Arquivo do mês: novembro 2012

Infografia: Simplicidade vale mais que mil recursos

Uma boa infografia transmite rapidamente a mensagem, ajudando o leitor a fazer comparações por meio de figuras geométricas, tamanhos ou cores diferentes, entre outros recursos. Às vezes, não é preciso pensar demais.

The biggest IPOs in History

O infográfico acima usa bolhas com tamanhos diferentes para ajudar o leitor a perceber quais foram os maiores IPOs da história. IPO significa “oferta pública inicial” de ações (do inglês, “inicial public offering”), quando uma empresa vende, pela primeira vez, ações em uma bolsa de valores.

As cores foram utilizadas para diferenciar as empresas, função que os próprios logotipos de cada companhia, dentro das bolhas, já cumprem com eficiência. Resultado: as cores confundem e poluem – e são desnecessárias.

shuttle

Na no segundo infográfico, sobre a última missão de um ônibus espacial norte-americano, em 2011, as cores foram necessárias para ajudar o leitor a perceber facilmente quais foram as naves que foram utilizadas em missões espaciais ao longo dos anos.

O autor escolheu cores com tonalidades parecidas (amarelo e laranja, por exemplo), provavelmente para não poluir a página, mesmo que o uso de cores diferentes (azul e vermelho, por exemplo) pudesse facilitar ainda mais a vida do leitor.

Guerra entre Israel e palestinos gera imagem brutal, publicada na capa por apenas quatro jornais no mundo – um deles, brasileiro. Com razão?

Foto21nov2012O jornal Folha de S. Paulo publicou uma imagem bastante forte na capa da edição de 21 de novembro. A fotografia mostrava uma pessoa morta sendo arrastada, pelos pés, por um motociclista na Palestina. A vítima era acusada de ser um colaborador de Israel, segundo as legendas. Outros motoqueiros, com passageiros na garupa e alguns portando armas, acompanhavam o rito. A imagem retrata um dos mais recentes capítulos da guerra entre as duas nações.

Publicar fotos extremamente fortes na primeira página costuma atrair a ira de parte dos leitores. Muitos consideram que a imprensa invade, com violência, o ambiente privado das pessoas, que compram o jornal e o recebem dentro de casa. Imagens bárbaras ou abusivas em telejornais costumam causar o mesmo tipo de reclamação.

Um dos poucos – A Folha de S. Paulo foi um dos poucos jornais no mundo que optaram pela ousadia, justificável, do ponto de vista jornalístico. Afinal, o fato ocorreu – e a imprensa existe para, entre outras funções, mostrar os acontecimentos. Se a imagem é forte, a culpa não é do mensageiro, e sim do protagonista dela. Mas não sem razão  diversos leitores podem reclamar,  evocando motivos éticos, familiares ou humanitários, entre outros.

Entre os 894 jornais rastreados pelo Newseum (museu interativo sobre jornalismo e imprensa localizado em Washington, EUA) no dia 21 de novembro, somente quatro grandes diários optaram por estampar a imagem na primeira página com destaque – El País (Espanha), Folha de S. Paulo (Brasil), Daily News (Estados Unidos) e New York Post (Estados Unidos).

Outros dois – Jornal do Comércio (São Paulo, Brasil) e El Nacional (Venezuela) até trouxeram a foto na capa, mas em tamanho pequeno. Resumindo: entre 984 diários, apenas seis trouxeram a imagem na capa.

Vale saber – A imagem, fotografada por Suhaib Salem, da Reuters, foi capturada à luz do dia. Em tese, estava disponível para todos os jornais ocidentais. Os 894 jornais rastreados pelo Newseum no dia 21 são de diversos países, sobretudo dos Estados Unidos, país sempre lembrado pelo apoio a Israel.

O New York Post tem cerca de 555 mil exemplares de tiragem diária e linha sensacionalista. Já o Daily News tem tiragem de aproximadamente 580 mil exemplares por dia. A Folha de S. Paulo tem tiragem de quase 320 mil exemplares por dia. O El País tem tiragem diária acima de 450 mil exemplares por dia.

Reportagem do Los Angeles Times mostra porque é tão importante divulgar dados públicos

O Los Angeles Times produziu um mapa de calor (heat map, em inglês) para mostrar se o atendimento do serviço de emergência local estava cumprindo os critérios estipulados pelas autoridades.

A regra dos serviços de resgate é chegar ao local da emergência em até seis minutos. Os jornalistas do Los Angeles Times espalharam em um mapa da cidade os dados de mais de um milhão de chamadas durante os últimos cinco anos, localidade por localidade.

A gradação das cores permite perceber que o serviço de resgate consegue fazer o atendimento em até seis minutos somente nas imediações das equipes – e, para a imensa maioria dos pedidos, o tempo limite é ultrapassado.

Esse é um típico exemplo de jornalismo baseado em dados (ou data-driven journalism, em inglês). Ao encontrar uma forma visual eficiente para mostrar as estatísticas, os jornalistas descobriram uma informação relevante para os leitores.

Los Angeles heat map

Note que haveria ainda uma boa notícia mesmo se as cores evidenciassem que os serviços de resgate conseguem cumprir o prazo de seis minutos para a maioria dos atendimentos.

Dados públicos – Agora, imagine um mapa como esse para cada cidade brasileira. Além de informar, possibilidade às autoridades públicas tomarem melhores decisões e corrigirem falhas. Por isso não é aceitável manter os dados públicos escondidos, guardados nas gavetas.

Esse tipo de jornalismo é muito dependente da existência de estatísticas – e da disponibilidade delas. Por isso, há um movimento crescente entre jornalistas e atividades da liberdade de expressão para que os administradores públicos tornem públicas as informações coletadas pelos governos.

No Brasil, ano passado, uma lei foi aprovada para atender a esse princípio – a Lei de Acesso a Informação.  Vale ressaltar que diversos países sul-americanos criaram legislação sobre o assunto muito tempo antes. Outras nações ao redor do mundo já se antecipam ao uso da lei, dando visibilidade às estatísticas públicas por livre iniciativa.

É uma demanda civil que veio para ficar. O cidadão, mais que o leitor, ganha muito com tudo isso.

Veja mais:

O desafio de produzir reportagens quando faltam números.

É a informação ou a lei que permite melhores escolhas e muda hábitos:

O criados da internet começa a dar novos usos à própria criação.

Jornal aposta nas fotos-legendas. Mas poderia dar mais espaço a elas

O jornal O Estado de S. Paulo passou a publicar mais fotos-legendas – aquelas imagens com legendas mais longas, mais explicativas. É uma forma de contar as histórias de maneiras diferentes, mais visuais, menos textuais. Facilita a captura da informação principal por parte do leitor.OESP enchentes

O recurso tem sido usado com mais frequência, o que é bem-vindo. O diário poderia ousar um pouco mais e publicar uma página inteira com fotos-legendas, em diversos tamanhos. Poderia contar uma história completa ou várias delas utilizando somente fotografias com as respectivas legendas, ampliadas, mais extensas. Ou poderia aumentar o espaço para as imagens, publicando a mesma quantidade de fotos-legendas em, no mínimo, meia página.

OESP foto-legenda 1

No dia 11 de novembro, domingo, o jornal publicou fotos-legendas para retratar a alteração na rotina das pessoas em bairros periféricos da cidade de São Paulo por causa do crescimento dos homicídios e da violência em 2012. As quatro OESP foto-legenda 2imagens ocuparam cerca de 20% de uma página. Naquele dia, o Estadão foi entregue para os leitores com 11 cadernos e um total de 186 páginas. Por que não utilizar uma única página, inteira, com fotos-legendas sobre o assunto? Por que não retratar a reportagem inteira dessa forma?

Dois dias depois, o mesmo recurso foi utilizado, como vem sendo em várias matérias, dessa vez para mostrar os estragos causados pela forte chuva que caiu na capital paulista na véspera. De novo, quatro imagens dividiram espaço equivalente a 20% da página. O jornal, naquele dia, foi impresso com sete cadernos e 80 páginas.

Para saber mais:

Veja outras reportagens e exemplos já analisados sobre o uso de fotos-legendas no jornalismo impresso.