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O que define um personagem interessante para o jornalismo?

FSP - Clube Mato GrossoNa prática do jornalismo, é rotina se deparar com personagens que podem ser considerados ótimos para um perfil ou para serem protagonistas de matérias inusitadas. Mas é um desafio também, pois não há uma cartilha que dê certeza ao repórter se o entrevistado é ou não, realmente, detentor de atributos que vão arrebatar inquestionavelmente a atenção do leitor.

Um personagem ímpar não é necessariamente uma pessoa que venceu após superar obstáculos enormes em um ambiente de condições desfavoráveis. Pode ajudar, mas não necessariamente conduz a uma grande matéria. Há sempre um risco de a reportagem dar contornos de heroísmo a uma história de vida igual à de outros milhões de pessoas.

FSP- Rei dos acessosPerseverança, foco, obstinação, sucesso e outras muitas características heroicas – o que nos romances costuma funcionar – não necessariamente serão ingredientes de sucesso para um perfil no jornalismo. Boas seções de obituários sempre trazem tais histórias.

O inusitado pode ser um atributo essencial. Outro é conseguir carimbar no personagem entrevistado um apelido que apele para a memória do leitor. O “Neymar do Nordeste” ou o “Lampião do século XIX” também ajudam a engrandecer a um personagem.

Política e esporte são áreas férteis para o surgimento de personagens inusitados, que atingiram marcas ou metas audaciosas e podem ser protagonistas de matérias interessantes a partir de apelidos que facilitam alçá-los ao topo em meio aos iguais ou competidores.

O jornal Folha de S. Paulo conseguiu localizar dois personagens interessantes em pouco tempo para reportagens sobre futebol. Uma relatou as características e opiniões do “rei do acesso“, um treinador de futebol de times pequenos e fora dos eixos de maior audiência que é o campeão de desempenho no desafio de fazer times subirem de divisões.

Outra matéria narrou a trajetória até agora bem-sucedida de uma equipe de futebol – o Cuiabá – em uma região sem tradição nem grandes feitos na modalidade. Vale a leitura.

 

Veja mais:

As ciladas diante de quem quer contar boas histórias – e algumas dicas para não cair nelas.

 

Organizar todos os trajetos da corrida de São Silvestre – um trabalho a ser feito

Uma matéria publicada dia 30 de dezembro na Folha de S. Paulo poderia inspirar uma pesquisa de fôlego para identificar todos os trajetos que a corrida de São Silvestre já teve – já foram realizadas 91 edições anuais da prova até 2015, ininterruptamente.

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É trabalho para aficionados ou para uma atividade interdisciplinar em alguma faculdade que envolva alunos e professores de carreiras como história, jornalismo, designer gráfico e até ciências da computação.

Imagine obter informações do percurso de todas as edições da prova, desenhá-los em mapas de forma padronizada e listá-los lado a lado, como fez o designer Sam Potts com a Volta da França.

Ele organizou, lado a lado, os trajetos das cem edições da prova até então. Além da pesquisa histórica e da acurácia na compilação de dados, ele escolheu, para visualizar o trabalho, um modelo de infografia bastante simples e eficiente, chamado small multiples – gráficos com a mesma escala e eixos organizados lado a lado que permita a comparação fácil.

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A análise sobre estatísticas de crimes que ainda falta ser feita

A imprensa reportou a quantidade de homicídios dolosos em 2015 no Estado de São Paulo. Foi a menor taxa desde 1996. Algumas indagações:

  • A metodologia é realmente estranha. O poder público contabiliza a quantidade de casos, e não a quantidade de mortos. Como explica o texto, um caso pode conter várias mortes (uma chacina, por exemplo). Isso pode ampliar significativamente o número de pessoas assassinadas intencionalmente.
  • É sempre complicado analisar segurança pública por meio de um único indicador. Um dia ainda espero ler uma reportagem que traga, em bom espaço, todos os indicadores de mortes e de crimes.
  • Isso significa mostrar estatísticas históricas de mortes com ou sem intenção, por qualquer tipo de arma, no trânsito ou em casa, enfim, qualquer causa de morte, exceto doença.
  • Vale o mesmo para os tipos de crime: com ameaça ou não, em casa ou na rua, roubo ou furto, patrimônio – qualquer ocorrência.
  • Essa análise é muitas vezes difícil ou impossível por causa de imperfeiçoes na coleta, organização e divulgação de estatísticas públicas.
  • Isso é importante para evitar manipulações. Por exemplo: um assassinato passa a constar na lista de homicídios dolosos de acordo com a metodologia adotada na contabilidade e na investigação das autoridades públicas. Pode haver uma redução histórica dos casos de mortes intencionais, mas uma explosão nos de mortes cujas causas não foram identificadas.
  • Geralmente, os jornais mostram localidades com maior ou menor ocorrências de algum tipo de crime por meio de um mapa coroplético indicando cores mais escuras ou claras em cada distrito. Essa visualização é a única possível, já que o poder público não divulga o endereço exato da ocorrência, mas somente por bairros.
  • No entanto, isso pode causar distorções. Um exemplo: uma enorme quantidade de crimes praticados na fronteira entre um bairro tranquilo e outro mais problemático pode passar a impressão que um bairro inteiro é problemático. Essa distorção aumenta se o bairro for espacialmente bastante extenso.

    FSP crimes 2015

Nova Iorque registrou primeira alta em homicídios em cinco anos: 350 casos em 2015

A cidade de Nova Iorque, a mais populosa cidade dos Estados Unidos, com cerca de 8,5 milhões de habitantes, registrou 350 assassinatos em 2015, entre homicídios com ou sem dolo. Isso mesmo, menos de 500. Esse tipo de crime aumentou 5,1% em comparação ao ano anterior, quando a cidade registrou 333 homicídios.

Foi a primeira elevação em cinco anos. As estatísticas foram divulgadas pelo Departamento de Polícia de Nova Iorque, publicadas no The Wall Street Journal e servem para comparação com quaisquer cidades brasileiras, independentemente do porte populacional e condições sociais.

NY crime 2015

Se você fosse um governante, em qual área aplicaria escassos recursos disponíveis?

Três reportagens e artigos publicados nos últimos meses na imprensa suscitam uma pergunta: se você fosse um governante, em qual política pública empregaria recursos disponíveis?

O valor é hipotético: R$ 50 milhões à disposição no caixa. Esse dinheiro pode ser suficiente para construir uma obra ou suficiente para resolver um problema somente parcialmente, atenuá-lo ou manter uma política pública por um ano.

(       ) Programa parcial para custear o trabalho de assistentes sociais com a obrigação de visitar famílias pobres para ampliar o potencial de aprendizagem de crianças pobres já desde os primeiros meses de vida delas, como mostra essa reportagem da revista Exame.

(       ) Programa parcial para diminuir a incidência de diarreia em famílias em situação de extrema pobreza e pouca infraestrutura de saneamento básico, como explica Drauzio Varella em artigos publicados no jornal Folha de S. Paulo em 2010 e em 2013.

(       ) Ação emergencial para amenizar a grave crise financeira da Universidade de São Paulo (USP), que, em 2013, comprometeu 105% do orçamento disponível com pagamento de salários de funcionários e professores, conforme mostra reportagem da Folha de S. Paulo,  trabalhadores estes que permaneceram em greve por mais de cem dias porque a universidade informou que não havia recursos para aumento salarial em 2014.

(       ) Projeto, com começo, meio e fim, para construir ciclovias na avenida Paulista e em outras avenidas, garantindo o direito de pessoas que querem utilizar bicicletas para deslocamentos diários pela cidade de São Paulo, conforme mostra reportagem na Folha de S. Paulo.

Contra delinquentes infiltrados nas multidões, só tecnologia e lei para evitá-los e prendê-los

Scanner facial

O jornal The New York Times publicou reportagem relatando avanços no desenvolvimento de tecnologia para vigilância de multidões. O desafio é conseguir rastrear em tempo real o rosto de milhares de pessoas por minuto e comparar com bancos de dados de imagens para detectar quem não deveria estar onde está ou quem é procurado pela Justiça.

A tecnologia, no atual estádio, já permite rastrear o rosto das pessoas a partir de fotografias, que são imagens estáticas, e comparar com banco de dados de imagens. No entanto, quando as imagens estão em movimento, as câmeras ainda não conseguem ser completamente eficazes, mesmo com o avanço da tecnologia de rastreamento em movimento e da velocidade de processamento de dados.

Em vários filmes de ficção científica, as pessoas andam pelas ruas e os rostos delas aparecem em monitores ou em televisores expostos nas vitrines de lojas de eletrônicos. A ideia dos especialistas é conseguir desenvolver dispositivos e sistemas que façam os mesmos.

O uso é bastante variado na fiscalização de multidões, desde entrada em estádios de futebol ou grandes eventos esportivos até o vaivém em aeroportos e grandes centros urbanos ou comerciais.

No caso do futebol, alguns países já conseguiram evitar que delinquentes se misturem entre as multidões e pratiquem crimes ou vandalismo. Pessoas envolvidas em badernas são listadas em um banco de dados e precisam se apresentar em delegacias horas antes dos jogos. Só são liberadas para irem para casa horas após o término das partidas.

No futebol, não basta cancelar o registro de torcidas organizadas. Elas voltam a funcionar, com nomes legais um pouco diferentes. Não adianta impedir os integrantes delas de comparecerem aos estádios. Eles entram, sem a camisa da torcida uniformizada. Lei e tecnologia, combinadas, são armas eficazes para combater vandalismo e delinquência.

Segurança pública: homicídios não recuam, mas transparência aumenta. Como isso muda sua vida?

Estadão homicídios 2Em reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo dia 26 de março, o jornalista Bruno Paes Manso informa que a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo decidiu divulgar as estatísticas de criminalidade da capital paulista na internet, rua por rua. É um avanço talvez inigualável, comparável por ventura somente à criação da Lei de Acesso à Informação.

Pela iniciativa do governo paulista, as pessoas poderão acessar em um mapa quais ruas foram palco de crimes. Essa é uma solicitação muito antiga de jornalistas e pesquisadores, por diversas razões.

1) Os dados de segurança pública, por mais que sejam importantes para as autoridades planejarem o combate à criminalidade, são de toda a sociedade, pois foram produzidos a partir do pagamento de impostos que os cidadãos conferem ao poder público mensalmente. Informações produzidas por governos, em geral, são da sociedade, resguardados os casos mais sensíveis, como faz a Lei de Acesso à Informação.

2) Os cidadãos podem, a partir dos dados disponíveis, rua por rua, evitar os endereços mais críticos. É um direito que as pessoas têm buscar as rotas mais seguras para transitar, os bairros mais calmos para morar ou trabalhar.

3) Quanto mais locais forem os dados sobre criminalidade à disposição das pessoas, mais elas poderão cobrar das autoridades – sobretudo daquelas que são eleitas – ações para que os bairros onde moram e trabalham ganhem políticas públicas que mirem o reforço na segurança.

Estadão homicídios 1Este último item ajuda a explicar muito a relutância histórica que os governos têm em tornar públicas as estatísticas de segurança pública – e outros tipos de dados, sejam sobre saúde ou educação. Informação e conhecimento são armas muito valiosas que tornam os cidadãos mais poderosos para exigir providências – e isso aumenta a cobrança sobre as autoridades públicas.

Se a maior incidência de crimes desvaloriza uma região ou coloca em risco a vida de pessoas de forma desproporcional a outras áreas, essas pessoas podem cobrar respostas mais firmes dos governos.

As pessoas, com informações sobre a situação de bem-estar e de infraestrutura pública bairro por bairro, rua por rua, podem começar a tomar consciência de que é necessário se organizarem para reverter os problemas. Uma das saídas é exigir mais eficiência das autoridades públicas.

Essa decisão da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, mesmo que tardia, é louvável e não pode passar sem os merecidos aplausos. Segue a tendência de dar visibilidade aos dados públicos. Como bem lembra a reportagem, outras cidades importantes no mundo já publicam  estatísticas sobre criminalidade rua por rua – e ajudam os cidadãos. Imagine se os governos, tal qual decidiram fazer com as ocorrências criminais, começassem a divulgar o tempo de espera para consultas médicas, a quantidade de alagamentos, as ocorrências de coleta de lixo – tudo rua por rua?

Veja mais:

1) Qual é o perigo de divulgar informações públicas? 2) Nos EUA, carros roubados recuam 40%. Em SP, 21%. No Brasil, pouco se sabe. 3) Dados sobre criminalidade: plenamente divulgados lá fora, são segredos de Estado no Brasil.

A pobreza diminuiu – e não há mágica e nem mágicos por trás desse avanço

As estatísticas, quase todas elas, mostram a redução da pobreza no Brasil, independentemente na faixa de corte – o valor médio da renda de uma pessoa ou de uma família para deixar de ser pobre.

A quase totalidade das pessoas creditam a redução da pobreza à gestão dos governantes nos últimos anos, que criaram ou intensificaram programas de distribuição de renda e políticas públicas que favoreceram a aceleração atividade econômica e a geração de emprego.

Beating povertyUma explicação começa a surgir como informação adicional. Como mostra o gráfico da revista inglesa The Economist, todas as economias latino-americanas tiveram desempenho similar ou melhor que o Brasil no esforço de reduzir a pobreza.

Essas estatísticas compreendem o período até 2009 – e acredita-se que nos anos seguintes, entre 2010 e 2012, o avanço deve ter permanecido na mesma direção. O que importa, sobretudo, é que parece haver uma explicação estrutural, e não somente conjuntural, para entender a redução da pobreza no Brasil.

Explicando melhor: ou todos os governantes no período e em toda o continente foram bem-sucedidos na administração das políticas públicas visando reduzir a pobreza ou algum fator econômico regional ofereceu uma plataforma uniforme e abrangente para a queda destes indicadores. Ou, inclusive, as duas ações, juntas.

Uma forma de reduzir a pobreza é transferir mais dinheiro dos impostos arrecadados para as populações menos abastadas. Outra maneira é fazer a economia toda crescer – e com isso gera-se mais empregos e aumenta a renda das famílias.

Em todos os países latino-americanos, tudo indica que a pobreza foi reduzida por causa da existência de mais empregos disponíveis e por mais distribuição de benefícios aos mais pobres.

Véspera de eleições municipais, dois temas importantes ficaram fora do debate

Véspera de eleições municipais. Os candidatos investiram em duas diretrizes durante a campanha. Em uma, propuseram superficialmente resolver problemas estruturais nas áreas de saúde, educação e transporte. Usaram e abusaram de ‘chavões’, com propostas que são sempre feitas e quase nunca cumpridas, mas que precisam ser repetidas anualmente. O povo quer ouvi-las.

Em outra direção, surgiram propostas mirabolantes – aumentar em dez vezes isso, reduzir em 20 vezes aquilo, criar um novo programa para resolver tal problema. Tudo isso permeado pela crescente influência das igrejas e por debates infrutíferos sobre religião e sexualidade.

Projetos de trens que jamais serão construídos e escolas em tempo integral com dois professores que nunca funcionarão fazem parte do cardápio de sonhos. O eleitor, na média, não questiona se há dinheiro e gente especializada para isso. Dois assuntos, no entanto, foram ignorados pelos candidatos a prefeito e vereador. Um deles – o saneamento básico – é uma responsabilidade das prefeituras. Outro, o potencial digital, é uma oportunidade para elas.

Água e esgoto para todos – O saneamento básico foi resolvido nos países desenvolvidos ainda no início do século XX, mas permanece inconcluso em todo o Brasil. Das residências brasileiras, 85,7% têm abastecimento de água e 55,8% tem coleta de esgoto por rede. As condições dos rios que atravessam os centros urbanos atestam isso. É uma responsabilidade das autoridades locais, que podem cuidar da tarefa com dinheiro próprio ou delegar para alguma empresa pública ou privada fazer. Na maioria das cidades brasileiras, o serviço é prestado por empresas estaduais, que recebem essa concessão dos municípios.

Uma lei federal, em janeiro de 2007, tentou acelerar o processo no Brasil. Determinou que os prefeitos têm de fazer um plano com ações para que 100% das casas sejam atendidas com rede de esgoto e de água. Até hoje, somente 11% cumpriram a obrigação. Quem descumprir não mais receberá dinheiro do governo federal – a principal fonte de recursos – para investir em saneamento. Esse prazo vencia em dezembro de 2010 e foi prorrogado para dezembro de 2013. A bomba vai estourar no colo dos próximos prefeitos. O que já está ruim pode piorar – mas nenhum candidato tratou do tema na TV.

Potencial digital –Outro tema importante que foi negligenciado pelos candidatos é o que poderia ser chamado de “serviços municipais digitais” – tudo aquilo que poderia ser feito pela internet. Em inúmeras cidades europeias, norte-americanas e também asiáticas, há forte movimento das prefeituras para ampliar o uso da internet para atender a população em situações e áreas variadas. Nova Iorque é um exemplo.

O prefeito Michael Bloomberg criou um departamento e um cargo específico para levar para as plataformas digitais e móveis os serviços da prefeitura e o relacionamento entre o município e o cidadão. Rachel Sterne Haoté o que poderia ser chamado de secretária da prefeitura nova-iorquina nessa área. Ela é a “chief digital officer”. Mais do que prestar mais e melhores serviços públicos à população, o objetivo central é aproveitar o potencial que a internet tem para transformar a gestão pública. Pense como a internet mudou a indústria, o comércio, a economia. Agora imagine o que ela pode fazer na prestação de serviços públicos.

Do planejamento inicial para explicar a ideia e engajar a população até as primeiras iniciativas começarem a funcionar, tudo demorou meio mandato. Isso mesmo, meio mandato. Rachel Sterne Haot foi empossada em janeiro de 2011, quando o departamento ou secretaria dela, o NYC Digital, foi criado por Michael Bloomberg, prefeito de Nova Iorque desde 2002, já no terceiro mandato (dois pelo Partido Republicano, o terceiro de forma independente).

Deu certo? Deu. O plano de trabalho lançado em 2011 tem 33 ações em cinco áreas – indústria, engajamento civil, acesso à internet, governo aberto e educação – e 75% foram cumpridas. Os 25% restantes estão em andamento. Nenhuma ação ficou apenas no papel. Tudo isso em menos de dois anos.

Em 2025, metrópoles brasileiras devem ter o dobro do PIB. Como organizar essa riqueza?

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) tem números superlativos. Hoje, tem quase 20 milhões de pessoas, cada uma com renda média anual de US$ 23 mil. Em 2025, segundo um trabalho baseado em estatísticas municipais elaborado pelo McKinsey Global Institute, deve ter população 18% maior, mas um PIB quase 110% superior, o que elevará a renda média anual de cada habitante em 60%, para US$ 37 mil.

A variação é significativa, mas o patamar está ainda longe de qualquer cidade de primeiro mundo. Em Nova Iorque, por exemplo, para comparação, terá cidadãos com renda média anual de US$ 79 mil. Outras metrópoles brasileiras também terão desempenho similar: PIB muito maior, população pouco maior e maior riqueza per capita entre 2010 e 2015:

– Rio de Janeiro e entorno: em 15 anos, PIB 97% maior, população 15% maior e renda média anual per capita 56% maior.

– São José dos Campos e entorno: em 15 anos, PIB 90% maior, população 15% maior e renda média anual per capita 50% maior.

– Salvador e entorno: em 15 anos, PIB 135% maior, população 26% maior e renda média anual per capita 78% maior.

– Belo Horizonte e entorno: em 15 anos, PIB 134% maior, população 21% maior e renda média anual per capita 80% maior.

– Fortaleza e entorno: em 15 anos, PIB 97% maior, população 15% maior e renda média anual per capita 56% maior.

McKinsey

Dinamismo mundial – O instituto da consultoria McKinsey analisou as estatísticas dos municípios ao redor do mundo para identificar as 600 com maior dinamismo para elevar a renda média global, considerando as cidades que formam as regiões metropolitanas.

O objetivo da instituição é oferecer dados para que empresas e autoridades planejem melhor a organização de tamanha riqueza que emergirá nessas cidades consideradas centros de irradiação e de gravidade da riqueza mundial. Serão as mais dinâmicas, de onde o dinheiro partirá e para onde certamente irá.

Planejar a riqueza – A pergunta que fica para os eleitores, para os candidatos e futuros eleitos é como gerenciar tamanha massa de pessoas e recursos em cada cidade. Em cidades mais organizadas ou com histórico de organização mais longínquo ou recente de boas políticas públicas em funcionamento, a riqueza e a população excedentes podem ser considerados bons problemas.

Em cidades brasileiras, repletas de exemplos nos quais a riqueza aumenta, mas é administrada e aplicada sem eficiência assegurada, o crescimento pode ser um problema.

Por isso, nas próximas eleições municipais, é preciso que os grandes problemas sejam pensados e debatidos e para eles sejam sugeridas diretrizes e propostas. Como garantir, no longo prazo, a mobilidade de 23 milhões de pessoas na RMSP? Como manejar os recursos ambientais, sobretudo hídricos, para garantir o abastecimento de água e a saúde pública ao mesmo tempo? Como distribuir a riqueza em todas as regiões?

Para saber mais:

A revista norte-americana Policy Foreign abordou com muita criatividade o estudo da McKinsey. Publicou fotos-legendas para 75 mais dinâmicas cidades. Infelizmente, as descrições resumidas de cada cidade nem sempre correspondem ao aspecto mais problemático, vibrante ou inovador da localidade. Mas a ideia foi muito boa. Vale conferir.