Uma iniciativa inteligente do Zero Hora pode inspirar o restante da imprensa – e o próprio jornal


O Jornal Zero Hora, sediado no Rio Grande do Sul, tomou uma iniciativa inovadora para comemorar a 17.000ª edição. Selecionou todas as “capas mil” (da 1.000ª até a 17.000ª) e disponibilizou aos leitores um resumo de uma notícia de destaque de cada edição.

Fez melhor: colocou jornalistas para informar ao leitor os desdobramentos da notícia destacada. Nas palavras do próprio jornal:

“Para marcar a edição de número 17.000, Zero Hora mergulhou na sua própria história. Resgatou as capas mil (da 1.000 até a 16.000) e, de cada edição, escolheu um assunto de destaque para ser revisitado. Onde estão, por exemplo, os estudantes condenados por subversão em 1967, manchete da milésima ZH? Que fim levaram os meninos da seleção brasileira sub-20 campeã mundial em 2003? Qual foi o impacto do fechamento da fábrica de celulose Borregaard, em Guaíba, em 1973?”

imageIngrediente de sucesso – Revisitar reportagens antigas é um dos principais métodos para elaborar boas pautas jornalísticas. No Brasil, poucas iniciativas surgem com esse propósito na imprensa – e quanto aparecem, repercutem bem e positivamente. Em boa parte das vezes, o restante dos órgãos de mídia acabam “seguindo a história”.

Qual o ingrediente de sucesso desse tipo de pauta jornalística? Algumas elucubrações. Em um país que prevalecem alguns mitos, como “brasileiro não tem memória” e “o Brasil é o país da impunidade”, reportagens que tragam luz a casos antigos, sobretudo que envolvem a ação de governos ou de políticos, ratifica aquilo que os leitores creem ser o principal comportamento dos administradores públicos nacionais: apostar no esquecimento para sobreviver.

Zero Hora 2Quando reportagens confirmam que todos os acusados em casos de corrupção se safaram ou que uma política pública megalomaníaca ou eleitoreira gerou resultados inócuos, o cidadão parece ratificar que, ao desacreditar do país, do político ou do governo, fez a aposta certa. Afinal, em um país com milhões de promessas e poucos resultados, reina a desconfiança.

A iniciativa do Zero Hora merece créditos, méritos e prêmios e pode inspirar outros órgãos de imprensa – inclusive o próprio jornal – a seguir a trilha de histórias do passado com mais constância para reavivar a memória dos leitores.

Saiba mais:

1) O caso Celso Daniel. A Folha de S.Paulo revisitou, numa reportagem publicada em janeiro, os desdobramentos do caso Celso Daniel, cujo objeto principal é o assassinato do então prefeito da cidade paulista de Santo André que estava cotado para ser coordenador da campanha do então candidato Luis Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2003.

2) Dez anos da Lei Rouanet. Aproveitar o aniversário de determinado fato, como o da lei que mudou o financiamento da cultura, pode ser um motivo inteligente de analisá-lo e entregar ao leitor informações valiosas.

3) Que fim levou? A Folha de S.Paulo, novamente em janeiro de 2012, colocou repórteres para informar ao leitor o paradeiro dos ministros demitidos em 2011 sob suspeitas de corrupção ou irregularidades.

4) Uma idéia. Um painel como esse traria algum resultado para melhorar a relação do eleitor com o combate à corrupção?

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