Por que muitas capitais mundiais têm – e o Brasil não tem – um mapa dos banheiros públicos?


Tine Müller, uma senhora dinamarquesa, buscou na prefeitura de Copenhague (1,2 milhão de habitantes) informações sobre a rede de banheiros públicos da capital dinamarquesa. Ela perguntou sobre a localização e as condições das instalações, se serviam para homens, mulheres e deficientes físicos. O objetivo dela criar uma solução que permitisse a cidadãos e turistas o acesso fácil ás informações e à infraestrutura.

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Copenhague tem uma rede de quase 50 banheiros públicos espalhados pela cidade. A cidadã dinamarquesa obteve a lista de todas as instalações, com todas características e horários de funcionamento de cada uma delas, e trabalhou para criar um aplicativo acessível para qualquer pessoa. O objetivo agora é convencer todos os prefeitos dinamarqueses a “abrirem” esses dados públicos, para beneficiar residentes e turistas em qualquer parte do país.

Muito diferente do que ocorre no Brasil, capitais mundiais costumam ter um sistema de banheiros públicos. Além disso, costumam ter políticas públicas já bem organizadas para a divulgação de informações públicas – por exemplo, a lista com os endereços dos banheiros públicos. Junte as duas coisas. As pessoas passam a ter, facilmente, toda a rede de serviços públicos ou parte dela em um telefone celular.

Programadores e profissionais que lidam com os mais diversos ramos das ciências da computação e da informação podem utilizar esses dados públicos para criar softwares que, baseados em tais dados, entregam algum resultado para o usuário – no caso, a lista com todos os endereços dos banheiros públicos da cidade.

Troque banheiro público por qualquer outro serviço prestado pelas cidades: escolas, centros de saúde, bibliotecas, parques, telefones públicos, agências de correio, pontos de ônibus e muitos outros. Imagine a quantidade de serviços públicos que podem ser acessados facilmente pelos cidadãos, seja pela internet ou pelo celular de cada um.

Cidadão-fiscal – Em uma entrevista para uma revista local, a cidadã dinamarquesa explicou que, ao acessar o aplicativo com a rede de banheiros públicos da capital, as pessoas podem não somente descobrir o endereço ou as características da instalação mais próxima como também podem inserir comentários e fiscalizar as condições de uso, higiene e conservação. Ninguém é melhor para oferecer essas informações do que os usuários, resumiu ela.

O Brasil? Claro, primeiro, as cidades brasileiras precisam construir uma rede de banheiros públicos que cubra razoavelmente as cidades, ao menos as principais. Depois, as autoridades precisam oferecer aos cidadãos as informações públicas – isso é, “abrir” os dados públicos. Com esses dados acessíveis, os programadores fazem o restante do trabalho.

Por trás do exemplo da senhora dinamarquesa está um movimento civil organizado em várias cidades, estados e países ao redor do mundo que cobra das autoridades públicas o acesso facilitado a diversos tipos de informações públicas, principalmente aquelas que possam ter algum valor ou serventia à população. O Brasil, mesmo nessa área, também ainda avança muito lentamente.

Para saber mais:

Caso queira entender com um pouco mais de profundidade e abrangência, acesse a introdução (em inglês) de um guia criado exatamente para conscientizar cidadãos, jornalistas e fundamentalmente instituições públicas sobre os impactos positivos do movimento global por mais acesso aos dados públicos.

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