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Novo projeto do ProPublica quer engajamento dos leitores para inspirar mudanças e consequências

O ProPublica, uma empresa jornalística bastante inovadora e investigativa, lançou uma iniciativa simples para envolver o leitor e colher dele contribuições que vão desde opiniões e informações para complementar matérias até sugestões e ideias.

A instituição quer que as reportagens tenham, como consequência, mais engajamento dos leitores e, dessa forma, aumentar as chances que as notícias e informações descobertas dos repórteres gerem mudanças – para melhor, claro – dos fatos mostrados.

Interrogações – A iniciativa recém-lançada e bem-intencionada, ainda terá de mostrar resultados. Praticamente todas as empresas jornalísticas têm ferramentas para envolver o leitor, seja com comentários ou pedindo a eles que comuniquem erros encontrados nas reportagens, até enviando fotografias e sugestões de temas que eles gostariam que as redações apurassem.

Quando pedir informações e dados para complementar as reportagens, terá de apurar as informações com repórteres suficientes. Para esse tipo de jornalismo, usa-se a expressão crowdsourcing, na qual as redações usam a “capacidade instalada” da audiência, ou seja, aproveitam a quantidade de pessoas disponíveis e as habilidades ou o conhecimento delas para ajudar no trabalho jornalístico.

GetInvolved

Curadoria de ideias – Pedir ideias e propostas aos leitores é muito interessante, mas exigirá que a redação eleja uma comissão de repórteres para atuar como curadoria das mensagens.

Além disso, os jornalistas terão de enviar as propostas para as autoridades ou responsáveis, acompanhar as consequências e dar uma resposta aos leitores. De nada adiantará se tal mecanismo se transformar apenas em mais um painel de comentários dos leitores.

Saiba mais:

Veja duas outras iniciativas do ProPublica que mostram a qualidade do trabalho jornalístico desenvolvido pela empresa. Uma matéria usa ferramentas de visualização de dados para mostrar facilmente como pensam os parlamentares norte-americanos a polêmica entre o direito constitucional de portar armas e o desejo de implementar leis que assegurem maior controle sobre elas.

Em outra investigação, autoridades federais dos Estados Unidos tiveram de determinar que companhias farmacêuticas informem quanto e como pagam médicos por atividades como pesquisa, consultoria, palestras, viagens ou simplesmente entretenimento.

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Projetos jornalísticos mapeiam a opinião de partidos e parlamentares no Brasil e nos EUA

O ProPublica, organização jornalística independente sediada em Nova Iorque, EUA, conseguiu montar um mapa que facilita bastante aqueles que querem entender o quanto é difícil e polêmico discutir e alterar a legislação sobre o porte de armas nos Estados Unidos. O trabalho, divulgado dia 16 de janeiro, mostra como deputados e senadores dos partidos Democratas e Republicano, além de um parlamentar independente, se comportam e opinam quanto ao tema.

A primeira conclusão que a visualização permite constatar é que há uma brutal distinção entre a opinião dos congressistas republicanos e democratas. Enquanto o Partido Republicano é majoritariamente favorável à manutenção do direito de possuir e portar armas de fogo, o Partido Democrata é amplamente favorável a restringir o porte de armas.

ProPublica

Após mais uma ocorrência de massacre em escolas norte-americanas, o presidente reeleito dos Estados Unidos, Barak Obama, incitou o Congresso a apertar a lei, tornando-a mais restrita. O problema é que a Segunda Emenda da Constituição daquele país deixa claro que todo cidadão tem o direito de manter e portar armas de fogo. A discussão é secular.

Estudo que facilita – A visualização interativa foi facilita pelo trabalho do Institute for Legislative Action (ILA), braço da National Rifle Association, associação que defende o direito de possuir e portar armas a todo cidadão. A organização situa cada congressista com base na opinião e ações deles sobre adotar um controle mais restrito ou manter o direito constitucional.

Com os dados, o ProPublica colocou programadores e jornalistas para apresentar os dados de uma forma visualmente agradável e inteligente, dando sentido às informações e permitindo aos internautas selecionarem as informações que querem do ponto de vista que desejam.

No Brasil – Imaginem usar a mesma solução para mapear a opinião dos congressistas brasileiros para os mais candentes temas em discussão – ou paralisados – no Congresso Nacional?

O projeto Estadão Dados, inaugurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, começou a organizar e entender estatísticas sobre diversos assuntos, entre eles comportamentos dos parlamentares no Congresso Nacional, em Brasília.

Um dos trabalhos dentro do Estadão Dados chama-se “Basômetro” e permite entender como os partidos políticos e congressistas votaram – com o governo ou contra o governo – em diferentes projetos de lei ao longo de 2011 e 2012. Vale a pena conferir.

Basômetro

Outros aspectos – Tanto o trabalho do ProPublica quanto do jornal O Estado de S. Paulo ajudam os leitores a entenderem melhor temas complexos. Só se tornam úteis porque há um trabalho importante dos programadores e jornalistas em dar uma orientação, um sentido, às estatísticas. Caso contrário, seria apenas mais um almanaque.

Um aspecto interessante é que os dois projetos jornalísticos permitem uma visão” tanto da árvore quanto da floresta”, pois mostra como pensam e decidem tanto o congressita, individualmente, quanto os partidos políticos, conjuntamente.

Reportagem do Los Angeles Times mostra porque é tão importante divulgar dados públicos

O Los Angeles Times produziu um mapa de calor (heat map, em inglês) para mostrar se o atendimento do serviço de emergência local estava cumprindo os critérios estipulados pelas autoridades.

A regra dos serviços de resgate é chegar ao local da emergência em até seis minutos. Os jornalistas do Los Angeles Times espalharam em um mapa da cidade os dados de mais de um milhão de chamadas durante os últimos cinco anos, localidade por localidade.

A gradação das cores permite perceber que o serviço de resgate consegue fazer o atendimento em até seis minutos somente nas imediações das equipes – e, para a imensa maioria dos pedidos, o tempo limite é ultrapassado.

Esse é um típico exemplo de jornalismo baseado em dados (ou data-driven journalism, em inglês). Ao encontrar uma forma visual eficiente para mostrar as estatísticas, os jornalistas descobriram uma informação relevante para os leitores.

Los Angeles heat map

Note que haveria ainda uma boa notícia mesmo se as cores evidenciassem que os serviços de resgate conseguem cumprir o prazo de seis minutos para a maioria dos atendimentos.

Dados públicos – Agora, imagine um mapa como esse para cada cidade brasileira. Além de informar, possibilidade às autoridades públicas tomarem melhores decisões e corrigirem falhas. Por isso não é aceitável manter os dados públicos escondidos, guardados nas gavetas.

Esse tipo de jornalismo é muito dependente da existência de estatísticas – e da disponibilidade delas. Por isso, há um movimento crescente entre jornalistas e atividades da liberdade de expressão para que os administradores públicos tornem públicas as informações coletadas pelos governos.

No Brasil, ano passado, uma lei foi aprovada para atender a esse princípio – a Lei de Acesso a Informação.  Vale ressaltar que diversos países sul-americanos criaram legislação sobre o assunto muito tempo antes. Outras nações ao redor do mundo já se antecipam ao uso da lei, dando visibilidade às estatísticas públicas por livre iniciativa.

É uma demanda civil que veio para ficar. O cidadão, mais que o leitor, ganha muito com tudo isso.

Veja mais:

O desafio de produzir reportagens quando faltam números.

É a informação ou a lei que permite melhores escolhas e muda hábitos:

O criados da internet começa a dar novos usos à própria criação.

Incêndios nas favelas paulistanas: um roteiro para construir uma reportagem diferente

No dia 3 de setembro, mais um incêndio foi registrado em uma favela na capital paulista. Foi o 32º em 2012. O assunto é sempre muito polêmico. Em um município com pouco espaço para adensamento e crescimento de novas construções imobiliárias, casos como esses geram suspeitas se os incêndios foram casuais ou intencionais. O fato isoladamente – e o contexto ao longo dos anos – merece boa investigação jornalística.

Pelo Twitter e pela imprensa, o Corpo de Bombeiros informou que a quantidade de incêndios em favelas na cidade de São Paulo vem caindo nos últimos anos. Com o caso na favela Buraco Quente, no Campo Limpo, a instituição registrou, em 2012, até o início de setembro, 32 ocorrências deste tipo. Em anos anteriores, o Corpo de Bombeiros da cidade de São Paulo registrou mais casos: 130 em 2008, 122 em 2009, 91 em 2010, 79 em 2011. O gráfico é declinante.

Twitter Bombeiros

Mapa dos incêndios – Pois bem. Uma turma de jornalistas e programadores criaram um mapa com todos os incêndios ocorridos este ano. Visualizar geograficamente os fatos, todos juntos, ajuda a perceber novas informações e buscar relações e compreensão. Pelo Twitter, o jornalista Fabiano Angélico, prontamente, registrou: “A maioria deles (dos incêndios) está bem perto de artérias importantes da cidade”.

É um aspecto interessante que merece mais investigação. Com os 32 casos registrados em 2012, é difícil determinar precisamente se há uma relação direta entre os incêndios e a proximidade das favelas com as grandes avenidas e áreas mais valorizadas. O ideal seria jogar em um mapa todos os incêndios ocorridos desde 2008, por exemplo, para verificar, em uma amostra maior, com um universo mais abrangente, se essa constatação (que brota dos dados de 2012) se repete nos anos anteriores. Se for confirmada, dá notícia, com mais segurança.

Incêndios favelas 2012

Cruzamentos – Mas a investigação pode ir além. Imagine que, entre todos os incêndios registrados entre 2008 e 2012, a maioria ocorreu em favelas próximas a grandes avenidas. Agora imagine que a maior parte das favelas paulistanas está próxima de grandes avenidas. Se isso realmente for verdade, a notícia não é tão gritante assim. Afinal, se há mais corintianos em São Paulo, é de presumir que você verá nas ruas mais pessoas vestindo camisa do Corinthians.

O projeto FolhaSPDados publicou um texto e um mapa mostrando a quantidade e a localidade das favelas paulistanas. Segundo o jornal, há 1.633 favelas na capital paulista. É mais uma base de dados que pode ser sobreposta à inicial (a dos incêndios) e tentar pintar, em cores diferentes, quais favelas estão longe e próximas às principais artérias da cidade.

FolhaSPdados

Se poucas favelas paulistanas estiverem à beira de grandes avenidas, e se essas poucas localidades registrarem a maioria dos incêndios registrados no périodo desde 2008, há uma boa informação para inciar uma matéria interessante. A pergunta que teria de ser respondida, neste exemplo hipotético, é: porque há menos incêndios em favelas localizadas em regiões menos valorizadas e mais ocorrências em favelas situadas em áreas mais valorizadas?

É isso. As estatísticas – e a cartografia – podem servir como novas ferramentas para os jornalistas perceberem informações adicionais e outros pontos de vista para os assuntos cotidianos.

Atualização – Programadores e jornalistas já iniciaram um trabalho coletivo para organizar as estatísticas e os dados dos incêndios ocorridos na cidade de São Paulo nos últimos anos em um mapa, de modo que a observação espacial das ocorrências ajude a constatar novas informações. Vale acompanhar.

Um árbitro aposentado vem fazendo jornalismo esportivo bem melhor que boa parte da imprensa

Leonardo Gaciba, ex-árbitro de futebol, se aposentou em outubro de 2010. Sorte dos torcedores. Não, ele não era um péssimo juiz. É que, ao abandonar o apito, ele passou a trabalhar como comentarista esportivo para o canal de televisão fechada SporTV e a escrever textos para um blog no portal da mesma emissora.

Os textos abordam, é claro, õ trabalho da arbitragem, mas com uma abordagem bastante diferente. O último relato, por exemplo, é uma verdadeira aula de jornalismo. Gaciba coletou dados, analisou-os e entregou ao leitor conclusões sobre o comportamento dos árbitros com o uso dos cartões amarelo e vermelho. Descobriu que a média de cartões despencou no Brasileirão 2012 enquanto o número de faltas manteve estável.

Ele somou a quantidade de punições dadas aos jogadores nos campeonatos de 2008 até 2012 (considerando sempre as 12 primeiras rodadas, que representam cerca de um terço da competição) e detectou que os juízes estão aplicando menos cartões. mais que isso: a redução é significativa. E ele pergunta: o que mudou? Porque mudou? O que aconteceu? Com especialista e fonte, ele mesmo identifica hipóteses e as comenta.

Dados como esses – quantidade de cartões amarelos e vermelhos mostrados aos atletas nos últimos cinco anos – não estão facilmente disponíveis na internet. Por isso, a maior parte dos jornalistas esportivos prefere opinar com base no que eles sentem e acham no momento – e essa opinião pode acabar enviesada e contaminada por diversos componentes, como a paixão clubística do repórter, a raiva por causa de algum acontecimento em um jogo recém-concluído ou a bronca com algum árbitro ou jogador, entre outros.

O ex-árbitro Gaciba merece os parabéns. Para apresentar as estatísticas que apresentou – e têm mostrado em diversos textos – certamente ele tem pesquisado e organizado os próprios bancos de dados para poder analisar os números e oferecer aos leitores informações mais precisas e objetivas. Os dados ajudam a esclarecer e circunscrever os fatos e reduzem o espaço para opiniões infundadas. Se o ex-juiz de futebol pode fazer, porque a maior parte dos profissionais da imprensa continuam a trabalhar na escuridão dos fatos?

Nos EUA, há 15 mil homicídios por ano. No Brasil, 45 mil. Mas isso é só o começo dessa história

murder-draft-1.previewNos Estados Unidos, cerca de 15.000 pessoas são assassinadas por ano – e a taxa de solução de crimes, decrescente, diminuiu para 65%. No Brasil, os assassinatos somam, anualmente, cerca de 45.000 pessoas – e ninguém sabe como está a taxa de solução nacional destes crimes. Mas, com esforço, essa estatística pode surgir em algum tempo. Basta seguir os rastros de um dos mais recentes projetos premiados nos Estados Unidos por unir jornalismo, estatística, programação de computador e ciências sociais.

Nos Estados Unidos, Thomas Hargrove, repórter engajado no uso de dados e métodos das ciências sociais no jornalismo, ganhou recentemente um prêmio – o Philip Meyer Journalism Award – por ter coletado e analisado estatísticas sobre assassinados nos estados norte-americanos. O valor do primeiro prêmio, US$ 500, foi simbólico. O trabalho que ele desenvolveu, no entanto, chamado Murder Mysteries, ajudou inclusive alguns departamentos locais de polícia a reabrir casos antigos mediante o aparecimento de novas pistas.

Roteiro de um grande projeto – O início do projeto surgiu de uma pergunta: é possível detectar a ação de assassinos em série (os “serial killers”) a partir da análise dos relatórios de homicídios do FBI, o Federal Bureau of Investigation, órgão similar a Polícia Federal brasileira? Ele escarafunchou dados de 185 mil assassinatos não resolvidos entre 1980 e 2008 e produziu inúmeras reportagens.

Logo de início, descobriu que as forças policiais locais falharam em informar ao FBI diversos casos e, utilizando a lei de acesso à informação norte-americana, ele reuniu detalhes de 15 mil casos adicionais de assassinatos. Ele gastou mais de um ano nesse esforço, utilizando leis locais de acesso a informações públicas.

Murder Mysteries dataO passo seguinte – ou paralelo – foi desenvolver um algoritmo que permitiu cruzar e agrupar dados e detectou prováveis traços de mortes cometidas pelas mesmas pessoas, em série. O banco de dados completo foi disponibilizado na internet para acesso público.

Hargrove tem formação e experiência em áreas como jornalismo, análise de dados estatísticos, amostragem de pesquisas, programação e mineração de dados. Essas habilidades permitem a ele realizar projetos complexos e enfrentar os desafios inerentes tanto na busca, organização e análise de dados quanto na apresentação, de forma compreensível, das conclusões que brotam de milhares de células de estatísticas. Já estudou e publicou sobre temas como desaparecimento de crianças, mortalidade infantil inesperada e padrões em casos de homicídios não resolvidos – e todos resultaram, de certa forma, em aperfeiçoamentos nas políticas públicas.

A realidade brasileira – E no Brasil? Quantos assassinatos aconteceram nos últimos anos no país inteiro? O site do Ministério da Justiça não ajuda muito. Lá, há uma apresentação com dezenas de páginas e algumas estatísticas sobre ocorrências criminais referentes aos anos de 2004 e 2005. Para obter dados atualizados e organizados, vale acessar o Mapa da Violência, projeto de Julio Jacobo Waiselfiz.

Mapa da Violência 2011O pesquisador utilizada números do Datasus, o banco de dados do Sistema Único de Saúde, acessível a qualquer internauta. A vantagem é que o trabalho organiza e interpreta os dados, com explicações metodológicas , sem riscos de erro. No Datasus, o excesso de estatísticas e informações pode ser um inimigo para quem tiver pouca familiaridade com o tema.

Quanto à taxa de resolução desse tipo de crime, há uma percepção de que o desempenho não é bom. É difícil arriscar qualquer aposta. Especialistas costumam relacionar taxa maiores de solução de crimes com quantidade menor de assassinatos – e diversos estados brasileiros mostram trajetória decrescente homicídios.

Se os dados não estão à mostra, a saída para pesquisadores e jornalistas – com tempo, dinheiro e disposição – é aproveitar a Lei de Acesso à Informação recentemente aprovada no Brasil – e já em vigor para órgãos e autarquias públicas nas esferas federal, estadual e municipal. Infelizmente, não será um caminho fácil, principalmente para um país com cultura contrária à divulgação de informações e documentos públicos. Será necessário pedir informações em vários balcões. Mas é possível.

Para saber mais:

Acesse a lista de vencedores da última edição do Philip Meyer Journalism Award e conheça os projetos jornalísticos similares ao Murder Mysteries.

Na véspera da Rio+20, que tal comparar estatísticas ambientais de 132 países?

A imprensa começou, faz umas duas semanas, a produzir matérias mais consistentes sobre a gestão ambiental dos governos, das empresas e dos países em geral. Há um conjunto enorme de temas para serem abordados: clima, qualidade do ar, qualidade dos mananciais e rios, resíduos sólidos e saneamento básico, flora e fauna, economia verde e por aí em diante.

Se a enorme quantidade de temas disponíveis torna mais difícil a escolha da pauta mais sensível para a sociedade, é também um enorme desafio saber como hierarquizar as informações – escolher aquilo que é mais importante ou relevante – dentro de cada tema.

Mais um obstáculo: estatísticas confiáveis. Nem sempre as instituições oficiais ou sociais têm dados críveis que forneçam ao jornalista ou pesquisador um retrato confiável do tema ou do assunto abordado. Tão difícil quanto é achar números que permitam fazer comparações e relativizar a informação. Afinal, como hipótese,  reduzir o desmatamento anual em 20% parece uma boa notícia, mas torna-se ruim se outros países derrubaram a taxa em 60%.

IndexPor isso, vale bastante o esforço de entender as explicações metodológicas e as estatísticas comparadas Environmental Performance Index, um desses extensos relatórios produzidos por organizações internacionais – desta vez, pelo trabalho conjunto de dois centros de pesquisa das universidades norte-americanas de Yale e Columbia – para entender melhor como está o desempenho de diversos países em assuntos ambientais.

O índice compara o desempenho de 132 países sobre 22 indicadores distribuídos em dez categorias. O Brasil, por exemplo, apesar de estar entre as nações que apresentam tendência de avanços e boa performance ambiental, na 30ª posição, é apenas o 81º colocado quando a infraestrutura de saneamento básico é avaliada e o 114º no indicador que avalia a perda de cobertura florestal.

Se os brasileiros estão bem avaliados em itens como geração de energia por fontes renováveis (12º entre 132 países) e estoque de florestas (1º da lista), ainda há muito o que avançar.

Para saber mais:

Acesso o relatório completo que avalia o desempenho ambiental de 132 países.