Onde achar boas matérias? Colunistas continuam oferecendo boas pautas em um único parágrafo


Durante décadas, as seções, nos jornais impressos, que trazem pequenas notícias com caráter exclusivo e informações de bastidores dos mercados e dos governos – as chamadas “colunas de notinhas” – são consideradas pelos jornalistas como uma fonte importante para novas pautas e matérias.

Os colunistas, muitas vezes, recebem informações de fontes econômicas, governamentais ou políticas em ‘’”off”, ou seja, que não querem ter os nomes delas revelados. Cabe ao colunista ter um relacionamento confiável com a fonte da informação ou se esforçar para encontrar indícios, por outras consultas, que confirmem a informação exclusiva – ou os dois métodos juntos.

Critérios e controle – As “colunas de notinhas”, muitas vezes, podem ser usadas de forma descontrolada e sem critérios, sobretudo porque os jornalistas responsáveis por elas não dão atenção necessária para as intenções, latentes ou patentes, da fonte da notícia. A pergunta que deve ser feita é: porque a fonte da informação decidiu entregar a informação exclusiva para um jornalista? É sempre um cuidado necessário.

Resguardado esse cuidado, as “colunas de notinhas” são realmente fonte inestimável de pautas exclusivas. Veja o caso da coluna Direto da Fonte, da jornalista Sonia Racy. Traz à tona, dia 28 de março, no jornal O Estado de S. Paulo, que há um estudo, concluído no fim de 2013, com novos dados referentes ao antigo projeto de iniciar a despoluição do Rio Pinheiros.

COluna Sonia RacyVale lembrar que o que se discute, em âmbito governamental, é investir na despoluição, de forma direta, das águas sujas do rio. Isso significa instalar equipamentos para coletar a água suja e tratá-la. Outra forma, que vem sendo realizada pelo governo paulista ao longo dos últimos 20 anos, é aumentar a capacidade de tratar as águas do rio de forma indireta, ampliando a rede de tratamento de esgoto de forma que as águas que são despejadas no rio Pinheiros – e nos afluentes dele – não carreguem uma elevada carga de esgoto não tratado.

O caso da despoluição do rio Pinheiros – Essa história é longínqua. Começa em outubro de 1992, quando foi publicada uma resolução conjunta entre secretárias de Meio Ambiente e de Saúde do Estado de São Paulo (resolução SMA-SES 04/92) proibindo o bombeamento das águas do rio Pinheiros para a Billings, definindo como exceção somente casos de emergência, como o controle de enchentes. Com isso, a velocidade da vazão do rio diminuiu – e a circulação da água é uma forma natural – e uma das mais importantes – para aumentar dispersar poluentes e aumentar o nível de oxigênio na água.

As restrições para despejo das águas do rio Pinheiros no reservatório Billings foram ampliadas (1997) e o governo estadual começa a estudar quais tecnologias poderiam ser utilizadas para iniciar a despoluição do rio (1998). Um método, o de flotação, começa a ser testad0 (1999)  em pequena escala e a água resultante é utilizada para irrigar os canteiros de flores nas margens do rio e tanques de criação de peixes no local. ´

Um projeto com dimensões maiores foi lançado oficialmente (2001), mas, a partir deste momento, embates intermináveis entre governo e Ministério Público por causa de discordâncias em torno dos resultados dos testes resultaram no abandono do projeto (2011), após gastar cerca de R$ 160 milhões em investimentos e testes.  O governo paulista, então, abriu uma audiência pública (2013) para receber propostas de tecnologia para tratar as águas do rio.

Contexto e novidade – A novidade que a coluna Direto da Fonte revela é que há um desfecho para o último passo então conhecido – a abertura da audiência pública. Desde dezembro de 2013, há um relatório com o resultado dessa audiência pública. Vale ou não vale uma nova matéria?

A notícia surge em um momento de intenso debate em relação ao uso dos recursos hídricos para o abastecimento de água potável dos centros urbanos brasileiros em um cenário de falta de chuvas e rios poluídos.

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