Arquivo do mês: outubro 2011

Washington Post reverbera desejo de demolir o Minhocão em São Paulo

O jornal norte-americano The Washington Post publicou, dias atrás, uma reportagem na qual arquitetos e moradores defendem a implosão do Minhocão, ou “The Big Worm”, como traduziu o diário para os leitores ao redor do mundo.

Entre os principais aspectos da reportagem, alguns podem ser frisados:

– Arquitetos defendem – e o jornal também, praticamente – a implosão do Minhocão, uma das medidas que ajudariam a cidade de São Paulo a “se tornar mais eficiente”, a se reinventar, a manter uma atividade vibrante.

– A cidade de São Paulo tem uma infraestrutura saturada e obsoleta, que a cada ano precisa atender mais pessoas e carros e que tem uma rede de metrô com somente 60 estações e 80 quilômetros – contra 468 estações e mais de 1.300 quilômetros em Nova Iorque.

– Um especialista norte-americano disse que São Paulo precisa pensar grande e se manter no curso por anos seguidos para implementar as medidas necessárias, sem impaciência.

– Em paralelo ao pedido de demolição do Minhocão, para o qual não cabe “cirurgia plástica”, arquiteta defende que a avenida São João seja totalmente entregue somente para os pedestres.

– Uma senhora de 72 anos, que mora há 50 anos no mesmo lugar, cuja janela dá de frente ao Minhocão hoje em dia, não se incomoda com o ruído e passa o dia costurando com a janela aberta, assistindo o vaivém de veículos e cantando músicas italianas.

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São Paulo e Nova Iorque: quanto tempo demora para remodelar e revitalizar uma área degradada?

Por que a mídia não abusa das fotos-legendas?

Nos últimos dias, UOL e National Geographic publicaram matérias utilizando de forma exemplar um recurso pouco explorado pela imprensa: as fotos-legendas. No jornalismo, inclusive na internet, ainda predomina o texto corrido, independente da extensão.

O UOL passou a narrar algumas reportagens apenas por meio de fotos-legendas, mesmo que ainda utilize o recurso como acessório ao texto na maioria das vezes. A National Geographic já faz isso há algum tempo – mais na internet, menos na revista impressa, também aplicando as fotos-legendas como elemento acessório ao texto corrido, que é quase sempre extenso, muito extenso.

Foto-legenda Na internet, é mais fácil para a imprensa utilizar esse recurso, principalmente por causa da sensação de o espaço ser ilimitado. Além disso, obriga o internauta a clicar mais vezes para ler a história toda, foto por foto, o que aumenta alguns indicadores de medição de audiência.

Nos jornais e revistas impressos, raramente há histórias narradas por fotografias, com um bom uso das legendas. Na quase totalidade dos casos, predomina o texto, mesmo que as imagens estejam bem explicadas. Acredito que algumas publicações poderiam experimentar melhor o uso das fotos-legendas e avaliar a resposta dos leitores.

Vale um alerta: algumas características diferenciam as fotos com legendas que geralmente são vistas nos jornais e revistas das chamadas fotos-legendas. No primeiro caso, a fotografia é um acessório da reportagem narrada por texto. No segundo caso, a fotografia é protagonista para narração da história, sendo auxiliada pelo texto, que explica a imagem. Nas fotos que acompanham a maioria das matérias na mídia, a legenda geralmente não ultrapassa duas linhas. Nas fotos-legendas, a legenda é mais longa.

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E se os jornais narrassem as histórias com páginas de fotos-legendas?

Opinião a gente respeita: você é contra ou a favor de estender o aviso prévio de 30 para 90 dias?

Cartas FSP Duas pessoas mandaram cartas ou e-mails para a Folha de S.Paulo, publicadas no dia 14 de outubro, com opiniões divergentes a respeito de uma decisão dos congressistas brasileiros. Eles aprovaram lei que regulamenta, depois de 24 anos de atraso, as regras para o aviso prévio.

Antes, o empresário, ao demitir um funcionário sem justa causa, era obrigado a pagar o salário referente a um mês de trabalho, com a opção de exigir ou não que o empregado recém-demitido trabalhe no período. Na maioria das vezes, futuro desempregado recebe o dinheiro e é liberado de cumprir os 30 dias seguintes de labuta.

Agora, segundo os deputados e senadores, o patrão terá de pagar 90 dias como aviso prévio. É justo? Não é justo? Cada um tem um ponto de vista. Eu prefiro concordar com o Clóvis. Demissão é algo natural da vida, algo que pode acontecer, como bater o carro, pisar no cocô do cachorro, derrubar a lata de cerveja.

No entanto, apesar de discordar do Martin, que aprova a medida aprovada pelos representantes do povo, concordo com a idéia final dele. Seria ótimo sacar do valor das emendas que esses parlamentares têm direito o montante exato do prejuízo que eles causam à sociedade, seja por omissão de ação ou desvios. Além das emendas, que tal incluir nessa conta corrente o valor das verbas de gabinete, auxílio-paletó e outros paparicos mais?

Além disso, Vossas Excelências continuam a fazer caridade com o dinheiro alheio. Desta vez, novamente, com o dinheiro das empresas.

Estadão faz homenagem aos 80 anos do Cristo Redentor com infografia digna de prêmio

Anos atrás, os apaixonados por infografias tinham apenas a revista Superinteressante para recorrer. Com a guinada do jornalismo para novas frentes, como o uso mais intensivo de estatísticas e bancos de dados e a elaboração de infográficos estáticos ou interativos, diversos jornais impressos ou eletrônicos têm conseguido bons resultados na arte de informar sem usar longos textos.

80 anos Cristo Redentor O jornal O Estado de S. Paulo publicou no dia 12 de outubro uma reportagem para lembrar do aniversário de 80 anos da inauguração do Cristo Redentor e informar a agenda de eventos culturais e de entretenimento programada para a festa. Ao mesmo tempo, aproveitou a oportunidade para instruir os leitores a respeito de uma polêmica que permanece após décadas: quem foram os verdadeiros autores da obra.

A matéria se transformou em alegoria do principal aspecto: uma infografia digna de prêmio, tão boa quanto aquelas produzidas pela Superinteressante. O jornal praticamente “desmontou” a estátua e mostrou como funciona a estrutura interna do monumento e deu instruções sobre a construção.

Saiba mais:

No ano passado, o Estadão já tinha feito algo similar quando o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, já centenário, foi reaberto, em maio de 2010, após 18 meses de reformas. A infografia também “desmontou” o edifício para ativar a curiosidade das pessoas.

Quando vaia das arquibancadas, a torcida às vezes tem razão. Mas nem sempre

Alguns jogadores são considerados os “pernas de pau” pelos torcedores. No Corinthians, boa parte das arquibancadas credita a queda de rendimento do time no fim do primeiro turno ao desempenho do zagueiro Chicão, até então capitão do time e um dos símbolos de entrega e empenho da equipe.

No São Paulo, um dos mais criticados é o lateral esquerdo Juan, formado nas categorias de base, campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009 com desempenho elogiado e recém-contratado pela equipe tricolor para a temporada 2011. No Palmeiras, a história não é diferente. O atacante Luan, em boa parte dos jogos, recebe críticas e á tratado com ironia pela torcida e pela mídia.

Como avaliar se a torcida tem razão? Um dos caminhos é medir o desempenho dos atletas, jogo por jogo: quantos passes certos e errados, quantos gols e finalizações, quantos desarmes e assistências, entre outros fundamentos do futebol. O que poderia ser informação pode se transformar em confusão.

O Globoesporte.com ofereceu aos internautas estatísticas individuais de cada jogador presente no campeonato brasileiro da primeira divisão. Está tudo lá. Então, que tal comparar o desempenho do perna de pau (aos olhos dos torcedores do próprio time) com rivais que estão se destacando na mesma posição?

Juan x Cortes1) Juan (São Paulo) x Bruno Cortês>

Um é criticado na equipe paulista. O outro, no Botafogo, foi convocado para a seleção brasileira. Em 13 aspectos avaliados, dados mostram que o são-paulino é melhor em 5, pior em 4 e empata em 4. Um detalhe: Nos passes errados, a desvantagem de Juan é de 0,01 ponto percentual, o que poderia ser considerado um empate. Então, o resultado mais realista seria Juan 6 x Cortês 3. Mas o destaque do campeonato é, sem dúvida, o botafoguense.

Dedé x Chicão 2) Dedé (Vasco) x Chicão (Corinthians).

O primeiro foi convocado pela seleção brasileira e está na mira de diversos clubes enquanto o segundo perdeu a vaga de titular, a faixa de capitão, não foi sequer escalado para o banco nos últimos jogos e está em desgraça com a torcida. As estatísticas mostram que o vascaíno é destaque em 6 categorias, contra 4 do corintiano. Dedé se destaca em dois fundamentos essenciais para um zagueiro: rouba mais bolas e acerta mais passes. Chicão, ao contrário de anos anteriores, deixou de fazer gols de falta e pênalti, fundamentos nos quais se destacava. Isso tem feito a diferença.

Luan x Dagoberto 3) Luan (Palmeiras) x Dagoberto (São Paulo):

O palmeirense não atuou no último clássico do clube, contra o Santos. Nas redes sociais, a torcida chgou a ironizar, escrevendo que o alviverde paulista estava tão mal na partida que já sentiam saudades do atacante. De outro lado, Dagoberto tem recebido elogios. Contando todos os campeonatos no ano, já marcou 22 vezes e deu muitas assistências. Pelas estatísticas, no entanto, o palmeirense se destaca em 6 fundamentos, contra 3 do são-paulino. A vantagem de Luan poderia ser ainda maior, já que Dagoberto, ao contrário de anos anteriores, não recebeu nenhum cartão vermelho ainda.

Esclarecimento ou mais dúvidas? – O problema das estatísticas em uma área tão dinâmica e tão sujeita a análises subjetivas como é o futebol é que elas esclarecem, mas não convencem. Certamente, torcedores que criticam fulano, mesmo que ela tenha melhor desempenho nos fundamentos, vão propor, de imediato: “quer trocar fulano por beltrano?” Os dados, isoladamente, não são definitivos – apenas auxiliam a entender melhor o assunto, a ter um diagnóstico melhor, a analisar a questão por outro ponto de vista e a pensar melhor.

Mas é possível tirar conclusões e lições. 1) O jogador muitas vezes permanece do time porque é aplicado em fundamentos que o técnico considera importantes. 2) Nem sempre o desempenho do atleta justifica as vaias do torcedor. 3) Em um único jogo, o “perna de pau” aplica um chapéu do adversário, marca um gol, acerta três chutes no alvo, e reverte toda a desvantagem estatística. Futebol é ou não é coisa do diabo?

Para saber mais:

Para avaliar o desempenho de cada jogador e compará-lo com outros atletas que disputam o campeonato brasileiro 2011 da primeira divisão, basta acessar a página do Globoesporte.com, clicar no escudo do clube. No fim da página de cada clube, estão as ferramentas que permitem analisar as estatísticas.

Engenheiros e matemáticos ganham 50% a mais que jornalistas e advogados nos EUA

Um infográfico simples e interessante foi publicado no jornal The Washington Post no dia 23 de maio de 2011 em uma reportagem que analisa um estudo da Georgetown University Center on Education and the Workforce, dos Estados Unidos.

O estudo analisou o salário anual médio do trabalhos nos EUA área por área, indicando quais cursos universitários poderiam, em tese, no futuro, oferecer melhores rendimentos aos estudantes.

W Post - Salário por área O objetivo foi oferecer informações estatísticas para famílias cada vez mais endividadas com o crédito estudantil e outros tipos de dívida feitas para pagar os cursos universitários – algo bastante comum nos Estados Unidos. Não é raro as famílias hipotecarem a própria casa para custear a educação dos filhos.

O gráfico, limpo e sem firulas, deixa claro que as carreiras relacionadas às ciências exatas – matemática, engenharia e computação – chegam a pagar 50% a mais que aquelas relacionadas às ciências humanas – educação, psicologia, jornalismo e artes, por exemplo. Os ganhos anuais médios de algumas áreas do primeiro grupo chega, inclusive, a ultrapassar a marca de 50% de algumas carreiras do segundo grupo.

Dos maiores aos mais baixos salários da engenharia norte-americana, separe os 25% mais altos. Neste andar de cima, o salário médio atinge US$ 100 mil por ano. Agora faça o mesmo exercício em outras carreiras. O rendimento anual médio chega a US$ 73 mil para profissionais do jornalismo, da agricultura e da advocacia. O grupo de educadores mais bem pagos ganham US$ 60 mil por ano.