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Infográfico complexo e interessante mostra o clima em 35 cidades mundiais, inclusive São Paulo

Global Weather SP

Uma visualização de dados bastante interessante e complexa: é assim que se pode caracterizar o infográfico “Global Weather Radials 2013”, feito pelo estúdio alemão Raureif para mostrar as ondas de calor e frio em 35 cidades de vários países em 2013.

O clima de cada cidade é representado em um círculo, formado por várias linhas verticais, cada uma para um dia do ano. Esse círculo lembra um relógio, indicando o clima transcorrendo ao longo dos 12 meses do ano.

Global Weather Radials 2013 - Cópia

Como ler o infográfico – A parte de baixo da linha mostra a temperatura mais baixa do dia – e quanto mais próximo do centro do círculo, mas frio foi a temperatura mínima daquele dia. Ao contrário, o topo da linha mostra a temperatura máxima registrada naquele dia.

As bolhas em tom azul claro indicam as precipitações – quanto maior, mais chuva ou neve. O centro da bolha está posicionado no meio da linha que representa o dia em que choveu ou nevou.

Rapidamente, o leitor pode perceber quais as cidades que tiveram estações mais quentes ou mais frias, qual a duração das ondas de calor e frio, bem como ocorrências específicas, que são informadas em texto atrelado à fina barra que representa a temperatura de determinado dia.

São Paulo – O clima das cidades de São Paulo e de Buenos Aires estão demonstrados no infográfico. Na capital paulista, em 2013, percebe-se as elevadas temperaturas em todas as estações do ano – mais intensamente entre janeiro e março e depois entre outubro e dezembro.

A visualização apenas confirma o que o paulistano ainda deve ter na memória – as elevadas temperaturas do último verão entre o fim de 2013 e início de 2014. Mas o leitor não consegue comparar as precipitações de chuvas entre os dois últimos verões, pois os dados indicam somente as ocorrências em 2013.

Os dados utilizados para elaborar essa visualização foram obtidos no projeto Open Weather Map, no Instituto Meteorológico da Noruega e no Weather Underground. Os eventos climáticos específicos, informados em texto, foram avaliados manualmente, a partir da leitura de jornais nas respectivas cidades.

Um simples quadro devolve ao leitor a noção de conjunto das informações

Quadro investigações

Em várias reportagens atualmente, há geralmente uma busca frenética para conseguir números e dados que ajudem a produzir uma infografia diferenciada para ajudar o leitor a contextualizar a informação principal. Isso nem sempre é necessário.

A imprensa tem produzido, de forma incessante, matérias sobre as investigações sobre possível cartel envolvendo empresas que fornecem equipamentos para obras de transporte sobre trilhos.

Recentemente, dia 25 de março, uma ação do Ministério Público paulista ofereceu à Justiça estadual a denúncia de 30 empresários envolvidos nas investigações. Já foram tantas as reportagens sobre os desdobramentos do caso que há chance enorme de o leitor perder a noção do conjunto dos fatos.

O jornal O Estado de S. Paulo conseguiu devolver ao leitor essa noção. Para isso, não precisou recorrer a alguma visualização de dados pirotécnica. Bastou um quadro, com informação textual, noticiando os casos ainda em investigação e quais os fatores mais importantes para cada um deles.

Esse tipo de solução é muito interessante para o leitor em assuntos políticos e de investigações que se desdobram por meses e meses e deveria ser utilizado em mais ocasiões.

Desemprego na Europa: números mostram uma situação tenebrosa, principalmente na Espanha

Um infográfico do Financial Times com estatísticas sobre a situação do mercado de trabalho na Europa mostra uma situação tenebrosa, principalmente na Espanha.

O jornal utilizou recursos gráficos simples, como colunas, barras, linhas, volume e bolhas para esclarecer e comparar os números de forma muito competente. Foi eficiente ao relacinar um ao aoutro, pelo título de cada bloco.

Fazendo as contas, os dados deixam claro que o desemprego é elevado entre a população economicamente ativa. Mais que isso: é muito preocupante entre os jovens, classificados na faixa etária entre 15 a 24 anos: Depois de algumas contas complementares:

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Considerando a população economicamente ativa, todas as faixas etárias:

  • Espanhóis (todas as faixas etárias): 26,7% estão desempregados e 17,6% são temporários (basta multiplicar a quantidade de empregados temporários, algo como 24%, pela população empregada, que é 73,3%). Total: 44,3% estão em situação ruim, considerando desemprego ou emprego temporário.
  • Italianos (todas as faixas etárias): 12,7% estão desempregados e 12,2% são temporários. Total: 24,9%.
  • Portugueses (todas as faixas etárias): 15,5% estão desempregados e 17,7% são temporários. Total: 33,2%.

Considerando somente jovens entre 15 e 24 anos:

  • Espanhóis (jovens até 24 anos): 57,7% estão desempregados e 26,2% são temporários (novamente, multiplica-se a quantidade de empregados jovens temporários, algo como 62%, pela população jovem empregada, que é 42,3%). Total: 83,9%.
  • Italianos (jovens até 24 anos): 41,6% estão desempregados e 31,0% são temporários. Total: 72,6%.
  • Portugueses (jovens até 24 anos): 36,8% estão desempregados e 41,7% são temporários. Total: 78,5%.

Vale lembrar: um infográfico como este, com uma comparação tão eficiente, só é possível quando há séries estatísticas bastante detalhadas, que recortam os dados por faixas diversas.

Três cursos para aprender algumas competências associadas ao jornalismo de dados e à infografia

No Brasil, muitas pessoas, principalmente estudantes, que querem começar a trabalhar melhor dentro do universo que se convencionou a chamar de ‘jornalismo de dados’ encontra dificuldade para aprender, treinar e desenvolver as principais competências desta área: onde buscar as informações, como organizar e analisar dados e estatísticas, como dar uma forma bonita e inteligível a elas.

Algumas iniciativas interessantes surgiram, com aulas presenciais ou online, voltadas para iniciantes ou aqueles com comportamento autodidata. Todas as disciplinas são interessantes, tanto para jornalistas ou para profissionais que lidem com estatísticas e bancos de dados e precisem melhorar a eficiência na organização, análise ou apresentação das informações.

1) Escola de Dados. Há aulas básicas, ensinamentos e instruções sobre conceitos e procedimentos para praticar o jornalismo de dados. Ensinam como procurar e coletar estatísticas, utilizar os principais recursos disponíveis em uma planilha de dados (como organizar e filtrar informações) e os primeiros passos para analisar dados. Oferecem ferramentas online para diversas atividades – extrair, limpar, analisar, apresentar e compartilhar dados – e oportunidades para aprender mais por meio de ‘expedições de dados’. Online, para autodidatas.

2) Infografia e visualização de dados. É um curso introdutório, oferecido pelo Knight Center for Journalism in the Americas e ministrado por Alberto Cairo. É gratuito, em inglês, totalmente feito pela internet, para quantas pessoas se inscreverem (a primeira edição teve mais de 2.000 estudantes de 109 países e a segunda edição contou com 5.200 participantes de 138 países). Ensina por meio de capítulos de livros, vídeos, discussões em fórum. O curso já começou no dia 6 de outubro e dura cinco semanas. É possível se inscrever ainda e acelerar no cumprimento das tarefas para ficar no mesmo nível dos outros.

3) Programa de Jornalismo de Dados e Visualização. Organizado pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), organização que surgiu com a função de oferecer cursos de pós-graduação para editores em jornalismo, tem preço acessível, grade curricular abrangente e professores que colocam a ‘mão na massa’ todos os dias. Dura quatro dias inteiros, dois deles sábados, com aulas presenciais. Passa por áreas como infografia e visualização, coleta e organização de dados, mapas e utilização da Lei de Acesso à Informação Pública.

Banco de dados reúne infografias interativas dos jornais The Guardian e The New York Times

NY Times - Oscar contenders

Um banco de dados disponível na internet reúne bastante do que há de melhor no campo da infografia interativa do jornalismo mundial. Até o momento, quase 400 trabalhos elaborados pelas equipes do inglês The Guardian e o norte-americano The New York Times.

Cada qual é uma aula a parte, alguns pela simplicidade, outros pela genialidade da pauta, muitos pela complexidade da programação. Vale mergulhar e analisar todos, sem pressa.

No começo deste ano, por exemplo, o Times publicou reportagem mostrando as conexões existentes entre os profissionais e trabalhos indicados ao Oscar. Nenhum texto conseguiria ser tão didático quanto a infografia elaborada.

O The Guardian, em trabalho magistral, voltou a utilizar o modelo ‘Guitar Hero’ para indicar diferentes tipos de acontecimentos ao longo de um período mais longo em vários países – tudo ao mesmo tempo.

Desta vez, o tema foi a crise econômica nos países europeus após a bancarrota financeira de 2009.  Já havia utilizado o mesmo recurso, genial, para contar a história moderna da música (em 2011) e a evolução dos acontecimentos após as revoltas populares no Oriente Médio (em 2012).

Se há um pecado, é que a maioria dessas infografias interativas, em algum momento, deixam de ser atualizadas pela equipe de jornalistas.

Reportagens interativas não precisam de pirotecnia

Uma reportagem interativa bem-feita não precisa trazer infografias ousadas, vídeos editados com qualidade de cinema e outras pirotecnias que a tecnologia e as ferramentas online permitem. O essencial – como sempre, no jornalismo – é a qualidade da informação.

Um exemplo é a reportagem produzida pelo Pew Research Center, uma instituição norte-americana que tem a missão de informar o público sobre diversos fatos dos Estados Unidos e do mundo todo. Eles fazem pesquisas de opinião, estudos demográficos, análises sobre o funcionamento da imprensa e diversas outros trabalhos sociais empíricos. Dessa forma, costumam ter matéria-prima exclusiva, de alta qualidade e interesse.

Recentemente, por causa do aniversário de 50 anos da ‘Marcha sobre Washington’, dia 28 de agosto , que se transformou em um marco na luta pelos direitos das pessoa negras nos Estados Unidos e consequentemente em todo o mundo, o Pew Research produziu uma análise baseada tanto em pesquisas de opinião quanto em dados governamentais do Censo norte-americano para perceber as mudanças demográficas entre brancos e negros – e também hispânicos e asiáticos – nas últimas cinco décadas.

O resultado é um relatório com texto didático, mesmo que longo, gráficos estáticos simples e um amplo conjunto de estatísticas organizadas novamente em gráficos sem pirotecnia, mas com interatividade, dando ao público a possibilidade de selecionar informações do ponto de vista que lhe interessar.

Pew Research Center - Race in America

The New York Times: infografia simples e eficiente mostra peso dos tributos pagos pelo brasileiro

O The New York Times produziu uma reportagem muito interessante sobre uma possível causa para as manifestações ocorridas em mais de cem cidades brasileiras em junho: o preço dos produtos e serviços. O custo elevado, por causa da carga tributária exagerada, aliado à baixa qualidade do que é ofertado, teria sido um dos principais combustíveis para os protestos.

NYTimes Samples of sales taxes

A pauta é bastante interessante e certamente o leitor brasileiro se identificará com a tese, por mais que considere que há outras causas. Outro aspecto elogiável da reportagem foi a infografia, bastante simples e eficiente.

Sobre uma fotografia de manifestantes durante uma passeata, o jornalista identificou o quanto de tributos o brasileiro paga para cada objeto presente na imagem. Sem recursos gráficos complexos, passou o recado com eficiência.