Arquivo do mês: março 2015

Ruy Castro: Lição importante de jornalismo

Não há nada a ser dito para complementer o tema do artigo de Ruy Castro, publicado no jornal Folha de S. Paulo. Trechos:

Ao assistir a filmes americanos envolvendo jornalistas, você notará a diferença. Quando surge na tela uma entrevista coletiva, cada repórter dispara uma única pergunta, curta e objetiva, que obriga o entrevistado a fazer “gulp” antes de responder. Agora compare isto com as coletivas dos nossos repórteres de TV.

Quase todos começam por uma pergunta tão longa quanto desnecessariamente explicativa. Não satisfeitos, engatam um “…e também”, e emendam uma segunda pergunta, tão longa e explicativa quanto. Ao fim desta, o telespectador já não se lembra do que ele perguntou primeiro. Mas o entrevistado se lembra muito bem —e só responde àquela que lhe for mais confortável ou conveniente. Vê-se isso ao fim de todos os jogos de futebol, nas coletivas dos treinadores. Tem-se visto isso nas coletivas dos ministros do governo, políticos e autoridades em geral.

Você dirá que, no cinema, a dinâmica do roteiro faz com que os jornalistas tenham de parecer objetivos —não há tempo nem espaço para conversa fiada em cena. E eu responderei que esta é uma cláusula pétrea entre os repórteres americanos. “Perguntas curtas, frases curtas, palavras curtas —e uma pergunta de cada vez”, aprendi em Nova York com Alain De Lyrot, antigo editor do “Herald Tribune”. “Se o entrevistado não responder a contento, você repica a pergunta.”

Nossos repórteres não se contentam com uma pergunta simples e direta. Sentem-se na obrigação de enriquecê-la, desdobrá-la e acrescentar elementos. Com isso, só a tornam confusa, e o entrevistado responde o que quiser.

O uso civil de drones se espalha e ganha relevância – no jornalismo e em outros setores econômicos

Uma ilustração simples que circulou pela internet mostra a disseminação do uso de drones civis – pequenas aeronaves não tripuladas. Um dos setores que estuda diversas maneiras de aplicar os drones é o jornalismo e diversas universidades, sobretudo nos Estados Unidos, faz pesquisas nessa área.

Mas outros setores econômicos prometem ganhos de eficiência e redução de custos relevantes com a aplicação de drones nas atividades comerciais rotineiras.

Em tese, qualquer atividade humana que possa ser substituída por pequenas máquinas voadoras facilmente manobráveis torna-se um mercado potencial para os drones civis.

Tanto quanto para deslocamentos aéreos, os drones oferecem potencial de eficiência para ações de reconhecimento, por portarem facilmente câmeras e outros dispositivos capazes de coletarem dados emcampo.

Drones uses - Cópia 

Saiba mais:

Os aviões não tripulados foram úteis para a mídia cobrir as recentes manifestações populares?

Explicação que não explica – e leitor não compreende o que só o especialista descobriu

Jargões 1

O Ministério do Trabalho e Emprego divulgou, como de costume, estatísticas referentes ao nível de emprego – desta vez, para o mês de janeiro. Na maioria das vezes, os jornalistas relatam os números e colhem a opinião de especialistas para interpretar as informações recém-divulgadas. É um exercício rotineiro, quase mecânico, mas não deveria.

Jargões 2O trecho em destaque exemplifica a importância desse exercício. Certamente, a explicação do especialista faz sentido para ele e para poucos leitores que conhecem os jargões e a dinâmica da economia.

Qual é o tipo de ajuste? Porque é necessário fazer este tipo de ajuste? O que significa uma queda forte na margem?

A análise do especialista deve estar correta e deve fazer sentido, mas o leitor comum, que compõe a maior parcela da audiência, fica sem compreender o que só o especialista enxergou.