Arquivo do mês: maio 2013

Sugestão de pauta: Do México e EUA, ideias para o poder público ocupar áreas embaixo dos viadutos

Uma reportagem interessante do The Washington Post dias atrás narrou as características de um programa urbano em execução pelas autoridades públicas da Cidade do México, capital mexicana, costumeiramente lembrada por ser caótica.

A iniciativa – chamada Bajo Puentes – não é nova para os moradores de lá, nem para os mexicanos. Começou por volta de junho de 2011. Quatro áreas foram revitalizadas com esforço do setor privado e regulação do poder público. Outras 24 estão nos planos das autoridades, conforme notícia a mídia local.

O programa visa recuperar locais embaixo de viadutos e pontes que cruzam a cidade. Esse é um problema bastante presente nas cidades de diversos países, sobretudo os subdesenvolvidos. Esses espaços, por serem geralmente abandonados  pela prefeitura, costumam ser ocupados por moradores de rua, atividades informais ou ilegais e também viram depósito de entulho e lixo.

Setor privado – O programa da Cidade do México transfere a gestão do espaço para a iniciativa privada, que se torna responsável pelos investimentos necessários para recuperar a área e instalar negócios e atividade comercial legal em 30% da área. Metade do terreno precisa ser recuperado e mantido como espaço público de lazer e recreação e 20% é reservado para vagas de estacionamento.

O conceito de conceder a gestão do espaço ao setor privado é criar atividades e negócios que atraiam as pessoas para essas áreas, o que aumenta a movimentação e a segurança. Os espaços “embaixo das pontes” passam a ter mesas para alimentação (sem a necessidade de comprar comida e bebida no comércio lá instalado), banheiros públicos e iluminação.

Sugestão de pauta – Essa história merecia atenção da mídia brasileira, considerando que a degradação urbana embaixo e ao redor de pontes e viadutos está bastante presente nas cidades brasileiras. O problema é tão notório ó município de São Paulo é palco, há muitos anos, de um debate sobre  a melhor solução para o Minhocão: demoli-lo ou não.

Seria interessante apresentar ao público brasileiro as soluções construídas em Nova Iorque (revitalização da High Line, uma espécie de Minhocão lá) e na Cidade do México, e comparar os desafios e resultados

Veja mais:

Em um artigo neste blog, é possível verificar, pelas fotos, que muitas localidades no mundo enfrentam, com programas públicos de urbanismo, o desafio de revitalizar as áreas localizadas embaixo de pontes e viadutos.

Navegue pelo Google Maps e veja alguns espaços revitalizados pelo projeto da Cidade do México.

Tabelas, mais que complexos infográficos, podem ser a melhor forma de organizar a vida do leitor

Os infográficos, sobretudo os interativos, que permitem que o leitor analise a informação da forma que ele considerar mais interessante, estão na moda. No entanto, nem sempre são a melhor solução para organizar a informação para o leitor.

Esse exemplo da BBC deixa claro que as tabelas, mesmo que sejam pouco atrativas e sem beleza, ainda são muito eficientes para organizar as informações e facilitar a compreensão por parte da audiência. Traz dados entre 2009 e 2011, incluindo estatísticas confirmadas e previstas, bem como medidas implementadas.

BBC table

Elaborada em junho de 2010, no auge das instabilidades econômicas causadas pelo crescimento da dívida pública dos países europeus, essa tabela lista facilmente para o leitor os tipos de informação que ele precisa saber para compreender as causas e a intensidade da crise deflagrada pelo crescimento do endividamento público na Europa.

A tabela não traz informações dos Estados Unidos, que apesar de estar fora da Europa, também está bastante endividado.

O pecado da desatualização – O pecado é a falta de atualização da tabela, algo bastante comum atualmente nas diversas soluções informativas online hospedadas na internet. É previsível que, em algum momento, a notícia perde fôlego e a tabela ou infográfico deve deixar de ser atualizado. Em outros casos, a atualização deveria continuar a ser feita por algum tempo prolongado.

O caso da linha do tempo criada pelo The Guardian para organizar as informações decorrentes da chamada Primavera Árabe, quando um conjunto de manifestações eclodiu em países do norte da África e do mundo árabe em geral, é clássico. Brilhante, foi atualizado pela última vez em janeiro de 2012.

Projeto tentará criar indicador para medir impacto das notícias além do número de acessos

Uma conjunto de instituições lançou oficialmente nos Estados Unidos um projeto que visa construir um indicador mais apropriado para medir o impacto das notícias no cotidiano e como as informações engajam as pessoas em ações para transformar a realidade.

Um time de especialistas, que incluirá jornalistas, programadores, analistas de informação e de médias sociais, tentará criar métodos, indicadores e sistemas que permitam entender e quantificar o jornalismo pelo impacto que a notícia gera, e não pela quantidade de audiência que ela proporciona.

Mas, e daí? – A ideia não é simplesmente sobrepor a qualidade ante a quantidade, mas quantificar a qualidade. Uma notícia sobre o vestido transparente de uma celebridade que caiu na piscina de uma festa deve gerar muito mais audiência que uma matéria sobre redes de restaurantes que servem comida com elevados índices de gorduras, mas presume-se que esta última traga mais informação para as pessoas transformarem os próprios hábitos e buscarem uma vida melhor. É como se, após cada notícia, fosse feita a pergunta “Mas, e daí?” e, a partir das respostas, uma nota pudesse ser dada, com método, para medir o impacto na matéria.

O desafio sempre foi conseguir medir a importância de uma informação além da simplicidade do ‘pageview’. Fúteis ou não, as notícias têm valores diferentes – pessoas com perfis distintos dão variados graus de importância para elas. Trazem impacto, claro, cada qual de um jeito. O projeto tentará, a partir de um indicador, de uma métrica, dar conceitos mais objetivos e contornos comparáveis ao que significa impacto para o jornalismo.

Patrocinadores – O projeto, chamado Media Impact Project, acabou de ser aprovado para receber US$ 3,25 milhões em recursos de duas instituições que costumam financiar iniciativas ao redor do mundo: Bill & Melinda Gates Foundation e John S. and James L. Knight Foundation. A pesquisa e a construção dos indicadores será conduzida pelo instituto The Norman Lear Center, ligado à Annenberg School for Communication and Journalism, da University of Southern California, localizada em Los Angeles.

Apesar de ser lançada oficialmente somente este mês, a iniciativa já vinha sendo estruturada desde janeiro de 2012, quando Aron Pilhofer (The New York Times) e Greg Linch (The Washington Post) avaliavam a necessidade de superar métricas porosas e enganosas – como páginas vistas e visitantes ou acessos únicos – para computar se uma notícia criou engajamento dos leitores ou não. Linch tinha acabado de escrever um texto sobre o assunto, o que serviu de pontapé inicial. No período, o projeto foi estruturando, financiadores e executores foram escolhidos e, recentemente, um congresso foi promovido sobre o tema.