Planejamento garante bons relatos e recursos visuais em matéria difícil com usuários de drogas


FSP diário do crackOs grupos de pessoas que moram ou trabalham nas ruas são sempre alvo de curiosidade da sociedade e dos jornalistas.

Sem enveredar para análises sociológicas, esses personagens costumam ser vistos como símbolos de rebeldia, de diferenciação ou exclusão social.

É a forma como são vistos, e isso não significa que eles realmente pensem assim ou que esse retrato seja verídico.

Não é fácil entrevistar esses personagens. O repórter precisa manter o distanciamento necessário, para não julgar o entrevistado, nem odiá-lo nem ter piedade dele. Esses sentimentos podem enviesar a forma como o profissional ouve e processa as respostas e prejudica a forma de conduzir as perguntas.

Problemas aos entrevistados – Muitas vezes, não querem falar, pois vivem em condições que, por necessidade ou vontade própria, ultrapassam regras legais ou têm hábitos que são criticados pela maioria das pessoas, de forma preconceituosa ou não.

Eles vivem em uma cidade que quase nunca está nas páginas dos jornais ou no noticiário da televisão. Por isso, geram curiosidade. É comum, após um depoimento em que assume uma atividade irregular ou não aceitável, o personagem da entrevista sofrer alguma retaliação das autoridades ou dos moradores. Falar com jornalista pode trazer algum problema.

Quando um repórter tenta uma entrevista com um morador de rua, usuário de droga, prostituta, mendigos ou bêbados, entre outros, não são raras as vezes em que o jornalista enfrenta medo, tensão, xingamentos ou agressões. De outro lado, há personagens que são gentis e atenciosos, pois o repórter é uma pessoa que quer ouvir o que ele tem a dizer.

Boa matéria – Por essas razões, é bastante valorosa a reportagem que o jornal Folha de S. Paulo publicou dia 26 de janeiro. Chama-se “Diário do crack” (para assinantes), de autoria de Aretha Yarak Fabrício Lobel. No subtítulo: “Por cinco dias, a Folha acompanhou três dependentes e registrou os percalços da adaptação ao programa da prefeitura que tenta recuperá-los”.

A ideia, bem cumprida, foi acompanhar com os primeiros dias de três personagens – dependentes químicos que moravam na rua e passaram a ser alvo de um programa social da Prefeitura de São Paulo e do governo paulista para tentar ajudar as pessoas a abandonarem o consumo do crack.

Texto rápido, uma infografia na forma de página de diário, com anotações rápidas informando como transcorreu cada dia de cada um dos três personagens que aceitaram ser acompanhados. A ideia inicial e o planejamento de pauta foram fundamentais, certamente.

Oportuno verificar também que há um equilíbrio eficiente entre informações que estão no texto da reportagem e no texto da infografia. Muitas vezes, quando este tipo de recurso visual é empregado, ele acaba apenas copiando ou resumindo o que já está no texto, desperdiçando espaço.

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