Arquivo do mês: maio 2012

Muitas matérias já mostraram mulheres ocupando profissões majoritariamente masculinas. Que tal buscar o oposto?

O The New York Times publicou uma interessante reportagens dias atrás mostrando que os homens passaram a procurar empregos – e a ocupar postos de trabalho – que são preenchidos majoritariamente por mulheres.

Pink-collar jobs Nitidamente, trata-se de uma matéria que tem, como objeto central, revelar uma tendência na sociedade norte-americana.

Porventura,  o mesmo pode estar ocorrendo no mercado de trabalho de muitos outros países, inclusive o Brasil.

Claro que o jornal se aproveita da riqueza e abrangência das estatísticas das instituições públicas dos Estados Unidos, anos-luz à frente das brasileiras.

Uma saída para isso pode ser procurar órgãos e entidades mais ligadas à análise do mercado de trabalho no Brasil e solicitar um levantamento sobre tal questão.

O Dieese e até o próprio Ministério do Trabalho e Emprego podem ser importantes fontes para isso.

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Na véspera da Rio+20, que tal comparar estatísticas ambientais de 132 países?

A imprensa começou, faz umas duas semanas, a produzir matérias mais consistentes sobre a gestão ambiental dos governos, das empresas e dos países em geral. Há um conjunto enorme de temas para serem abordados: clima, qualidade do ar, qualidade dos mananciais e rios, resíduos sólidos e saneamento básico, flora e fauna, economia verde e por aí em diante.

Se a enorme quantidade de temas disponíveis torna mais difícil a escolha da pauta mais sensível para a sociedade, é também um enorme desafio saber como hierarquizar as informações – escolher aquilo que é mais importante ou relevante – dentro de cada tema.

Mais um obstáculo: estatísticas confiáveis. Nem sempre as instituições oficiais ou sociais têm dados críveis que forneçam ao jornalista ou pesquisador um retrato confiável do tema ou do assunto abordado. Tão difícil quanto é achar números que permitam fazer comparações e relativizar a informação. Afinal, como hipótese,  reduzir o desmatamento anual em 20% parece uma boa notícia, mas torna-se ruim se outros países derrubaram a taxa em 60%.

IndexPor isso, vale bastante o esforço de entender as explicações metodológicas e as estatísticas comparadas Environmental Performance Index, um desses extensos relatórios produzidos por organizações internacionais – desta vez, pelo trabalho conjunto de dois centros de pesquisa das universidades norte-americanas de Yale e Columbia – para entender melhor como está o desempenho de diversos países em assuntos ambientais.

O índice compara o desempenho de 132 países sobre 22 indicadores distribuídos em dez categorias. O Brasil, por exemplo, apesar de estar entre as nações que apresentam tendência de avanços e boa performance ambiental, na 30ª posição, é apenas o 81º colocado quando a infraestrutura de saneamento básico é avaliada e o 114º no indicador que avalia a perda de cobertura florestal.

Se os brasileiros estão bem avaliados em itens como geração de energia por fontes renováveis (12º entre 132 países) e estoque de florestas (1º da lista), ainda há muito o que avançar.

Para saber mais:

Acesso o relatório completo que avalia o desempenho ambiental de 132 países.

Obama declara apoio ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso não é pouca coisa

O presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, declarou, dias atrás, em entrevista para um programa chamado ABC News, um dos mais populares daquele país, que apóia o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Essa declaração não é banal – e muito importante para o líder de um país como os Estados Unidos, às vezes muito mais conservador do que o Brasil em diversos aspectos, sobretudo comportamentais e religiosos.

"At a certain point, I’ve just concluded that for me personally it is important for me to go ahead and affirm that I think same-sex couples should be able to get married." (Barak Obama, in an interview with ABC News)

Em tradução livre, algo como: Em certo ponto, eu concluí que, para mim, pessoalmente, é importante para mim ir em frente e afirmar que eu acho que casais do mesmo sexo deveriam poder se casar.

No Brasil, basta lembrar que as últimas eleições para a Presidência da República foram marcadas por um debate infrutífero e retrógrado a respeito do que pensavam os candidatos sobre temas como aborto e privatizações – ambos negando que eram favoráveis aos dois assuntos.

 Opinião dos leitores – O jornal The New York Times, imediatamente, criou um dispositivo interativo pelo qual mede a opinião dos leitores sobre dois aspectos: se eles consideram a declaração positiva ou negativa e se eles consideram que haverá ou não impacto nas próximas eleições.

Cada pequeno quadrado significa a opinião de uma pessoa e quanto mais escura e preenchida uma parte do quadro estiver, mais as pessoas optaram por aquela opinião. Ao passar a seta do cursor em cima de cada quadradinho, é possível, ainda, ler o que escreveu o leitor – o que ajuda a construir a própria opinião.

Same-sex marriagePor sorte, parece que parte da audiência por lá – ao menos aqueles que se dispuseram a opinar – acredita que Obama acertou em fazer tal declaração. Mas boa parte ainda crê que essa opinião deve causar desdobramentos às eleições.

Menos mal. Todo cidadão, sobretudo aquele que se dispõe a votar (vale lembrar que o norte-americano não é obrigado a votar nas eleições), tem direito a saber a opinião dos candidatos sobre temas importantes e polêmicos para a sociedade.

A imprensa brasileira já poderia planejar, com equipes de programadores e artistas gráficos, instrumentos semelhantes para colher a opinião dos leitores e tentar evitar assim que as próximas eleições – municipais, estaduais e federais – sejam pautadas tanto pela desinformação.

Sugestão de pauta para a imprensa: o que tem no fim das linhas de metrô nas cidades brasileiras?

A idéia abaixo não é original. Mas tudo que é bem-feito e eficiente pode ser copiado ou adaptado. A imprensa brasileira poderia produzir uma reportagem multimídia exatamente igual à realizada pelo jornal norte-americano The New York Times anos atrás, em agosto de 2008.

O diário considerado como o mais influente do mundo fotografou cenas cotidianas e cenários existentes no fim das linhas do metrô de Nova Iorque. Em muitas delas, os trens param em equipamentos que parecem batentes ou molas, nos quais encostam e param.

Going to the end of the line

A versão no portal do jornal é interativa, com mais recursos, graças às possibilidades da internet e das ferramentas para edição de filme e imagem. Mas uma versão similar poderia ser reproduzida na versão em papel de qualquer jornal brasileiro.

Para isso, bastaria editar uma página dupla de jornal ou revista, com um mapa da rede de metrô, com imagens “grampeadas” na ponta linhas férreas. Quanto mais foto, com as respectivas legendas, melhor. Nem precisa de texto. Fica a dica.

Desempenho dos jornais nos Estados Unidos mostra que há vida além da UTI para o setor

O mais recente relatório da instituição que verifica a circulação de jornais nos Estados Unidos – Audit Bureau of Circulations (ABC) – mostrou que o jornalismo sobrevive, independentemente da plataforma. Essa primeira constatação é importante porque, desde que a internet passou a ser um grande distribuidor de informações e notícias de forma gratuita, entra ano e sai ano aparecem muitos especialistas prevendo a morte de grandes empresas jornalísticas em curto espaço de tempo.

O ABC informou que, nos últimos seis meses, encerrados em março de 2012, os jornais norte-americano venderam 0,68% mais exemplares que no mesmo período do ano anterior, considerando a soma de exemplares em papel e digital. Já a tiragem das edições dominicais aumentam 5%.

Muito ou pouco? – Alguns podem pensar que crescer menos de 1% é pouco – e têm razão. Mas, primeiramente, aumentar a circulação é melhor que vê-la diminuir e, em segundo lugar, é preciso analisar a qualidade desse movimento. E é justamente nessa avaliação que surgem sinais de retomada.

As assinaturas das versões digitais dos jornais – para serem lidas por e-reader, tablete ou telefone celular – já representa 14,2% da tiragem total dos jornais. Nos seis meses completados em março de 2011, essa parcela era de 8,7%.

Os dados mais específicos mostram ainda que, entre os principais jornais norte-americanos em quantidade de circulação média diária, o The New York Times apresentou resultados positivos muito acima da média, com crescimento de 73,0%, graças às assinaturas digitais. Inclusive, no semestre encerrado em março, as assinaturas digitais (807.026 por dia) superara as vendas da versão impressa (779.731 por dia).

Os maiores – Os dois maiores jornais norte-americanos em circulação diária – o The Wall Street Journal, com 2,118 mil exemplares por dia, e o USA Today, com 1,817 mil exemplares diários – apresentaram estabilidade, com aumento de 0,02% para o primeiro e queda de 0,64 para o segundo.

Dos grandes jornais – o grupo dos 25 maiores – apenas cinco tiveram queda de circulação maior que 5% nos seis meses encerrados em março de 2012 em comparação ao mesmo período do ano anterior. De outro lado, nove tiveram aumento de circulação diária maior que 5% – metade dessa turma conseguiu crescer mais de 20%.

O que isso mostra? Que, ao menos na tiragem, os grandes jornais estão bem, mesmo que em patamar bem menor que na década de 80, considerada o pico de circulação nos EUA. Naquela década, o próprio The New York Times alcançou circulação média diária acima de 1 milhão de exemplares, produção que só baixou desse patamar em 2009, quando o jornal vendeu 928 mil exemplares diários.

A indústria de jornais – O desempenho da indústria de jornais nos EUA, de certa forma, segue o mesmo desempenho do Times. Em 1984, os norte-americanos consumiram, em média, 63,34 milhões de exemplares de jornais por dia, de 1.688 títulos diferentes, segundo a Newspaper Association of America. Em 2009, de acordo com as estatísticas mais recentes disponíveis pela instituição, 1.397 diferentes jornais publicaram, em média, 46,27 milhões de exemplares por dia. Essas três décadas de declínio não computam, no entanto, as vendas digitais.

Os jornais norte-americanos têm apostado fortemente em vender reportagens por plataformas digitais (tabletes e telefones celulares), por réplicas em formato PDF para leitura em computador ou notebook) ou inclusive os chamados ‘branded editions’, produtos próprios focados em alguma comunidade, linguagem ou qualquer outro tipo de segmentação. Sinal de que a indústria jornalística, se em algum momento passou a respirar por equipamentos, está cada vez mais perto de deixar o hospital.

Para saber mais:

No Brasil, a circulação média diária dos jornais é realizada pelo IVC – Instituto Verificador de Circulação. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) mantém um quadro com estáticas atualizadas do desempenho da indústria brasileira de jornais por ano. Para efeito de comparação, a circulação de jornais em 2011 cresceu 3,5% e atingiu 8,6 milhões de exemplares diários em média. O jornal brasileiro com maior circulação é o Super Notícia, de Minas Gerais, com 293.572 exemplares por dia, em média.