Twitter oferece boas pautas para os jornalistas. Mas é preciso seguir algumas pistas


A rede social Twitter é uma usina de idéias para aqueles que conseguem encontrar maneiras próprias de separar o joio do trigo. No mundo todo, os mais de 75 milhões de usuários, ativos ou não, publicam cerca de 50 milhões de mensagens por dia. As pessoas que participam da rede compartilham informação, opinião, análise, dicas, documentos e muito mais.

Tem muita conversa fiada, mas também muitas boas pautas. Quanto mais eclética for a lista de pessoas seguidas pelo usuário, maior a possibilidade de surgirem novas idéias. Além disso, é interessante acompanhar usuários de diferentes profissões, partidos políticos, regiões ou estados, entre outros aspectos, para aumentar a chance de ser surpreendido.

Geralmente, pessoas ou políticos famosos só publicam informações pasteurizadas ou que facilmente serão encontradas nas principais agências de notícias em poucos minutos. Vale mais seguir pessoas com pouca ou nenhuma notoriedade e deixar de lado os peixes graúdos.

Debate ignorado – Veja um exemplo. Dias atrás, o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), pelo Twitter, divulgou informações de um debate realizado para discutir desequilíbrios existentes na destinação dos recursos da Lei Rouanet, que, entre os principais aspectos, permite que pessoas físicas e jurídicas transfiram parte do Imposto de Renda anual devido para a produção cultural.

Twitter Arnaldo JordyEle informou que, em 2009, foram captados por produtores em geral R$ 1,1 bilhão, dos quais 76% acabaram destinados para o eixo Rio-São Paulo e apenas 0,4% para a Região Norte. Os jornais de grande circulação não deram atenção, nem ao tema nem ao debate.

Em 2010, escreveu o deputado em blog próprio, “os estados da Região Sudeste receberam 81% das verbas de renúncia fiscal. Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte ficaram com, respectivamente, 8%, 6%, 4% e 1%”. O parlamentar trabalha para aprovar um projeto de lei que distribua de forma diferente os recursos destinados a produções culturais via Lei Rouanet.

Vale lembrar que, dentro da política de incentivos fiscais, o Ministério da Cultura apenas autoriza que os produtores culturais percorram o mercado para convencer empresas e pessoas a transferirem parte dos valores devidos como Imposto de Renda para os produtos culturais que estão produzindo.

Perguntas sem respostas – Mas vale a investigação. O ministério apóia e aprova mais projetos de produtoras do eixo Rio-São Paulo por qual motivo? Estas são muito mais preparadas que as demais ou há alguma distorção dos mecanismos e sistemas de julgamento das propostas? As produtoras das regiões menos favorecidas têm apresentado bons projetos? Como é feito o julgamento? Quais os critérios?

Quanto, em recursos, tem sido transferido para o setor de cultura via Lei Rouanet desde 1991, quando a lei foi aprovada? Quais as mudanças que podem ocorrer de acordo com projetos de lei existentes no Congresso Nacional?

Essas respostas certamente são já conhecidas pelos personagens que convivem e atuam no mercado cultural, mas provavelmente serão novidades para leitores, internautas, ouvintes ou telespectadores.

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