Séculos de estatísticas ajudam a entender como sociedades evoluem ou regridem


O Brasil é um país com poucos números e estatísticas organizados nas mais diversas áreas. Basta tentar fazer uma reportagem ou investigação qualquer que essa escassez de informações aparece rapidamente.

Esse problema brasileiro – que não mata, mas certamente aleija – foi abordado em uma série de reportagens pelo jornal O Globo, desde o último dia 28. A primeira matéria tratou da falta de estatísticas organizadas na área de segurança pública, enquanto as seguintes mostraram que faltam estatísticas nos setores de educação e saúde.

18oldbailey2-popup Os números não são meros caprichos – e as reportagens evidenciam isso. A desorganização não permite o planejamento na identificação de problemas, na orientação de estratégias de ação e na mensuração de resultados. Em muitos casos, o governo federal até criou bancos de dados, mas eles simplesmente não são alimentados pelos donos da informação – na maioria das vezes, estados e municípios.

A série de reportagens ganhou um título bastante significativo e apropriado: “O apagão de informações”. Sem dados históricos e abrangentes, nenhuma sociedade consegue detectar avanços e deficiências de forma que possa corrigir erros ou insistir em experiências bem-sucedidas.

Caso exemplar – Apenas para servir de bom exemplo, o jornal The New York Times publicou uma reportagem abordando estatísticas a respeito do sistema de julgamentos criminais da cidade de Londres, na Inglaterra, a partir de dados arquivados de Old Bailey, a corte principal de julgamentos. Detalhe: os dados abrangem crimes julgados no período entre 1674 a 1913.

No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) costuma ser um raro oásis para pesquisadores, jornalistas e cidadãos que desejam obter estatísticas econômicas e sociais sobre diversos aspectos do país. No entanto, mesmo a instituição não tem informações organizadas e confiáveis que remetam à primeira metade do século XX. O instituto só foi criado em 1934, quando passou a exercer o trabalho de mostrar o país pelos números, de forma sistemática e organizada.

Setores organizados da sociedade, incluindo estatais e não governamentais, até se esforçam para criar bancos de dados sobre saúde, educação, economia, política e outros aspectos, mas o Brasil vive, realmente, há tempos, um “apagão de informações”. As consequências desse hiato, desses buracos, é desastrosa, na medida que não permite às pessoas conhecerem e transformarem o espaço em que vivem e a realidade delas.

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