Infografia no jornalismo: beleza não é tudo se os números não forem fundamentais


O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma boa reportagem tentando identificar o que pensam os mais variados partidos do Congresso Nacional sobre temas que devem ser debatidos durante uma possível reforma política.

Durante os dias que sucederam protestos em diversas cidades brasileiras, o governo federal sugeriu que regras do sistema eleitoral e partidário fossem alteradas para mudar a forma de fazer política no país e atender parte dos pleitos da população.

A equipe de reportagem do jornal conseguiu rapidamente consultar as lideranças dos partidos políticos representados tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado sobre diversos temas: unificação das eleições, foro privilegiado, reeleição, financiamento público, voto em lista e fim das coligações proporcionais.

Infográfico reforma política

A ideia foi cobrar respostas objetivas dos líderes partidários puderam, que podiam responder que o partido ao qual ele representa é a favor ou contra o assunto proposto ou ainda não tem posição sobre o tema.

O infográfico é muito bonito, atraente e eficiente – na medida em que permite ao leitor perceber dimensões (qual tema tem mais concordância ou discordância), variedade (a opinião sobre diversos assuntos) e detalhes (qual partido é contrário ou favorável e em qual casa do Congresso Nacional).

No entanto, a notícia entregue ao leitor é distorcida. No infográfico, o voto de um partido como PT e PSDB, as maiores bancadas no Congresso, valem o mesmo que os partidos políticos: um voto.

Pouco importa indicar que a maioria dos partidos apoia determinado assunto se as maiores bancadas parlamentares são contrárias ou ainda não têm opinião formalizada. Em assuntos como esses, seria natural que os congressistas seguissem a orientação dos partidos no momento de confirmar o voto.

No infográfico, parece que os deputados estão divididos entre manter ou acabar com a possibilidade de governantes serem reeleitos. No entanto, três dos quatro partidos com as maiores bancadas – PT, PMDB e PSDB – não opinaram.

O ideal, então, seria multiplicar a resposta do líder partidário pela quantidade de congressistas que ele representa – o tamanho das bancadas. Assim, o infográfico mostraria com mais exatidão se determinados assuntos presentes na discussão sobre reforma política têm chances maiores ou menores de serem aprovadas.

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