Nos EUA, famílias contam cada vez mais com programas sociais para melhorar renda. Porque você nunca saberá nada sobre isso no Brasil?


Em 2009, 18% da renda média do cidadão norte-americano foi resultante do pacote de benefícios (mais de 50 programas, de alimentação a saúde e emprego) pagos pelo governo dos EUA. Em 1969, essa parcela era de 8%. O que isso significa? Há duas possibilidades principais: ou as pessoas empobreceram e passaram a precisar da colaboração do poder público para complementar a renda necessária ao suprimento das necessidades básicas ou o próprio Estado tomou a decisão de elevar as transferências de assistência e recursos para aos cidadãos.

Esses números foram tabulados pelo Departamento de Comércio do governo dos Estados Unidos e publicados detalhadamente na edição do dia 12 de fevereiro do The New York Times. Deram substância e conteúdo para uma reportagem abrangente e longa, acompanhada pela publicação de infográficos interativos no formato de mapas, nos quais as diferenças de tonalidade mostram locais onde os cidadãos foram mais ou menos dependentes das transferências de recursos governamentais.

The New York Times 12Feb2012 O mapa com tonalidades diferentes para mostrar localidades nas quais as famílias receberam mais ou menos recursos de programas sociais é mais um projeto bem-sucedido da equipe de infografia do jornal norte-americano. No entanto, vale lembrar que a tarefa fica mais fácil quando há dados disponíveis.

Faltam estatísticas – No Brasil, é bastante comum não encontrar estatísticas confiáveis com um histórico significativo que permita fazer análises responsáveis, estabelecer tendências, interpretar transformações. Raramente é possível encontrar uma série estatística com dados que mensurem 30 ou 40 anos de qualquer coisa, mesmo na área econômica.

O IBGE, claro, é um clássico exemplo positivo dentro de um país acostumado a não contabilizar quase nada. Mesmo feita essa ressalva, dificilmente emanarão dos arquivos do instituto dados com tanto detalhe, com cinco ou seis décadas de sequência, para cada ente federativo.

Nos últimos anos, a área econômica é o setor do governo central que mais evoluiu na organização e confiabilidade de dados orçamentários (tanto arrecadação quanto gasto), principalmente a partir da década de 1990, quando houve a necessidade de organizar as estatísticas das contas públicas por causa do iminente plano de combate à inflação – o Real.

Tornou-se essencial conhecer rigorosamente o destino dos gastos para evitar descontroles nos preços. Na contabilidade pública, o Real forçou uma revolução positiva sem precedentes.

Problema histórico – Essa falta de cultura do poder público brasileiro em registrar e mensurar estatísticas sobre as iniciativas governamentais causou estragos consideráveis no esforço de entender as transformações econômicas e sociais no Brasil.

Mesmo historiadores, quando conseguem resgatar alguns dados, nunca recuperam dados que representem a fotografia do país – no máximo, de um estado ou município. Simples: se o Estado pouco se preocupou em mensurar e registrar as estatísticas sobre gastos e serviços públicos, é impossível resgatá-los de qualquer arquivo.

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