atender a essas expectativas é o Meu Município. Ele oferece algumas informações principais e permite comparação entre cidades. O leitor que tiver um algum conhecimento sobre as rubricas de orçamento e finanças públicas poderá interpretar mais facilmente a importância as estatísticas e explorar as inúmeras possibilidades que o portal oferece.

De positivo, além do mérito de oferecer informações interpretadas e organizadas, está a possibilidade de exportar as estatísticas e a possibilidade de comparar as diversas rubricas entre várias cidades. Apresenta ainda as fórmulas para o cálculo de cada estatística orçamentária, o que serve como aula para alguns perfis de internautas. Quem acessar

Meu Município

O projeto, com algum apoio financeiro e de recursos humanos, poderia ir além rapidamente, buscando oferecer visualizações diferentes. Um exemplo mais comum são os infográficos do tipo “treemap”, uma forma eficiente de organizar e mostrar informações quantitativas de forma hierárquica por meio de retângulos. Isso permite ao leitor conhecer as dimensões de cada tipo de gasto dentro do orçamento.

Exemplos de visualização – Um bom exemplo é o que faz o governo federal dos Estados Unidos, que publica na internet a perspectiva de gastos por área proposto no orçamento federal para o ano seguinte, no caso, 2016.

US federal budget 2016 treemap

Ou como faz um projeto independente para a cidade de Arlington, no estado norte-americano de Massachusetts, que mostra informações sobre arrecadação e gastos públicos em gráficos de área e no estilo “treemap”.

Arlington fiscal data

Para saber mais:

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro publicou a última versão do Índice Firjan de Gestão Fiscal, uma excelente ferramenta que analisa dados fiscais dos municípios brasileiros. Em 2013, entre todas as cidades brasileiras, 84,2% tinham gestão fiscal em situação difícil ou crítica, 15,4% tinham boa gestão e só 0,3% tinham gestão de excelência. Mais de 80% das cidades brasileiras não conseguiram gerar 20% das receitas necessárias para cumprir o orçamento municipal, dependendo de transferências dos governos federal e estaduais. Vale comparar o índice da Firjan e o portal Meu Município.

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Dados abertos ajudam governos a combater o crime

mapa-violencia-2014O jornal O Globo divulgou dados da mais nova versão do Mapa da Violência, pesquisa que analisa estatísticas de crimes no Brasil, com apoio de dados públicos. Em 2012,  dois recordes: a taxa mais alta (29 mortos em cada 100 mil habitantes) e o maior número absoluto (56.337 homicídios).

Diversos motivos são listados para a persistente epidemia brasileira de violência. O baixo índice de solução – e consequentemente de punição – para os crimes é apontado como um dos principais.

IndicadoresJulio Jacobo Waiselfisz, coordenador do Mapa da Violência, estimou, em recente reportagem do Valor Econômico, que apenas 8% dos homicídios do país sejam solucionados. A mesma matéria trouxe uma reflexão: os níveis de renda e de escolaridade estão no pico histórico no Brasil, e a violência permanece elevada.

Fatores que interferem – A lista de fatores com correção ou interferência – o que não significa causalidade – nos indicadores de segurança pública são muitos: capacidade de coletar dados em tempo real, organização e transparência de estatísticas de crime, equipamentos (carros e outros itens) e tecnologia, evolução da economia e do nível educacional, capacidade do poder público prender, investigar, punir e educar, entre outros.

A realização da Copa do Mundo no Brasil, a partir de 12 de junho, deixará – em tese – melhorias na área de inteligência. Em tese porque, depois do evento, será necessário alocar recursos para operação e treinamento de recursos humanos.

Monitorar e capturar informação – O projeto, viabilizado graças à pressão do evento esportivo internacional, foi a construção de uma central de monitoramento de locais públicos, capaz de captar imagens de aproximadamente 500 câmeras que já operam em funções de segurança, transporte e trânsito. O governo federal investiu R$ 66 milhões, e o governo estadual paulista gastou R$ 2,25 milhões na reforma predial.

Não é só em São Paulo que projetos de inteligência serão inaugurados. A matriz de responsabilidades da Copa do Mundo, documento acordado entre os governos brasileiros, lista projetos em todas as cidades envolvidas no evento. Mas reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que, das 39 ações em segurança pública, 27 foram concluídas (69%) e 12 estão incompletas (31%).

Dados abertos – As políticas públicas de dados abertos também podem ajudar na prevenção ou combate aos crimes. De um lado, as autoridades públicas responsáveis pelos registros de ocorrências são publicidade aos dados, mantendo o sigilo das pessoas envolvidas. O que importa é onde, quando e que tipo de crime ocorreu. De outro lado, o cidadão tem à disposição mais informações para tomar decisões melhores.

Mais que isso: empresas privadas, com acesso legal aos dados, passaram a oferecer serviços de organização, visualização, análise e treinamento. Exemplos: CrimeReport, SpotCrime e CrimeMapping. Nos Estados Unidos, há um conjunto enorme de companhias com esse objetivo, que fecham acordos com as autoridades e, ao mesmo tempo, oferecem consultorias e treinamento a elas, nas cidades ou condados. O cidadão pode acessar aplicativos para visualizar os tipos de crimes em um raio próximo aos locais de moradia ou trabalho.

Chicago himicidesSe os dados são públicos, a imprensa também ajuda. Programadores e jornalistas constroem mapas constantemente atualizados, encontram a melhor forma de visualizar a informação e oferecem reportagens associadas. O Chicago Tribune esclarece ao leitor que está comprometido a escrever uma história sobre cada assassinato e oferece mapas indicando onde pessoas levaram tiros ou foram assassinadas. O Los Angeles Times tem mapas com indicadores de crimes. O Everyblock, projeto de jornalismo local que que voltou a funcionar em janeiro, também oferece mapas de criminalidade baseados em dados públicos.

Para saber mais:

Lembram do filme Minority Report, no qual os investigadores passam a se antecipar aos crimes? Com base em estatísticas e algorítimos, alguma coisa parecida começa a surgir nos departamentos de polícia.

Acesse o banco de dados da ONU com taxas de homicídios (sem contar suicídios) em diversos países e ao longo de vários anos, em números absolutos e em taxa relativa (homicídios por 100.000 habitantes). Esse banco de dados é interessante porque também indica a fonte da estatística. No Brasil, a taxa de homicídios pode variar de 21 a 25 assassinatos a cada grupo de 100.000 habitantes, de acordo com a fonte (Ministério da Justiça ou Mapa da Violência).

Nos EUA, dados públicos abertos incentivam novos negócios. Quais os princípios por traz disso?

EUA DataGov

Reportagem do jornal norte-americano The Wall Street Journal traz informações e exemplos bastante esclarecedores sobre o poder de criação de novos negócios, empregos e empresas em torno das políticas governamentais de abertura de informações públicas para a sociedade.

Na cidade de Seatle, mais de 200 diferentes tipos de informações já foram disponibilizados em um site do governo municipal para serem usados por programadores, desenvolvedores ou quaisquer profissionais interessados em transformar os dados públicos em novos aplicativos que ofereçam aos cidadãos e usuários serviços inovadores – independentemente se estes serão gratuitos ou não. Outros 75 tipos de dados públicos devem ser liberados ou abertos em 2014.

Nos Estados Unidos, a política governamental de abertura de dados públicos para a sociedade ganhou impulso com o presidente Barak Obama, que incentivou agências e repartições públicas a aderirem ao movimento e disponibilizarem ao público vários tipos de dados governamentais que poderiam facilitar a criação de novos negócios ou prover mais serviços públicos às pessoas. Isso ocorreu em 2009.

Desde então, aproximadamente 175 agências federais disponibilizaram para a sociedade mais de 88.000 bancos de dados em um portal federal. Paralelamente, quase 50 cidades passaram a fazer o mesmo.

Seattle DataGov

Aspectos culturais – Dois aspectos surgem ao ler o resultado da política norte-americana relatada pela reportagem publicada pelo The Wall Street Journal. Primeiro, como os jornalistas mostram, há sempre o receito que as informações particulares ou individuais sejam mal-utilizadas, para a prática de crimes ou atos constrangedores.

O segundo aspecto é que as “open data public policies” – as políticas públicas que visam estimular os governos a disponibilizarem dados governamentais para a sociedade – devem, conceitualmente, ganhar impulso natural em países ou cidades nos quais há histórico liberal, seja no comportamento e na cultura, seja na política e na economia. Nesses locais, as pessoas costumam crer que são os motores do crescimento devem ser os indivíduos e as empresas.

Em locais nos quais a sociedade crê que o Estado deve ser tanto provedor de serviços quanto indutor de transformações, a consciência dos cidadãos sobre a importância e os benefícios das “open data public policies” tende a ser menor, o que implicará, automaticamente, em pressão reduzida em torno dos governantes para abrirem dados públicos.

Dois princípios – Vale sempre lembrar de dois princípios por traz dos movimentos de abertura de dados públicos: informações privadas dos cidadãos permanecem sigilosas e informações públicas (locais de ocorrências de crimes, informações sobre fiscalização de restaurantes e bares, dados sobre segurança e conformidade predial das empresas), que são coletadas e organizadas com os recursos orçamentários providos pela sociedade, podem retornar para as pessoas.

Quatro exemplos de mapas digitais para inspirar gestores a abrirem mais dados públicos

Long Island Rail Road map

Novas tecnologias têm facilitado bastante a elaboração de mapas animados que criam a opção de dar movimento aos dados apresentados. A ideia é espalhar os dados sobre mapas e dar vida a eles, colocá-los em ação. Mais do que entretenimento, isso facilita a detecção de padrões, mudanças e transformações contidas nos bancos de dados, o que poderia ficar escondido sem a animação.

Em geral, os mapas mostram as informações pulsando, acendendo e apagando, permitindo que o leitor perceba facilmente as regiões ou os períodos nos quais as ocorrências se concentram. As visualizações oferecem ainda setas para o controle da reprodução na animação, de forma que seja possível paralisar ou analisar as estatísticas cronologicamente ou em qualquer mês.

Estatísticas de fluxo e estoque – Para cumprir o efeito pulsante, as séries estatísticas precisam ter uma característica: fluxo.  O que isso significa? Simples. Os dados do período presente precisam substituir aqueles de um período anterior. Exemplo: os pontos em um mapa que representa a quantidades de crimes em fevereiro de um ano se apagam quando surgem os dados de ocorrências em março.

Isso não quer dizer que séries estatísticas com característica de “estoque” – quando os dados de determinado período apenas são acrescentados aos de períodos anteriores – não possam ser transformadas em mapas animados. Exemplo: extensão de rodovias asfaltadas. Ao passo que os governos e as empresas entregam as obras de determinados trechos  de estradas asfaltadas, elas simplesmente surgem no mapa de vias já com asfalto, sendo somadas aos trechos já feitos em períodos passados.

Fishing map

Tornados e bombeiros – Um mapa exemplifica bem as explicações anteriores. Ele mostra dados referentes a ocorrências de tornados nos Estados Unidos durante 2004 e 2013, ‘dando vida’ às estatísticas do departamento norte-americano de meteorologia. O internauta pode perceber os meses com mais ocorrências, detectar se há algum padrão – um período do ano no qual sempre há maior prevalência – e analisar se os registros crescem ao longo dos anos. Uma tabela resolveria boa parte dessas perguntas, mas o mapa consegue mostrar as regiões mais impactadas.

Outro mapa mostra a rotina de movimentação diária dos trens urbanos nas linhas do sistema que atende Long Island, na Região Metropolitana de Nova Iorque, considerado o mais movimentado da América do Norte. Tem 124 estações distribuídas em mais de 1.100 quilômetros de extensão. Note que esse mapa mostra apenas as linhas que compõem o sistema de trens urbanos da cidade, excluindo as de metrô. Analisando o fluxo dos pontos ao longo das linhas férreas, percebe-se com mais facilidade em quais trechos e horários há maior intensidade e disponibilidade de trens.

Fire engine callouts Amsterdam

Outro mapa mostra a atividade pesqueira no norte da Europa. O autor indica que há 3,2 milhões dados ao longo dos 365 dias de 2004. Cada ponto indica um barco pesqueiro trabalhando. O internauta consegue visualizar a intensidade da atividade econômica, o que cumpre a intenção do mapa: fazer as pessoas pensarem sobre questões como uso sustentável dos mares.

O último mostra o ‘pulso’ das chamadas feitas ao serviço de bombeiros de Amsterdã, capital holandesa. O autor reuniu no mapa 62.415 pedidos de combate a incêndios feitas entre janeiro de 2006 e setembro de 2010. Novamente, é possível notar com mais facilidade – em comparação a uma simples tabela – quais são as regiões mais afetadas e se há algum padrão, como, por exemplo, se há meses em que há um número maior de ocorrências em todos os anos.

E você com isso? – Mapas animados podem ser produzidos para mostrar visualmente padrões e transformações sobre quaisquer assuntos em uma cidade ao longo de um ano ou mais. Imagine a quantidade de ocorrências de acidentes de trânsito (com ou sem quantidade de vítimas), alagamentos (inclusive a extensão das enchentes), homicídios, roubos e furtos, congestionamento (necessariamente com dados sobre a extensão de vias paradas ou com trânsito lento).

Todas essas informações podem ser mostrado em um mapa animado. Mas, para isso, os gestores públicos, sobretudo os municipais, precisam tomar decisões que resultem em mais dados públicos abertos à disposição dos desenvolvedores.

Para saber mais:

Os mapas animados usam a tecnologia CartoDB de cartografia digital, com contribuição de API (Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicativos, em português). É possível, com esforço razoável, abrir uma conta gratuita e aprender algumas técnicas por meio de tutoriais (aulas em vídeo).

Aqui, aula online para iniciantes sobre elaboração de mapas digitais, ministrada por profissional da CartoDB.

Excelente matéria do Washington Post sobre tecnologia policial é também uma aula de jornalismo

ShotSpotter heat map

Dias atrás, o The Washington Post publicou uma daquelas reportagens que são verdadeiras aulas de jornalismo. A matéria mostrava uma iniciativa da polícia no Distrito de Washington, capital dos Estados Unidos, para monitorar incidentes com armas de fogo por meio da instalação de dispositivos que percebem e analisam o som de disparos em uma área de mais de 50 quilômetros quadrados.

Nos últimos oito anos, desde que o programa foi criado, 39 mil incidentes com armas de fogo foram detectados pelo sistema graças ao som capturado pelos sensores espalhados pela cidade. Com o conhecimento da ocorrência e com o registro em mãos, os policiais podem agir com mais celeridade e circunscrever o local do disparo com um pouco mais de precisão, por mais que o sistema não seja perfeito e haja vários tipos de interferências e possíveis falhas.

Se o tema é interessante, a matéria foi bastante eficiente e mostra um roteiro positivo de ferramentas e possibilidades ao alcance dos jornalistas. Para elaborar a reportagem, o jornalista requisitou as estatísticas do programa policial por meio da lei de acesso à informação local.

ShotSpotter audio

Mecanismos multimídia – Com os dados em mãos, os repórteres planejaram uma matéria multimídia, incluindo a possibilidade do leitor distinguir o som de tiros e de fogos de artifício – um dos trabalhos que o sistema policial faz automaticamente.

Diagramas ainda explicam didaticamente o funcionamento da tecnologia à disposição dos policiais e um “mapa de calor” mostra os quarteirões onde houve mais e menos disparos, o que é facilmente perceptível pela gradação das cores. O leitor pode saber quantos disparos ocorreram em cada quarteirão ao longo dos últimos anos. Infelizmente, a matéria não mostra um gráfico com a evolução das ocorrências para todo o Distrito de Washington nos últimos anos. Dá apenas um dado, no meio do texto: os disparos diminuíra, somando 5,385 tiros em 2012.

O jornal também não se resignou a apenas relatar as estatísticas conseguidas. Buscou um personagem que refletia o foco, o assunto central da matéria: o som dos disparos de armas de fogo – e o colocou no início da reportagem. Especialistas completam a reportagem, explicando o sistema e as possibilidades da tecnologia para ajudar nas ações de planejamento, combate e prevenção contra o crime.

A reportagem, em inglês, vale a leitura completa. Alguns aspectos interessantes:

– A tecnologia foi criada a partir da sensibilidade de um engenheiro especializado em acústica, que passou a ficar preocupado com a atuação de gangues. Ele conversou com a polícia local para saber como um sistema de detecção de tiros poderia ajudar a combater a violência.

– O engenheiro foi encaminhado a especialistas do serviço de geologia dos Estados Unidos, que já pesquisam formas de utilizar o conhecimento disponível para detecção de terremotos – uma das áreas de muita pesquisa tecnológica lá – para perceber quando há disparos por armas de fogo. A adaptação a um ambiente urbano – por causa das interferências que prédios e corredores, entre outros obstáculos, causam na acústica – em tempo real vinha sendo difícil.

– Com um parceiro, o engenheiro criou um software para aprimorar a detecção de sons em tempo real. Bem-sucedido, patenteou o sistema, que já é utilizado por 65 departamentos de polícia nos Estados Unidos, e também na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo.

– A partir de um disparo de arma de fogo, detectado em tempo real pelos sensores instalados na capital norte-americana, o departamento de polícia aciona imediatamente os policiais que, com a possibilidade de intervir no local exato, têm mais chances de capturar o autor do tiro e apreender o revólver. O sistema demora apenas 40 segundos para capturar o som, comparar o dado e informar o local da ocorrência. Os policias podem ser despachados quase em tempo real ao incidente.

– O sistema está monitora pouco mais de 50 quilômetros quadrados do Distrito de Washington, o que representa quase um terço dos 177 quilômetros quadrados da capital dos Estados Unidos.

– O programa, que funciona há oito anos, custou aos cofres públicos cerca de US$ 3,5 milhões nos últimos seis anos (algo como R$ 1,3 milhão por ano).

– O software que sustenta o sistema de detecção do som dos disparos está conectado a um sistema de câmeras de circuito fechado . Assim, a polícia quer começar a conhecer as sequência de cenas em tempo real imediatamente após os tiroteios. Contra vandalismo, a aparência e a localização dos sensores não são revelados.

– As pessoas, ao ouvirem um som, muitas vezes confundem com fogos de artifício ou escapamento de carros e motos. Além disso, não informam a ocorrência à polícia. Já o sistema consegue detectar até 95% dos disparos. Com dados em tempo real e com tamanha abrangência, há possibilidade de agir com mais eficiência e foco no combate e prevenção ao crime.

Projeto avalia esforço dos países na política de abrir dados públicos e cria boas perspectivas

Daily chart

A The Economist costuma analisar estatísticas e publicá-las no formato de gráficos na coluna chama “Daily Chart”. Na imensa maioria das vezes, faz excelente trabalho.

Recentemente, publicou um conjunto de gráficos para dar visibilidade a um índice de transparência, recentemente divulgado pelo Open Knowledge Foundation, que mostra quais países mais avançaram até então na política de divulgação de dados públicos – movimento global denominado “open data”.

A publicação cruzou os números do índice em questão com outros rankings: PIB per capita (Fundo Monetário Internacional), desenvolvimento humano (Índice de Desenvolvimento Humano da ONU) e percepção de corrupção (Transparência Internacional).

Conclusão: países que mais divulgam informações e dados públicos são aqueles que, em geral, detêm melhores índices de desenvolvimento humano e de renda per capita – e também menos corrupção. Ou vice-versa.

Como funciona – O índice de transparência recentemente lançado escolheu dez assuntos – orçamento público, emissão de gases poluentes e transporte, entre outros – e criou nove critérios para analisar a qualidade desta divulgação (se os dados estão publicados em formato de fácil manuseio por quaisquer interessados, se há dados públicos disponíveis para determinada área, se são atualizados periodicamente etc).

Analisa-se, majoritariamente, o nível mais elevado de governo. No Brasil, por exemplo, os dados sobre serviço de transportes são referentes aos do sistema de ônibus interestaduais, divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na área de orçamento público, avalia-se se as estatísticas de gastos do governo federal.

Open data index

Aspectos positivos – Há inúmeros aspectos positivos no projeto desenvolvido pelo Open Knowledge Foundation. Pela primeira vez, há uma metodologia sólida para construir um ranking dos países que mais avançam no esforço de divulgar informações públicas, principalmente porque o índice mistura informações quantitativas com avalições qualitativas.

Além disso, a metodologia também prevê que as informações podem ser conferidas e corrigidas constantemente. Como os participantes dessa iniciativa estão reunidos na Open Knowledge Foundation, uma instituição sólida, há perspectiva de o projeto avançar mais e se consolidar ao longo do tempo. Colaborativo, sempre cabe mais gente disponível a trabalhar, o que pode impulsionar o índice para patamares mais elevados.

Limitação do índice – O índice não pretende ser uma lista de todos os bancos de dados públicos disponíveis em cada país. O primeiro objetivo é verificar o quanto as nações estão cumprindo um acordo firmado em 2011 para abrir estatísticas públicas. O segundo é oferecer uma ferramenta para que os cidadãos “deem o pontapé inicial” nas discussões com os governos para abrir mais dados.

Se o índice não pretende capturar e avaliar todos os tipos de dados abertos até hoje, fica uma pergunta: como medir precisamente o esforço e os resultados em cada país sobre o assunto? Resposta: um grupo gigantesco de colaboradores teria de se juntar à iniciativa para, em cada país, capturar e avaliar todos os tipos de dados públicos divulgados pelos governos federal, estaduais e municipais.

Para jornalistas – A iniciativa tem potencial para ser um enorme banco de dados para o trabalho de repórteres que desejam avaliar o quanto um país avançou no cumprimento de leis que determinam a divulgação de dados públicos. Mais: é possível comparar com países vizinhos ou mais avançados. Comparação cria inveja – e isso é um combustível e tanto para a ação de políticos e governantes.

Para saber mais:

O McKinsey Global Institute lançou um relatório bastante consistente sobre os impactos econômicos e sociais das políticas de abertura de dados públicos pelos governos do mundo todo. O trabalho indica que US$ 3 trilhões poderiam ser gerados de valor em sete áreas com a publicidade de dados públicos (e outros privados, que eles preferem incluir no conceito de ‘open data’).

Bom exemplo: poder público colherá bons frutos após publicar lista de obras embargadas

Após grave acidente ocorrido na capital paulista, com o desabamento de uma obra irregular que já havia sido embargada por fiscais do poder público, a Prefeitura de São Paulo decidiu publicar na internet a lista com todas as obras embargadas na cidade.

A decisão é importante porque São Paulo dá um importante passo para dar publicidade, a quaisquer interessados, sejam cidadãos comuns, jornalistas ou estudiosos, dados públicos relevantes e de interesses para a sociedade.

O prefeito de São Paulo reconheceu que a lista pode estar desatualizada, como os próprios jornalistas confirmaram enquanto visitavam os locais listados à procura de imóveis já embargados mas ainda em obras.

obras embargadas

Repórteres nas ruas – Imediatamente, o jornal O estado de S. Paulo publicou enviou repórteres e fotógrafos para as ruas para visitar os locais embargados listados. Encontrou obras irregulares em execução, empreendimentos já concluídos e regularizados, erros em geral.

A medida é exemplar, mesmo que seja mais uma ação conveniente, fruto da comoção que se instaura após uma tragédia, do que parte de um plano orquestrado com o fim de dar mais informação útil à sociedade. Mas é bem-vinda.

Cidadãos engajados – Com a publicação da lista, a prefeitura paulistana consegue dois feitos bastante positivos. Além de dar um passo firme no caminho da transparência pública, cria condições para conseguir o engajamento da sociedade afim de atualizar a lista de obras embargadas e faz de cada cidadão um fiscal público.

Ao dar visibilidade a dados públicos, permite-se transferir mais poder à sociedade por meio da informação, trazer os cidadãos para aturarem ao lado do poder público e permitir que todos – agentes públicos e privados – aperfeiçoem a informação pública.