Alguns cuidados quando a série histórica do gráfico não começa na posição zero


O Globo - Escala eixo y em gráficos

O eixo vertical deste gráfico, publicado no jornal O Globo, mostra a quantidade de trabalhadores por conta própria (em azul) e a quantidade de trabalhadores com carteira assinada (em vermelho).

Um leitor desatento pode se confundir. A primeira impressão é que a quantidade de trabalhadores por conta própria está crescendo e a quantidade de trabalhadores com carteira assinada está diminuindo. Ambas conclusões estão corretas.

No entanto, visualmente, o leitor fica com a impressão que a quantidade de trabalhadores por conta própria (em azul) e maior que a quantidade de trabalhadores com carteira assinada (em vermelho). Essa é uma falsa conclusão. No primeiro grupo, azul, há 22 milhões de pessoas. No segundo, vermelho, 35 milhões de pessoas.

Comparar tamanhos – A ilusão de ótica ocorre porque por duas razões: o eixo vertical não começa no número zero e começa em diferentes posições em cada gráfico de área. Por causa disse, mesmo que ele demonstre corretamente a evolução (para mais ou para menos), ele induz o leitor ao erro ao comparar o tamanho de cada grupo.

Um gráfico de linha não precisa, necessariamente, começar no ponto zero do eixo vertical. É apenas recomendável. Muitas vezes, a série estatística começa em um número muito distante do zero e é importante chamar a atenção para a evolução dos números ao longo da série histórica (ainda mais se essas mudanças forem sutis). Assim, é possível iniciar o eixo vertical em uma posição diferente de zero.

Já para um gráfico de área, que além de informar sobre a evolução do número de trabalhadores tem também a incumbência de informar o tamanho deste grupo (a quantidade total), é bastante recomendável começar o eixo vertical no número zero.

Mesma posição – O que é recomendável passa a ser obrigatório quando há o intuito de fazer comparações entre dois diferentes grupos, mostrando a evolução deles, como é o caso do gráfico do jornal. Esse é o segundo – e principal – problema. Se o eixo vertical não começar na posição zero, é essencial que ele comece na mesma posição numérica em ambos os gráficos.

O fato de escrever o número que informa sobre a quantidade de trabalhadores acaba não sendo suficiente para contornar a distorção na transmissão da informação. O melhor, mesmo, é iniciar os gráficos sempre no número zero.

Um terceiro problema, muito comum em gráficos e em comparações, é usar escala diferente. Neste caso, tal equívoco não aparece. Em ambos os gráficos, cada intervalo no eixo vertical corresponde a 500 mil trabalhadores.

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