Arquivo da categoria: O futuro dos jornais

Na crise do coronavírus, jornais voltam a apostar nas crianças

Com a expansão da covid-19 pelo mundo, alçada para a categoria de pandemia, a população global foi forçada a mudar comportamentos a partir das recomendações de isolamento social, quarentena, proibição de abertura de lojas e serviços. Escritórios, escolas e quaisquer espaços que representem aglomerações de pessoas foram proibidos ou desestimulados.

As crianças estão em casa e os país estão à procura de entretenimento e educação para elas. É uma oportunidade para a mídia se aproximar dos pais e das crianças com conteúdo específico.

Formar novos leitores não é necessariamente uma obrigação dos jornais, mas sim das famílias e do sistema educacional do país. Mas essa diretriz sempre esteve por trás de suplementos semanais voltados para crianças e/ou adolescentes. Essa linha de atuação, em quase todos os órgãos de mídia, foi abandonada nos últimos anos, muito por causa das adaptações que a indústria jornalística empreende para encontrar novas fontes de receitas em tempos de redução das verbas publicitária.

Três reportagens recentes, neste cenário, chamaram a atenção. O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo elaboraram matérias para os adultos interagirem com as crianças, que estão reclusas em casa e demandam atividades recreativas. Outros diários podem ter feito reportagens similares. É uma boa tática para cativar pais e filhos, gerar empatia com adultos ansiosos devido à falta de criatividade para entreter a criançada.

Boa escolha dos jornais. Deveriam insistir nessa direção e, inclusive, criar um canal especial digital com vídeos, narração de histórias, brincadeiras diversas. Isso pode reforçar o relacionamento com pais e amais jovens. Veja os dois exemplos abaixo.

 

Entrevista traz pistas importantes sobre futuro do jornalismo

O jornal O Globo tem o hábito de publicar diariamente uma rápida entrevista com alguém que tenha algo a dizer. Inclusive, a primeira pergunta é sempre “conte algo que eu não sei”.

No dia 9 de outubro, o entrevistado foi Greg Policinski, jornalista, editor fundador do Instituto Newseum, o Museu da Imprensa, sediado em Washington, Estados Unidos. Policinski é diretor de operações da instituição.

Vale a leitura. Há dicas interessantes sobre o presente e o futuro do jornalismo e da imprensa. Destaque:

  • Os micropagamentos podem se constituir em uma fonte de receita alternativa à publicidade e à circulação.
  • Em algum tempo, o imediatismo (“instant now”, na entrevista) que a internet trouxe pode deixar de ser tão relevante assim para o leitor.
  • Jornalismo, mais que notícias, vende credibilidade.
  • Para construir credibilidade, é necessário tempo e pessoas.

Newseum

Projetos para visualizar mais facilmente estatísticas de orçamento público se espalham pelo mundo

O pesquisador Jonathan Gray lançou um pedido para pesquisadores do mundo todo por mais exemplos de projetos de visualização de informações fiscais – arrecadação e gasto de dinheiro público.

Ele publicou uma lista prévia com inúmeros projetos já existentes ao redor do mundo. Até o momento, há quase 200 projetos digitais que tentam oferecer formas mais fáceis e inteligíveis para as pessoas navegarem pelas informações dos orçamentos públicos, principalmente os mais leigos e sem muito conhecimento sobre os trâmites e terminologias sobre arrecadação e gasto de recursos públicos.

Vale lembrar uma antiga demanda: projetos de visualização de dados apenas são possíveis de serem feitos quando os dados estão disponíveis para a sociedade, em formato amigável para os programadores de dados trabalharem. As informações públicas pertencem à sociedade. Escondidas nas gavetas, não valem nada.

Exemplo brasileiro – No Brasil, um projeto interessante que busca atender a essas expectativas é o Meu Município. Ele oferece algumas informações principais e permite comparação entre cidades. O leitor que tiver um algum conhecimento sobre as rubricas de orçamento e finanças públicas poderá interpretar mais facilmente a importância as estatísticas e explorar as inúmeras possibilidades que o portal oferece.

De positivo, além do mérito de oferecer informações interpretadas e organizadas, está a possibilidade de exportar as estatísticas e a possibilidade de comparar as diversas rubricas entre várias cidades. Apresenta ainda as fórmulas para o cálculo de cada estatística orçamentária, o que serve como aula para alguns perfis de internautas. Quem acessar

Meu Município

O projeto, com algum apoio financeiro e de recursos humanos, poderia ir além rapidamente, buscando oferecer visualizações diferentes. Um exemplo mais comum são os infográficos do tipo “treemap”, uma forma eficiente de organizar e mostrar informações quantitativas de forma hierárquica por meio de retângulos. Isso permite ao leitor conhecer as dimensões de cada tipo de gasto dentro do orçamento.

Exemplos de visualização – Um bom exemplo é o que faz o governo federal dos Estados Unidos, que publica na internet a perspectiva de gastos por área proposto no orçamento federal para o ano seguinte, no caso, 2016.

US federal budget 2016 treemap

Ou como faz um projeto independente para a cidade de Arlington, no estado norte-americano de Massachusetts, que mostra informações sobre arrecadação e gastos públicos em gráficos de área e no estilo “treemap”.

Arlington fiscal data

Para saber mais:

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro publicou a última versão do Índice Firjan de Gestão Fiscal, uma excelente ferramenta que analisa dados fiscais dos municípios brasileiros. Em 2013, entre todas as cidades brasileiras, 84,2% tinham gestão fiscal em situação difícil ou crítica, 15,4% tinham boa gestão e só 0,3% tinham gestão de excelência. Mais de 80% das cidades brasileiras não conseguiram gerar 20% das receitas necessárias para cumprir o orçamento municipal, dependendo de transferências dos governos federal e estaduais. Vale comparar o índice da Firjan e o portal Meu Município.

O uso civil de drones se espalha e ganha relevância – no jornalismo e em outros setores econômicos

Uma ilustração simples que circulou pela internet mostra a disseminação do uso de drones civis – pequenas aeronaves não tripuladas. Um dos setores que estuda diversas maneiras de aplicar os drones é o jornalismo e diversas universidades, sobretudo nos Estados Unidos, faz pesquisas nessa área.

Mas outros setores econômicos prometem ganhos de eficiência e redução de custos relevantes com a aplicação de drones nas atividades comerciais rotineiras.

Em tese, qualquer atividade humana que possa ser substituída por pequenas máquinas voadoras facilmente manobráveis torna-se um mercado potencial para os drones civis.

Tanto quanto para deslocamentos aéreos, os drones oferecem potencial de eficiência para ações de reconhecimento, por portarem facilmente câmeras e outros dispositivos capazes de coletarem dados emcampo.

Drones uses - Cópia 

Saiba mais:

Os aviões não tripulados foram úteis para a mídia cobrir as recentes manifestações populares?

Para atrair jovens, mídia tem de pautar o dia a dia deles com seriedade – como fez o New York Times

A notícia é do The New York Times, que fez questão de dar grande visibilidade para o assunto na capa do jornal, dia 31 de agosto.

Na cidade de Seattle, mais de 11 mil jovens se reuniram em um ginásio de basquete para participar de um evento onde as equipes disputam competição de videogame.

Eventos como esse, não necessariamente com este porte e nível de organização, acontecem nas principais capitais globais, mas a imprensa não acompanha. Um dos motivos é porque a mídia está automaticamente orientada para cobrir política e economia, sobretudo o que os governos divulgam.

Essa reportagem do diário norte-americano é um bom exemplo para mostrar que é possível fazer, no dia a dia, matérias para públicos mais jovens, sem segregá-las em cadernos que são publicados uma vez por semana.

Os jovens têm, tal qual os adultos, inúmeras atividades diárias relacionadas com a escola, com entretenimento e com esportes. Se a imprensa quer atrair e fidelizar esse público, precisa condicionar os repórteres a procurar estes assuntos e cobri-los sem os infantilizar.

The New York Times - 31ago2014 - Cópia

Veja mais:

Jornais precisam ousar nas estratégias para atrair leitores mais jovens.

Jornal impresso pode interagir mais com leitores – e outros textos corrrelatos.

Uma forma interessante de rastrear e mostrar o que os políticos dizem sobre temas de interesse público

Muitos designers e jornalistas estão trabalhando para encontrar maneiras de tornar as notícias políticas mais palatáveis e digeríveis para a população, para o cidadão comum, principalmente para aqueles leitores que não se importam muito com as manobras e consequências das decisões dos parlamentares.

Essa motivação deriva do fato que muitas das transformações que a sociedade e as cidades demandam nascem exatamente das discussões e manobras políticas. Sem acompanhar tais debates nas câmaras e nos parlamentos, sem fiscalizar o comportamento dos representantes legislativos, qualquer esforço pode produzir pouco resultado.

O desafio é que ainda há poucas instituições ainda se dedicando ao árduo trabalho de transformar a atividade política em dados, organizá-los, analisá-los e dar a eles uma forma visual agradável e inteligível, que crie engajamento nos cidadãos e motive-os a alterar alguma realidade. Para ficar mais claro, tente imaginar que tipo de dados poderiam ser extraídos dos discursos que os nobres deputados fazem ao longo dos anos nas tribunas do Congresso nacional.

Words and votes

Projeto inovador – Um projeto interessante tenta fazer isso nos Estados Unidos. O Words & Votes busca rastrear as informações que estão contidas nos discursos – e outras formas de expressão, como mensagens no Twitter – dos deputados e senadores norte-americanos sobre o porte de armas. O trabalho foi produzido para a organização sem fins lucrativos Sandy Hook.

Em resumo, o Words & Votes permite que o cidadão conheça mais facilmente, em um único lugar, de forma organizada, as opiniões dos representantes no Congresso sobre temas relacionados à violência e ao uso de armas de fogo.

Cada deputado e senador é “monitorado” e as declarações deles sobre o assunto são categorizadas como neutra, favorável à segurança (e, logo, contra o porte de armas) ou favorável ao porte de armas.

Ao passar a seta do mouse sobre símbolos circulares, é possível verificar qual foi o voto do congressistas em leis que tratavam de temas que têm alguma relação ou influência sobre violência e armas.

Sistema de busca – Os dados estão organizados e disponíveis em uma visualização interativa para dois momentos: atual legislatura e para as legislaturas, reunidas, entre 1999 e 2002. Os congressistas ainda são separados entre aqueles que são mais influentes e mais discursivos – e há sistema de busca para o leitor buscar o nome do próprio representante.

Um projeto interessante, sem dúvida, inclusive par ao trabalho de investigação jornalística. Por mais que interagir e entender não seja tão automático como muitos gostariam. De qualquer forma, o projeto deixa claro que o método pode ser replicado para qualquer assunto – direito dos homossexuais, direitos humanos e política fiscal, entre outros – e a forma visual pode ser melhorada, tornando mais simples e fácil para todos.

Projetos brasileiros – No Brasil, o projeto Excelências é um dos pioneiros na coleta, organização e análise de informação política. Ele captura dados de todos os parlamentares. As fontes são a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, os Tribunais de Justiça, dos Tribunais de Contas e outras fontes públicas. Mostra quem falta ou produz mais, quais são as áreas de interesse dos legisladores, as emendas que apresenta, como votam e os gastos dos gabinetes. Recentemente, a revista Veja firmou parceria com a organização para analisar, produzir reportagens e dar visibilidade nacional às informações coletadas e organizadas. enfim, dar sentido prático aos dados e mostrar como eles têm impacto na vida das pessoas.

O jornal Valor Econômico acertou uma parceria semelhante, mas com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que visa acompanhar projetos de lei e outras matérias que tramitam no Legislativo e que têm impacto na economia brasileira. Assim, a cobertura sobre o Congresso Nacional poderá ser menos nas declarações dos políticos e mais no impacto da ação política no cotidiano das empresas e das pessoas.

Um mapa de bairro pode ser o pontapé para um projeto que junta História, Jornalismo e muito mais

San Francisco place names

Um projeto muito interessante, produzido por Noah Veltman, desenvolvedor de projetos na internet, aproveitou a interatividade da internet para oferecer Jornalismo e História com um dos ingredientes mais eficientes para chamar a atenção do público: a proximidade.

Quanto mais próxima a notícia for da realidade do leitor, mais o leitor dará atenção a ela. Com um mapa da cidade norte-americana de São Francisco, Califórnia, o autor explica quem foi ou o que fez cada pessoa que dá nome às ruas e avenidas.

Ao clicar no nome da rua, abre-se uma janela com um breve resumo do currículo do personagem, que, por vez, dá acesso a uma página na Wikipédia, com mais explicações.

O projeto, denominado History of Sao Francisco  Place Names, poderia ser bastante explorado em escolas de ensino fundamental e médio, principalmente em aulas de laboratórios extra-curricular, com objetivo de ensinar noções de informática, programação, internet, Jornalismo, História e pesquisa.

Os personagens que dão nome às ruas de cada bairro, ao exemplo do projeto são franciscano, poderiam também ganhar páginas na Wikipédia.

Poderia, inclusive, ser construído em processo colaborativo, onde as pessoas de cara bairro ao redor da escola pudessem corrigir ou acrescentar informações, preferencialmente sob a supervisão de um especialista ou professor.

Os aviões não tripulados foram úteis para a mídia cobrir as recentes manifestações populares?

Os recentes e recorrentes protestos populares em Istambul, na praça Taksim, Turquia, e em cerca de cem diferentes cidades brasileiras serviu para apresentar aos jornalistas, de forma mais amplificada, e ao público os aviões não tripulados – ou ‘drones’, como são chamados em língua inglesa.

Drone journalismDesenvolvidos para ações militares e de vigilância, os ‘drones’ foram adaptados para o uso em funções civis. Muitos aeromodelistas adaptaram e possuem tipos diferentes de pequenos aviões dirigidos por controle remoto. Um equipamento pode variar entre US$ 1.000 e US$ 2.500, mas há preços e portes para todos os gostos e necessidades.

Os protestos, que atraíram dezenas de milhares de pessoas em passeatas em São Paulo, por exemplo, contaram com a presença de pequenos aviões não tripulados sobrevoando os manifestantes para obter imagens em movimento de ângulos diferentes.

No Brasil, o uso desses equipamentos na cobertura de fatos e na construção de reportagens foi decorativo e ilustrativo. Os helicópteros alocados pelas principais emissoras de televisão conseguiram cumprir bem melhor a função de oferecer aos leitores e à audiência informações a respeito da dimensão dos protestos. Em outros locais, onde há controle rígido para a prática do jornalismo ou há risco à segurança dos jornalistas, cresce a importância dos ‘drones’.

Vale considerar que os custos dos ‘drones’, tanto de aquisição quanto de operação, são mais singelos. Eles também conseguem imagens mais aproximadas das pessoas e dos acontecimentos. E o equipamento, conforme o uso se torne mais disseminado, pode ser uma ferramentaútil para capturar imagens diferenciadas com custos bastante razoáveis, com qualidade de imagem e segurança para os profissionais de imprensa.

Nos Estados Unidos, as faculdades de jornalismo da Universidade de Nebraska e da da Universidade do Missouri já têm laboratórios de pesquisa sobre o uso de pequenos aviões não tripulados em atividades civis e jornalísticas, apoiadas por deapartamentos de tecnologia. Os ‘drones’ podem ajudar a capturar imagens ou até amostras de água que possam servir para reforçar reportagens.

Saiba mais:

Se já tem verbete na Wikipedia, o assunto já começa a ficar disseminado, certo?

No jornal Folha de S.Paulo, foi publicado um interessante artigo sobre uso e legislação dos ‘drones’ no jornalismo.

Os números que formatam o debate sobre controle de armas nos Estados Unidos

NRA WashPostSemanas atrás, o Café Expresso já abordou os trabalhos feitos pela NRA (National Rifle Association), uma instituição que defende o direito do cidadão portar armas naquele país.

A atuação da NRA, além de suporte financeiro para os candidatos em eleições que tenham os mesmos argumentos da instituição (tudo dentro da lei, sem nenhum problema, regulamentado), também está focada no mapeamento do pensamento dos congressistas sobre o tema.

Cavar e escarafunchar os dados é o mais difícil, mas a equipe da NRA mantém a disciplina de coletar diariamente, em diversas fontes disponíveis, dados valiosos que acabam ajudando a organizar o que pensa cada deputado e senador sobre o porte e uso de armas nos Estados Unidos.

A partir de tais dados, os mais importantes órgãos de imprensa podem usar as ferramentas digitais disponíveis e dar forma aos números. Desta vez, o The Washington Post mostra facilmente a relação entre as doações financeiras em campanhas e o que pensam os congressistas dos EUA.

Temas cotidianos ou tolos precisam ser tratados com a importância que eles têm para as pessoas

OESP 8dez12Alguns temas cotidianos têm gerado, com constância, bastante discussão nas redes sociais. São assuntos que ultrapassam discussões em torno de futebol ou celebridades. Entre eles, demanda por mais espaço e segurança para as pessoas que desejam utilizar bicicletas nas cidades, em vez de carros ou transporte público, e aqueles que gostam de animais de estimação e lutam para que não haja maus-tratos contra eles.

São temas que não podem passar despercebido pela mídia de massa e pelos grandes jornais, mesmo que estes últimos ainda tenham uma preocupação grande que é relatar os acontecimentos em todas as áreas e registrar os atos oficiais e anúncios do poder público.

A cobertura mais acentuada do dia-a-dia dos bairros e comunidades, inclusive, já ganhou um nome: jornalismo hiperlocal. É apontado como uma das formas das empresas de mídia conseguirem novos leitores e fontes de receitas. Mas esse tipo de cobertura precisa ganhar seriedade e espaço.

O que foi feito – O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem, no dia 8 de novembro, informando sobre a realização de uma feira de doação de cães e gatos – e inclusive de cavalos. A excentricidade – a doação de equinos – ganhou o título para chamar a atenção. De qualquer forma, o espaço oferecido ao tema e à ação merece parabéns.

A reportagem traz muitas informações e dá atenção correta para um tipo de assunto que a mídia costuma ignorar. No meio de texto, no entanto, deixou algumas lacunas. O governo municipal, responsável pela ação, informou que o percentual de adoção é pequeno e que as pessoas interessadas em adotar precisam pagar duas taxas que somam mais de R$ 20. O jornal não mostrou o número efetivo de adoções de eventos anteriores nem questionou a razão de pagar para uma ação que, em primeiro momento, parece contribuir com o poder público e com a sociedade em geral.

OESP caes e gatos 2O que faltou – Após a realização do evento, o jornal voltou ao assunto, numa pequena nota (ver página do jornal em destaque), informando que 32 animais foram adotados – entre 500 disponíveis, 80% deles cachorros. Algumas conclusões e sugestões:

– A imprensa pode dar tratamento mais amplo e diferente aos temas, não os tratando como assuntos tolos e sem importância. O tamanho do debate nas redes sociais em torno de adoção e maus-tratos de animais evidenciam que a população se preocupa com o assunto.

OESP caes e gatos 1 - Cópia– Os jornais, da mesma forma, precisam encarar o tema com reportagens sérias, abordando as múltiplas facetas (econômicas e sociais) e fazendo perguntas importantes. Quanto uma prefeitura de grande porte como São Paulo gasta com despesas operacionais para tratar de animais abandonados? Onde ficam as instalações e qual a infraestrutura disponível para cuidar de cães e gatos coletados nas ruas? Tais informações podem ajudar os cidadãos a mudar de opinião e postura e tomar decisões sobre adotar ou não.

– Se há ação de um órgão público, a imprensa precisa tratar a notícia como uma reportagem que avalia a eficiência de uma política pública, que consome recursos dos impostos e precisa entregar resultados ao cidadão. Quais indicadores ajudam a demonstrar o resultado da ação da prefeitura na área de zoonose? Qual cidade oferece um atendimento considerado modelo nesse tema? Como funciona? É possível copiar?

– Textos – grandes, pequenos, minúsculos ou espremidos – são a melhor forma de anunciar a campanha ou relatar o resultado dela? Que tal oferecer uma página inteira ao leitor com várias fotos-legendas que mostrem cachorros e gatos à espera de adoção ou famílias indo para casa com um animal recém-adotado?

Prioridade do leitor – A sugestão não é mostrar fotografias de crianças contentes e finais felizes, mas somente tratar os temas com a importância e com a dimensão que eles têm, tanto para o funcionamento da cidade e da prefeitura quanto para o cotidiano das pessoas comuns.

Se o objetivo de cobrir tais assuntos é prestar serviço à sociedade, o resultado talvez tenha sido abaixo do desejado. Basta perguntar aos leitores o que eles preferem: uma página com a opinião quase incompreensível de um ex-presidente do Banco Central sobre a economia ou a cobertura ousada e diferente de um serviço público com impacto direto no cotidiano das pessoas? Certamente o jornal tem espaço para todos os gostos e perfis de leitores.