Arquivo do mês: outubro 2014

Crise hídrica em São Paulo: qual gráfico mostra com mais eficiência o quanto há ainda de água?

O Estado de São Paulo – bem como toda a Região Sudeste, outros estados brasileiros e outros países – atravessam uma crise hídrica causada por índices pluviométricos muito abaixo da média histórica, de forma atípica. Cidadãos e especialistas questionam as causas, buscam os culpados e tentam decifrar os sinais para descobrir o que acontecerá no futuro próximo.

Dois gráficos recentes publicados no jornal O Estado de S. Paulo tentam explicar ao cidadão o quanto ainda há de água nos reservatórios que atendem a Região Metropolitana no entorno da capital paulista. É a fotografia do momento.

Publicado no dia 27 de setembro pelo biólogo Fernando Reinach, um gráfico simples mostra o quanto há ainda de água no Sistema Cantareira, um conjunto de represas ao norte da capital paulista e que atende a maior parte dos cidadãos da Região Metropolitana.

Fernando Reinach - Cantareira

A grande ajuda que este gráfico traz é mostrar a quantidade de água em números absolutos, expressos pela unidade de medida “milhões de metros cúbicos”. Mais que isso: o gráfico apresenta o volume de água no primeiro dia de cada ano desde 1983, o que permite às pessoas descobrirem o quanto se gastou de água no ano anterior, considerando as entradas e as saídas de água no Sistema Cantareira. Dá a sensação que há ainda uma quantidade de água suficiente para aguentar mais alguns meses de extrema estiagem e rezar para que chova.

Outros infográficos mostram o volume de água em cada sistema em unidade de medida proporcional, expresso na forma de “% da capacidade do sistema”. Assim, o número mostra ao leitor o quanto há de água em relação ao quanto cabe de água em cada sistema.

Siatuação dos mananciais 22out14

O ponto alto deste infográfico, publicado dia 22 de outubro, é permitir que o leitor tenha uma noção mais completa de quanto há de água em todos os reservatórios que atendem a Região Metropolitana de São Paulo e qual reservatório atende quais cidades e bairros.

No entanto, passa a impressão, errada, que o Sistema Cantareira vai secar completamente em poucos dias, mesmo que haja informação de rodapé noticiando que é preciso considerar as cotas do volume morto – uma reserva de água que está abaixo das tubulações que captam a água do reservatório por gravidade (sem uso de bombas).

O ideal seria ter, em um gráfico como o elaborado por Fernando Reinach, a quantidade de água disponível e a capacidade de todos os reservatórios (em números absolutos, em milhões de metros cúbicos) que atendem a Região Metropolitana de São Paulo.

Ou então elaborar uma infografia com múltiplos gráficos pequenos, um para cada reservatório, um do lado do outro, mostrando a capacidade e a quantidade de água disponível nos reservatórios (em números absolutos, em milhões de metros cúbicos).

Como lembra o biólogo, em boa parte do artigo publicado dia 27 de setembro, o governo paulista – e nenhum governo, pela regra – não pode perder a batalha de comunicação: precisa ser transparente e claro, para evitar ruídos e informação equivocada. A imprensa também não pode perder essa batalha.

Para atrair jovens, mídia tem de pautar o dia a dia deles com seriedade – como fez o New York Times

A notícia é do The New York Times, que fez questão de dar grande visibilidade para o assunto na capa do jornal, dia 31 de agosto.

Na cidade de Seattle, mais de 11 mil jovens se reuniram em um ginásio de basquete para participar de um evento onde as equipes disputam competição de videogame.

Eventos como esse, não necessariamente com este porte e nível de organização, acontecem nas principais capitais globais, mas a imprensa não acompanha. Um dos motivos é porque a mídia está automaticamente orientada para cobrir política e economia, sobretudo o que os governos divulgam.

Essa reportagem do diário norte-americano é um bom exemplo para mostrar que é possível fazer, no dia a dia, matérias para públicos mais jovens, sem segregá-las em cadernos que são publicados uma vez por semana.

Os jovens têm, tal qual os adultos, inúmeras atividades diárias relacionadas com a escola, com entretenimento e com esportes. Se a imprensa quer atrair e fidelizar esse público, precisa condicionar os repórteres a procurar estes assuntos e cobri-los sem os infantilizar.

The New York Times - 31ago2014 - Cópia

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