Duas boas ideias de infografias, mas detalhes e tempo exíguo comprometeram o resultado final


FlamengoGaza - Mortos e foguetes

Um dos principais desafios na elaboração de infografias no jornalismo é aliar o prazo exíguo para a produção das notícias e a complexidade de encontrar e coletar as estatísticas e produzir gráficos esclarecedores, contextualizados e relevadores.

Quando o jornalista termina a apuração dos fatos, geralmente há poucas horas – quando não, minutos – para que os infografistas pensem em uma solução e a coloque em prática. Na maioria das vezes, a única saída é escolher um gráfico simples, de barras ou colunas. São os desafios do ‘hard news’, expressão que indica as notícias que surgem no dia e precisam ser investigadas no mesmo dia, para constarem na edição do dia seguinte.

Nos últimos dias, duas reportagens chamaram a atenção por apresentarem duas infografias que são bonitas, funcionais, que contextualizam a notícia e revelam novas informações. No entanto, dois pequenos detalhes prejudicaram o resultado final, provavelmente fruto da pressa do dia a dia jornalístico. “Fecha! Fecha!”, é a ordem no fim do dia.

Carreira de Vanderlei Luxemburgo – Uma reportagem, da Folha de S. Paulo, informou, em pequeno texto, o retorno do técnico Vanderlei Luxemburgo ao Flamengo, equipe de futebol do Rio de Janeiro que se encontra em posição ruim no Campeonato Brasileiro de 2014. Nos últimos anos, o técnico tem acumulado críticas e resultados frustrantes.

De forma inteligente, os jornalistas criaram um gráfico de colunas que funciona como uma linha do tempo, mostrando uma estatística qualquer e pontuando momentos bons e ruins na carreira do treinador. “Uma estatística qualquer?” Sim, pois a bela infografia não indica ao leitor qual é a estatística expressa nas colunas. Pontos conquistados? Número de vitórias? Faltou a informação no eixo ‘y’, no rótulo de dados ou abaixo do título do gráfico. O que cada coluna mostra? Uma pena. Já a linha do tempo funciona perfeitamente, com setas e fotos de momentos diferentes da carreira de Luxemburgo.

Técnico Luxembrugo

Foguetes na Faixa de Gaza – Outra reportagem relata mais um dia de combates entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza. A ideia foi utilizar dois gráficos de colunas empilhadas para somar números de israelenses e palestinos mortos, em um gráfico, e quantidade de foguetes disparados pelo Hamas que foram interceptados ou não pelo exército de Israel. A soma das variáveis em cada gráfico deveria informar a quantidade total de mortos e de foguetes disparados, respectivamente.

No entanto, na legenda do gráfico que aborda os foguetes, a cor escura indica foguetes disparados e a cor clara indica foguetes que atingiram Israel. Na verdade, é a soma das duas informações que representam o total de foguetes disparados. Uma parte é a quantidade de foguetes interceptados, enquanto a parte restante é a quantidade de foguetes não interceptados que atingiram o solo israelense. Isso é o que se presume dos números. Uma pena, novamente.

Gaza - Mortos e foguetes 2

As duas ideias foram muito bem concebidas e até bem executadas, se considerar o tempo exíguo que os profissionais têm para coletar e organizar as estatísticas, planejar e produzir as infografias. Pequenos detalhes, no entanto, acabam dificultando o entendimento por parte do leitor.

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