Arquivo do mês: setembro 2015

Na pressa, prefeitura paulistana pode confundir correlação com causalidade

transitoEssa notícia na capa do jornal O Estado de S. Paulo é sintomática para ensinar sobre os conceitos de causalidade e de correlação.

Em geral, governantes e imprensa costumam ser apressados e estabelecer uma relação de causa e efeito entre dois fenômenos.

No caso, a Prefeitura de São Paulo acredita que a redução da velocidade máxima permitida em algumas vias causou um efeito positivo, que foi a redução na extensão de congestionamento – e também na quantidade total de acidentes.

Já especialistas alertam que os efeitos podem ter uma outra causa: a diminuição de carros nas ruas por causa da desaceleração da atividade econômica. As pessoas dirigem menos se não estão indo ao trabalho ou às compras e, assim, a possibilidade de ocorrerem acidentes é menor, bem como a chance de haver congestionamento.

A Prefeitura de São Paulo pode até ter acertado ao estabelecer a causa (redução da velocidade) para o efeito (índice de congestionamento menor). Até porque os acidentes rotineiros de trânsito travam a circulação de automóveis e isso eleva a extensão de congestionamento. Mas, antes de cravar, é preciso fazer os estudos estatísticos adequados. Esse alerta foi feito por um entrevistado na reportagem.

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A confusão entre causalidade e correlação é um dos principais erros que são cometidos por entrevistados e repórteres. Há uma diferença enorme entre os conceitos. Um primeiro fenômeno pode exercer influência sobre um segundo sem necessariamente ser a causa deste – ou a causa única.

Outro equívoco comum é estabelecer uma tese como verdadeira a partir de um exemplo ou dois apenas. Ouve-se um entrevistado apenas, e crava-se o título. Mas essa já é outra história.

Saiba mais:

Artigo interessante: Correlação não implica causalidade. Argumenta muito bem sobre a diferença dos dois conceitos.

Outro artigo interessante, desta vez em inglês: Causation vs Correlation.

 

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